O provedor de internet afeta a velocidade do meu acesso ?

Sim, o provedor afeta a qualidade e a velocidade da internet do usuário.

Entenda que um provedor é nada mais do que um “atacadista” de internet. Ele compra internet de um provedor MAIOR em atacado, em grande “quantidade” (na verdade em grande velocidade) e revende no “varejo”, em pequenas partes, para os seus clientes.

Por exemplo, um provedor pequeno (vamos chamá-lo de tartaruga) compra 1000 megabits por segundo de um provedor maior (vamos chamá-lo de coelho). Como ele está comprando uma velocidade grande dessas, o coelho dá um desconto para tartaruga.

O coelho então faz a conexão em alta velocidade entre a sua sede e a sede de tartaruga.

Tartaruga liga a sua rede a conexão que coelho proveu e acessa a internet.

Aí um cliente de tartaruga, vamos chamá-lo de caramujo, compra de tartaruga um acesso de 10 megabits por segundo. Como tartaruga tem 1000, caramujo vai ocupar 10, sobram 990 megabits para tartaruga vender para outros otário.. .quer dizer … clientes. Tartaruga então vai passar um cabo de fibra ótica, ou coaxial ou fio de cobre entre a sua sede e a casa de caramujo. Em cada ponta do fio/fibra/cabo tartaruga instala um “roteador” para interligar os equipamentos da casa de caramujo a rede de tartaruga em sua sede. Essa ligação pode ser feita inclusive via rádio. Assim que os provedores em geral funcionam, inclusive os provedores via rádio.

Ora , se tartaruga vende acessos de 10 megabits e ele tem 1000 megabits significa que tartaruga só poderia ter 1000/10 = 100 clientes como caramujo.

Aí começa a malvadeza dos provedores de acesso. No ramo de provedores essa malvadeza se chama “colocar água no leite”. Ou seja, tartaruga compra 1000 megabits por segundo mas vende muuuuuuuuito mais do que esses 1000 megabits.

Suponha que tartaruga tenha 100 clientes de 10 megabits por segundo cada um. Então 100 * 10 = 1000 megabits que ele comprou de coelho .. até aí tudo bem.

Mas e se tartaruga vender para outros 100 clientes os mesmos 10 megabits ?

Ele vai ter 200 clientes cada um a 10 megabits por segundo, portanto ele vendeu 200 * 10 = 2000 megabits ! É o dobro do que ele compra de coelho !!! Como pode isso ?

O que acontece é que a maioria das pessoas, quando acessa a internet apenas para navegar na web, enviar/receber email, mandar/ mensagens via skype/whatsapp, passa a maior parte do tempo LENDO/ESCREVENDO o conteúdo e só alguns momentos usando de fato a capacidade de recepção/transmissão da internet.

Por exemplo, quando você acessa o site de perguntas e respostas para escrever uma pergunta, você acessa a página, ela é transmitida para o seu computador. Aí para a transmissão, a sua internet fica ociosa. Enquanto você está lendo a página e depois escrevendo a pergunta, nada é transmitido/recebido. O seu provedor não envia nem recebe dados. Fica ocioso. Quando você escreve tudo e clica no botão enviar, só então os dados são transmitidos. Acontece que tanto a página que você leu como a pergunta que você enviou são pequenos. Tem poucos dados e são transmitidos/recebidos rapidamente. A internet volta a ficar ociosa.

Justamente por causa do caráter de uso intermitente da internet que as pessoas fazem, permite-se que o provedor venda MAIS do que COMPROU. Enquanto você está lendo a sua mensagem, outro usuário do provedor está baixando de fato uma página.

Bom, isso acontecia muito antigamente quando a internet era basicamente só texto. Por causa dessa característica, era comum o provedor vender algo em torno de 50 a 100 vezes mais do que comprou. E o curioso é que ninguém percebia lentidão alguma.

Aí o tempo passa, o tempo voa, a internet vai se sofisticando e passa a trafegar imagens (opa, é muito mais dados), som (mais dados ainda) e vídeo (aí laskou de vez porque é dado pra caramba). Ahá ! Com o advento da multimídia a demanda de transmissão de dados aumenta muito.

Para assistir um video na internet, no youtube ou netflix, quando você dá play, o vídeo tem que ser transmitido em alta velocidade e em grande quantidade de dados. O usuário de internet fica sem fazer nada enquanto os dados são transmitidos. O mesmo acontece quando se vai fazer um download (ou upload) de um arquivo, de um jogo, de um programa. São muitos dados transmitidos. O mesmo acontece com jogos online em que os comandos do jogador e as modificações no campo de jogo são transmitidas/recebidas continuamente.

Aí os provedores que colocavam muita água no leite não conseguem manter a velocidade percebida.

Voltando ao exemplo de tartaruga, que vendeu 2000 megabits (para 200 clientes) apesar de ter comprado apenas 1000 megabits de coelho.

Se todos os 200 clientes de tartaruga decidirem acessar a internet ao mesmo tempo então os 1000 megabits que ele compra de coelho terão que ser divididos entre os 200. Isso significa que 1000/200 = 5 megabits ! Epa !! que história essa ? Os clientes de tartaruga estão pagando por 10 megabits  e só estão recebendo 5, metade disso !! AHá !!! Aí está a água no leite.

Como estatisticamente a probabilidade de TODOS os 200 clientes de tartaruga estarem em casa ao mesmo tempo e todos fazendo download ao mesmo tempo é praticamente nula, não se percebe problema. Porém, se todo mundo começar a usar … aí a rede fica lenta. Por isso que existem horários em que a internet é mais lenta e em outros horários a internet é mais rápida.

Para tornar mais cruel esse lance da água no leite, a ANATEL no Brasil em 2018 permite que a velocidade real disponibilizada para os cliente seja apenas 10% da velocidade nominal contratada. Isso significa que se você paga por 50 megabits, você só pode exibir um décimo dessa velocidade, 5 megabits. Em teoria os provedores podem vender 10 vezes mais a sua banda nominal. Na verdade eles vendem muuuito mais que isso e aí acontecem as oscilações de qualidade entre um provedor e outro.

Então porque a escolha do provedor pode afetar a velocidade da internet ?
Pense bem, se tartaruga compra 1000 megabits e vende para 200 clientes ele vai ter uma velocidade percebida melhor do que outro provedor chamado LentaNet que compra os mesmos 1000 megabits mas vende para 600 clientes.

Agora pense bem, da mesma forma que tartaruga e LentaNet compram de coelho, coelho compra de um provedor MAIOR ainda um enlace de 10.000 megabits para vender para um monte de tartaruga’s e LentaNet’s, portanto o problema da água do leite continua nessa escalada para cima. O que quero dizer é que você pode ser cliente de um provedor que é cliente de um provedor que é cliente de outro provedor que é cliente de outro provedor …. e cada um deles vai ter a sua velocidade e a velocidade final que você vai perceber é uma mistura das velocidades derivadas de cada um desses enlaces.

Outro aspecto interessante é o da interconexão.

Suponha que a OutraNet seja um provedor na mesma cidade que tartaruga e LentaNet. Suponha que OutraNet está ligando a um provedor diferente de coelho. Vamos chamá-lo de ChitaraNet. O mesmo esquema, ele compra de um provedor maior que nem tartaruga faz com coelho.

Agora imagine que na rede de tartaruga tem um servidor de jogos muito legal, com uma turma boa e animada. Os usuários de OutraNet jogam muito nesse servidor. A rede de OutraNet tem que dar a volta ao mundo para sair pela ChitaraNet, ir até o provedor de ChitaraNet passar não sei por onde e em algum momento entrar na rede de coelho e dentro da rede de coelho chegar a tartaruga onde está o servidor de jogos.

O administrador de OutraNet percebe então que esses usuários do jogo estão ocupando a saída para a internet apenas para se ligarem a um servidor que está do outro lado da cidade. Esse administrador é esperto e liga para o administrador de tartaruga e propõe o seguinte : “Olha, tenho muitos usuários que acessam seu servidor. Tanto eu como você estamos pagando caro para nosso provedores para essa galera jogar. Que tal se a gente ligasse nossas redes diretamente entre si, sem intermediários ? Os jogos ficariam mais rápido e a gente não ocuparia nossa saída para a internet”. Tanto para tartaruga como para OutraNet é interessante “trocar tráfego” entre si já que existe um volume de tráfego grande. Dependendo do volume pode sair mais barato ligar direto. Além disso, um pode usar a saída do outro para internet em caso de pane no provedor. Isso é o que se chama de interconexão.  Eles concordam e estabelecem o enlace entre um e outro e dividem a conta. Esse é o princípio da “teia” da internet.

Então, se ao tentar acessar um servidor na internet, onde quer que seja, pode ser um servidor de web, de vídeo, de áudio, de email, de arquivos, de jogos, seja o que for … pode acontecer de ter mais de um caminho para chegar a esse servidor. Quanto menor for o caminho, mais rápido será o acesso.

Isso significa que a velocidade de fato muda de um provedor para outro mas dependendo do que você vai acessar, pode ser que o provedor que é lento para todo mundo seja suficientemente rápido para você.

Os provedores de acesso promovem a utilização da sua própria rede para diminuir o uso da saída para a  internet que é cara. Por isso os provedores locais criam seus próprios servidores locais de jogos para que os usuários não esgotem sua saída para internet.

 

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O que é NAT ? Para que serve ?

Nos primórdios da internet no Brasil, década de 90, escrevi um artigo explicando como funcionava o NAT. O artigo original está aqui 

Velhos tempos em que o ICQ e Netmeeting eram muito usados. O tempo passa, o tempo voa e a poupança Bamerindus nem existe mais. Se você não entendeu a frase e nem sabe que é Bamerindus, meu ponto está demonstrado. O NAT persiste e evoluiu bastante. Ficou mais moderno, mais rápido e mais popular do que nunca com a utilização de banda larga em todo canto. NAT se tornou ainda mais importante com a profusão de dispositivos móveis que se ligam a internet: smartphones, tablets, impressoras, smart tv’s, notebooks e por aí vai. Hoje em dia, numa típica residência, é comum ter vários dispositivos acessando a internet ao mesmo tempo.

Mas o que é NAT ? 

O NAT é um protocolo/técnica utilizada para compartilhar o acesso a internet numa rede local. O NAT permite que uma rede local privada, particular (como é a da sua casa/escritório) seja conecta a internet pública a qual você terá acesso pela operadora (Oi, Vivo, Claro, NET, ou seja lá qual for). Dessa forma, onde apenas um computador poderia acessar a internet, vários dispositivos podem acessar simultaneamente. O roteador doméstico irá fazer o NAT para a sua rede. Os roteadores wifi de 90 reais são capazes de fazer o NAT. Os modens (adslmodem ou cablemodem) fazem o NAT, alguns fazem wifi também. Sua rede local em casa pode ter um roteador só (o que a operadora fornece) ou pode ter vários roteadores espalhados pela casa/escritório.  Isso é o que chamamos de LAN – Local Area Network, ou seja, rede de área local. As velocidades da rede LAN são altíssimas, na casa dos 54mbps, 150mbps, 300mbps e até 1000mbps (1gbps). Velocidade de rede é medida em bits por segundo. Um mpbs = um megabit por segundo, um milhão de bits por segundo. Um gigabit = 1000 megabits.

Ao ligar os dispositivos (celulares, notebooks, smarttvs, tablets) ao roteador da sua casa, seja por wifi, seja por cabo, você forma a sua rede local. Mensagens podem ser trocadas entre esses dispositivos diretamente. Um computador com fotos manda as fotos diretamente para a smart tv. Um filme gravado no hd do notebook é transmitido diretamente para o tablet para você assistir. Diretamente é força de expressão pois os dados (sim, tudo é dado) passa pelo roteador wifi/cabo. Só que nessa situação, essa transmissão se assemelha a uma ligação com uma extensão elétrica. Não requer muito trabalho do roteador que atua quase passivamente.

O seu roteador tem uma porta WAN, uma tomada, a qual vai ser ligado o acesso físico a internet propriamente dito. WAN = Wide area network, ou seja, rede de area ampla (ou distante). Em alguns modens ADSL (velox, gvt, speedy) essa parte WAN é o próprio fio de telefone, o par de cobre, que vem da rua. Em cablemodem como os da NET, a porta WAN é o cabo coaxial que vem da rua. Alguns roteadores domésticos tem uma porta WAN ethernet (cabo de rede) que permite que ele seja ligado a um adslmodem, cablemodem, adaptador de fibra ótica ou mesmo internet via rádio (em alguns casos). Portanto, temos algumas situações interessantes aqui: o roteador pode ser conjugado/embutido no cablemodem/adslmodem, ou o roteador é separado do modem (mais raro hoje em dia).

Quando um dos dispositivos (hosts) da sua rede local vai acessar alguma coisa na internet aí começa o trabalho de verdade para o roteador. Ele recebe a sua solicitação e guarda na memória dele. Ele então repete a solicitação para a parte WAN, ou seja, a ligação com a internet. A solicitação percorre a rede internet (leia aqui um artigo que explica como) e é atendida por algum outro host externo alguns instantes depois. Quando o roteador recebe a resposta ele lembra que essa resposta é para aquele tal host interno e encaminha-a para ele, fazendo uma alteração do destinatário original (o próprio roteador) para o endereço interno do host solicitante. Essa conversão é o “address translation” que dá nome ao protocolo NAT.

Essa técnica de NAT permite que os computadores da rede local tenham endereços IP reservados, popularmente chamados de IP’s “falsos” ou mais corretamente “privados”. Nesse ponto, o NAT funciona como um PABX, uma central telefônica. Imagine que você trabalha numa empresa com centenas de funcionários e cada um deles tem um ramal. O número do ramal tem 4 algarismos. 5001, 5002, 5003 e assim por diante. Quando alguém dentro da empresa quer falar com outro colega dentro da empresa, basta digitar os 4 algarismos do ramal. Tira o fone do gancho, digita (eu ia dizer “disca” mas ninguem mais disca hoje em dia) o número do destinatário e uma ligação direta de um ramal para o outro é estabelecido. A ideia é essa. O ramal 5003 da sua empresa é o ramal da Renata, a bonitona do departamento de marketing, por exemplo. Noutra empresa o ramal 5003 é de outra pessoa, sei lá, o Bráulio, famoso por participar de uma campanha de prevenção de DST anos atras. A ideia do número de ramal privado é que a sua empresa pode adicionar ramais, tirar ramais, mudar ramais sem precisar pedir a benção a operadora de telefone. Mais do que isso, a central telefônica tem centenas de ramais, sua empresa é grande. Mas ela não precisa de uma centena de linhas de telefone para ligar para fora. Umas 20 linhas são suficientes. Portanto, as 20 linhas são “compartilhadas” entre as centenas de ramais pois assume-se que nem todos os funcionários estão fazendo/recebendo ligações para fora o tempo todo. O mesmo acontece com o NAT. O acesso a internet é compartilhado com quem está dentro da rede local da mesma forma como as linhas telefônicas são compartilhadas pela central PABX. Quando uma pessoa quer ligar para fora, normalmente disca um 0 (zero) para obter uma linha. Se 20 pessoas fizerem isso ao mesmo tempo, as linhas ficarão ocupadas. O vigésimo primeiro que teclar 0 vai receber um sinal de ocupado. Não tem mais linha disponível. Ué ? E como é isso no NAT ? Bom, no NAT os hosts não precisam discar 0. Eles apenas solicitam acesso e o roteador percebe automaticamente se é para dentro da rede local ou para fora. Se for para fora ele vai encaminhar o acesso para a WAN, como explicado anteriormente. É possível, que ao se colocar muuuuuuitos hosts numa rede local, o roteador fique sem memória para armazenar todas as solicitações. Isso acontece quando se usa um roteador doméstico com capacidade limitada de processamento/memória para conectar uma rede com muuuuuuitos hosts. Nesse caso o certo seria usar um roteador profissional e mais caro, com mais capacidade.

O PABX faz com os números de ramais o que o NAT faz com os IP’s reservados. O seu computador pode receber do roteador o IP 192.168,1,10. Na casa do seu amiguinho tem outro roteador, outro acesso a internet e lá o IP do computador dele também é 192.168.1.10. Porque ? Porque é a mesma situação do ramal 5003 dito acima. O IP é igual mas ele é reservado e fica numa rede diferente.

Agora imagine que você, usuário do ramal 5003 na sua empresa, quer receber ligações da sua namorada, de seus parentes. Aï você informa para eles “O meu ramal é o 5003”. De posse apenas dessa única informação é impossível ligar para você. Não é suficiente. O 5003 só faz sentido DENTRO do PABX. Para funcionar na rede de telefonia da sua cidade, o número tem que ser público, normalmente com 8 algarismos. Então como funciona ? Para ligar para o seu trabalho, alguém tem que saber o número público da central e ao ser atendido pela telefonista, você informa o número do ramal. Esse encaminhamento da chamada, que requer uma telefonista, pode até ser automatizado se a central tiver o dispositivo de “Discagem Direta a Ramal” onde o sufixo do número público, os último 4 algarimos do número divulgado, na verdade é o número do ramal interno. O número de ramais internos que podem ter essa discagem direta é limitado ao número de linhas contratadas. O número de telefone está para a central PABX como o IP público cedido pela operadora está para seu seu roteador. Assim como no PABX você pode configurar a central para usar o número de ramal interno que quiser, no seu roteador, o número de IP reservado quem define é você. Já o número público é definido pela operadora. Tanto na rede de telefonia como na de internet. No NAT, o encaminhamento automático é chamado de “port forwarding” ou …”abertura de portas” e é muito usado para permitir que hosts dentro da rede local recebam conexões entrantes oriundas de fora da rede, passando pelo roteador. Essas conexões entrantes são comuns em jogos, em softwares peer-to-peer onde cada jogador/usuário é um servidor também e precisa receber ligações dos outros jogadores/usuários.

O port forwarding, port translator, port assignent ou port opening serve para informar ao roteador que uma certa porta vai ser redirecionada para um determinado host dentro da sua rede local.

O que é uma “porta” afinal ?

Pense no endereço IP como uma identificação. Se fossemos fazer um paralelo entre hosts e pessoas, o IP é o RG da pessoa. A porta, podemos dizer é o “orifício” por onde a comunicação se fará com aquela pessoa. Pode ser o ouvido, os olhos, o nariz, a boca .. outro orifício aí menos óbvio (use a imaginação). Quando uma mensagem é enviada de um computador para outro ela é destinada a um IP (qual host)  e a uma porta (qual orifício). Pela porta pode-se determinar a natureza da mensagem. Assim como nas pessoas. Se é para mandar uma mensagem de som para uma pessoa, a porta é o ouvido. Se é para enviar uma mensagem visual, a porta é os olhos. Se a mensagem é um bastão roliço e comprido a porta é outra (que você imagina). A mesma coisa acontece com as mensagens enviadas de um computador para outro na internet. Mensagens de sites web são enviadas pela porta 80. Mensagens de email são enviadas pela porta 25, mensagens do jogo seguem por uma porta específica para cada jogo. Existem mais de 64 mil portas diferentes que podem ser utilizadas. Alguns jogos usam mais de uma porta durante uma partida. Uma porta para trocar informaçoes de controle, outra porta para transmitir as imagens, outra porta para transmitir o áudio da conversa entre os jogadores. Qual porta seu jogo usa ? Pergunte ao manual do jogo. Está tudo lá.

Na pre-história da internet, nos tempos pioneiros, o NAT não tinha port forwarding, o que era uma limitação enorme. Versões novas de NAT foram lançadas e surgiram as portas configuradas manualmente. Mas ainda era chato. Mais evolução e surgiu o UPnP, um conjunto de protocolos que automatiza essa distribuição e alocação de portas dentro da sua rede local, permitindo que computadores dentro da rede sejam acessados de fora, automaticamente. Como tudo na internet, a facilidade de uso do UPnP também traz um risco maior de acesso não autorizado a computadores que estariam “protegidos” pelo NAT.

O NAT é universalmente utilizado hoje em dia para permitir que conexões com um único IP público sirvam a vários hosts numa rede local, compartilhando o acesso a internet. Existem vantagens e desvantagens dessa técnica.

Vantagens

  • É super fácil de implementar, não requer modificação na configuração do host, que se configura automaticamente. O NAT funciona muito bem em parceria com o DHCP, protocolo para configuração automática de hosts.
  • É barato. Praticamente todo roteador wifi doméstico de 90 reais tem NAT embutido sem precisar pagar mais nada. Nao requer muito processamento, tampouco muita memória, por isso que é barato.
  • É rápido e eficiente. Não há perda significativa de performance na ligação a internet.
  • Pode ser cascateado. É possível criar uma sub-rede dentro da sua rede.
  • É razoavelmente seguro. O protocolo em si impede o acesso direto aos hosts dentro da rede local, funcionando como um firewall.
  • É portável e permite a portabilidade. Um host ligado a rede com NAT em casa pode funcionar com o NAT da rede do trabalho, sem necessidade de reconfigurar o host. Um notebook ou tablet ou smartphone … para onde ele for que tiver NAT ele tá navegando
  • Com o UPnP fica fácil acessar jogos e ativar serviços nos hosts da rede interna.
  • A utilização de IP’s reservados na rede interna facilita demais a estruturação da rede interna. Total liberdade para fixar IPs, dar mais de um IP a um host, subdividir a rede e segregar o tráfego. Não tem muita aplicação em redes domésticas e pequenas mas é uma benção se a rede ficar maior numa empresa por exemplo.
  • É possível estabelecer regras de restrição de uso do recurso compartilhado pelo NAT (o acesso a internet). Alguns roteadores podem bloquear certos sites, em certos horários, para certos usuários internos. Obviamente, quanto mais sofisticada a regra e a necessidade de monitoração, mais sofisticado tem que ser o roteador.
  • Com o port forwarding é possível ter 64 mil serviços diferentes num mesmo IP público. Isso permite que serviços diferentes sejam encaminhados para hosts diferentes dentro da rede local. A porta 80, web, vai para um,  aporta 25 email vai para outro e assim por diante. Pode concentrar alguns serviços num só host. Todas as flexibilidades.

Desvantagens

  • Quando se precisa acessar algum host diretamente dentro da rede local a partir de fora, a coisa pode ficar complicada e requer configuração adicional. As vezes o UPnP não resolve
  • Embora o protocolo NAT em si seja robusto e seguro, algumas implementações de NAT mal feitas tem vulnerabilidades que podem ser exploradas por hackers. Para atenuar esse problema (se for um problema) prefira utilizar equipamentos roteadores mais profissionais e de marcas mais estabelecidas.
  • O UPnP facilita a vida e as vezes facilita demais podendo se tornar um ponto de vulnerabilidade
  • Para redes muito grandes, o NAT pode requerer um hardware muito poderoso para poder dar conta de todo o tráfego e rotas e portas de redirecionamento. Felizmente, hardware cada dia fica mais barato. Se um volume muito alto de dados tiver que trafegar subitamente numa rede servida com NAT, o roteador do NAT pode se tornar um gargalo de desempenho.
  • NAT não é firewall. Regras mais complexas, controle e monitoração as vezes transcendem o escopo do NAT em si. Em suma, é mais fácil encontrar um sistema de firewall que tenha NAT embutido do que um hardware de NAT que faça um firewall para valer.
  • Embora tenha possibilidade de hospedar multiplos serviços utilizando port forwarding, para alguns serviços o “multi hosting” com porta forwarding apenas requer modificação e/ou configuração no servidor. Por exemplo, é possível ter um servidor web dentro de sua casa usando port forwarding. É possível até ter vários sites/domínios no mesmo servidor web porém isso vai requerer configuração e/ou software adicional. As vezes é mais fácil ter IP’s públicos distintos mesmo e aí o NAT não tem traz vantagem alguma, embora continue usável.

O NAT vai permitir o compartilhamento do acesso a internet aproveitando-se do funcionamento “assíncrono” do acesso típico a internet. Como é isso ? Imagine que em sua casa tem um link de internet de 10mbps. Você compartilha esse acesso com outras 3 pessoas em sua casa. Num uso “normal” todos os 4 usuários vão ter a impressão de que tem 10mbps cada um. É como se 10mbps tivesse multiplicado por 4 virando 40mbps. Que feitiçaria é essa ? O acesso assíncrono é a resposta.

Enquanto você lê um post feito no Facebook, você não está acessando a internet.  O conteúdo já está no seu computador. Nesse exato momento, outra pessoa da sua casa está clicando num link e aí sim o acesso é feito. Ou seja, enquanto um lê o outro acessa e vice-versa. Mesmo assim, pode acontecer da internet ficar lenta se muito acesso é demandado ao mesmo tempo. Para demandar acesso ..nada como baixar arquivos grandes. Downloads e videos exigem muito acesso. Se todo mundo em sua casa estiver acesso o netflix para ver filmes diferentes em HD, a velocidade tende a cair. Felizmente o netflix ajusta a qualidade da imagem em função da velocidade disponível. Já percebeu quando num horário de pico (muita gente acessando a internet na sua vizinhança) a imagem do Netflix fica com menos qualidade ? É o compartilhamento da sua casa, da sua rua, da sua vizinhança que causa isso.

Essa explicação foi muito simplificada para se tornar mais didática. Se ainda assim alguma dúvida permanecer, pode perguntar nos comentários que terei prazer em responder e esclarecer.

O que acontece com a política nos tempos de internet

Acompanho de forma consciente a política desde 1982 quando houve a primeira eleição direta para governadores depois do golpe e  ainda durante a ditadura. Desde aquela época me espanto com a quantidade de mentiras e meias verdades que são colocadas de forma descaradas pelos políticos. Lembro que era estudante, havia acabado de entrar na universidade, tinha 16 anos, e o movimento estudantil era mais denso. O guia eleitoral era ainda mais pobre do que é hoje em dia e praticamente não se faziam debates entre os políticos. Eram anos de ocaso de ditadura mas ainda era ditadura.  A dicotomia, o maniqueísmo eram agudos e eu achava que isso se devia a classe dos políticos, privados da democracia tinham que apelar para o que há de mais podre em termos de comportamento político. A culpa era dos políticos. Os cidadãos ainda não tinham a liberdade para discutir política de forma madura.

Os anos passaram, redemocratização (?), novas eleições e o nível do debate político continuava baixo. As mentiras eram atiradas de lado a lado, os temas realmente importantes não eram encarados ou discutidos. O maniqueísmo agora era mais agudo pois a ditadura havia acabado e a facilidade do discurso de quem combateu a ditadura era adotado por pessoas autênticas, por adesistas, por vira-casacas. A culpa ainda era dos políticos e do povo que ainda não tinha muita prática democrática, afinal, a ditadura acabara há pouco tempo.

Mais tempo passa e acontece a eleição de 89 com o catapultamento de Collor (uma fraude eleitoral) a Presidência. Era o fim da picada em termos de alienação política. O povo fora enganado e a esperança de amadurecimento democrático do povo atingiu o nível mais baixo. Mas de repente, o movimento do impeachment, os cara pintadas, a mobilização popular e a defenestração de Collor deram um sinal de que nem tudo estava perdido. Havia sinais de inteligência no planeta Brasilis. O funcionamento das instituições, a passagem do poder de forma democrática para FHC, o surgimento de novas lideranças políticas passavam a imagem de que agora a coisa ia para a frente.

Pura ilusão. A política brasileira continuava a viver de salvadores da pátria, a quem tudo se perdoava ou admitia, e as oposições radicais que detonavam qualquer iniciativa válida para estabilizar a economia que fosse oriunda do outro partido. O bem maior da nação não interessava a situação ou a oposição. Tudo era argumento eleitoreiro. Ora para se promover, ora para detonar o opositor. Nenhum partido oferecia (nem oferece) um programa que ele mesmo cumpra. O debate continua vazio, as questões relegadas a segundo plano, o personalismo impera, o “quem é contra” versus o “quem é a favor”. Os políticos não aprendem, não evoluem e o povo continua sem se envolver de forma madura na política. As eleições viram um festival bizarro, uma competição de esquisitice em que vale votar em candidatos absolutamente vazios de propostas mas com boa presença de marketing eleitoral. Seja porque é uma celebridade, seja porque tem acesso a recursos (escusos ou não) para sustentarem as suas campanhas caríssimas. Minha leitura era que os políticos continuavam péssimos e que a culpa da alienação política do povo era fundamentalmente do baixo nível dos políticos. O povo estava aprendendo devagar e até que tentava mas os políticos continuavam a política velha dos ataques pessoais, das trocas de favores, da orientação pelos seus interesses pessoais/carreirísticos, e o povo continuava massa de manobra e manipulada.

Aí vem a Internet. A esperança era de que o acesso a informação viraria o jogo. O eleitor agora vai poder se lembrar. As promessas dos políticos ficarão registradas e poderão ser conferidas com as suas atuações depois de eleitos.  A interatividade da internet promoveria o debate maduro e equilibrado, as pessoas fariam seus pleitos de forma desintermediada. Mobilizações poderiam ser efetuadas mais rapidamente. Alguns cientistas políticos cogitavam até que a democracia representativa estaria com os dias contados dando lugar a democracia diretíssima, sem intermediários, sem políticos. Eram ideias causadas pelo efeito inebriante da Internet em praticamente todos os ramos do conhecimento e comportamento humano. A Internet era a panaceia que aceleraria o amadurecimento político.

Infelizmente não é isso que aconteceu. Com o advento das redes sociais o povo, os eleitores, agora podem sim praticar a política. Podem expor suas ideias e seus apoios, criticar políticos, programas partidários, assumir um papel de protagonista no processo democrático. Mas não é isso que acontece. As práticas políticas mais nefastas e nojentas que os políticos fazem há décadas são as mesmas que o povo pratica nas redes sociais. Acusar sem verificar a veracidade das coisas. Denunciar sem provas. Formar opinião obtusa e fechada sem se informar. Exclamar de forma histérica uma opinião sem o menor fundamento em fato ou conhecimento de causa. Antagonizar e impedir o debate com o que pensa diferença. Assumir posições sectárias visando interesses pessoais ou pior, interesse de terceiros dos quais sequer tem consciência.

A massa de manobra continua massa de manobra nas redes sociais. Continua propagando opiniões de celebridades reais ou virtuais sem a menor verificação do conteúdo. O adesismo, o oportunismo e o imediatismo são praticados pelos eleitores, não apenas pelos políticos.

De repente a ficha caiu para mim: O político vazio, oportunista, adesista, corrupto, demagogo, falastrão que sempre populou os horários eleitorais não era causa e sim efeito do comportamento deliberado do povo. Acontece que há 30 anos não se via isso porque faltavam os meios para interação massiva com a população política (ou apolítica para todos os efeitos). Com as redes sociais dá para ver que o padrão da alienação é predominante. Alienação deliberada e por “opção”, alienação por manipulação de terceiros. O fato é que se a ditadura um dia foi responsável pelo afastamento da população da Política (essa com p maiúsculo) agora o povo pode sim voltar a fazê-la mas no fim opta por fazer a mesma baixaria que os políticos fazem.  Tem a chance, tem a ferramenta e, mais que tudo, tem a urgente necessidade de tomar o processo político em suas mãos. Mas prefere a saída fácil de votar num palhaço, num médico histriônico, num defensor da ditadura, num fundamentalista religioso, num ativista xiita de uma causa de preservação, num falso profeta de apocalipse econômico, numa celebridade do futebol. Prefere isso a ter que conversar com os amigos de forma madura sobre as divergências e encontrar um consenso mínimo. Isso é impossível. A eleição continua uma competição absurda em que o eleitor é o competidor ! Como se fora um jogo.

Por muito tempo achava que a pior coisa do processo democrático era o horário político. O espetáculo de horrores de absoluta falta de propostas e de discussão densa. Agora o horário eleitoral gratuito não é o pior. O pior é utilização das redes sociais para a propaganda política, a desinformação, a histeria política e patrulhamento ideológico (na verdade proto-ideológico) das pessoas. Amizades são desfeitas, postagem são bloqueadas, insultos de baixo calão são trocados. Os temas não são discutidos, os embates são absolutamente estéreis. O maniqueísmo da época da ditadura volta, agora praticado pelo “povo”. Rótulos são colocados nas pessoas e as posições obtusas se acirram.  O povo faz tanto ou pior que os políticos em seus guias eleitorais.

Coisas que encontramos durante o período eleitoral de forma mais aguda

  • Maniqueísmo. Tudo que a oposição fala contra o governo é golpismo. Tudo que alguém fala a favor do governo é adesismo. Soluções boas para problemas são detonadas ou promovidas como dignas de prêmio Nobel a depender da sua origem partidária e não pelo mérito da solução propriamente dito. Tudo que os nossos fazem é do bem, tudo que os outros fazem é do mal.
  • Valetudismo. Vale tudo para detonar a oposição (se você é alinhado com a situação) ou vice-versa. Vale falar mal do próprio país, vale acoitar uma posição evidentemente absurda, desde que seja contra/favor de quem você é contra/favor.
  • A absoluta falta de compromisso com a mínima verificação da veracidade da notícia. Posta-se  reposta-se qualquer coisa, não importa se é verdadeira.
  • A absoluta incapacidade de se discutir, abrir mão de uma opinião, mudar de ideia. O que importa é estar certo e não ceder. Como se fora uma torcida de time de futebol que jamais admite que o time perdeu mesmo diante do placar explícito. Admitir que estava enganado ? Jamais !
  • A opção pela não informação num processo de negação. Quando a evidência é apresentada, nega-se a vê-la. Sequer cogitá-la.
  • A pura e simples falta de civilidade e urbanidade. Insultos, piadas de mau gosto, desrespeito puro e simples.
  • Postura sectária diante de algumas ideias.
  • Incapacidade para debate.

Será que a internet tem algum efeito (bom ou mau) no amadurecimento político do povo ? Não sei. Só a história poderá responder no futuro. Enquanto isso o que assisto me assusta. Assim como o filme “Idiocracy”, que era para ser uma comédia mas que a cada vez que o assisto se parece mais com um filme de horror. No filme algumas cenas parecem proféticas e ao ver o comportamento das pessoas supostamente esclarecidas nas redes sociais vejo que as profecias estão sendo cumpridas. O revisionismo histórico, a criação de “memes” com informação errada que passa a ser assumida como verdade. Numa cena do filme, a paródia que Charlie Chaplin faz de Hitler no filme “O Grande Ditador” é tomada como verdadeira pela população alienada do futuro e o artista que era um defensor da liberdade agora é conhecido como algo diametralmente oposto. Parece absurdo alguém chegar a essa conclusão mas se perguntarmos ao usuário típico das redes sociais o que é um Big Brother ele provavelmente vai achar que é algo legal e que é uma celebridade a ser admirada, numa inversão completa da ideia orwelliana original.  No terreno da ignorância e alienação o absurdo é o normal.

Será que algum dia teremos um povo com postura crítica para questionar sem vilipendiar ? Será que teremos uma classe política que seja capaz de pensar de forma maior, num interesse comum e de mais longo prazo ? As vezes penso que não.

 

 

 

Como funciona a internet ?

Simplificando uma explicação bem complexa …

A internet é uma rede que interliga milhares (milhões) de redes locais no mundo todo. Uma rede local de computador pode ter UM computador só, pode ter 2, poder ter milhares, interligados entre si. Toda vez que vc acessa uma coisa na internet, um site, um arquivo, um jogo, envia um email, manda uma mensagem de MSN, lê email, baixa um arquivo no emule ou no bittorrent .. tudo que vc faz na internet, absolutamente TUDO se resume a uma troca de mensagem entre o seu computador e um ou mais computadores.

Portanto, o funcionamento básico da internet resume-se a mandar e receber mensagens.

Quando vc vai baixar uma música da internet seu computador manda uma mensagem para outro computador com o nome da música que você quer … Um ou vários computadores mandam uma resposta para você dizendo que tem a música que vc procura. Seu computador diz “entào manda aí véio !” Aí o computador que tem a música parte-a em milhares de pedacinhos, pequenas mensagens, e vai transmitindo para o seu computador. Cada pedacinho de música que o seu computador recebe ele manda um micromensagem dizendo “recebi mais um pedaço, manda outro” e assim vai até todos os pedaços chegarem. Esse mesmo mecanismo serve para mandar MSN, email, baixar uma página da internet, assistir um vídeo do Youtube …

Bom, entào como é que a internet funciona ??? Como é que seu computador aqui em Quipapá consegue mandar um arquivo de foto de mulher pelada para um tarado amigo seu lá no Kafiristào ? Poxxa ! Eu nem sei em que hemisfério fica o kafiristào ! Mas o funcionamento da internet lá é igualzinho ao da internet aqui no Brasil.

Vejamos: Seu computador supostamente, está numa rede local. Essa rede local pode ser muito pequena, só tem o seu computador sozinho lá (a maioria dos usuários domésticos é assim) ou pode ter outro computador na sua casa compartilhando a internet. Quando o programa de envio parte a foto em vários pedacinhos e vai mandar o primeiro pedaço ele, que num é besta, pergunta primeiro se o computador destino está na mesma rede local que ele. Se o destinatário estiver na mesma rede local, a transmissão é feita diretamente para esse destinatário, ponto a ponto, como se diz. É super rápida. Isso acontece quando o seu computador da sala manda um arquivo para um computador no quarto da boazuda da sua irmã. Ou quando vc manda imprimir alguma coisa na impressora do seu pai, que tá ligada no computador dele.

Pois bem, mas acontece que uma boa parte das vezes o computador destinatário NAO está na mesma rede local. Aí o que é que o seu computador faz ? Ele num quer nem saber onde fica o Kafiristão !! Ele manda a mensagem para o GATEWAY padrão. Os gateways são a alma da internet. Eles que fazem a interligaçào entre redes distintas. Um gateway pertence a pelo menos DUAS redes, podendo pertencer a várias. Aí está a internet. Um monte de redes interligadas entre si através desses gateways. Esse serviço de gateways normalmente é feito pelos “ROTEADORES”. Existem roteadores pequenos, para uso doméstico, que ligam a rede local de uma casa ou escritório a rede internet. Existem roteadores gigantescos que interligam milhares de redes enormes nos grandes pontos de interconexão massiva espalhados pelo mundo. E a idéia básica é essa. Cada rede de redes forma outra rede e para cada interligação de uma rede com outra tem um gateway no meio. O gateway ao receber a mensagem tenta localizar na outra rede (ou em qualquer uma das outras redes) onde é que está o destinatário. Se ele não achar o destinatário, o gateway manda para o gateway do gateway ! E assim, de gateway para gateway a mensagem vai saltando de uma rede para outra até cair na mesma rede local a qual o destnatário está ligado e a mensagem é entregue.

Imagine que a internet é como o sistema de correios, de cartas convecionais. Suponha que vc quer mandar uma carta para um amigo na universidade nacional do azerjbaijão, na rua tal, número tal, cidade num sei qual, Azerbaijão … BOm, vc não precisa saber ONDE fica esse lugar, vc não precisa ser de lá, nào precisa saber nem COMO chegar lá. A internet também é assim. Quando vc manda/recebe algum dado da internet nao precisa saber como chegar lá nem onde ele está, fisicamente falando.

Pois bem. Suponha que vc está na sua casa, vc tem a carta, tem envelope e tem selo. Vc envelopa a carta, sela ela e coloca o endereço do destinatário no envelope. Vc cumpriu um “roteiro”, um ritual, na verdade vc usou um “protocolo” para remessa de cartas. Na internet também é assim, essas regras de como fazer as coisas sào chamadas de protocolos e no caso da internet o protocolo básico é chamado de TCP/IP. Bom, vc tá com a carta selada e envelopada, aí vc entrega a carta para o carteiro da sua rua. O carteiro da sua rua é o GATEWAY que atende a sua “rede” que no caso é a sua rua. O Carteiro verifica se o destinatário fica na mesma rua que ele atende. Como ele faz isso ? ORA !! ELE simplesmente LÊ o destinatário né mesmo ? Se for a mesma rua, ele vai lá e entrega a carta (pode ser no outro turno). Se for outra rua, o carteiro num esquenta, ele leva a mensag… quer dizer carta para a central dos correios no bairro. Na internet também é assim ! Seu computador tenta mandar a mensagem direto para o destinatário, como ele percebe que o destinatário está em OUTRA rede, ele manda a mensagem para o gateway que atende aquela rede.

Prossigamos … O carteiro chega lá na central do bairro e descarrega as cartas que ele coletou. A central do bairro pega as cartas e as separam. As cartas que forem para o mesmo bairro serão redistribuidas para outros carteiros. As cartas que NAO forem do mesmo bairro serão “roteadas” para a central da cidade. Na central da cidade o processo se repete, só que agora por cidade. As cartas que forem para outra cidade serào despachadas para uma central regional (ou nacional). As centrais nacionais separam as cartas nacionais das que vao para o estrangeiro e nesse ponto a triagem vai pegar a carta para o azerbaijão e despachá-la de avião, navio, balào, lombo de jegue ou sei lá o que para o Azerbaijão. Lá o processo é repetido só que no sentido inverso. A central nacional pega as cartas e as separa por regionais, as regionais separam por cidades, as cidades separam por bairros e as centrais de bairro distribuem para os carteiros que fazem a entrega na casa do destinatário … A beleza desse esquema é que ele é super simples e poderoso. Uma carta pode ir de qualquer lugar do mundo para qualquer outro lugar. Cada gateway só precisa responder umas perguntas simples: esse destinatário é na mesma rede que eu, ou não ? Se não, para que outro gateway tenho que mandar ? E só ! O carteiro que recebe a carta de suas mãos não precisa saber em que planeta fica o Azerbaijão. Ele só quer saber se é na mesma rua ou não. Se num for, ele num esquenta, passa adiante. Assim que funciona a internet. O gateway que atende você recebe suas mensagens e repassa para outros gateways e de gateway em gateway a mensagem chega ao destino. Faz de conta que vc quer mandar uma mensagem de parabens para o Barak Obama lá no site do partido democrata. Vc é esperto e sabe que o email dele é barack.obama@democrats.org (vai ser whitehouse.gov depois de 20 de janeiro). Qual é o caminho que a mensagem leva para sair daí do seu computador para o democrats.org ? Quer saber ? é fácil. Seu windows xp tem um programinha que traça a rota do seu computador para qualquer outro computador na internet. Esse programa chama-se TRACERT vamos usá-lo Vá em iniciar, executar, digite CMD e dê enter Em seguida digite tracert democrats.org eis o resultado DO MEU computador. O seu pode ser um pouquinho diferente

>tracert democrats.org

Rastreando a rota para democrats.org [208.69.4.10] com no máximo 30 saltos:

1 <1 ms <1 ms <1 ms 192.168.0.1

2 19 ms 20 ms 18 ms 200.217.72.216

3 22 ms 19 ms 18 ms gigabitethernet13 -0.91- vpt -pb-rotd-02.telemar.net.br [200.164.197.145]

4 26 ms 23 ms 26 ms pos10-0-bvg – pe-rotd-02.telemar.net.br [200.97.65.234]

5 62 ms 35 ms 64 ms 200.223.43.245

6 186 ms 170 ms 189 ms PO12-0.ARC- RJ-ROTD-03.telemar.net.br [200.223.131.138]

7 132 ms 158 ms 132 ms acr2-ge-5-2-0. miami.savvis.net [208.172.96.225]

8 184 ms 183 ms 158 ms cr2-pos-0-3-1-0. miami.savvis.net [208.172.97.169]

9 156 ms 132 ms 134 ms cr2-tengig-0-7-0-0.Washington. savvis.net [204. 70.196.106]

10 225 ms 201 ms 230 ms msr1-tengig-0-3-0-0.Washington. savvis.net [204. 70.196.98]

11 204 ms 174 ms 198 ms er1-gig-3-0-0.dck.savvis.net [204.70.203.2]

12 131 ms 134 ms 160 ms corporate- executive-board.Washington.savvis.net [208.174.119.98]

13 152 ms 158 ms 206 ms 209.50.254.26

14 150 ms 172 ms 143 ms dc-dnc-servint. democrats.org [208.69.6.241]

15 161 ms 160 ms 167 ms http://www.democrats.org [208.69.4.10]

Rastreamento concluído. 15 saltos !! 15 roteadores separam meu computador aqui na praia (:)) do computador do partido democrata lá nos states. Se vc analisar cada um dos 15 saltos (também chamados de “hops”) verá dicas de onde eles ficam fisicamente.

O primeiro hop

1 <1 ms <1 ms <1 ms 192.168.0.1 é o meu roteador wifi aqui em casa. Observe que o tempo de resposta dele é bem rápido, menor do que um milisegundo. Também … eu tö aqui no térreo e gizmo tá ali em cima na escada O segundo hop num dá muita dica, só um IP sem graça … mas o terciro hop tem info .. presta atençào…. Dá para saber onde eu estava quando fiz esse tracert ? Tá na cara que eu uso telemar, afinal Velox é um produto da telemar/Oi 3 22 ms 19 ms 18 ms gigabitethernet13-0.91-vpt-pb-rotd-02.telemar.net.br [200.164.197.145] O quarto hop já mudou um pouco de geografia … 4 26 ms 23 ms 26 ms pos10-0-bvg-pe-rotd-02.telemar.net.br [200.97.65.234] O quinto hop num fala muita coisa mas o sexto hop mostra que chegamos ao Rio de Janeiro !! 5 62 ms 35 ms 64 ms 200.223.43.245 6 186 ms 170 ms 189 ms PO12-0.ARC-RJ-ROTD-03.telemar.net.br [200.223.131.138] E do Rio de Janeiro fomos para onde ? 7 132 ms 158 ms 132 ms acr2-ge-5-2-0.miami.savvis.net [208.172.96.225] 8 184 ms 183 ms 158 ms cr2-pos-0-3-1-0.miami.savvis.net [208.172.97.169] Saímos de Miami nos hops 7 e 8 e passamos para Washington !! Dá até para saber que a rede é de 10gigabits por segundo ! WOW 9 156 ms 132 ms 134 ms cr2-tengig-0-7-0-0.Washington.savvis.net [204.70.196.106] 10 225 ms 201 ms 230 ms msr1-tengig-0-3-0-0.Washington.savvis.net [204.70.196.98] No próximo hop dá para perceber que a velocidade caiu de 10giga para 1gig (supostamente) 11 204 ms 174 ms 198 ms er1-gig-3-0-0.dck.savvis.net [204.70.203.2] 12 131 ms 134 ms 160 ms corporate-executive-board.Washington.savvis.net[208.174.119.98] 13 152 ms 158 ms 206 ms 209.50.254.26 Aqui nos hops 14 em diante já estamos dentro da rede do partido democrata americano 14 150 ms 172 ms 143 ms dc-dnc-servint.democrats.org [208.69.6.241] 15 161 ms 160 ms 167 ms http://www.democrats.org [208.69.4.10] no 15o salto, chegamos ao destino. Experimente dar tracert para ver a rota para outros sites que vc frequenta. Se quiser, pode baixar o NEOTRACE que uma versão gráfica do tracert.