Segundo Raid Lucena-Pipa

O litoral do Nordeste é cheio de atrativos e uma das formas mais interessantes de conhecer tais atrações é fazendo turismo de aventura com motocicleta. Ir de moto a lugares que de outra forma ficariam mais difíceis de chegar.

O Raid Lucena-Pipa é isso. Uma aventura partindo da cidade de Lucena, do outro lado do rio no Pontal de Cabedelo, e seguindo até a praia de Pipa no Rio Grande do Norte.

O grupo dos Tatus Manguetown já tinha feito esse passeio com cerca de 10 motos entre membros e convidados. Todos eram experientes pilotos de off-road e depois de uma noite de farra na casa de Homero em Cabedelo saímos de manhã e chegamos as 15hs em Pipa. Isso foi em setembro de 2016.

Agora em fevereiro de 2018 a missão é levar alguns Amigos Coxinhas.

Convites feitos e entre aceites e desculpas amareladas para não ir o grupo formado ficou com Eu e Lara (F800gs), Eloy e Gabriela(F800gs), Demetrius (Ténéré 250), Laplace(F800gsADV), Rodolfo (F800gs) e Luciano de João Pessoa (F800gs, irmã gêmea da Mítica Black Mamba).

O clima estava  bem chuvoso. Nos últimos dias tinha chovido bastante e a previsão para o fim de semana era de mais chuva. A ideia era partir de Lucena na manhã do Sábado e seguir para Pipa e chegar lá pelas 16hs. O ponto de encontro é a balsa de Cabedelo-Lucena. Luciano que mora em João Pessoa e eu (que vim para Jampa na noite anterior) nos encontraríamos com o resto do grupo que veio de Recife logo cedo.

Apesar da chuva as perspectivas para a trilha eram boas. O percurso é praticamente todo plano e o solo dessa região é muito arenoso. Devemos pegar algumas poças de água mas não vai rolar muita lama pois simplesmente não tem. O solo dessa região é normalmente areia e de vez em quando um barrinho misturado. Areia de praia molhada é até melhor.

Pegamos a balsa as 9hs e começamos a aventura.

Desembarcamos da balsa e Demetrius seguiu liderando a trupe. Fomos em seguida para a Igreja da Guia para tirar as tradicionais fotos. O chão estava bem molhado e sem maiores dificuldades.

 

Abbey Road style. Não percebi mas essa marcha seguia em direção ao cemitério 🙂

Confissões feitas, promessas de se comportar e seguimos em direção as Ruínas de Bonsucesso.

Nessa foto dá para perceber que o tempo estava muito nublado e com chuva intermitente. A trilha promete aventuras.

Ruínas de Bonsucesso ficam numa trilha muito bonita por entre uma floresta em terreno de areia. Muitas poças dágua mas nada de lama ainda.

Nesse trecho já deu para perceber que alguns colegas estabeleceriam alguns latifúndios a partir de compra de terreno. Ou seja, quedas e tombos em profusão. Nada sério mesmo porque a velocidade era muito baixa. Começa o desgaste de energia para levantar as motos F800gs adv repetidas vezes.

Depois das Ruínas, temos que ir a Falésia que dá uma vista magnífica da foz do Rio Miriri, lá embaixo.

Pegamos a trilha novamente agora em direção a Rio Tinto. O rio Mamanguape tem em sua foz uma área de preservação reservada para berçários de bebês de peixe-boi marinho. Não tem ponte sobre o rio a não ser bem no interior próximo a Rio Tinto. Barcos a motor não podem navegar na barra do rio portanto não tem balsa nem jeito seguro de cruzar o rio no litoral para a próxima praia que é Baía da Traição. O jeito é desviar a trilha para o interior, ir a Rio Tinto e pegar um trecho de asfalto (ECA!) até a praia e retomar a trilha então.

Fizemos isso debaixo de chuva fina e constante. Pegamos a trilha novamente ao norte da cidadezinha de Baía de Traição. Essa trilha, a rigor, é a PB-008 que ao norte de Cabedelo existe apenas como uma estradinha de terra que em alguns lugares não passa de uma trilha mesmo.

Chegamos então em Barra de Camaratuba para a segunda travessia de balsa do percurso. O mar estava muito seco porém já estava enchendo. A balsa não estava no local de partida e tivemos que avançar sobre o areial do leito do rio até bem próximo da barra.

Duas motos atolaram, a de Eloy e a de Laplace. Voltei a pé para ajudar e acabei trazendo a moto de Laplace para a balsa. Sem capacete! Que coisa feia!!!

A trilha até então estava tranquila e só com pequenos sustos (escorregadas) e tombos com as motos paradas. Nada demais.

Na minha inocência, o trecho mais fácil viria a seguir. A praia plana com maré baixa entre Barra de Camaratuba e Barra de Guaju. O trecho tem cerca de 12 km de areia de praia só que a maré estava enchendo … aí a areia molhada vira areia movediça.

trecho camaratuba guagu

Eu estava com garupa e apesar da areia estar meio fofa, percebi que o melhor a fazer é acelerar para não pegar o trecho entre Guaju e Sagi (o pior de todo o raid) com a maré muito alta. Acelerei com Lara na garupa imaginando que os amigos não teriam mais dificuldades pois a praia plana, areia dura … me enganei.

Cheguei a balsa de Guaju sem dificuldades e esperei pelos amigos. Nada.

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Começaram a demorar mais do que seria razoável. Alguém levou alguma queda ou atolou e eu simplesmente não conseguia conceber como. Praia lisa ? Como pode ter dado problema. Mal sabia. Na balsa uma Titan 150 de um nativo seguia em sentido contrário. Pedi para ele avisar aos amigos que estava tudo bem comigo e que eu os aguardava do outro lado do rio. Saberia depois que o emissário alcançou Eloy e deu o recado.

Atravessei o rio e me dirigi a praia com Lara na Garupa. A maré já estava enchendo muito. A areia estava realmente muito fofa e na primeira tentativa a moto saiu derrapando de um lado para outro e a cerca de 30km/h deu uma enterrada total. A frente da moto ficou completamente coberta de areia. Sem condições de fazer o trecho até Sagi com garupa.  A maré já estava enchendo para valer e a janela de tempo ficou muito estreita. A praia ficaria alagada com a maré alta. O jeito é seguir em frente pois não há saída de Barra de Guaju a não ser pela praia e por uma estrada de areia aos pés das dunas.

Enquanto desatolava a minha moto vi que Luciano havia chegado a balsa. Pedi a Lara ir lá falar com ele para saber o que aconteceu. Luciano assegurou que estava tudo bem e  sob controle.  Desenterrei a moto e consegui levantá-la. Lara voltou bem na hora em que eu dei partida. Ela foi de buggy até Sagi. Mandei ver na areia fofa. Depois que a moto atinge uns 30km/h ela não atola mais porém fica sambando na areia. Tem que acelerar até uns 40km/h no mínimo para estabilizar. O trecho entre Barra de Guaju e a vila de Sagi tem uns 2,5km de muita areia. Cheguei em Sagi e em direção ao calçamento, a 10cm da rua de paralelepípedo .. levei uma queda. Sem maiores consequencias mas deu uma raiva enorme. Levantei a moto e estacionei-a próxima a calçada. De repente meu celular dá um alerta de mensagem. Era uma mensagem de Laplace -> “HELP!”.

Caramba, a mensagem havia sido enviada quase uma hora atras, antes de Luciano nos encontrar. Lara chega alguns minutos depois no buggy. Vamos esperar um pouco .. que vira mais tempo .. mais tempo e nada dos companheiros chegarem. Deu alguma zica.

Dois guris estavam queimando gasolina em dois UTV’s da Polaris, passando pra lá e pra cá sem muita coisa a fazer. Cheguei para eles e pedi ajuda. Tenho alguns amigos que devem estar precisando de ajuda entre Camaratuba e Sagi. Eles toparam ajudar, subi no Polaris e voltei em direção a Barra de Guaju para ajudar os amigos.

No meio do caminho encontrei Rodolfo, Eloy,  Luciano e Laplace. Cadê Demetrius ? Aí comecei a receber a conta-gotas os relatos do que acontecera aos companheiros.

Demetrius havia levado um tombo espetacular quando voltou para salvar Laplace. A moto entrou na água do mar, a viseira, o capacete e a go pro se soltaram e cairam na água. O relato impressiona:

Esse vídeo foi gravado um pouco antes de eu reencontrar os amigos. Eles estão na barraquinha de Barra de Guaju. Nesse momento eu já estava com Lara em Sagi, 2,5km adiante.  O interruptor do motor de arranque da moto de Demetrius ficou acionado o tempo todo com o motor de arranque ligado. Demetrius muito safo já resolveu depois de recolocar a moto em ordem de marcha (guidao empenado, paralama travado, gopro resgatada).

Decidi mandar Gabriela, a garupa de Eloy, e Laplace nos Polaris. Peguei a moto de Laplace e a trouxe pela estradinha nos pés das Dunas. A praia já estava alagada pela maré. Cheguei em Sagi sem incidentes. Minutos depois chegaram os Polaris e seus passageiros e pouco depois o restante do grupo.

resgate polaris

Fomos para uma oficina de motos em Sagi onde pneus foram recalibrados e o guidão da moto de Demetrius foi parcialmente desempenado. Chovia firme e constante uma chuva honesta. Lavamos as motos e tiramos umas 10 toneladas de areia das motos e dos pilotos.

Com a chuva intensa e o adiantado da hora, já eram quase 17hs, não ia dar para continuar na trilha até Pipa. O jeito era voltar para a BR-101. Eu, Lara, Eloy e Gabriela iríamos para Pipa. Laplace, Luciano, Demetrius e Rodolfo voltariam para João Pessoa e Recife.

Aí começou a chover. Muuuuuito. Chuva diluvial de proporções bíblicas. O céu escureceu definitivamente pouco depois das 16:30. A estrada entre Sagi e a BR-101 é de barro batido e cheia de pequenos buracos. Super molhada e escorregadia. Eu e Eloy encaramos só que eu mantive um ritmo mais forte porque não queria ter que rodar nessa estrada em péssimas condições e ainda por cima a noite com o farol alto queimado. Sim, descobri isso na noite anterior e fiquei tranquilo pois não imaginava que teria que rodar a noite considerando que partimos de Lucena as 9hs da manhã.

Rodar numa estrada de terra que você não conhece, com garupa, sob chuva torrencial e com a noite se aproximando não é uma experiência legal. Felizmente chegamos a BR 101 sem incidentes as 16:54 mas. Aí … a chuva que eu pensava que já tava no máximo começou a virar uma tempestade. Encharcado até os ossos, encaramos a BR-101 que é um tapete até Goianinha onde parei para abastecer. Eloy estava num ritmo mais lento e isso me preocupava. Já era noite fechada, a chuva não aliviava e a estrada de Goianinha para Pipa é muito sinuosa, cheia de lombadas e alguns buracos. Não estava afim de encarar essa estrada por muito tempo a noite escura. Como é uma estrada muito movimentada e cheia de vilas, mesmo que furasse um pneu não é difícil de obter ajuda. Decidi acelerar e seguir direto para Pipa chegando na Pousada Aconhego da Pipa as 17:47. Minutos depois, Eloy me avisa que tinham chegado sãos e salvos na Pousada Alemã.

Demetrius, Laplace, Rodolfo e Luciano vão um pouco atras, e pegam a BR-101 enfrentando muita chuva. Algumas horas depois, Luciano avisa que já estava são e salvo em casa em João Pessoa. Laplace, Dema e Rodolfo continuaram para Recife a noite e na chuva torrencial.

O raid não foi completo pois não fizemos o trecho entre Sagi e Baía Formosa, quando voltaríamos a praia e seguiríamos até Barra de Cunhaú, depois Sibaúma e a estradinha que vai dali até o “Chapadão” de Pipa. Não havia condições. Muito escuro, muita chuva e a maré alta iria impedir o passeio na praia entre Baía Formosa e Barra de Cunháu, onde pegaríamos outra balsa.

No fim, o passeio que deveria ter sido super tranquilo virou uma aventura com ares dramáticos e que para alguns era quase um pesadelo. Mesmo assim valeu a pena. Amizades se consolidaram e o valor da solidariedade em momentos de angústia foi devidamente apreciado pelos aventureiros.

Apesar do saldo positivo, existiram alguns erros. O maior foi ter subestimado a maré em Barra de Camaratuba.

Primeiro eu li a hora da maré erradamente.  A maré estava completamente seca as 11:23 pois o horário do site que eu vi era de Brasília, que no sábado ainda estava no horário de verão e dizia 12:23 … Ora, quando entramos na praia em Barra de Camaratuba já eram 13:26, portanto, a maré já estava enchendo há 2 horas. Esse ponto tem que ser atingido com a  maré ainda secando por pelo menos mais 2 horas que é para dar tempo de chegar a Sagi sem maiores complicações e ainda com sobra de tempo para pegar a praia entre Baia Formosa e Barra de Cunhaú, sem estresse. Em suma, estávamos 4 horas atrasados. Desse atraso, uma hora foi por erro de horário de verão. As outras 3 horas foram erro meu de não ter dimensionado bem o tempo entre Lucena e Camaratuba.

Entre Camaratuba e Guaju, eu e Lara fizemos de moto em 17 minutos. Isso porque no meio do caminho eu notei que os amigos haviam se atrasado e cheguei a voltar para ver o que estava acontecendo. Depois que vi que todos estavam na praia e rodando (a distancia), retomei o rumo em direção a Guaju e acelerei. Segundo o meu tracklog, foram 4 minutos de turn-around. Ou seja, o trecho entre Camaratuba e Guaju pode ser feito em 13 minutos, com garupa.

O ponto chave desse roteiro é a Barra de Camaratuba. Se a maré não estiver secando quando chegar e esse ponto, é melhor desviar para a trilha por dentro dos canaviais (que eu não conheço).

Entre Guaju e Sagi fica o trecho mais dificil. A praia é estreita e tem pedras encravadas na beira da praia. Tem que ter muito cuidado. A areia é muito grossa e fofa e a alternativa é a estradinha no sopé das dunas. Eu não conheço essa estradinha. Ela é muito usada por 4×4 que visitam essa região. Com a chuva, a estradinha estava razoavelmente fácil. Só que eu não sabia. O jeito foi ir pela praia mesmo. Porém, para os amigos seria tarde demais. A maré alagaria a praia toda. O ponto que quero demonstrar é que Guaju para Sagi talvez seja melhor pela estradinha, afinal de contas.

Eu e Lara ficamos na pousada esperando a chuva passar para irmos jantar com Eloy e Gabriela. Só que a chuva que já estava alagando a vila de Pipa engrossou ainda mais. Comemos um jantar por ali mesmo apesar dos convites insistentes de Eloy para jantarmos juntos. Só que estávamos relativamente longe para ir a pé na chuva. Mesmo assim, deu uma estiada e corremos para a Sorveteria Preciosa. Eloy/Gabriela ainda estavam jantando e decidimos nos encontrar na hora do almoço do domingo, faça chuva ou sol. Sim, a previsão de tempo era que ia chover para caramba no domingo.

Felizmente amanheceu um belo dia ensolarado. Formos para a praia, tomamos uma água de coco com Eloy/Gabriela e voltamos para a Pousada Aconchego da Pipa, empacotamos as coisas e pegamos a estrada de volta para Recife. Pequena pausa para calibrar os pneus em Goianinha, onde Lara fez um lanchinho e eu comi uma coxinha (canibalismo) e tomei um café para ficar esperto. Eram 13:15 da tarde quando pegamos a BR-101 pra valer sentido sul para irmos para Recife. Dia ensolarado, viagem sem maiores incidentes. Paramos no Rei das Coxinhas 2 horas depois. Mais canibalismo e 3 coxinhas de camarão com catupiry para nossas filhas que nos aguardavam em Recife. O tempo já não estava mais tão ensolarado e lá longe dava para ver que as nuvens carregadas ameaçam dar outro banho na gente. Passei com cuidado na curva depois da fronteira PB/PE um pouco antes de Goiana onde eu imaginava que tinha sido a queda de Laplace. Eu só viria a saber com certeza o local da queda na segunda-feira de manhã. Realmente o local é perigoso, uma curva numa descida com algumas ondulações na pista, piche e resto de cana-de-açucar esmagada. Deve ficar um sabão. Isso a noite então é um acidente esperando acontecer.

Chegamos em casa as 16:20 felizes por mais uma aventura.

Minha esposa Lara foi magnífica. Com espírito de aventura, não reclamou uma vez sequer do frio, calor, umidade, areia, sal, lama, buraqueira, fome, sede, medo de cair ou qualquer coisa que fosse. Sempre encarou na boa e com excelente humor. Ficou um bocado preocupada com os amigos que se atrasaram e no fim ficou aliviada porque não houve nada sério, apenas os perrengues típicos de uma aventura de trilha light do Bokomoko.

Segue o tracklog do passeio

https://www.wikiloc.com/wikiloc/spatialArtifacts.do?event=view&id=22752779&measures=off&title=off&near=off&images=off&maptype=SPowered by Wikiloc

 

 

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Tatus na Chapada – Dia 9

Este seria o segundo e último dia de turismo na Chapada Diamantina. Uma pena porque passamos pouco tempo e vimos apenas uma fração do que poderia ser visto. A Chapada pede mais do turista. Pede mais tempo. Pede mais voltas. Eu voltarei.

Hoje a ideia de Tio Saulo é fazer nada radical, coisa light, para que acumulemos forças para encarar a volta de mais de 1000km amanhã. Portanto, o planejamento caprichado de Tio Saulo propõe uma visita a Lapa Doce (caverna), a Pratinha (rio com flutuação e relax na água) e a Subida do Pai Inácio (visão panorâmica e belas fotos).

Antes de pegarmos a estrada eu faço um tour novamente pelos locais onde perdi a Bandeira Azul. Tudo em vão. Nada da Bandeira. Espalho a notícia de que há uma recompensa para quem deixar a bandeira no posto de gasolina.

Pegamos a estrada em direção a Lapa Doce, seguindo oeste pela BR-242 e depois ao norte pela BA-122. Tio Saulo como sempre vai guiando. Dia de sol, poucas nuvens, ritmo rápido.

Na beira da estrada a esquerda um painel informa sobre as cavernas de Torrinha e Tio Saulo pergunta se num vale darmos uma olhada, afinal, estamos por aqui e nossos outros destinos (Lapa Doce, Pratinha e Pai Inácio) são próximos. Para mim é jogo e fazemos o desvio que iria mudar completamente os planos.

Chegamos a entrada da atração que se trata de nada mais nada menos que uma das maiores cavernas visitáveis do Brasil e da américa latina. O Eduardo, administrador do lugar, nos oferece um tour especial só para nós dois que incluiria um trecho da caverna que não é visitado normalmente. Ainda dá um desconto no ingresso e nós topamos. Vai começar uma das maiores aventuras da viagem. Tatus espeleólogos em ação. Tio Saulo tira a fantasia de motociclista, veste uma camiseta, bermuda e calça tênis. Como eu não trouxe tênis decido encarar a trilha com a bota Forma Terra Adventure. Ficaria ridículo eu de botas e sunga com dryfit, portanto vou com a calça de off-road mesmo. Decisão acertadíssima. A bota FTA é excelente como bota de aventura, confortável e resistente oferece a segurança e o grip de uma bota de cano baixo dessas de hikers. Com a vantagem de proteger bem a canela, coisa que seria muito útil lá dentro da caverna.

A caverna tem um clima surpreendentemente ameno, com temperatura de 24 graus constantes enquanto lá fora o calor já aparece e ultrapassa os 33 graus. Faríamos uma caminhada de cerca de 10km (contando ida e volta) em cerca de 2 horas. Mesmo com o ar condicionado, o exercício me faria suar bastante. Levamos meio litro de água cada um. Levar mais seria bom mas tem o risco de dar vontade de fazer xixi e lá dentro não pode de jeito nenhum.

Entramos por um salão enorme que já impressionava os pesquisadores até que em 1992 uma espeleóloga francesa achou uma passagem para outra parte da caverna que se descobriu então ser muito maior. Essa passagem original seria utilizada por nós na saída. Entramos por outra passagem artificial escavada para facilitar o acesso. Quer dizer, em termos.

O guia experiente, Toninho, nos explicava os vários espeleotemas. Essa caverna é considerada uma das mais interessantes não pelo tamanho em si mas sim pela variedade e quantidade de espeleotemas. As rosas de Aragonita são muito frequentes e algumas das maiores estão aqui. Formações como estalactites, estalagmites, vulcões de pedra, painéis nos tetos, cristais de gipsita, em tudo quanto é cor, tamanho e sabor.

A caminhada não é fácil. Entre tetos baixos que nos forçam a andar agachados até escaladas de pedras dentro dos salões, descidas e subidas íngremes. As lanternas fornecidas para nós são pequenas e fracas. Senti falta de um farolzão para iluminar tudo e ter uma visão mais panorâmica. As imagens com flash revelam mais coisas do que pudemos ver com as lanterninhas, que de tão fraquinhas coitadinhas, a gente tem que ligar outra lanterna ao lado para ver se estão acesas.

Algumas formações são muito interessantes e são translúcidas.

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Uma delas parece o castelo de Minas Tirth, da saga do Senhor dos Anéis.

Um trecho da exploração é particularmente difícil pois temos que nos arrastar sob um teto muito baixo, de uns 70cm de altura por uns 10 metros. Isso me deixa exausto.

Alcançamos os dois salões principais e o extra e tiramos dezenas de fotos impressionantes. No ponto mais remoto, o guia propõe que desliguemos as lanternas e façamos silêncio para ter uma experiência de privação sensorial. Sempre quis fazer uma dessas e foi legal. Mas a privação não era total. Ainda estava sentindo o peso do corpo sentado no chão. Mais tarde faria uma privação sensorial mais completa.

Hora de voltar, agora a caminhada volta pelo mesmo caminho que viemos, sem pausas para fotografia e com passo acelerado. Toninho e Tio Saulo vão abrindo vantagem e eu estou genuinamente cansado. Ainda tenho que encarar a passagem baixa lá na frente. Fico calado e falo nada durante o percurso. Próximo a saída decidimos usar a passagem que a pesquisadora francesa descobriu e a escalada para fora da caverna fica deveras interessante.

Ao sair da caverna o choque térmico é enorme. Dos amenos 24 graus partimos para 34 graus numa lufada de vento só. Tomamos água, usamos o banheiro. Tio Saulo quer ir para a Lapa Doce e eu veto. Pode ir. Eu não vou. Mais do mesmo não é uma boa ideia. Melhor fazermos algo diferente como a Pratinha e até mesmo o Pai Inácio e se sobrar tempo vamos a Lapa Doce. Tio Saulo então decide ir para a Pratinha e lá vamos nós.

Chegamos a Pratinha para visitar o rio, fazer a flutuação dentro da caverna e conhecer a Gruta Azul. Nesta última não poderemos mergulhar, só observar. A Gruta Azul se conecta ao Rio Pratinha através de uma caverna subterrânea com cerca de 80 metros de comprimento a 13 metros de profundidade. Essa caverna alagada não pode ser mergulhada por visitantes, apenas exploradores experientes.

A má notícia é que a entrada para a Gruta Azul fica a 200 metros da recepção e tem que subir e descer um morro bem íngreme. A foto dá uma noção do esforço. Eu estava esgotado e vou bem devagar. A gruta é interessante e tem que ser visitada logo pois daqui a pouco o sol estará tão baixo que os raios de sol não incidirão sobre a água da gruta causando o efeito “azul” que dá nome a atração. Tudo é muito bonito mas um tanto boring. Volto para a Pratinha. O que eu quero é a flutuação.

Descemos para a beira do rio e entrada da caverna, tiro a fantasia de motociclista e visto o equipamento de mergulho em apneia. Um guia nos leva para dentro da caverna e é como se tivéssemos voltado a um dos salões da Gruta da Torrinha, só que agora flutuando sobre o piso da caverna. Experiência muito legal.

Na parte iluminada da caverna a fauna e a flora é bem exuberante. Plantas aquáticas, algas, peixes de vários formatos e tamanhos. Até uma pequena tartaruga. A água é límpida e cristalina como nas piscinas naturais mais claras do litoral de Pernambuco, onde mergulhei milhares de vezes. A medida que nos afastamos da entrada da caverna a paisagem fica árida e estéril e só o chão e formações geológicas grandes. Nada de estalactite ou estalagmite ou coisa parecida. A água não permite tais formações.

A temperatura fria da água e o movimento lento são muito relaxantes e eu vou-me recuperando rapidamente. Quando chegamos a parte mais funda da caverna a água chega a 13 metros de profundidade, segundo o guia. Pergunto se posso dar uma mergulhadinha sem o colete e ele diz que não é permitido. Em compensação ele diz que dá para fazer a experiência de privação sensorial, pede para nós 3 apagarmos as luzes das lanternas e passarmos um tempo imóveis na piscina dentro da caverna. Escuridão total, silêncio total, ausência de peso. Agora sim. A sensação é muuuito legal. Pena que nós éramos o último grupo e o guia estava com pressa para ir embora. Ficamos pouco tempo e não deu para ter os efeitos alucinógenos que a privação sensorial completa proporciona. Mas a ideia é boa e vou tentar em algum outro lugar depois.

Voltamos para saída da caverna, damos mais uma relaxadinha e tiramos umas fotos.

Já é quase 17hs e o próximo programa é tomar banho na prainha do Rio Pratinha. Basta escalar o morro até a recepção, contornar o restaurante (que já estava fechado) e descer o morro pelo outro lado da caverna. Tudo isso levando na mão as botas, a câmera fotográfica, a calça off-road. Felizmente deixei o casaco e o capacete na moto. Uma mocinha no quiosque que vende os ingressos para a flutuação ofece-se para guardar a tralha e eu aceito.

Na prainha, pedimos o nosso “almoço” e Tio Saulo toma umas duas cervejas enquanto eu encaro um delicioso suco de mangaba. O por do sol se anuncia e a paisagem fica ainda mais bonita. A água claríssima é uma beleza.

Voltamos para Lençóis sem incidentes e o turismo acabou. Não tem mais passeio, não tem mais aventura, não tem mais nada. Agora é voltar para Recife pois Saulo tem um compromisso na quinta-feira. Depois do “dia relaxante” de hoje, amanhã vai ser só deslocamento por estrada de asfalto, sem brincadeira.

Só falta definirmos o roteiro.

 

Tatus na Chapada Diamantina – Dia 7

Sim, o relato mudou de título. Não tem mais Jalapão. Agora é Chapada Diamantina. E assim, de aventura de tatu essa jornada vira um passeio de coxinha. Not for long!

Depois de uma noite no mais confortável hotel de nossa aventura, arrumamos as coisas de decidimos encarar os 470 quilômetros que separam Barreiras de Lençóis.

No jardim do Hote, Rocky, o cachorro do Peter Frampton, faz uma festa. Ele cansou-se da vida agitada ao lado do rock star, migrou para Barreiras e vive incógnito por aqui.

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Eis o vídeo que o alçou a fama

Vamos encarar a BR-235, a principal via de escoamento da produção agrícola da nova fronteira no oeste da Bahia. Caminhões carregados devem ser uma constante mas felizmente, nas manhãs de domingos os caminhoneiros pegam mais leve. O tráfego deve ser um tiquinho menor do que o normal. Ainda bem pois a BR-235 não é duplicada e os relatos sobre o estado de conservação são conflitantes.

Passei por essa estrada no inverno de 1986 numa viagem de ônibus que fiz com meu irmão Homero para passar umas férias em Brasília na casa de meus tios. Lembro que passavam horas entre avistarmos um carro ou uma pessoa. Como mudou. O desenvolvimento do oeste da Bahia é notável. Barreiras era uma cidade pequena e mal servia como ponto intermediário para os ônibus da Viação Itapemirim. Hoje é uma cidade grande e sofisticada e não está só. Ainda mais ao oeste, Luiz Eduardo dizem está crescendo mais rápido e já está do tamanho de Barreiras.

Pegamos a estrada e cruzamos a cidade de oeste para leste e encontramos a pista em excelentes condições. O tráfego era normal, nada demais. A paisagem do sertão da Bahia alternava momentos de aridez e de verde. As formações de vales e montanhas eram um espetáculo para os olhos. Em tudo parecia a Rota 66 cruzando os desertos do meio oeste. As fazendas parecem mais ricas e agora gado bovino é muito presente. Ainda encontramos muito bode/cabra.

Com a mudança de planos, a ideia é tentar recuperar  tempo e a viagem para Lençóis deixa de ser aventura e nem sequer turismo. É puro deslocamento. Só paramos para abastecer e comer. Quanto mais cedo chegarmos a Lençóis melhor.

Logo no início um campo com uma infestação de cupins. Os ninhos de cupins são enormes e só tinha visto assim tão altos no interior de Goiás. Aqui na Bahia eles tem cor diferente, justamente porque a “matéria prima” para construção dos ninhos é diferente. A terra da Bahia tem composição diferente da terra de Goiás.

Rapidamente chegamos a Ibotirama e novamente vamos cruzar o Rio São Francisco. A imagem é forte pois o rio da integração nacional tem sofrido um bocado esses últimos anos. As notícias mais recentes são boas. Voltou a chover na região da nascente do Véio Chico e tem água por lá. Já não era sem tempo. Aqui o rio é de cor barrenta, como era antes da construção do lago de Sobradinho mais abaixo.

Decidimos parar para abastecer e almoçar e rapidamente pegar a estrada. Perguntamos pelo limpa viseira spray e não tem. Nunca mais iríamos encontrar o tubinho spray que compramos no interior do Piauí.

A estrada que até então estava perfeita e com algum tráfego passa a ficar apenas regular e com tráfego maior ainda. O ritmo é forte e dá para manter uma média bem alta.

A previsão agora é de chegarmos por volta das 16hs em Lençóis. O ritmo continua bom apesar do aumento do tráfego e das irregularidades na pista. Um ou outro buraco sendo que o defeito mais comum são as “valas” no asfalto causadas pelo excesso de peso dos inúmeros caminhões carregados de produtos agrícolas ou whatever.

Como toda viagem sobre asfalto a chatice só é atenuada pelas belas paisagens do interior da Bahia. Pastos, plantações, serras, montanhas, vales, caatinga seca, áreas verdes, belas fazendas. A pista é reta e com curvas suaves, uma moleza mas um tanto entediante.

Em Seabra paramos para abastecer pela última vez antes de Lençóis. Tio Saulo suspeita que os preços de gasolina em nosso destino serão mais altos pois só tem um posto de combustível lá. Logo após a saída do posto começa a chover.

Para Impermeável Saulo é só um inconveniente. Para mim é exigido que pare e vista a capa de chuva, que por acaso eu coloquei no fundo do baú pois não imaginei que iria chover tanto no sertão da Bahia. Deu trabalho mas rapidamente eu estava protegido. Não coloquei a calça de plástico. Só a jaqueta. Foi uma medida correta pois a chuva fina que se anunciou engrossou e virou chuva de verdade.

Na subida da serra uma imagem impressionante de uma carreta tombada e sua carga espalhada pela pista. Desembaraçamos rapidamente e exceto por isso, a viagem seguiu sem incidentes.

Entramos em Lençóis debaixo de chuva e fomos procurar uma pousada para o pernoite. Me interessei por uma chamada “pousada do Cajueiro” que fica na subida de um morro. Não consigo encontrar a entrada da pousada e subo o morro até o alto onde tem uma capela muito simples e rústica a frente de um cemitério. Decido parar lá para tirar uma foto com a Azul.

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Seria a última vez que veria a Bandeira Azul. Na pressa para encontrar uma pousada não acomodei direito a bandeira nos amarradores de bagagem e ela caiu da moto no que eu presumo seja a descida desse morro, toda esburacada. Deve ter balançado e a bandeira caiu sem que eu visse.

Eu e Tio Saulo havíamos nos separado, cada um procurando uma pousada legal. Decido arriscar e ver se tem vagas no chic Canto das Águas. Quando volto para a moto percebo a ausência da bandeira. Encontro com Tio Saulo e ele já havia selecionado uma pousada para nós. Combino com ele de encontrar com ele lá enquanto refaço o percurso procurando a bandeira azul.

Subo de novo o morro em direção a capelinha pelo caminho que desci  e nada de encontrar a bandeira. Alguém a pegou.

Lá em cima eu converso com alguns moradores e deixo avisado que há uma recompensa para quem encontrar e devolver a bandeira no posto de gasolina. Decido voltar a pousada e resolver a questão da estadia. Procuro a bandeira mais tarde.

Ao descer o morro pela ladeira de pedras, encontro umas pessoas e vou falar com elas. Dou bobeira e com a moto parada levo um tombo forte em que sou arremessado ao chão pelo peso da moto. Caio de lado, batendo a bunda de lado no chão. Pancada forte daquelas que tira o ar dos pulmões. Fico parado uns segundos na esperança de não ter quebrado nenhum osso e por sorte nenhum quebrou. Mas doeu. Levanto-me com o lado do corpo todo doído e sabendo que assim que eu relaxar a dor vai vir com força.

Nenhum dano na moto exceto a bolsinha de tanque que desprendeu da base. Examino o kit e percebo que dos 4 parafusos que fixam a bolsa a base circular que engata na base fixa sobre o tanque, apenas dois estão presentes e ainda assim meio frouxos. Presumo que o excesso de peso que acomodei na bolsa e a vibração durante os quase 3000km que levamos para chegar a Lençóis devem ter afrouxado os parafusos. A queda foi a gota dágua. Parece que tem conserto.

Deixo de conversa, levanto a moto e sigo para pousada. Nem dói tanto enquanto eu estou montado na moto. Ao desmontar a dor chega. Parece dor de velho envergado. Ando com dificuldade e encontro com Tio Saulo que pede para eu dar uma olhada no quarto antes de fecharmos negócio com a pousada.

Rapidamente vistorio o quarto que tem uma cama de casal e uma de solteiro. Tio Saulo diz que por eu ser mais velho ficarei com a cama de casal. Negócio fechado. Estou exausto e chateadíssimo com a perda da bandeira azul e da queda. Nenhum dano além do moral e da dor.

Desmontamos a bagagem, tomamos um banho refrescante e saímos para jantar a pé na noite do domingo. Chegamos ao El Jamiro e comemos um prato de petiscos variados regados a cerveja deliciosa. Jogamos conversa fora enquanto Tio Saulo faz os planos para o dia seguinte, que promete. Na verdade, o dia seguinte seria o melhor dia de toda a viagem.

 

Tatus no Jalapão – Dia 5

O dia de reparos.

Amanhecemos em Bom Jesus do Piauí e eu com a ideia de seguirmos direto para Mateiros em Tocantins. Afinal, eram apenas 425 quilômetros, sendo que uns 250 sobre asfalto. Tio Saulo me convenceu a pararmos em Corrente ainda no Piauí. Estaríamos mais perto de Mateiros e poderíamos tirar a tarde para descansar melhor, revisar as motos e principalmente, consertar os empenos e armengues na moto dele.

Tomamos um café da manhã surpreendentemente honesto no pior hotel de toda a viagem. Demos uma revisada básica na moto de Saulo que havia levado dois tombos fortes no dia anterior na Serra Das Confusões. O baú lateral direito tinha quebrado o engate e agora só permanecia preso por estar amarrado ao suporte. O suporte esquerdo estava envergado e em contato com o escape. Para Tio Saulo isso era o fim. Tentamos desenvergar na força bruta e o máximo que conseguimos foi livrar alguns milímetros para evitar que o suporte mantivesse contato físico com o escape. Para consertar definitivamente seria necessário desmontar tudo e desenvergar. Enquanto fazíamos isso, Tio Saulo percebeu que a lanterna traseira não estava encaixada corretamente na carenagem. Em comparação com a minha moto dava para ver que tinha algo errado.

A paisagem de Bom Jesus era bizarra. Acordamos sob uma forte névoa de queimadas. Especulei que era fumaça oriunda das queimadas na Amazônia. O dia estava meio nublado e úmido e ainda muito quente. Dá para ver no vídeo abaixo a névoa. Não é sujeira na lente ok ?

Abastecemos as motos num posto Ipiranga e comprei um limpa viseira/desembaçante que se mostraria muito útil no dia seguinte. Comprei também dois pares de protetores auriculares e removi a pala do meu capacete para melhorar a aerodinâmica. Essa modificação foi muito conveniente e tornou a pilotagem mais confortável.

Pegamos a estrada BR-135 em direção sudoeste. Asfalto bom, algum tráfego de caminhões e pouco depois das 12hs estávamos em Corrente. A vegetação era mais verde, as árvores mais altas. Estávamos em outro bioma, diferente do sertão nordestino típico. Fomos direto ao hotel Rino e deixamos a tralha lá. Decidimos pôr as motos para lavar enquanto almoçávamos.

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Motos sendo lavadas

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Almoço em Corrente, Piauí

O lavajato não usava querosene mas estavam dispostos a aplica-lo se trouxéssemos. Procuramos no comércio e compramos um litro de querosene. Deixamos as motos lá e fomos almoçar, as 16hs as motos estariam prontas. Comemos um bom pedaço de coxão mole acompanhado de arroz feijão e salada. Muito frugal e rústico e delicioso. Ainda tivemos direito a uma porção de sarapatel de tripa de suíno que estava uma delícia. Voltamos ao lavajato antes do horário combinado e as motos estavam quase prontas. Dá gosto de ver. Nessas horas o espírito coxinha prevalece. Tio Saulo aproveitou para ver o que estava errado e precisava ser consertado em sua moto. Voltamos para o hotel no finzinho da tarde e começou o Boko’s Garage On The Go. Desmontamos o bagageiro da moto, suporte de lanterna e descobrimos que a mesma estava apenas mal encaixada. Primeiro problema resolvido. Agora os suportes dos baús. Terminamos quando já estava escuro e tudo ficou razoavelmente bom. O empeno no suporte não deixava as coisas perfeitamente simétricas como o Saulo exige mas ficou muito bom. Revisamos os apertos, tudo em ordem, fomos dormir.

Num dia em que percorremos cerca de 250km em meio dia, não houve muita novidade. O hotel era muito agradável, cercado por uma mata bonita. Os quartos eram amplos, com 3 camas e um banheiro grande. Dava para ver que era projeto da década de 80. Só que o hotel estava realmente muito derrubado. Tudo funcionando, diga-se de passagem, mas tudo muito gasto e precisando de ajustes. O banheiro tinha vários vazamentos, o piso algumas pedras quebradas, as fechaduras eram antigas e gastas. O clima ameno só era perturbado por um ensaio de meninas modelo de um projeto social com sede em Brasília e que atuava lá em Corrente. Eu desconfiei  que era aliciamento de menores mas na verdade não havia nada de errado. Só bizarro. Era meio estranho ver um monte de meninas dançando “Danúbio Azul” com um “príncípe” improvisado num rapazinho lá de Corrente. Muito bem intencionado, mas nem assim as meninas candidatas a modelo se entusiasmaram pelo charme do Príncipe.

A noite saímos para jantar na festa religiosa em frente a Igreja Católica no centro da cidade. Procuramos algum lugar para comer e no fim nos contentamos com uma sanduicheria na entrada da cidade. Fomos dormir cedinho com a sensação de que as motos estão limpas e preparadas para o que der e vier.

Amanhã chegaremos ao Jalapão !!! Pelo menos era essa nossa ilusão.

Tatus no Jalapão – Dia 2

O “cerumano” e a sua incrível capacidade de se adaptar as mais adversas situações. Sim, se adaptar pode ser se acostumar a um calor de 38/39 graus e achar 33 graus um “friozinho gostoso”. Pois foi isso que aconteceu conosco na noite do dia 2, quando chegamos as 18:30 a cidade de São Lourenço do Piauí. Mas como isso pode acontecer ? Comecei a história pelo fim.

Amanhecemos em Petrolina depois de uma noite onde jantamos um bode assado no Ângelo, regado a muita cerveja Heineken, a preferida do Tio Saulo. Também explico já já porque decidi chamar meu companheiro de aventura de “Tio”. Sob o belíssimo céu limpo e cristalino de Petrolina, em plena seca do El Nino, havia uma sombra que pairava sobre nós. A minha moto tinha morrido em pleno funcionamento duas vezes no fim do dia anterior. Sem motivo aparente a moto desligou. Duas vezes. Quais seriam as possíveis causas ?

  1. Gasolina adulterada quando abastecemos em Belém de São Francisco,
  2. Imperícia do condutor (nunca pode ser descartada)
  3. Síndrome da bomba de gasolina com defeito (mal que assola as BMDafras)

Acordamos por volta de 7 horas para o que planejávamos ser um trecho “fácil” de apenas 304 km até São Raimundo Nonato no Piauí. Fomos abastecer a moto num posto Shell para isolar a variável da gasolina adulterada. Adicionalmente e por via das dúvidas, enchi o tanque da moto com gasolina Shell Dupliplusboa Extra Good Aditivida Juramentada Abençoada. Se o problema era gasolina, agora o tanque cheio da supergasolina deveria resolver.  Logo depois do posto, um susto enorme. Minha moto jorrava gasolina e deixava um rastro por onde passava. O perigo era cair gasolina no escape quente e a coisa toda pegar fogo. Saulo que notou que estava vazando gasolina e me avisou. Meu primeiro pensamento foi “trincou o tanque de gasolina e a aventura acabou”. Nada disso. O incompetente do bombeiro (e do piloto) não fechou a tampa do tanque após abastecer. Fechei tudo, deixei a gasolina que escapou do tanque evaporar e seguimos caminho.

 

Antes de pegar a estrada a paranoia sobre a causa do problema na minha moto nos fez passar numa loja de peças da Bosch e comprar uma bomba de combustível de reserva. Relatos de vários proprietários de BMDafra F800GS contam histórias terríveis de bombas de gasolina que deixaram os pilotos na mão em pleno meio de lugar nenhum. De fato, a posse desse artigo místico, a bomba para carros 1.0 que segundo o Papa Piu (também conhecido como “O Durigan”) pode ser usada na F800GS me dava uma tranquilidade enorme. Resultado é que saímos de Petrolina perto das 10 horas da manhã. Mas sem problemas, o trecho é moleza e temos muito tempo para percorrer apenas 300km. Decidimos então fazer um desvio que adicionou 40km ao percurso e pagar uma visita a Barragem de Sobradinho na Bahia. Queríamos ver o maior lago artificial da América Latina. Para mim isso tinha um sabor especial pois eu havia visitado a barragem há 35 anos numa viagem migratória que fiz com meu pai de carro de Belém de volta para Recife.

Saímos de Petrolina em direção oeste, orientados pelo Tomtom, dobramos a esquerda e abordamos a barragem pelo lado norte. Antes de chegarmos a barragem subimos um morro com torres de telefonia celular e de lá tiramos belas fotos. O sertão virou mar, embora o nível da barragem esteja apenas a 1% da sua capacidade, a imagem ainda impressiona.

DSC_0002Figura 1 – O Sertão Virou Mar – Bandeira XT660 na Bahia

Descemos o morro e seguimos até a eclusa, passando sobre a ponte levadiça.

Eclusa light

Mais fotos da obra que permite que os “vapores” subam o Salto de Sobradinho, como diz a música de Sá e Guarabira.

Voltamos pela estrada em direção norte e o nosso próximo destino é Remanso, na Bahia, onde pretendemos almoçar e reabastecer as motos. Passaremos então por Casa Nova. Na música de Sá e Guarabira eram Remanso, Casa Nova, Sento Sé, Pilão Arcado, Sobradinho. Todas elas relocadas pelo lago formado no fim da década de 70. Dessas nós visitaríamos 3. Pilão Arcado e Sento Sé ficam muito fora do roteiro.

Mais uma dose de estradas absolutamente retas e monótonas. Só que agora, em pleno sertão e as 10:30 da manhã a temperatura atingiu os 38 graus que no dia anterior só havíamos alcançado no meio/fim da tarde. Agora era constante. Quente. Ligaram o secador de cabelos e apontaram para nossa cara. A viseira do capacete fechada significa uma temperatura mais “amena”.

Sem incidentes chegamos a Remanso por volta de 12:30 e fomos almoçar no restaurante “Velho Chico” que ficava a margem do lago de Sobradinho. Com a seca, a margem recuou mais de 3km. Almoçamos um delicioso surubim frito acompanhado de suco de tamarindo feito artesanalmente. Descansamos um pouco e decidimos visitar as ruínas antes inundadas de Remanso Velho e agora descobertas pela seca. Segundo os locais, há 4 anos que a margem recuou e esse ano vai ser difícil ela voltar ao nível normal.

Esse foi o primeiro teste off-road que faríamos na viagem. Testar as amarrações e fixações de bagagem. A estradinha no leito do lago tinha de tudo: buracos, cascalho, areia fofa, muita poeira. Na saída um pequeno susto provocado pela perda de tração na traseira ao acelerar. Dá para ver no vídeo do youtube. Chegamos rapidamente a nova margem do rio e dá para ver a desolação que a seca provoca.

remanso velho light

Aqui a cor do rio é bem barrenta. A deposição que o lago de Sobradinho proporciona tornou o Véio Chico mais límpido abaixo da barragem. Como aqui é a nova “orla”, o comércio informal já se estabeleceu. Vimos alguns caminhões pipa reabastecendo com água e algumas barracas de bebidas e comidinhas.

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Voltamos pela mesma estradinha para Remanso e vamos pegar a estrada para São Raimundo Nonato em direção ao norte. Para nossa surpresa a estrada marcada como asfaltada na verdade é de terra.

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Nós pedimos, nós recebemos. Agora é encarar. A estrada, fácil, larga. Muito cascalho e pedras e muita poeira. Decidimos baixar a pressão dos pneus antes em estratosféricas 36/42. Com 22/25 as motos ficaram mais macias, menos ariscas, não quicavam tanto. Menos de 10km depois o pneu dianteiro da minha moto baixou. Acho que esvaziei demais. Saulo usou o o fantástico compressor Michelin portátil e pedi para ele por 30 libras e desejando sinceramente que tenha sido só um mal entendido de esvaziamento incompetente. Não era. Poucos quilômetros depois o veredito. O pneu tinha furado mesmo.

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No problemo! Tínhamos uma câmera Michelin 0km para essa contingência. Só que não levamos as espátulas para tirar o pneu. Tentei improvisar com as ferramentas e elas simplesmente envergavam e nada de desmontar a virola do pneu. O jeito é levar a roda a um borracheiro. Saulo encontrou um borracheiro escondido numa ruazinha ao lado da estrada num vilarejo uns 3 km antes do local onde havíamos parado. Enquanto o borracheiro remendava a câmara velha, Saulo trouxe o pneu com a câmara nova, murcho mesmo para eu montar. Me enrolei na hora de montar dei bobeira e as pastilhas de freio saíram da sede. Tem que tirar o pino e a cupilha, montar a roda, montar as pastilhas e colocar as cupilhas. Tudo certo até a hora de fixar as cupilhas, por pura incompetência minha uma delas envergou, “estilingou” e voou em direção ao esquecimento na poeira no meio da estrada. Nunca mais eu a vi. Paciência, essa vai sem cupilha mesmo. Estava ficando escuro e ainda tínhamos muita estrada de terra para encarar, não sabíamos quanto. Roda montada, câmara nova, estrada escura. Chegamos em São Lourenço do Piauí as 18:30, tudo escuro, paramos para tomar uns refrigerantes. Que delícia quando comparado ao forno de 38 frequentes com picos de 39/40 no meio da estrada. Recalibramos os pneus para asfalto usando o fantástico compressor Michelin de Saulo.

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Descansamos um pouco e tocamos para São Raimundo Nonato. Localizamos a pousada que nos recomendaram, Zabelê e finalmente consideramos que havíamos chegado.

O percurso de 300km que deveria ser concluído lá pelas 3 ou 4 da tarde se estendeu até as 7 da noite por causa do pneu furado. E aí cabe um relato interessante.

Sempre aplico a vacina de pneu da Motovisor na minha moto. Há 15 dias, fiz uma trilha com uns amigos e cheguei em casa com o pneu dianteiro furado. Lá em casa tem compressor e enchi o pneu novamente. A vacina tapou o furo perfeitamente tanto que percorri os 700+km até a estrada Remanso/São Lourenço do Piauí sem problemas. Tudo tem limite e a capacidade de cura da vacina estava há muito esgotada. O borracheiro encontrou nada mais do que 4 furos na câmara de ar. Portanto, a vacina tapou 3 de forma eficaz. O quarto furo era grande, um rasgo e aí não tem jeito, foi a lona.

Terminamos o dia bebendo umas cervejas na área comum do hotel, jantar frugal para mim. Conhecemos o Fernando Maia, um paulista (nascido em Pernambuco) que estava fazendo turismo de aventura com sua esposa na Serra da Capivara. Fernando deu dicas valiosas que seriam muito úteis no dia seguinte. O papo foi divertido e rapidamente criamos uma empatia com o Fernando.

Fomos dormir agradavelmente exaustos. O dia seguinte seria cheio de surpresas.

 

Trilha do Picadinho.

Mais uma semana de chuvas em Manguetown que ameaçavam o passeio do fim de semana. Homero voltou de São Paulo com dois pares de pneus Karoo 3 para colocarmos em nossas motos e assim podermos fazer trilha na terra sem medo. Os Anakee II cumpriram o seu papel. São excelentes no asfalto, são duráveis e resistentes mas chegaram ao fim de suas vidas úteis e agora nós queremos por as motos no barro.  Serão substituídos por pneus mais radicais.

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Quinta e sexta foram dias de sol enter nuvens. Chuvas fracas e rápidas melhoraram as perspectivas de trilha seca para o sábado. Na sexta, Homero me liga confirmando tudo e ate se oferecendo, junto com Tio Iran, para levar a XTzona para trocar os pneus. Que serviço bom ! Não bastasse ter comprado o pneu em São Paulo, despachá-lo para Recife (via Lara Log) ainda iria providenciar a montagem dos pneus. Verdade que para Tio Iran, tudo é festa e uma oportunidade para andar na XTzona azul é tudo que ele quer.

Postei o convite do evento no Facebook na manhã da sexta-feira mas com poucas esperanças de que algum colega aventureiro aparecesse. Tárcio ainda impedido, Gian já tinha dito que não poderia esse fim de semana. Convidar com apenas 24hs de antecedência é pedir para aparecer ninguem. Não há tempo hábil para manobrar agendas familiares, negociar com as esposas a escapada com uns amigos malucos que gostam de por a moto na lama. Ouve-se muito “Tá doido de andar de moto com essa chuva ?” Mesmo assim postei o convite pois tinham confirmados 3 pilotos: Eu, Homero e Iran.

A participação de Tio Iran nesse passeio era particularmente importante para mim. Tio Iran é o responsável por tudo isso. Foi ele quem me emprestou a primeira moto de verdade para eu pilotar. Foi dele que herdei a paixão por motocicletas quando era um menino e ele foi-me visitar em Manaus. Levar Tio Iran para passear de moto é como resgatar uma dívida que tenho com ele. Sem falar que é diversão garantida ouvir as histórias, se deliciar com as mamoadas e as interações gravitacionais não controladas.

Acordei muito cedo, por volta das 5hs da manhã e o céu não tava bom não. Muitas nuvens, mas ainda sem chuva. Enquanto arrumava o equipamento, meu celular dá um aviso sonoro de que alguém postou alguma coisa no Facebook … Era Homero já animando para a partida e postando que estava pronto.

Começa a chover. Chuviscado que vira chuva fraca e eu todo fantasiado já pensando que o passeio havia gorado por efeitos diluvianos. A chuva dá uma aliviada e me mando para o Posto Shell da Abdias de Carvalho onde encontro Homero já me esperando antes das 7hs. Eu faço um lanche rápido a base de sanduíche natural (?) e um todynho mais um café expresso para deixar os neurônios no ponto. Ficamos batendo papo até Tio Iran aparecer e nos contar que tinha que salvar o mundo, que tinha que curar o câncer, que tinha que fazer isso e aquilo e que não poderia ir conosco. Too bad. O passeio com Titio vai ficar para outro dia.

Eis nós aqui prontos para partir.

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A ideia original desse passeio era fazer, de novo,  a trilha de Nova Cruz e Monjope. Agora completamente mapeada, a trilha é uma delícia e Homero não conhece. De tanto fazê-la recentemente (Com Tárcio, com Bruno e Alexandre, depois com Omar+Eduardo+Gian) eu já estava com ela decorada. Não precisa nem de GPS. Saímos do posto, pegamos logo a direita na BR-101 e seguimos para o norte em direção a Cruz de Rebouças mas não fomos longe. Quando cruzamos a Avenida Norte Homero fez sinal. Não vai dar. Tem muita chuva pesada caindo sobre o litoral norte. Decidimos voltar pela pista local e inverter o passeio. Vamos para o litoral sul e o máximo que pode acontecer é chover do mesmo jeito. Arriscamos encontrar algum sol, quem sabe.

BR-101 lá vamos nós e quando passávamos pelo entroncamento próximo a Vitarella tive a idéia de fazer a trilha do Picadinho. Também conhecida como “Estrada Velha de Barreiros” esse caminho segue em direção ao sul mais ou menos pelo meio entre  a PE-060 e a beira do mar, cruzando uma mata belíssima chamada “Mata do Zumbi”, que diz a lenda, é tudo terra dos Brennand. Alguém por favor confirme ou não essa história. Essa estrada é antiga, de pedras e já foi abandonada há muito tempo. Eu costuma fazer trilha de moto por aqui nos anos 80 e em 2009 estive com Lara fazendo uma trilha com  a XT 660 R em direção a Praia do Paiva. Já tinha feito essa trilha com Cuca e Poliana e é muito divertida. Minha intenção era seguir para a Praia do Paiva, pegando a direita na segunda ou terceira variante depois do Rio Pirapema. Mas antes teríamos que chegar a esse ponto da trilha.

Quase 30 anos se passaram e a paisagem de Ponte dos Carvalhos é bem diferente. A rua principal que entrocava com a BR-101 agora é quase uma praça e, devido as obras de urbanização da antiga BR-101, temos que ir lá na frente e fazer o retorno para pegar a faixa no sentido Cabo->Recife e dobrar a direita numa ruazinha anterior a principal. Tudo agora é asfaltado e com lombadas. Lembro que quando fazia trilhas por aqui era todo chão batido  e os redutores de velocidade eram os buracos na rual má cuidada. A rua segue até o entrocamento da linha do trem urbano que agora segue para Suape e própria estrada Velha de Barreiros. A passagem de nível ainda está lá. Trinta anos de abuso e absolutamente nenhuma manutenção, os buracos aumentam, as pedras que formavam o calçamento mais soltas, muitas poças dáguas cheias com as chuvas recentes. Muita lama sobre as pedras e a Trilha do Picadinho de repente fica muito ruim para mim pois meus pneus são 90% para asfalto (queria saber quem é que faz essa conta) e mesmo murchos tem extrema dificuldade em obter a mínima aderência frente a lama, musgo, água, sujeira e outras substâncias orgânicas que meu asco impede de declinar o nome agora. Para complicar, começa a chover fraco mas o suficiente para manter tudo ainda mais encharcado. A moto tem dificuldade de manter-se em linha reta e as derrapagens forçam ângulos estranhos com as linhas paralelas da beira da estrada. Homero assiste a tudo isso do conforto da XT 660 R agora equipada com os Karoo 3. O meu par de pneus, comprados em São Paulo por Homero e carinhosamente trazidos pela minha mulher, foram montados na minha XT 660 R que nesse exato momento deve (supostamente) estar levando Tio Iran ao proctologista (ou era dentista?). Se eu soubesse tinha deixado a BMW com ele … Depois de uns sustos vejo que o jeito é reduzir a velocidade e só acelerar quando o chão fica só com pedras relativamente limpas de musgo. Observo que o mato havia avançado para o meio da estrada o que é um sinal de que está sendo pouco usada. Nas priscas eras em que eu fazia trilha por aqui era comum ver um ou outro carro de passeio arriscando um trecho da trilha mas agora dá para ver que a estrada foi definitivamente abandonada. Saberei o motivo logo a frente: A ponte sobre o Rio Pirapema havia desabado.

Eu não me lembrava mas já sabia que isso tinha acontecido quando fiz a trilha de bicicleta e de moto com Lara, Cuca e Poliana. Só agora caiu a ficha de que se não passa carro pela estrada, ela vai cair em desuso de vez. A alternativa para cruzar o rio é a ponte da linha de trem urbano, uns 100 metros a direita da Trilha do Picadinho. Deu para ver uma picada no mato ligando ao pé da ponte e para minha alegre surpresa, ao lado da ponte de trem tem agora uma passarela para bípedes. Que alívio pois eu me lembro que passar a moto para dentro dos trilhos e atravessar a ponte foi algo estressante tanto fisicamente (a moto pesava muito e  a BMW pesa inda mais) como mentalmente (o medo de algo dar errado e o trem passar por cima). Com a passarela vai ser moleza. A rampa de subida para a passarela tinha um contra-ângulo agudo mais nada que uma ou duas manobras com ajuda da gravidade não resolvessem. Subi na passarela, atravessei o rio e …. perdi o ponto de saída … Caramba. Deve ter outo lá na frente … Mas não tinha !!! Homero foi mais esperto e passou a XT por cima de umas sucatas de trilho para a faixa de brita da estrada de ferro. Ei fiquei preso entre o mato e as sucatas de trilho. A medida que me afastava da ponte, a falsa trilha ia ficando mais apertada e não aparecia a saída para a esquerda que me levaria para a estradinha. O trem havia acabado de passar e a moto de Homero estava mais próxima dos trilhos do trem. Melhor não dar bobeira. Parei a minha moto no mato e Homero seguiu pela brita até uma passagem de nível uns 500 metros depois. Eis a minha moto parada.

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Não dá para ver porque o mato tá alto mas aí nesse mato tem um monte de sucata de trilhos que me impediam de subir com a moto andando para a faixa de brita que aparece na foto. À esquerda da moto só tinha barranco e mato, não tinha saída para a estradinha que ficava nessa direção. Eu precisava suspender as rodas das motos por sobre as sucatas de trilho para atingir a brita e aí seguir andando. Me desculpem, mas num tem macho no mundo que consiga levantar uma F800 GS sozinho. Homero to the rescue !!!

 

Homero on the tracks

Esperando Homerogoudot Keep Walking homero

 

Lá vem o meu irmão para me ajudar. Coloquei a minha moto na trilha de brita e fomos embora para a passagem de nível.

Aqui dá para ver a altura elevada em que o trem corre. Imagino que é alto assim para evitar os frequentes alagamentos. Essa região toda é meio pantanosa.

João eurico desce da estrada de ferro e volta para a trilha

João eurico desce da estrada de ferro e volta para a trilha

 

Voltamos a Trilha do Picadinho e a lama não dá trégua. Muita água, muita pedra e pouco pneu para mim. Tava ruim, tava tenso e eu não estava gostando. Quando passamos pela entrada da variante a esquerda que leva a Praia do Paiva vi que não tinha condição alguma da minha moto passar. Se estava ruim no Picadinho, na trilha sem calçamento ia ser muito pior. Estava alagado completamente com aquela água barrenta que significa que na parte submersa só tem lama, massapê, ou seja, um sabão para os meus pneus. Seguimos pelo Picadinho e de repente a trilha acaba num acampamento de máquinas. Logo atras, a Rota do Atlântico. Lascou tudo !!! A rodovia pedagiada é cercada para evitar que espertinhos a usem sem passar pela praça de pedágio. Isso significa que não conseguiríamos entrar na Rota do Atlântico naquele ponto. Seguimos a estrada de barro (leia-se sabão para mim) e ela passava por baixo de um pontilhão, cruzando a rodovia. Do outro lado, uma estrada de barro que eu imaginei que era de serviço seguindo em paralelo a autopista.

Se pegássemos a direita, voltaríamos em direção ao Cabo. A esquerda, seguiríamos em direção a Gaibu/Suape. Homero decidiu e fomos pela esquerda. Mas vocês não fazem ideia. Homero foi na frente de Karoo 3 e eu tentando acompanhar. A moto ia de um lado a outro da estrada deslizando sobre o massapê encharcado. Um sabão. Num certo ponto eu escorreguei para fora da estrada, acelerei e milagrosamente voltei para  estrada com uns tufos de mato enganchados por toda a moto. Atingimos o asfalto na estrada PE-028. Nessa hora, eu achei ótimo voltar ao asfalto. Sinceramente, não dava para mim. O chão estava muito escorregadio. Eis a cara de Homero quando encontramos a pista.

Homero e Karoo 3

Homero satisfeito com o desempenho do Karoo 3 na trilha de lama

Partimos pela PE-028 em direção a praça de pedágio da Rota do Atlântico para seguirmos para Suape, Porto de Galinhas e Serrambi. No asfalto, boring, mas devo confessar que o pneu da BMW F 800 GS agora era melhor que o de Homero. Curvas deitando tudo, o asfalto limpo pela chuva, agora estava seco. O céu clareando, o sol aparecendo. Boring .. é verdade, mas num instante estávamos em Porto de Gallinhas, pegamos a saída para Serrambi.

Já quase no entroncamento com a PE-051 (a estrada que vai para Serrambi e Toquinho) me lembrei que havia feito uma bela trilha por aquelas bandas com o Ricardo Carvalho, o Ricardo Júnior e o Guilherme Carvalho. Era uma trilha com chão de areia … hmmmm … Areia era todo que eu precisava para melhorar a aderência. Melhor areia para o meu pneu do que barro molhado (que vira um sabão). Passamos o entroncamento e subimos a trilha de areia para o Alto de Serrambi.

https://mapsengine.google.com/map/edit?mid=zes7xyM10Jlg.kl4ogI9IRrbA

Nessa subida levei um tombo, mais uma vez, por falta de tração na roda traseira. Tá ficando monótomo. A moto precisa de força, eu acelero, ela sai de traseira  … e lá vou eu comprar terreno. Invariavelmente isso acontece com a moto quase parada. Nenhum dano, só o trabalho para levantar os 250 quilos da moto em ordem de marcha. Aproveito para capturar a subida de Homero. Vejam só

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Tiramos algumas fotos da bela vista de lá de cima. Uma igrejinha, uma estátua de uma entidade religiosa, uma torre de telecomunicações e a vista do pontal de Maracaípe.

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Tentamos descer pela trilha alternativa mas a erosão destruiu tudo. Voltamos por onde subimos e num instante estávamos lá embaixo. Seguimos a trilha de areia para a área próxima ao mangue. Aí a trilha ficou gostosa. A areia molhada fica durinha e adere ao meu pneu. Nos perdemos umas duas vezes e finalmente saímos na estrada para Serrambi. Mas antes passamos pela trilha na floresta de Mangue muito agradável.

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Fomos para a casa de Ricardo Carvalho em Enseadinha mas ele não estava lá. Então decidimos ir para a casa de Tárcio, afinal hoje é o aniversário dele e íamos dar um abraço. Mas ele estava caminhando na praia. Fomos para a praia tentar encontrá-lo.  A praia estava deserta e fomos para o Pontal de Serrambi onde tiramos umas belas fotos.

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Nade de encontrar o Tárcio. Já estava ficando tarde e decidimos voltar para Recife. Na volta, fomos pela Rota do Atlântico, agora no sentido inverso e aproveitei para localizar o ponto onde a autopista encontra a estrada ancestral, por volta do KM 33.

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Chegamos em Recife por volta de 12:30.
Conclusões: O passeio foi curto e tinha tudo para dar errado. Desde o baixíssimo quórum até a chuva, tudo atrapalhou. Felizmente a mudança de região deu certo. Pegamos muito sol e a trilha em Serrambi foi uma delícia.

Lições aprendidas:

  •  Quando chove não dá mesmo para forçar a barra com o pneu on-road. É perigoso, chato e cansativo. No entanto .. todavia … porém … a trilha de areia não tem problema algum. Pelo contrário. Fica até melhor. Isso significa que quando estiver muito molhado vamos para Serrambi ou para a Trilha do Coqueiro Solitário. Quando fizer sol, tá liberado para tudo quanto é canto.
  • O Pneu Karoo 3 parece que é bom mesmo. Mal posso esperar a chance de experimentá-lo na trilha.
  • É importante levar uma machadinha ou um facão para fazer a picada no meio do mato.
  • Ainda tem muita trilha na Mata do Zumbi.

No fim de semana tem mais 🙂

 

 

 

 

 

Do caos a lama

Noite de quarta feira (14 de maio de 2014) em Manguetown e a greve da Polícia Militar é deflagrada. Começa o caos que dura pouco mais de 24 horas. Na manhã da sexta feira a vida volta ao normal. Será ? Normalizou mesmo ? Em outras palavras, vai dar para fazer uma trilha de moto no sábado  ? Isso é o que interessa. Não bastasse os últimos dias de chuva em Recife, ainda por cima essa greve da polícia que estimulou a bandidagem a ir para a rua.

Não andava de moto desde o dia 1º de maio quando fiz um belo passeio com o Bruno Gomes e o Alexandre Dessani até Nova Cruz. Finalmente a trilha que liga a praia até Cruz de Rebouças estava marcada de forma inequívoca. Trafegável com moto, trilha fácil.
Mas agora, sábado dia 17 de maio, longínquos 16 dias depois do feriado do Trabalhador, as perspectivas de fazer um bom passeio não eram boas. Homero está em São Paulo, Tarcio com impedimentos detranísticos (leia-se carteira de motorista emitida por engano sem a categoria A impressa), Omar sempre trabalhando no sábado. Meus companheiros não-coxinha me abandonaram. O Brunão até encarava mas já havia se comprometido a fazer um passeio 100% asfáltico para Tracunhaem. Fiquei definitivamente sozinho. Vou ficar em casa assistindo televisão. Eis que pelo Whatsapp consigo convencer Hodor (leia-se Brunão) a dar uma escapadinha no passeio asfáltico e subir a Serra das Russas pela trilha do “Esqueleto da Gata”. Agora sim ! Sendo assim, diga ao povo que eu vou para o passeio de moto no sábado. Ainda tentei cooptar o Robson mas ele ia fazer plantão no feirão da casa própria.
O ponto de encontro é o posto Ypiranga em frente a CHESF na Abdias de Carvalho. De fato é bem mais fácil de achar porém a lanchonete é muito pequena. O roteiro proposto por Odilon partia dali, parava na Tapiocaria Cabana de Taipa em Bonanza e seguia pela PE-050 até Glória do Goitá, depois PE-090 por Lagoa do Carro onde uma visita ao Museu da Cachaça, depois Tracunhaém e almoço no Panela Cheia em Carpina.
Cheguei realmente muito cedo no Posto e tomei um saudável café da manhá a base de sanduiche natural de ontem e uma caixinha de todynho. Exatamente as 7:31 chega ao posto um Gigante montado numa F800 GS branca, belíssima. Era o Gian, o primeiro a chegar. Abasteceu a moto, logo em seguida se apresentou, muito simpático. Conhecia uns poucos do grupo e veio convidado pelo Odilon. Em seguida chegou um monte de gente e a coisa animou. O próprio Odilon, o Sílvio, o Heráclio, o Casagrande, Brunão (ainda bem), João Guerra, Emerson Bueno, Newton Tenório, Elder Maranhão. Chegaram também o Mateus numa XJ6 e um outro piloto numa belíssima Fazer 600. Chegou também uma Harley Davidson, mas foi só uma coincidência. Não fazia parte do grupo.
Conversa animada, e enquanto os líderes decidiam os detalhes do roteiro eu parti para a jugular. “Brunão, você prometeu para mim que ia subir a serra comigo ! Não vai amarelar hein ?”. O Hodor Mineiro segurou a onda. Tamo nessa. Prometi ao Brunão que sairíamos do grupo, faríamos a trilha e logo em seguida nos rejuntaríamos ao grupo novamente. Trilha garantida, passei para o modo “cooptar”. E aí seu Gian ? Gostaria de fazer uma emocionante trilha no topo mais alto da Serra das Russas ? O outro gigante ficou interessado … Olha só ?! Será que faríamos a trilha a 3 ? Veremos.
Turma animada

Mesa com Elder e Rosana, Emerson Bueno, Mateus, Odilon e Newton Tenório

Brunão em ação

Bruno encara a saída da trilha

Emerson e a ST dando show

Olha a Super Ténéré no Mato !!! O Emerson encarou a trilha muito bem

Gian em ação na serra das russas

Gian mostra como é que se faz

Partimos para a BR 232 liderados pelo João Guerra. O dia era de sol entre nuvens mas sem sinal de que iria chover. Passeio tranquilo a deliciosos 100km/h quando de repente o Newton agoniado acelerou e foi cutucar o JG !! Acelera rapaz, isso tá devagar demais. JG acelerou para 120km/h !!
Cabana de Taipa alcançada, nos instalamos nas mesas e tome conversa. O grupo sempre muito simpático e ainda mais enfeitado pela presença das Myladies. Hodor, como não poderia deixar de ser, tava morto de fome. Numa das mesas mais animadas, estava o Elder sempre com o astral magnífico, Newton Tenório conversando muito como sempre e o Emerson Bueno, que eu não conhecia. Ele tinha ouvido falar de uma trilhazinha aí que ia rolar e tal … OPA ! Mais um interessado. Eu jurei de pés-juntos que tudo que falam de mim são exageros, que a trilha é “light”, que a foto que o Hugo Falcão postou no Whatsapp era só gréia, que exceto pela força de gravidade, a subida da Serra pela trilha era “moleza”. Eu nunca digo que é difícil, já perceberam ? O Emerson topou. Caramba !!!! Será que eu tô ouvindo coisas? Tendo alucinações ? Uma das Super Ténérés vai para a trilha com a gente ???? Se o Emerson for (e sobreviver) vai ser um troféu e tanto ! Num vai mais ter explicação de dono de Transalp para deixar de fazer trilha com a gente ! Se a ST faz .. a TA também faz !!!! Mas era isso mesmo, Emerson segurou a onda e vai com a gente. Já éramos 4: eu, Brunão, Gian e Emerson. Tá bom demais.
No topo, na trilha

Os 4 cavalheiros no topo da Serra das Russas: Gian, eu, Bruno e Emerson (esquerda para a direita)

Combinei com o Gian para ele ficar por último e dei um walkie-talkie para ele. A experiência na Trilha da Ilha do Coqueirinho ensinou que um par de radinhos de 40 reais pode facilitar muito os mamão-check. Um rádio no guia, um no ferrolho e estamos bem. Partimos com o grupo inteiro pela BR-232 e na bifurcação para a PE-050 nos dividimos. Os 4 cavalheiros encarando o caminho para Pombos e a subida pela trilha. Era tudo que eu queria.
Lá vamos nós a módicos 100km/h na BR 232 quando o Gigante Mineiro (num tô falando do Cruzeiro não) buzina atras de mim “Acelera ! miserávi !!” .. Oxente ? Eu já tô a 100 e o cara quer que eu vá mais rápido ? Danou-se .. é o jeito. Acelerei para 120 na saída de Vitória de Santo Antão. O Speedy Gonzales Mineiro num tava satisfeito ! Toma buzina ! Mais rápido sua paca manca !!! Danou-se !? Eu já tava com medinho mas o jeito foi acelerar para 140km/h !! Quem disse que o Brunão tava satisfeito ? Ele queria mais !! Mais rápido nessa porcaria rapaz ! Mas ainda bem que já estávamos no pé da serra. A entrada para a trilha fica no sentido Gravatá-Recife (descendo) e nós estávamos no sentindo inverso. Atravessamos para o outro lado e antes de pegar a trilha, orientação para desligar o ABS. Só que na SuperTénèrè num tem essa opção. Pegamos a trilha. Muito cascalho na trilha sinuosa e íngreme, pneus de asfalto e para completar, pilotos com pouca experiência. Mas todos passaram bem pela parte mais íngreme da curtíssima trilha. A SuperTénéré morreu num ponto particularmente chato com muito cascalho. Aí o controle de tração ajudou bastante. De uma forma tranquila a motona subiu a trilha sem maiores incidentes. Uma suavidade e facilidade impressionantes. Assisti tudo lá de cima. Muito mato, capim navalha, carrapicho, algumas erosões e chegamos lá no topo da Serra, no local da tradicional foto enquadrando as duas variantes da BR 232 subindo/descendo a Serra das Russas, com direito a ponte e tudo.
Voltamos para a BR 232, tirei umas fotos das “moto en assão” cruzando uma poça dágua que faria qualquer vigilância sanitária dar pulos. Mas o principal havia sido conquistado. A Superténéré fez uma trilha com a gente! Agora não tem mais argumento, num vai ter mais dono de Transalp dizendo que a trilha é radical demais. Se a SuperTénéré passa, a TA passa também. É viável. Verdade que o piloto da ST em questão tem quase 2 metros de altura (dos quais presumo que uns bons 1,2m sejam só de pernas).
Outro ponto positivo foi que no grupo dos 4 cavaleiros, eu era o “baixinho”. Nada mal né ? Eu tenho 1,81m
Descemos a Serra pela BR, cruzamos para o outro lado no mesmo ponto em que entramos na trilha, subimos a Serra e fomos para Bezerros. De novo o Hurried Hodor buzinando para eu acelerar ! Tive que chegar a 140 por hora ! E por vários minutos!!! Entramos em Bezerros e saímos pela PE-097, uma das estradas mais belas e mais bem conservadas de Pernambuco. Ideal para motos bigtrail e para quem gosta de asfalto. Sinuosa, sem ser perigosa. Rodeada de paisagem belíssima, ainda mais agora num inverno úmido que deixa o agreste pernambucano todo verdinho que dá gosto que nem o Luiz Gonzaga cantou em Asa Branca 2, o retorno. Pegamos a PE-095 em Ameixas e saímos do céu para o inferno. Estrada esburacada de dar dó. Limoeiro nos ofereceu uma parada para refrescar e tomar uma deliciosa água de coco. Reabastecemos as motos e Brunão manteve contato com o Elder que nos informou que o grupo já estava em Tracunhaem. Estamos indo ! Espera a gente aí. Seguimos para Carpina pela PE-090 e quando contornamos a rotatória para pegar a estrada para Nazaré da Mata nos deparamos com o grupo no sentido contrário. Paramos no Panela Cheia e degustamos uma deliciosa costela no bafo.
Já eram quase 14hs mas a fome só não era menor do que a vontade de contar/ouvir para/dos os amigos como fora o passeio. Animação geral, tiração de onda, muita gréia, boas risadas e surpresa geral da nação Bigtrail com o fato de que os 3 corajosos que caíram na minha conversa mole de fazer trilha tinham sobrevivido incólumes. João Guerra (que havia voltado a civilização depois da tapiocaria) duvidou e tivemos que mandar uma foto de Gian para ele pelo Whatsapp. O Odilon serviu de testemunha.
O saldo do passeio foi muito positivo. Conhecemos pessoalmente vários colegas com os quais só tínhamos interagido via Whatsapp ou o Portal. Consegui inocular o vírus da trilha de aventura em mais dois pilotos: Gian e Emerson. O Brunão completou a sua conversão.
Nos despedimos na escadaria do restaurante ouvindo promessas de novos passeios semelhantes.
Mal posso esperar.