Religiosidade e doutrinação

Quando eu tinha 8 anos ingressei em colégio religioso católico. Estudei neles até os 14 anos.Quando eu tinha uns 10 anos decidi ler a bíblia de cabo a rabo (ops). Lembro perfeitamente de ter conseguido e lembro perfeitamente que não entendi nem 10 por cento do que lia. As histórias eram confusas, cheias de contradições, algumas sem pé nem cabeça isso sem falar na linguagem rebuscada e arcaica. O que me marcou era como as histórias eram fantásticas. Homens que viviam 900 anos, tinham 300 filhos. Deus vingativo e mudava de opinião o tempo todo. Deus submetendo as pessoas a matarem os próprios filhos. A passagem de Abraão foi a que me marcou mais.Nunca me identifiquei com a religiosidade da escola que frequentava. Me sentia um outsider, um ET. Lembro de colegas que ansiavam por ir a missa e eu achava aquilo um saco. A tentativa de ler a bíblia, recomendaçào dos padres da minha escola, era uma chance que eu dei a esse negócio todo de ter uma explicação, de fazer sentido, de ser interessante. Como todo colégio religioso, tinha aula de religião compulsória. Era o fim de picada. Os padres, com frequencia eram estrangeiros, e como se não bastasse a dificuldade do idioma/sotaque bizarro eles tratavam os alunos como débil mental. Ao menor questionamento que eu fazia, sacavam algum dogma. Eu frequentemente ia para recuperaçào e uma vez lembro que meus pais foram chamados lá e ameaçaram expulsar-me se eu não tomasse tenência. Só gostei das aulas de religião quando um padre novo, brasileiro, adepto da Teologia da Libertação, mandava a gente fazer trabalhos sobre a biografia dos ganhadores do prêmio nobel da paz (lembro que o meu foi um judeu chamado Albert Schwitzer) e sobre quanto deveria ser o salário mínimo. Quando eu tinha uns 12 anos, minha última tentativa foi fazer um cursinho para primeira comunhão. Todos os meus colegas iam fazer entào eu fui fazer também. Tinha que pagar uma taxinha para comprar a apostila e eu paguei e fiquei ansioso para recebê-la porque devia ser um livro mais legal do que a chatice da bíblia. Que decepção. A apostila era concebida para quem tinha algum problema mental, só pode ser. A técnica fundamental era da repetição a exaustão dos dogmas para doutrinação. Abandonei o cursinho e nunca fiz primeira comunhão. Quando tinha uns 13 anos cheguei a conclusão que eu era ateu e deixei de ler coisas relacionadas a religião em geral e a cristianismo em particular.
O tempo passa e quando eu já era adulto, dezenas de anos depois, trabalhava numa empresa, era gerente lá, e um funcionário de origem muito humilde se esforçava muito para melhorar de vida. Eu ajudei esse cara e ensinei algumas coisas a ponto dele mudar de carreira, fazer cursos e hoje é um profissional de alto nível. Esse cara ficou tão grato a mim que me deu um livro de Mórmon, a bíblia dos mórmons. Que livro interessante ! Por ter sido escrito no século XIX, ou seja, mais moderno. Bem mais fácil de ler e com histórias mais fantástica, de apelo mais atual. Eu recomendo dar uma lida nele.
De qualquer forma, o apelo da religião é completamente inefetivo para mim. Nunca me senti tocado espiritualmente, emocionalmente, pelas histórias das religiões. Assumi então a postura de análise fenomenológica da religião. Como manifestação cultural é muuuuito interessante.

 
 
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Boas notícias na educação pública

Boas Notícias na educação
  Duas coisas boas :
primeiro a velocidade em que a qualidade do
ensino vem melhorando – A 10% ao ano dá para recuperar a qualidade
dentro de pouco tempo.
  segundo que a melhor velocidade é no Nordeste, onde a distribuição
de renda é pior, ou seja, onde a necessidade de educação é maior.

Day after da formatura

Hoje foi o day after da formatura da filha mais velha.

E não podia ser pior. A mãe ficou grilada porque a filha não deu atenção a ela durante a festa. A família da mãe a ignorou completamente. A segunda filha também a ignorou mas só depois de reclamar da demora da entrega dos ingressos para a festa.

Fiz o que pude para animá-la. Fomos dançar mas a música e a banda não ajudavam. O clima era meio estranho do tipo em que nada agradava, nada combinava. Após 5 minutos de dança voltamos a nossa mesa onde apenas um casal de grandes amigos faziam presença. Dez cadeiras reservadas, apenas 4 lugares ocupados. Para piorar a mesa era a portaria do banheiro. Sabe como é ? Aquelas mesas que ficam na saída mesmo ? Todo mundo que passa por você, você para onde vai e pelas expressões dá até para saber o que vai fazer. O serviço era péssimo, a comida pouca, o aperto enorme. Cada mesa tinha 10 lugares, dois andares de mesas, um pequeno pátio para dança. Parecia um tanque de peixes em pânico. A grande amiga dela segurou a onda. O rosto acentuava a melancolia e de repente a tristeza era aparente. Os olhos rasos dágua a levaram ao banheiro. A amiga percebeu e foi junto. Chorou. Se sentiu só, desprezada, pensava o que tinha feito de errado. Novamente sentiu-se a vítima das circunstâncias. Se abusavam dela era porque ela tinha feito algo errado. Ela era a culpada. Perguntei se queria ir para casa. Ela disse que não pois a amiga e o marido poderiam estar curtindo a festa. Fui direto e perguntei se era assim. Eles disseram que não. Preferiam ir. E fomos. Não deu nem para localizar as filhas e se despedir delas. Haviam sumido. Estas sim estavam curtindo a festa especialmente a distância da mãe. Fomos embora. Minutos depois a filha liga reclamando a ausência da mãe na sessão de fotos. Pressenti que seria uma noite longa. Felizmente ela estava tão cansada que terminou a ligação brevemente.

O day after foi a culpa. Sentia-se culpada de não ter ficado com as filhas. Sentia-se culpada de ter feito algo que a afastou da mãe e da irmã, tia da moça que se formava.