Meu dia de coxinha (ou O dia em que encontramos o Highlander)

O pessoal do grupo estava animado esse fim de semana. Passeio para o Motofeste em Surubim no sábado e trilha da Rucinha no Domingo. Devidamente informados que o passeio para Surubim seria 100% asfalto, ou seja, programa de coxinha. Para variar, esses programas são sempre feitos pelo João Guerra e o Newton, nenhuma surpresa. Mas não é que o Elder também aderiu com a sua nova Fúria da Noite ? (a F800 Gs Triple Black que substituiu a Charmosa V-Strom 650).  Decidi participar de surpresa desse passeio.

Ponto de encontro no Tradicional Posto Lupp II na Abdias de Carvalho. Cheguei primeiro e deixei a moto a vista.

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Alguns minutos depois chega o Elder na bonitona e foi abastecer. Ficou feliz e surpreso em me ver lá. A vontade de andar de moto era muito grande depois do domingo anterior frustrado com duas motos em pane (A F800 GS morreu a bateria e a XT 66 desconectou o duto de combustível em pleno movimento).

Abastecimento by Elder

Abastecimento by Elder

 

Ficamos batendo papo e logo em seguida começam as chegar outras motos de outros grupos. Uma belíssima Shadow 750 para e pede ajuda a Elder com algum acessório que precisa ser montado mas que as mãos do piloto não são mais firmes o suficiente para a tarefa. Era o João Holanda, que logo apelidamos de Highlander.

O Highlander

O Highlander

 

Veterano, já passou da curva dos 60 e afirma ter moto desde os 15 anos. Tem cinco motos e vai receber agora uma G 650 GS. Grandes chances de participar de passeios conosco. Mas não é a quantidade de motos que faz dele uma figura. João Holanda sobreviveu a vários enfartes, a dois AVC´s, inúmero planos econômicos e faz questão de contar cada uma deles em detalhes, o que garante horas e horas e horas de conversa. Elder o chamou de Highlander e não sei se ele entendeu a brincadeira mas o fato é que pegou. Graças a pontualidade de João Guerra, tivemos mais tempo para ouvir as histórias de sobrevivência, cada uma delas a associada a uma sequela bizarra e um dos 16 remédios (a maioria controlados) que ele tem que tomar diariamente. Highlander nos mostra a foto de um dos netos, belo menino, e diz que não vai conosco para a trilha amanhã porque é aniversário. Mais um !! Nos encontraríamos depois em Surubim.

 

 

Cadê João Guerra ? As 7:26 uma mensagem no whatsapp dizia que ele estava saindo de casa. As 7:45, ainda no posto, mando a seguinte mensagem para JG “JG, se tu for demorar a gente espera”. Saímos já depois das 8 horas da manhã. Sei o porque do atraso de JG. Vejam a foto.

Bad Block and gun for hire

Bad Block and gun for hire

 

John War na verdade é Bad Block e devia estar fazendo algum ato terrorista aí. Montamos nas motos e JG foi liderando. Seguimos pela BR 232 em direção a BR-408. O passeio 100% asfalto já mostrava que ia ser bom. Com frequência, nos passeios com muita moto de piloto inexperiente assistimos frustrados a formação da fila intercalada. A maioria não entende o que é a os poucos que entendem não respeitam a formação. Mas com Elder, Newton e JG, todos pilotos experientes e conscientes, a intercalada fica perfeita. Dá gosto de ver as curvas, as mudanças de faixa, as ultrapassagens, todas feitas sem perder a formação. Nesses grupos assim eu prefiro ficar no ferrolho porque é bem menos estressante. Os companheiros “voando em formação” garantem segurança e respeito. Fazia tempo que não andava tão bem no asfalto.

Paramos rapidamente na beira da estrada a altura da Arena Itaipava para umas fotos. Fizemos rodízio entre o que fotograva e os que apareciam na foto até que Elder deu a ideia de colocar a câmera no automático e apoiá-la na muretinha do canteiro interno da rodovia. Deu certo ! Antes, o Elder ainda salvou a minha vida pois me distrai e ia atravessar a pista sem olhar. Quase que um SUV me pegava em cheio. Ainda bem que o senso aranha do Elder estava ligado e salvou dessa. Já pensou ? Andar milhões (diria até milhares) de quilõmetros de moto e morrer atropelado a pé ?

 

Na Arena Itaipava a caminho de Surubim

Na Arena Itaipava a caminho de Surubim

Seguimos pela BR sem incidentes, só o trânsito pesado e a sequência interminável de lombadas. Em Carpina enfrentamos o engarrafamento típico das metrópolis (?) desenvolvidas (?) e aí, para minha surpresa, Newton fez um off-road radical ao sair para o acostamento e dar uns pulinhos nuns mondrongos a beira da estrada. E ainda fez questão de olhar para traz e dizer “Tá vendo??? Eu também faço off-road”. Ahhh bom !

Chegamos em Surubim e fomos para a praça de eventos na frente do palco onde os shows aconteceriam. Uma tenda enorme onde estacionamos as motos a sombra, algumas vendinhas de accessórios e roupas de moto ainda estavam sendo montadas. A fome era grande pois o combinado era comermos alguma coisa no caminho mas acabou não rolando. Lembrei-me do nosso amigo Brunão e seu apetite insaciável !!! Feed Me ! Feed Me !! Eu parecia a planta carnívora do filme “Pequena Loja dos Horrores”. Procuramos uma padaria ou lanchonete no sábado dia de feira em Surubim. Muita gente no comércio popular e nada de achar um lugar para comer. Foi quando o Newton teve a brilhante ideia de irmos para o motoclube anfitrião. Segundo a tradição do evento, sempre tem um café da manhã por lá, dizia Newton. Eu achava que era roubada, afinal, quem seria doido de oferecer um café da manhã na faixa para um monte de motoqueiro em pleno sábado de manhã ? Pois num é que tinha mesmo ??? E de primeira ! Antes o João Guerra comprou um queijolão rapa-de-tacho para saborear mais tarde em casa. Eu me arrependi de não ter comprado um tijolão de queijo de manteiga daqueles para mim.

Os Three Amigos enchem a pança no café da manhão no Cowboys do Asfalto MC

Elder, Newton e JG

 

Nesse momento a experiência, o know-how, a tarimba do Newton veio mostrar seu valor. Ele conhece tudo quanto é passeio e encontro de motocicleta e sabe quais são uma boa e quais são uma furada. Fomos depressa ao que interessa e achamo a sede do Cowboys do Asfalto MC em Surubim, fundado em 2003. Fomos recebidos como irmãos, com muito carinho, atenção, diversão e muuuuita comida. O café da manhã era de primeira com frutas deliciosas, um suco de cajá de levantar defunto, café forte (no açucar) e outras variadas comidinhas. Eu passei vergonha porque comi treisveis. Na frente da sede, na rua, um par de enorme tendas abrigava os convidados de todos os tamanhos, formas, cores e sabores. Muita moto custom, muita jaqueta de couro. Clubes de moto de tudo quanto era lugar. Muita conversa, ficamos batendo papo lá nós 4, de olho na fauna exuberante que passava a nossa frente. Tinha uns que davam mesmo a impressão que eram formas humanóides. Newton nos contava dos encontros de moto e já dava as dicas de qual seria o próximo que vale a pena ir.

A promessa era que ao meio dia ia rolar uma feijoada na faixa. Aí a coisa ficou ainda mais interessante. Tomamos umas Skol. Eu fui o amigo da vez e só tomei água.

A noite anterior (sexta) tinha tido muito show e festa e a turma estava com ressaquinha. Hoje, sábado, muita gente estava chegando ainda no evento portanto a tarde ia bombar.

De repente vimos a presença ilustre do Ozzy Osbourne que foi prestigiar o evento. Um sucesso e todo mundo queria tirar uma foto ao lado da celebridade. Eu cheguei até a tirar uma foto mas apaguei a foto por engano. O João Guerra quase me mata pois é fanzão, pelo menos aparenta.

Por falar em Rock N Roll, a tarde iria ter show de uma banda ao vivo na sede do MC mesmo, além do show lá no palco. Enquanto isso, o mirim demonstra o entusiasmo. Roqueiro de verdade né mesmo ?

Head banger

Mas que Ozzy que nada. O que nos deu enorme alegria foi a chegada do Alexandre e a esposa dele. Aí sim. Alexandre saiu um pouco mais tarde e nos alcançou em Surubim. Convidamos os dois para um almoço a base de feijoada.

Alexandre, Dani, JG, Elder, Newton e Bokomoko

Alexandre, Dani, JG, Elder, Newton e Bokomoko

 

Fomos para a área VIP e tiramos umas fotos emblemáticas. Ficamos bolados, não sei porque. Acho que foram coisas que colocaram nas nossas cabeças.

Alexandre, Elder, Bokomoko, JG e Newton.

Alexandre, Elder, Bokomoko, JG e Newton.

 

Um pouco mais de Relax na área VIP e em seguida o almoço foi servido.

JG, Elder, Dani, Alexandre e Newton

JG, Elder, Dani, Alexandre e Newton

 

 

 

 

 

 

 

Todo mundo com fome, já era perto de meio dia e fomos comer a feijoada. Que delícia. O mais legal é que mesmo sendo 100% free, não tinha frescura, não teve bagunça. Todo mundo encarou a fila e se serviu. Mais uns bate papos e decidimos que já havíamos comido de graça (duas vezes), já tínhamos bebido, já tínhamos dado muitas risadas, encontramos gente famosa e nossos amigos desgarrados. Foi a chance de conhecer o casal Alexandre/Dani e apresentá-los aos amigos JG, Elder e Newton.

Nos despedimos dos anfitriões e começamos a organizar a volta. Alexandre havia deixado a moto perto do MC e as nossas motos estavam lá na praça. O Elder queria comprar um casaco novo e voltamos para as vendinhas.

Passa o cartão

Passa o cartão

Na passarela, o Maranhão

Na passarela, o Maranhão

 

Elder novamente feliz em consumir, comprou um casaco de cordura muito massa. Na foto dá para ver o KGB, que iria nos proporcionar algumas presepadas mais adiante.

Laranja caixa-preta-de-avião

Laranja caixa-preta-de-avião

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Juntamos todas as motos, agora 5 delas. As 3 F800 Gs, a V-strom de Newton e a Ténéré 66 de Alexandre. Voltamos ao MC para encontrar o KGB, que havia seguido a pé antes e deveria ter-se aprontado para pegar a estrada juntando-se a nós. Quando chegamos lá a figura ainda não estava pronta. Calçar luvas, vestir casaco, desenganchar a moto do estacionamento bizarro. Se demorar não tem problema não, a gente espera. Espera, Espera, caramba. Mas finalmente ficou pronto e lá vamos nós. Só que o KGB dana-se na frente do grupo. Quando recompactamos, ele está parado lá na frente. Começou um espetáculo bizarro de como NÂO andar em grupo. KGB atrapalhava tudo, nos forçava a quebrar a formação, não se contentava em fica no meio do grupo, queria liderar mas não fazia a faixa, ultrapassava pela direita, não mantinha distância, ultrapassava outros veículos sem segurança, ou seja, tudo errado. Estresse até chegarmos a Carpina e o engarrafamento tradicional. Encostei no JG e sugeri darmos uma paradinha na Acerolândia e ele topou. Avisei Elder, Newton e Alexandre. Deixei KGB para lá frente seguir seu caminho. Assim que paramos no Acerolândia o comentário geral foi a lambança que KGB proporcionou. Elder depois explicou que ele é gente finíssima mas tem mesmo uns problemas para entender o universo que o cerca e fila intercalada não é com ele.

Tomamos uns picolés de acerola, batemos um papinho e já nos despedimos. A pista até Recife agora é duplicada. Seguimos quase sem incidentes pela BR-408 quando perto da Arena Itaipava uma pancada de chuva forte, com o sol a pino, nos molhou. Dava para ver o sol, a faixa coberta de chuva e o sol de novo lá adiante. Encaramos e serviu para dar uma refrescada…. E sujar as motos !!! Caramba, coxinha que se presa .. .ha, vocês sabem.

Fomos para a Abdias de Carvalho. Na Chesf o grupo começou a dispersar. Elder entrou a esquerda, mais adiante Newton entrou para Afogados a esquerda, JG eu num sei por onde foi, Alexandre e eu fomos até a praça do Sport onde eu peguei o túnel por baixo, Alexandre por cima em direção a Boa Viagem.

 

O passeio não teve um centímetro de estrada de terra. Não, o acostamento não vale Newton !!. Ou seja, um típico passeio de coxinha. Me diverti mais do que imaginava mas senti ainda a falta de pegar uma terrinha. JG quase que encarava pois sugeriu um desvio pela PE-018 e voltarmos por Aldeia mas a ideia esvaziou. Não tem problema.

Lições aprendidas

  • Passeio de coxinha sim, e daí ? O que vale é a companhia dos amigos, as histórias divertidas, as tirações de onda, a chance de conhecer uma estrada que não conhecia e uma cidade idem.
  • A organização do MC Cowboys é mesmo muito boa. Tudo limpo, organizado mas sem frescura, sem pasteurização. O pessoal todo com muito style e muita fraternidade. Nos receberam muito bem.
  • Sem sombra de dúvida, o know-how de Newton sobre encontros de motos é valiosíssimo. Nos valeu um passeio maneiro com novas amizades e muita gréia.
  • O grupo já tem alguma intimidade em termos de pilotagem e cada vez mais. Isso é muito bom em termos de segurança e formação da intercalada. JG é craque em liderar e dá uma tranquilidade enorme. O passeio fica mais leve, mais rápido, mais confortável. Proponho que ele seja eleito o puxador oficial.
  • A formação é fácil de fazer mas como é difícil de encontrar. No passeio da Honda no dia do motociclista, mesmo com as orientações do pessoal da Honda, foi uma bagunça. Proponho que tenhamos umas cópias impressas da formação para darmos aos novatos ou a quem se agregar a nosso grupo nos passeios.

Agora sei porque o MOC faz tanto sucesso. O Movimento Orgulho Coxinha realmente tem uns argumentos. Mas no domingo vai ter trilha ! Preciso desintoxicar.

 

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Definição motociclística do que é coxinha

Vou tentar explicar o que significa o termo “coxinha” no meio motociclístico.

It´s full of coxinhas !!!

It´s full of coxinhas !!!

Coxas, também chamados carinhosamente de “coxinhas”, são motociclistas muito queridos no universo das duas rodas. Os coxinhas (eu prefiro o termo carinhoso porque é da minha natureza, saca?), diz a lenda, surgiram quando Homo Sapiens passaram por uma mutação (alguns dizem “evolução”, outros discordam veementemente) e se transformaram no Homo HarleyDavidsonus, um ser com forma humanóide que pensa, jura de pés-junto, que anda de motocicleta. Bobinhos:)

Os Homo HarleyDavidsonus, se caracterizam por um carisma enorme, um poder de atração excepcional que os torna irresistíveis as empregadas domésticas. Para as empregadas domésticas, os Homo HarleyDavidsonus são como salgadinhos cheetos. Impossível comer um só. Ao longo de gerações, o cruzamento dessas duas raças criou um ser híbrido chamado Homo Coxinhus que é muito parecido com o seu ancestral só que dotado do mínimo senso de ridículo que o faz entender o que é moto e o que não é. Obviamente, que o sangue do H HD ainda está lá, o que faz com que os coxinhas tenham um comportamento deveras peculiar.

Assim como seus ancestrais, os Coxinhas gostam de motocicleta, só que de verdade. Mas eles gostam tanto, mas tanto das suas motocicletas, que se pudessem, as colocariam numa campânula de vidro. O amor lindo, meigo, incondicional que os coxinhas tem pelas suas motos chega a comover. Mas antes de chegar a etapa da comoção, passa pela da irritação. Coxinhas gostam de suas motos absolutamente limpas e a indústria de detergentes e materiais de limpeza automotivo, diz a teoria da conspiração, estimula esse gostar colocando substâncias químicas que causam dependência psicológica nos coxinhas, coitados. Glitter, excesso de brilho e polimento, desinfetantes e até agentes antibacterianos estão nos produtos de limpeza das motos por causa dos coxinhas. Para os coxinhas, as motos tem que ser tão limpas, mas tão limpas que é possível comer nela. Observe a preposição contraída “nela” ok ? Não é “ela”, pronome apenas. Embora alguns tenham tentado conjunção carnal de tanto amor que tem pelas motos.

Obviamente, uma moto limpa não pode ir a rua. Imagina só !! Os imensos riscos que uma moto corre ao … ir para a rua bicho ?? ? Cê tá doido ? Certamente vai sujar o pneu ! O que seria inadmissível ! Imagina se tiver uma poça dágua e uma molécula de sujeira encostar, triscar, numa carenagem ? Serão dias e dias de polimento, esfrega e estica. Estudos indicam que os coxinhas já estão usando microscópios eletrônicos com software de análise de partículas que fariam as salas limpas de montagens de discos rígidos parecerem restaurante universitário, de tão sujo digo.

Os coxinhas, de um modo geral estão mais concentrados em torno dos seus “pais”, os Harleiros, mas com os movimentos migratórios, os movimentos sociais, os movimentos peristálticos e os movimentos do “old in-out”, eles já se espalharam por todas as categorias de motocicletas. As últimas a sofrerem invasão de coxinhas foram as trails, pois trilheiro é uma raça miserável que bota a moto na lama e fica mais feliz que pinto na *PIIIIIIIIII* (efeito sonoro para censurar). Recentemente um forte movimento penetrante (ui) de coxinhas (ai) foi detectado na comunidade de bigtrails. Afinal, uma coisa que coxinha gosta é moto bonita, cara e de propósito para mostrar para os amigos. As bigtrails, entre tantas outras qualidades, servem para isso também. Principalmente as de 1200cc

Como detectar um coxinha ? É simples :
– Se chover, ele não sai de moto nem com os 666 capetas
– O trajeto típico do coxinha é de 4 a 5km, a distância da casa dele até o point onde ele se encontra com outros coxinhas
– As motos dos coxinhas são as mais bonitas
– As motos dos coxinhas são as mais limpas
– As motos dos coxinhas são as mais barulhentas (ops,,, sorry, essa é moto de tabacudo, outra categoria, perdoe o engano)
– As motos dos coxinhas NUNCA, JAMAIS, nem que o inferno congele, verão uma estrada de barro, areia, terra. Só asfalto. Isso pode ser aferido nos nomes dos motoclubes que tem a forma “<animal qualquer> DO ASFALTO”
– As motos dos coxinhas são as mais bem equipadas com acessórios absolutamente inúteis mas que dão um visual estupendo. Como disse, são as mais belas motos.
– As motos dos coxinhas são as melhores para você comprar usada pois é certeza que ela tem as 328 revisões devidamente registradas no manual do proprietário, todas feitas na concessionária mais cara da região, da qual o coxinha é amigo do dono, sogro do dono, genro do dono ou o próprio.

Mas antes de serem coxinhas, os coxinhas são motociclistas, são nossos irmãos e em 99,9% dos casos são gente muuuuuuito boa com quem você pode contar numa emergência ! Eles nunca se negarão a socorrer você em caso de um aperto com a sua moto, você só tem que esperar ele deixar a moto em casa e voltar ligeiro para acudí-lo… de carro.

Pilotar motos off-road é importante ! Ainda bem pois é muito maneiro.

As motos bigtrail tem se destacado no mercado de motocicletas ultimamente. Praticamente todas as grandes marcas tem um modelo na faixa de 600 a 1200cc. Algumas marcas entraram/voltaram ao mercado brasileiro começando com a oferta de motos capazes de encarar tão bem a terra como o asfalto. Temos ou curtimos motos bigtrail por algum entre vários motivos: Conforto, desempenho, resistência, style….

Mas ao mesmo tempo, temos que respeitar a natureza das nossas motos. Elas foram concebidas para encarar a aventura, para serem pilotadas na terra, no off-road.

Há anos venho promovendo a utilização consciente das motos bigtrail e sempre que posso tento fazer um amigo que só pilota em asfalto levar sua moto para a terra. Isso é importante porque as habilidades desenvolvidas e estimuladas ao se pilotar uma moto como as nossas em terra/areia/lama ajudam a sermos melhores pilotos no asfalto também. E não sou eu quem diz isso.

Em 2000, quando eu morava em São Paulo, tive contato pela primeira vez com o Relatório Hurt, uma compilação de uma pesquisa muito importante sobre acidentes de motos. Esse estudo foi feito nos estados unidos em 1981 e já estava datado mas ainda hoje traz informações reveladoras. Para darem uma olhada, leiam o artigo aqui. Observem a parte em que o relatório afirma categoricamente que pilotos com experiência em off-road se envolvem em menos acidentes.

Essa conclusão é particularmente interessante porque ela é compartilhada por praticamente todos os grandes pilotos. Kenny Roberts, Valentino Rossi, apenas para citar dois grandes ícones, são pilotos com grande experiência em off-road. O próprio Kenny Roberts estreou o filme “On any Sunday 2” cuja cena de abertura são 3 amigos se divertindo pilotando motos off-road numas dunas lá nos states.

Mas não só as estrelas compartilham essa opinião. Pilotos do canal On Two Wheels já desconfiavam disso mas tiveram a demonstração cabal ao participarem de uma escola de pilotagem que usa … motos 125 !! Isso mesmo, as nossas valentes TT-R 125 da Yamaha fabricadas aqui no Brasil e usadas nesse curso que aparece aí no vídeo. Por favor, prestem atenção no depoimento inicial da estrela do canal, o Zac, que é um grande piloto mas que vai logo afirmando que ninguem é tão bom que não possa aprender algo novo. E é isso que ele faz ao fazer o curso de pilotagem com um dos maiores pilotos dos EUA com suas TT-R´s 🙂 Vejam o vídeo e apreciem.

Espero que gostem. E quem não põe a bigtrail na lama, perca o medo, atreva-se, arrepie ! Você vai sobreviver e sairá da aventura um piloto melhor e mais seguro.

Jura que faz trilha !

Copa do mundo no Brasil e chuva praticamente todos os dias da semana em Manguetown. Chove e faz sol no mesmo dia e essa é a característica do inverno que está apenas começando aqui em Pernambuco. A chuva pode passar de um inconveniente a um impedidor total de fazer trilha. Mas existe algo com poder maior para impedir uma boa trilha: falta de companheiros que topem ir com você. Não se faz trilha sozinho.

A situação desse fim de semana estava crítica nesse aspecto. São João na terça-feira conjugado com jogo do Brasil na segunda e feriado de Corpus Christi na quinta-feira anterior significa que para algumas pessoas seria um feriadão de quase 7 dias. Bastava imprensar a sexta-feira. Muita gente viaja para o interior para aproveitar as festas juninas e todos os meus companheiros tinham algum impedimento para a tradicional trilha do sábado. Bem no meio do imenso feriadão.

Mas eis que um novo integrante do Portal Big Trails me manda uma mensagem privada perguntando quando é que vai ser a próxima. No sábado, eu respondo, e aí o quórum mínimo foi alcançado: Dois. O Jurandilson Ferreira, também conhecido como Jura, procurava um parceiro para um passeio. Não conhecia muito a região, apesar de ser natural de Manguetown.

Convidei vários outros amigos mas nenhum topou ir conosco. O Diego amanheceu gripado e cancelou a ida. Agora só falta a presença do Sol para trilha ficar boa.

Manhã de sábado com sol após uma madrugada de chuva. O plano original era fazer a trilha da Usina Bom Jesus mas o Gian já havia dito que se estivesse molhada essa trilha ficava muito difícil. Depois do trauma da trilha do Picadinho eu não estava muito disposto a radicalizar. Sendo assim, a alternativa é fazer trilha em areia de Praia. Vamos visitar nosso amigo Coqueiro Solitário na praia do Porto. Trilha plana, praticamente 100% na areia que mesmo molhada não traz dificuldade adicional. O único porém é que a maré será grande (lua minguante quase cheia) e não sei se dá para ir até a ilhota com a maré cheia que aconteceria mais ou menos na hora que chegaríamos por lá.

Na sexta-feira eu havia colocado o bar raiser na XT66 tornando-a ainda mais radical. Pneus Karoo 3 já haviam mostrado que são excelentes na breve e interrompida trilha da semana passada com Omar e Eduardo. Com o bar raiser o guidão fica numa posição bem mais confortável para pilotar em pé na XT66, quase tão confortável quanto na BMW F800 GS. Queria experimentar isso numa boa trilha e o sábado trouxe a chance.

Nos encontramos no tradicional posto Shell da Abdias de Carvalho as 7 horas. Várias outras motos street estavam por lá. Logo vi a Ténéré do Jura estacionada na frente da loja de conveniência. Abasteci a XT66 com 4 litros de gasolina que completaram o tanque depois da trilha da semana passada. Andei pouco mesmo. Mas hoje vamos andar mais.

Jura muito simpático me fala que tem a Ténéré já há alguns anos, fez algumas viagens de longa distância e anda muito com o pessoal do Ténéré Club. Fez curso de pilotagem na Honda onde teve a chance de pilotar as CRF 230 em off-road e gostou muito. Jovem esperto e inteligente, topava qualquer proposta. Expliquei para ele as nossas alternativas de trilha e ele disse que o que eu decidir fica bom para ele. Simpático e solícito, Jura deixa uma excelente primeira impressão. Se pilotar tão bem quanto é simpático será o companheiro perfeito para fazer trilha. Veremos logo mais adiante.

Tomei um café expresso, conversamos até as 7:40 e pegamos a BR-101 sul em direção a Serrambi, via Rota do Atlântico, a rodovia pedagiada que liga o Cabo a Porto de Galinhas, passando por dentro do Complexo de Suape. Próximo ao entroncamento da estrada que liga Porto de Galinhas a estrada de Camela->Serrambi, saímos para a subida do Outeiro. Malvadeza minha, confesso. Estávamos frios ainda, andamos uns 100 metros de terra e encaramos logo uma subida íngreme com areia e erosão. Agora a trilha começa de verdade e nessa hora as diferenças entre a XT66 e a BMW F800GS apareceram. Havia subido essa ladeira com Homero há 15 dias com a BMW F800gs e levei um tombo quase parado porque o pneu de asfalto não deu tração na subida. A roda traseira desliza, tenta ultrapassar a roda dianteira pela esquerda, derrapando. Tombo. Agora com a XT66 equipada com Karoo 3 vai ser diferente!!! De fato, vai ser diferente. Tração não falta porém …. a curva de torque da XTzona é diferente do torque da BMW F800GS. A F800gs é muuuuuuuito mais potente e a força aparece em baixíssimas rotações. O cuidado na F800 é para não acelerar muito pois sobra potência. A XT66 tem lá a sua força em baixa mas não é a mesma coisa. Tem que acelerar mais. Eu estava desacostumado, não acelerei o necessário e de repente a moto morre em plena subida. Tombo de novo. Ora bolas ! Será que eu nunca vou conseguir subir essa danada dessa ladeira ? A segunda diferença entre a XT66 e a BMW F800GS apareceu, torque menor e num giro mais alto. A primeira é a aderência superior da XT66 com Karoo3. Moto no chão sem maiores consequências (afinal eu estava praticamente parado). Aparece então a terceira diferença: Como a XT66 é leve !!! Leve ???!!!! Sim, leve em relação a BMW F800GS !! Ahhhh bom. Levantei a moto sozinho e vi que o Jura tinha tombado lá embaixo. Perguntei se tinha se machucado, tudo em ordem por lá. Acelera que ela sobe !!! Encontrei com ele lá em cima e paramos para tirar umas fotos.

 

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Bela vista que o Jura não conhecia. E ele curtindo muito! Que beleza. O pequeno tombo na subida não significa nada. O mais importante é que ele encarou o tombo na boa, não deu o menor sinal de abatimento. Hmmm, interessante. Essa característica de resiliência é muito importante para fazer trilha. O garoto tem potencial. Até agora tudo bem. Muitos marmanjos desanimam se levam um tombinho de nada nos 5 primeiros minutos de trilha. Para Jura tava tudo OK, ele tava curtindo e achando o máximo o visual lá de cima. Vamos em frente !.

Descemos pelo mesmo lugar que subimos. Ainda não queria descer pela alternativa pois tava muito molhado e com erosão. Descemos sem incidentes e pegamos a trilha do manguezal, com areia branca por meio da mata de pau-de-mangue. Errei o caminho e voltamos precocemente para o asfalto. Backtracking, vamos pela mata fechada, uma beleza, e caímos no areal que não consegui atravessar com Homero há 15 dias. Mas dessa vez decidi encarar. Achamos uma passagem estreita por meio do alagado e passamos sem problema. Tive chance de ver o Jura mandando bem na areia da trilha apertada. Sempre que olhava para o meu retrovisor o Jura estava lá. Não precisei parar para esperar. Hmmmm, bom sinal. Só consigo andar assim com Homero. Será que Jura consegue acompanhar ? Até agora ele está indo muito bem. Dessa vez eu liguei o wikiloc para mapear a trilha por dentro do manguezal. Dá para ver que o sinal de GPS foi perdido justamente na parte mais interessante da curta trilha. Observem o início dela e verão

Pegamos a estrada asfaltada (eca) para Serrambi e fomos arriscar uma visita a meus amigos Ricardo Carvalho e Fabíola em Enseadinha. Sorte que eles estavam lá, verdade que os acordamos (quer dizer, o Ricardo pois Fabíola já estava em plena atividade). Eram umas 9hs da manhã, tomamos um café com eles, batemos um papo, trocamos uns abraços(sempre muito bem recebidos na casa de FabíoImagemla e Ricardo e fomos visitar o outro Carvalho, primo de Ricardo, Dr Tárcio no outro lado de Serrambi. Fomos carinhosamente recebidos pelo Tárcio e pela Camilla. Tive chance de dar um abraço de aniversário em Tárcio que não pude dar no passeio anterior com Homero. Por pouco não o havíamos encontrado no pontal de Serrambi. Mais bate papo, tiramos umas fotos e pegamos a estrada asfaltada, dessa vez até Tamandaré, passando por Carneiros.

Agora começa a segunda parte da trilha. A estradinha que liga Tamandaré a Praia do Porto passando por traz de Mamucabinhas. Essa é uma estradinha de uma enorme plantação de côco com chão de areia. Na primeira vez que passei por essa estada, com a BMW F800 GS cheguei ao fim dela absolutamente exausto. Era só a tensão da pilotagem no chão de areia. Na segunda vez, fui com os amigos do Falcão Sobre Rodas e frequentemente tinha que parar para que o grupo me alcançasse. Achei que teria que fazer vários mamão-check para o Jura me alcançar mas que nada ! Sempre que olhava para o retrovisor, lá estava o Jura me acompanhando. E eu não aliviei não ! Afinal, estava com a XT66 com Karoo 3 !! Uma delícia na trilha de areia. Acelerei mesmo e o Jura sempre no mesmo passo. Caramba, o garoto é bom mesmo. A Ténéré estava equipada com pneus normais de uso misto, com baú e tudo e mesmo assim andava de igual para igual com a XT66 semi-radicalizada (falta o escape por cima e o protetor de mão). Chegamos a praia e no areial enorme onde eu tive uma interação gravitacional não controlada com um coqueiro derrubado durante o passeio com os Falcões. Mas agora é diferente. Gás aberto, a XT66 flutuava sobre a areia e danei-me em direção a praia, com o mar cheio. Para minha surpresa, mesmo com a maré alta, ainda tinha uma faixa de areia ligando o continente a Ilhota do coqueirinho. Parei a moto e tirei uma foto da valente XT66.

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Jura estava lutando com a areia e acelerava bastante a Té 250 e tive chance de tirar umas belas fotos do companheiro em ação.

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A tensão da pilotagem na areia fofa cansa qualquer um e decidimos descansar um pouco, tirar umas fotos. Encontramos uma dupla de aventureiros que vinham de moto desde Maceió e estavam na ilhota também tirando umas fotos e eles fizeram o obséquio.

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E agora ? Para onde vamos ? Tínhamos 3 alternativas: Voltar por onde viemos (boring), passar pelo “restaurante” que estressou conosco ou seguir pela Big Rock sul e voltar por Barreiros. Quando fizemos a trilha com os Falcões em fevereiro o Omar não recomendou subirmos a Big Rock. Mas agora é diferente, éramos apenas 2 e o Jura tava mandando muito bem. Além disso a vista lá de cima é maravilhosa e eu ainda não tinha ido lá de moto. A única dificuldade era encarar muuuuuuita areia fofa na beira da praia. E com o mar batendo, não haveria margem para erro. Acelerar, dar gás e não deixar a moto atolar. Reforcei a dica para o Jura, que vi rapidamente “baixando o trem de pouso” na primeira perna do areial. Mostrei para ele, pés na pedaleira, dar gás e olhar para onde quer ir. Dito isso e já fui-me embora para o nonolito sul da Praia do Porto. Tinha uns caras jogando bola na praia e atrapalhamos o jogo deles passando rapidinho pelo campo estreito (e inclinado) na faixa de areia. Foco na pedra, foco na pedra e o areião fica muito fofo. Mais gás ! Mais gás porque se atolar aqui vai dar trabalho. A XT66 urrava ia devagarzinho levantando o véu de areia no pneu traseiro mas não parou. Fim da praia, hora de subir para o mato e passar por uma pequena porteira que leva ao mato. Acerto de primeira, subo para a parte mais dura e olho para traz para ver como o Jura tava indo. Subiu na areia seca e deu umas patinadas mas passou direto. Cabra bom !! Vamos embora descer a parte de traz do monolito para subir para a Big Rock e aí eu dou bobeira e levou um tombo na areia. Jura assistiu de camarote. Caí de lado e a pancada foi tão forte que o meu rim esquerdo subiu até a garganta. Tive que engolir forte para fazer ele voltar ao lugar certo. Pausa para recuperar o fôlego. Nenhum dano além do orgulho. Como Jura ainda não está acostumado com as minhas quedas ele ficou um pouco preocupado. Relaxa, faz parte do show e sempre tenho que dar uma lambança dessas senão a trilha não tem graça. Meus companheiros já estão acostumados e mal podem esperar acontecer para darem umas boas risadas ! Em tempo o Jura também …

Pegamos a estradinha de barro que leva a subida até Big Rock e aí o lance é acelerar. Muita erosão, escolha a linha de subida e dá-lhe gás senão é chão na certa. Agora separaremos os homens dos pratos de papa ! De novo Jura-que-faz-trilha subiu direto e curtiu muito. Lá em cima tiramos umas fotos belíssimas. Tenho que voltar com os companheiros e transformar essa trilha no ritual definitivo de iniciação no grupo de trilheiros.

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Pegamos a trilha de volta a PE-060 seguindo pelas estradinhas de canavial para o entroncamento perto da ponte que fica antes da entrada de Barreiros.

 

Essa trilha tem umas variantes interessantes a esquerda que levam para a Varzea do Una o que abre uma possibilidade interessante para fazer um super passeio que envolva a Praia do Gravatá.

Chegamos a PE-060 por volta de meio dia e a fome bateu. Decidimos voltar direto para Recife e encerrar o passeio, dando tempo para lavarmos motos e coisas tais. O sol estava forte durante toda a manhã e deve ter secado as trilhas, e aí pensei passar pelo Picadinho e superar o meu trauma, agora com Karoo 3 e o chão mais seco. Pegamos asfalto direto até a entrada para a PE-028, a estrada que leva a Gaibú. Logo depois da linha do trem, pegamos a entrada a esquerda que leva para  a agora estrada de serviço da Rota do Atlântico. Seco. hmmm , legal. Estrada reta de barro úmido, sem lama. As motos andando bem e seguimos paralelos a Rota do Atlântico e cruzamos com duas motos de trilha. Pegamos a saída a direita por baixo do viaduto e estávamos na Trilha do Picadinho (antiga Estrada Velha de Barreiros). Seco também. Agora é só achar a saída a esquerda para a ponte de pedestres ao lado da ponte do trem sobre o Rio Pirapema (ou Pirapama). Algumas poças dágua com lama, nada demais. Lembrei-me de quando fazia trilhas com a DT 180 aqui há 30 anos e a impressão é muito parecida. A trilha é chata, a verdade é essa. Não tem curva, só buraco, muita trepidação causada pelas pedras. Boring. Mas tá valendo assim mesmo. Na variante para a Praia do Paiva, que agora está a nossa esquerda, um grande grupo de motos de trilha estavam paradas, batendo papo. Saudamos com uma buzinada e seguimos em frente.

Na saída a esquerda, subimos para o trilho do trem. Muita lama cinza, algumas escorregadas bizarras mas nada demais. Pegamos o lado certo, em cima da brita e a esquerda das sucatas de trilho de trem. Não cometeria o mesmo erro duas vezes. Pausa em cima da ponte de pedestres para tirarmos uma foto.

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Que fome !!!

Já estamos perto das 13hs e a última comida foi as 6 da manhã, um rocambole de doce de goiaba. O jeito é tapear a fome com uma barra de cereais. Descemos a passarela de pedestres numa manobra estreita para sair do tilho de trem e voltamos ao Picadinho, agora mais frequentado e com menos mato invadindo a trilha. De cara encontramos um caminhão de entrega de bebidas. So much for a motorcycle trail…. Sem incidentes chegamos a Ponte dos Carvalhos e nos perdemos no trânsito confuso. Como fazer para chegar a BR-101 ??? Não tem sinal e aparentemente todas as ruas são contra-mão. Levou um tempo mas chegamos a rodovia e tocamos para Recife. O Jura vai na frente pois ele que vai desviar para casa primeiro mas antes de nos despedirmos ele sugere um pequeno trecho de areia ao lado da BR-101 na altura da antiga Lagoa do Náutico. Lembro-me quando era criança e aquilo tudo ali era mato, deserto. Agora é um bairro popular com muitas crianças soltas na rua… Gostei não. Fiquei com medo e segui bem devagar porque o risco de pegar um garoto sapeca que corre e atravessa a rua é enorme.

Chegamos ao ponto de despedida. Deixamos um abraço e a promessa de fazermos mais trilhas no futuro. Em breve. A trilha acabou.

Conclusões e lições aprendidas

  • Não precisa de muito sol para a deixar a trilha seca. Havia chovido durante a madrugada da sexta para o sábado. Mas fez sol logo ao raiar do dia e ao meio dia a Trilha do Picadinho já estava seca. Ou seja, meio dia de sol e pronto. Verdade que trilhas mais baixas são outros 500 mas dá para encarar o Picadinho assim.
  • Cada moto tem a sua característica e a gente acaba ajustando o estilo de pilotagem a moto. Eu já estava acostumado ao torcão da BMW F800 GS em baixíssima rotação. Ela não morre nunca. Na XT66 tem que acelerar mais e não subi o morro do Outeiro de primeira por causa disso. Na trilha apertada dentro da mata de mangue a XT66 morreu algumas vezes em baixa rotação sem maiores consequências. Com a F800 e Homero, andei bem devagarzinho fazendo manobras bem fechadas e a negona num farrapou uma vez.
  • Dá para fazer um multi-passeio bem legal envolvendo Picadinho, Serrambi, Coqueirinho e Praia do Gravatá numa manhã, saindo cedinho. Para ficar perfeito é só arrumar uma trilha que conecte Nossa Senhora do Ó a Serrambi, passando por traz de Porto de Galinhas. Outra trilha ligando Serrambi a Sirinhaém+Guadulape a Praia dos Carneiros. E outra última trilha ligando a Praia do Porto até Praia do Gravatá. O passeio pode envolver um almoço em São José da Coroa Grande ou Barreiros e aí ficaria o 10 mesmo.
  • Jurandilson se mostrou o piloto mais capaz depois de Homero de andar no mesmo ritmo que eu. Omar calçado com Karoo 3 também deve andar junto. Mas o Jura tava com pneu normal. Imagine Jura-que-faz-trilha! com um pneu mais off …
  • Fazer as trilhas ao sábados tem uma intenção nobre que é dar tempo de lavar as motos no sábado a tarde ou durante o domingo. Só que está ficando dificil encontrar amigos que tem esse sábado livre. Os próximos passeios serão no domingo mesmo.

A melhor surpresa foi o novo companheiro de aventuras. Valeu a pena, mais uma alternativa e o risco de ficar sem ter com quem fazer trilha deve ter chegado ao máximo e agora tende a diminuir. Ainda bem.

Jura que faz trilha ? Juro !

 

Compre Karoo ! Compre Karoo !!

Chuva.

Um fenômeno da natureza altamente apreciado por nós nordestinos. Chuva significa fartura, significa não ter que pegar um pau-de-arara e deixar o Cariri.

Chuva.

Os futurólogos dizem que em tempo a humanidade será capaz de controlar o clima tornando a meteorologia numa ciência mais prestigiada do que a astrologia (?). Será ? A humanidade não se importa com o controle do tempo. Que se laske a humanidade. Chuva em dia de trilha é o fim da picada. Mal posso esperar pela profecia da ficção científica ser cumprida.

A semana inteira fiquei esperando para ver o Sol sorrindo, ver o sol brilhando. Quando a gente trilha, não pensa em dinheiro, só se quer ver o Sol brilhar, o Sol brilhar !

Mas dessa vez não deu. Já faz tempo que chove durante a semana mas no sábado dá uma aliviada. Chove um pouquinho no dia mas para e a gente vai para trilha feliz. Semana passada foi assim, com Homero. Choveu na hora da partida mas o céu abriu, o sol brilhou e a trilha foi boa. Hoje num teve jeito. Choveu quinta, choveu sexta, choveu no sábado de madrugada. O chão definitivamente estaria molhado. Mas tudo bem. Eu vou de Karoo !!! Hoje eu vou na XT calçada com os Karoo 3 que foram montados para o passeio de semana passada e que Iran furou (o passeio, os pneus estão zerados).

O quórum foi muito baixo. Marcado o encontro no tradicional Posto Shell da Abdias de Carvalho

Como sempre acontece, acordei as 5 da madrugada e comecei a me arrumar. Fui para o posto e cheguei lá as 6:00, uma hora antes do combinado. No caminho … nada de chuva. Tomei os dois espressos para acordar, o sanduíche natural (pero no mucho) e o todynho. Homero avisa que não virá, compromisso infanto-junino da filha o prendeu em João Pessoa. Omar e Eduardo iriam se atrasar. No problemo !!! Fico tirando onda no whatsapp do Falcão Sobre Rodas. Aí vem a péssima notícia. Gian comeu  muita coxinha ontem e  está passando mal. Não vem. Brunão só iria para o asfalto se Gian fosse com ele, ou seja, não vai. Off-Road para Brunão agora só quando os planetas se alinharem e os crash guard chegarem, ou ambos. Mais um fora. Alexandre está fazendo exame (acho que é proctológico … ou da faculdade, num lembro). Só 3 hoje vão encarar a trilha enxarcada. Well … num é muita gente mas já é mais do que na semana passada em que só foi eu e Homero. Enquanto espero, o céu desaba em baldes de chuva. Posso jurar que vi fios dágua, e não gotas, caindo do céu. Xiii .. acho que o passeio vai gorar. De repente .. SOL ! Eduardo e Omar demoram tanto que chegam com o chão já seco ! Sol-e-chuva, sol-e-chuva. Hoje vai ser interessante …

Lá pelas 8:10 saímos do posto e pegamos a BR-101 em direção a trilha do Pica-Pau. A intenção é subir para Aldeia e de lá descer para Paudalho, pegar a BR 408 e seguir para Vicência. Lá subiríamos para a rampa de decolagem das asas-delta e tiraríamos umas belas fotos. Se a chuva deixar, vai ser massa.

Logo na frente da Reitoria da UFPE encontramos um engarrafamento monstro. Não tem muita alternativa. Seja por cima do viaduto, seja por baixo, tudo paradaço. Eu vou por baixo e o triunvirato se separa. Costurando por entre os carros, finalmente chego ao ponto de estrangulamento. Um engavetamento sem maiores consequências (leia-se ninguem ferido) na BR-101 na altura de Apipucos. A pista a rigor está desimpedida. O que causa o engarrafamento é aquela “paradinha” para ver o que aconteceu. Resultado é a BR-101 engarrafada de Apipucos até a Abdias de Carvalho. Que venha o arco viário aliviando esse tráfego de caminhões.

Segui até a frente do Kennel Club onde parei para reagrupar. Não fazia ideia se Omar e Eduardo estavam a frente ou atras de mim. Liguei o walkie-talkie mas nada de contato. Decidi esperar ali pois a entrada para o Pica-Pau fica no lado esquerdo da BR-101 e tem que passar pelo pontilhão por baixo. Em minutos os companheiros chegaram. Reagrupados seguimos pela estradinha de acesso, agora asfaltada. Em breve … lama.

Sim, muita lama. Muitas poças dágua daquelas que parecem lagos. Seguimos pela estradinha do Barro Branco e ignoramos a primeira variante a esquerda, a que leva a estrada da Muribeca (agora asfaltada, eca). Passamos pela entrada do CT do Sport e pelo Sítio dos ex-jogadores do hexa do Náutico, onde Enrico Milet, meu enteado, joga bola todo sábado. A estrada estava muito molhada e com muitas poças dágua mas sem maiores dificuldades. A minha XT equipada com Karoo 3 estava realmente muito colada no chão. Os pneus são realmente muito bons para off-road. Mas deu para perceber que as suspensões da XT não se comparam com a da BMW F 800 GS … Não pude evitar e fiquei só pensando do que a negona seria capaz de fazer calçada com os Karoo 3 ..

Pegamos a segunda variante, onde a estrada vira trilha. O ritmo era lento para que Eduardo e Omar (com o pneu traseiro virtualmente slick) pudessem acompanhar. A XT estava dando show. Grudada no chão, ao acelerar se ajeitava sozinha na trilha. Uma delícia. Homero estava certo. A moto fica outra coisa com o pneu adequado para off-road. Demos umas paradas para fotos de vez em quando e seguimos pelo vale até a subida para Aldeia. Antes encontramos um monte de quads parados no bar no meio do mato. Passei devagar para ver se reconhecia alguém mas felizmente nenhum conhecido. Eles estavam em sentindo contrário ao nosso. Ainda bem pois ter que andar devagar atrás de quad no meio da trilha é o cúmulo do abuso de paciência. Cá entre nós, qual é a graça em quad ??? Assim, sem preconceito .. porque num vai de Vitara ou Jimny logo ? Ou Troller ? Tem ar-condicionado, som, dvd. Muito melhor do que ficar num implemento agrícola pensando que está pilotando algo radical. Deixa para lá.

Chegamos na subida mesmo e estava um sabão. Eu fiquei preocupado com os companheiros pois já havia subido isso com Tárcio (de garupa) e foi meio estresse. Decidi pegar a variante a esquerda, marcada pelos quads. Deve ser moleza, afinal os quads passaram. subimos sem maiores dificuldades e lá em cima decidi pegar a direita, voltando para a subida original. Quando chegamos na descida (que antes era subida) desci uns poucos metros e vi que estava um sabão enorme. Era malvadeza submeter os amigos a esse perigo. Decidi parar logo no começo e voltar. Fiz a volta pivotando a moto no descanso e subindo. Paramos para tirar umas fotos e reenergizar. Tava muito liso. Enquanto conversávamos nesse local aqui ….

 

…. uma CG 125 subia a rampa que havíamos refugado. Humilhação total. Assim não dá ! Alguém tem que recuperar a nossa moral. Omar to the rescue ! Vou descer !!!  E depois subir, que é que são elas. E lá vai Omar

 

Subida no style cool de Omar, como sempre. Decidimos então seguir para Aldeia, descer pelo mato para Paudalho e voltar pela BR 408 para Recife. Aí toca o meu celular e a minha esposa me avisa que o sogro de minha enteada (filha) morreu. Perda lamentável, eu preciso dar uma força para meu genro nessa hora dificil. Vou acompanhar os amigos até a Estrada de Aldeia e descer para Recife. Trilha abreviada para mim, mas o amigos podem continuar. Ainda assim, restam alguns KM´s até o KM 16 da estrada de Aldeia. Muita lama. Eis Omar atravessando um “lago”.

Omar na lama

Chegamos sem incidentes na Estrada de Aldeia e eu me despedi dos amigos Eduardo e Omar. Voltava para Recife e antes de alcançar a descida para Camaragibe, o céu desabou. Chuva. Muita chuva. Vejamos o lado bom, vai dar para lavar a moto. Ok, mas a água rapidamente alagou a minha bota, molhou completamente a minha roupa de trilha e eu estava úmido até os ossos. Chuva, Chuva, Chuva, peguei a entrada da Avenida Caxangá e caiu mais chuva. Era muita água, o céu completamente escuro e o dilúvio de 40 dias e 40 noites que se anunciava. Não sei se já escrevi nesse post mas tava chovendo pra caramba. E para coroar, a Caxangá completamente parada. Ainda insisti em avançar pela Caxangá até o cruzamento com a BR-101 e desisti. Entrei a direita no escritório do Wal Mart e aí .. parou de chover. Ótimo. Mas não só isso. Começou a fazer sol (!!???) What ? Isso mesmo sol a pino, um calor miserável, eu todo encharcado e a pista molhada. Quando alcancei a Avenida Abdias de Carvalho o chão já estava seco !!! Voltava para casa no Derby e abri o portão debaixo de sol daqueles de praia, céu azul  ! Isso é assim mesmo no Recife.

A trilha acabou sendo um bocado curta pois saímos muito tarde do posto Shell da Abdias de Carvalho e tive que abreviar a minha volta. As 11:50 já estava de volta em casa, molhado até os ossos mas feliz com o desempenho do pneu Karoo 3 montado na XT 660 R 2008 azul em bom estado.

Minhas conclusões sobre o pneu é que definitivamente vale muito a pena. A moto fica muito mais estável e segura no off-road. Não tem nem comparação. Em momento nenhum faltou tração e considerando que esse tipo de trilha era até um pouco mais radical do que estou pretendendo fazer significa que o pneu dá e sobra para a finalidade. Ao mesmo tempo, cheguei a conclusão que a minha ideia de radicalizar a XT 660 R para usá-la apenas para trilhas não será levada adiante. A moto é realmente muito boa, muito fácil de pilotar, tem potência de sobra para encarar as trilhas e quando calçada com os pneus Karoo 3 fica uma delícia. Agarra no chão, dá aquela derrapadinha sadia de alinhamento na trilha quando a gente acelera … mas … contudo … todavia … a suspensão da XT não é páreo para a suspensão da BMW F 800 GS. Lamento profundamente chegar a essa conclusão mas não tem como escapar. A F800 GS é realmente superior a XT 660 R inclusive na trilha, na buraqueira, nos saltos, nas subidas, nas curvas derrapando. Em tudo exceto na hora de levantar quando ela cai. Aí a XT é melhor pois são quase 30 quilos a menos do que a F800 GS em ordem de marcha.

A coisa é séria pois a XT 660 R 2008 azul e em bom estado está calçada com os Karoo 3, que são soberbos na trilha. Mal posso esperar para por esses magníficos pneus na F800 Gs e acabar de vez com a saída de traseira quando acelera. Caramba, aquele torque todo da F800 Gs com a roda traseira colada no chão deve ser um arraso !!! E a suspensão que absorve tudo, inclusive a incompetência desse piloto aqui. O conforto, a suavidade do motor, tudo isso fez eu decidir. A XT 660 r vai ser mesmo vendida, infelizmente. Dá uma pena me livrar de uma companheira de aventuras tão fiel, tão valente, tão boa como a azulada mas ela vai ser mais feliz sendo pilotada por alguém que vai fazer bom uso dela pois quando eu calçar a negona (F800 GS ) com os Karoo 3 … well … cês sabem.

Quanto ao pneu Karoo 3, excedeu a expectativa. Na lama, na areia, no barro, agarrou muito bem, melhor do que eu imaginava. Eu estava disposto a pagar um preço de instabilidade no asfalto. Não foi tão ruim quanto eu pensava. Ou seja, na trilha o pneu foi melhor do que eu esperava e no asfalto não foi tão ruim quanto é de se imaginar. Obviamente, não dá para comparar o desempenho no asfalto do Karoo 3 com os fantásticos Anakee que equipavam a azulada. Pneu bom, durável, confortável mas que na lama viravam um sabão. No asfalto os Karoo 3 são honestos, nada de excepcional. Fazem mais barulho. Aliás, bem mais barulho. A moto fica meio arisca na mudança de trajetória mas … não é um problema. É uma característica diferente, eu diria. Nas curvas, para o meu limite, eles ficaram bem. Não costumo andar rápido no asfalto pois não vejo graça alguma de modo que esse limite superior dos Anakee ou Tourance não vai me fazer falta na BMW F800 GS. Raramente ultrapassei 140km/hora na reta. Tem gente que já deu 200km/h em vias públicas com uma BMW F 800 GS. Eu acho ridículo e francamente não faço questão alguma. Meu negócio é dirt road. Acelerar em linha reta é fácil. Esses mesmo coxinhas que se gabam de ter chegado a 200km/h em linha reta fritam os freios 500 metros antes da curva.

Moral da história é que os Karoo 3 vieram para ficar na minha moto, a XT 660 R mostrou seus limites e vai ser vendida.

Lições aprendidas:

  • Pneu off-road de fato faz a diferença. Insistir em usar na trilha pneu de uso predominante em asfalto é bobeira e até perigoso. Meus tombos ridículos apontavam para isso e a trilha com os Karoo 3 acabaram por provar definitivamente.
  • Suspensão adequada para off-road também faz a diferença, enorme eu diria. O projeto da XT 660 R é de 2003/2004 e já não se pode comparar com as suspensões modernas da BMW F 800 GS.

Agora eu me sinto como aquelas crianças do comercial do Baton da Garoto …

Seu eu pudesse, faria um igual só que … COMPRE KAROO ! COMPRE KAROO !

 

Trilha do Picadinho.

Mais uma semana de chuvas em Manguetown que ameaçavam o passeio do fim de semana. Homero voltou de São Paulo com dois pares de pneus Karoo 3 para colocarmos em nossas motos e assim podermos fazer trilha na terra sem medo. Os Anakee II cumpriram o seu papel. São excelentes no asfalto, são duráveis e resistentes mas chegaram ao fim de suas vidas úteis e agora nós queremos por as motos no barro.  Serão substituídos por pneus mais radicais.

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Quinta e sexta foram dias de sol enter nuvens. Chuvas fracas e rápidas melhoraram as perspectivas de trilha seca para o sábado. Na sexta, Homero me liga confirmando tudo e ate se oferecendo, junto com Tio Iran, para levar a XTzona para trocar os pneus. Que serviço bom ! Não bastasse ter comprado o pneu em São Paulo, despachá-lo para Recife (via Lara Log) ainda iria providenciar a montagem dos pneus. Verdade que para Tio Iran, tudo é festa e uma oportunidade para andar na XTzona azul é tudo que ele quer.

Postei o convite do evento no Facebook na manhã da sexta-feira mas com poucas esperanças de que algum colega aventureiro aparecesse. Tárcio ainda impedido, Gian já tinha dito que não poderia esse fim de semana. Convidar com apenas 24hs de antecedência é pedir para aparecer ninguem. Não há tempo hábil para manobrar agendas familiares, negociar com as esposas a escapada com uns amigos malucos que gostam de por a moto na lama. Ouve-se muito “Tá doido de andar de moto com essa chuva ?” Mesmo assim postei o convite pois tinham confirmados 3 pilotos: Eu, Homero e Iran.

A participação de Tio Iran nesse passeio era particularmente importante para mim. Tio Iran é o responsável por tudo isso. Foi ele quem me emprestou a primeira moto de verdade para eu pilotar. Foi dele que herdei a paixão por motocicletas quando era um menino e ele foi-me visitar em Manaus. Levar Tio Iran para passear de moto é como resgatar uma dívida que tenho com ele. Sem falar que é diversão garantida ouvir as histórias, se deliciar com as mamoadas e as interações gravitacionais não controladas.

Acordei muito cedo, por volta das 5hs da manhã e o céu não tava bom não. Muitas nuvens, mas ainda sem chuva. Enquanto arrumava o equipamento, meu celular dá um aviso sonoro de que alguém postou alguma coisa no Facebook … Era Homero já animando para a partida e postando que estava pronto.

Começa a chover. Chuviscado que vira chuva fraca e eu todo fantasiado já pensando que o passeio havia gorado por efeitos diluvianos. A chuva dá uma aliviada e me mando para o Posto Shell da Abdias de Carvalho onde encontro Homero já me esperando antes das 7hs. Eu faço um lanche rápido a base de sanduíche natural (?) e um todynho mais um café expresso para deixar os neurônios no ponto. Ficamos batendo papo até Tio Iran aparecer e nos contar que tinha que salvar o mundo, que tinha que curar o câncer, que tinha que fazer isso e aquilo e que não poderia ir conosco. Too bad. O passeio com Titio vai ficar para outro dia.

Eis nós aqui prontos para partir.

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A ideia original desse passeio era fazer, de novo,  a trilha de Nova Cruz e Monjope. Agora completamente mapeada, a trilha é uma delícia e Homero não conhece. De tanto fazê-la recentemente (Com Tárcio, com Bruno e Alexandre, depois com Omar+Eduardo+Gian) eu já estava com ela decorada. Não precisa nem de GPS. Saímos do posto, pegamos logo a direita na BR-101 e seguimos para o norte em direção a Cruz de Rebouças mas não fomos longe. Quando cruzamos a Avenida Norte Homero fez sinal. Não vai dar. Tem muita chuva pesada caindo sobre o litoral norte. Decidimos voltar pela pista local e inverter o passeio. Vamos para o litoral sul e o máximo que pode acontecer é chover do mesmo jeito. Arriscamos encontrar algum sol, quem sabe.

BR-101 lá vamos nós e quando passávamos pelo entroncamento próximo a Vitarella tive a idéia de fazer a trilha do Picadinho. Também conhecida como “Estrada Velha de Barreiros” esse caminho segue em direção ao sul mais ou menos pelo meio entre  a PE-060 e a beira do mar, cruzando uma mata belíssima chamada “Mata do Zumbi”, que diz a lenda, é tudo terra dos Brennand. Alguém por favor confirme ou não essa história. Essa estrada é antiga, de pedras e já foi abandonada há muito tempo. Eu costuma fazer trilha de moto por aqui nos anos 80 e em 2009 estive com Lara fazendo uma trilha com  a XT 660 R em direção a Praia do Paiva. Já tinha feito essa trilha com Cuca e Poliana e é muito divertida. Minha intenção era seguir para a Praia do Paiva, pegando a direita na segunda ou terceira variante depois do Rio Pirapema. Mas antes teríamos que chegar a esse ponto da trilha.

Quase 30 anos se passaram e a paisagem de Ponte dos Carvalhos é bem diferente. A rua principal que entrocava com a BR-101 agora é quase uma praça e, devido as obras de urbanização da antiga BR-101, temos que ir lá na frente e fazer o retorno para pegar a faixa no sentido Cabo->Recife e dobrar a direita numa ruazinha anterior a principal. Tudo agora é asfaltado e com lombadas. Lembro que quando fazia trilhas por aqui era todo chão batido  e os redutores de velocidade eram os buracos na rual má cuidada. A rua segue até o entrocamento da linha do trem urbano que agora segue para Suape e própria estrada Velha de Barreiros. A passagem de nível ainda está lá. Trinta anos de abuso e absolutamente nenhuma manutenção, os buracos aumentam, as pedras que formavam o calçamento mais soltas, muitas poças dáguas cheias com as chuvas recentes. Muita lama sobre as pedras e a Trilha do Picadinho de repente fica muito ruim para mim pois meus pneus são 90% para asfalto (queria saber quem é que faz essa conta) e mesmo murchos tem extrema dificuldade em obter a mínima aderência frente a lama, musgo, água, sujeira e outras substâncias orgânicas que meu asco impede de declinar o nome agora. Para complicar, começa a chover fraco mas o suficiente para manter tudo ainda mais encharcado. A moto tem dificuldade de manter-se em linha reta e as derrapagens forçam ângulos estranhos com as linhas paralelas da beira da estrada. Homero assiste a tudo isso do conforto da XT 660 R agora equipada com os Karoo 3. O meu par de pneus, comprados em São Paulo por Homero e carinhosamente trazidos pela minha mulher, foram montados na minha XT 660 R que nesse exato momento deve (supostamente) estar levando Tio Iran ao proctologista (ou era dentista?). Se eu soubesse tinha deixado a BMW com ele … Depois de uns sustos vejo que o jeito é reduzir a velocidade e só acelerar quando o chão fica só com pedras relativamente limpas de musgo. Observo que o mato havia avançado para o meio da estrada o que é um sinal de que está sendo pouco usada. Nas priscas eras em que eu fazia trilha por aqui era comum ver um ou outro carro de passeio arriscando um trecho da trilha mas agora dá para ver que a estrada foi definitivamente abandonada. Saberei o motivo logo a frente: A ponte sobre o Rio Pirapema havia desabado.

Eu não me lembrava mas já sabia que isso tinha acontecido quando fiz a trilha de bicicleta e de moto com Lara, Cuca e Poliana. Só agora caiu a ficha de que se não passa carro pela estrada, ela vai cair em desuso de vez. A alternativa para cruzar o rio é a ponte da linha de trem urbano, uns 100 metros a direita da Trilha do Picadinho. Deu para ver uma picada no mato ligando ao pé da ponte e para minha alegre surpresa, ao lado da ponte de trem tem agora uma passarela para bípedes. Que alívio pois eu me lembro que passar a moto para dentro dos trilhos e atravessar a ponte foi algo estressante tanto fisicamente (a moto pesava muito e  a BMW pesa inda mais) como mentalmente (o medo de algo dar errado e o trem passar por cima). Com a passarela vai ser moleza. A rampa de subida para a passarela tinha um contra-ângulo agudo mais nada que uma ou duas manobras com ajuda da gravidade não resolvessem. Subi na passarela, atravessei o rio e …. perdi o ponto de saída … Caramba. Deve ter outo lá na frente … Mas não tinha !!! Homero foi mais esperto e passou a XT por cima de umas sucatas de trilho para a faixa de brita da estrada de ferro. Ei fiquei preso entre o mato e as sucatas de trilho. A medida que me afastava da ponte, a falsa trilha ia ficando mais apertada e não aparecia a saída para a esquerda que me levaria para a estradinha. O trem havia acabado de passar e a moto de Homero estava mais próxima dos trilhos do trem. Melhor não dar bobeira. Parei a minha moto no mato e Homero seguiu pela brita até uma passagem de nível uns 500 metros depois. Eis a minha moto parada.

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Não dá para ver porque o mato tá alto mas aí nesse mato tem um monte de sucata de trilhos que me impediam de subir com a moto andando para a faixa de brita que aparece na foto. À esquerda da moto só tinha barranco e mato, não tinha saída para a estradinha que ficava nessa direção. Eu precisava suspender as rodas das motos por sobre as sucatas de trilho para atingir a brita e aí seguir andando. Me desculpem, mas num tem macho no mundo que consiga levantar uma F800 GS sozinho. Homero to the rescue !!!

 

Homero on the tracks

Esperando Homerogoudot Keep Walking homero

 

Lá vem o meu irmão para me ajudar. Coloquei a minha moto na trilha de brita e fomos embora para a passagem de nível.

Aqui dá para ver a altura elevada em que o trem corre. Imagino que é alto assim para evitar os frequentes alagamentos. Essa região toda é meio pantanosa.

João eurico desce da estrada de ferro e volta para a trilha

João eurico desce da estrada de ferro e volta para a trilha

 

Voltamos a Trilha do Picadinho e a lama não dá trégua. Muita água, muita pedra e pouco pneu para mim. Tava ruim, tava tenso e eu não estava gostando. Quando passamos pela entrada da variante a esquerda que leva a Praia do Paiva vi que não tinha condição alguma da minha moto passar. Se estava ruim no Picadinho, na trilha sem calçamento ia ser muito pior. Estava alagado completamente com aquela água barrenta que significa que na parte submersa só tem lama, massapê, ou seja, um sabão para os meus pneus. Seguimos pelo Picadinho e de repente a trilha acaba num acampamento de máquinas. Logo atras, a Rota do Atlântico. Lascou tudo !!! A rodovia pedagiada é cercada para evitar que espertinhos a usem sem passar pela praça de pedágio. Isso significa que não conseguiríamos entrar na Rota do Atlântico naquele ponto. Seguimos a estrada de barro (leia-se sabão para mim) e ela passava por baixo de um pontilhão, cruzando a rodovia. Do outro lado, uma estrada de barro que eu imaginei que era de serviço seguindo em paralelo a autopista.

Se pegássemos a direita, voltaríamos em direção ao Cabo. A esquerda, seguiríamos em direção a Gaibu/Suape. Homero decidiu e fomos pela esquerda. Mas vocês não fazem ideia. Homero foi na frente de Karoo 3 e eu tentando acompanhar. A moto ia de um lado a outro da estrada deslizando sobre o massapê encharcado. Um sabão. Num certo ponto eu escorreguei para fora da estrada, acelerei e milagrosamente voltei para  estrada com uns tufos de mato enganchados por toda a moto. Atingimos o asfalto na estrada PE-028. Nessa hora, eu achei ótimo voltar ao asfalto. Sinceramente, não dava para mim. O chão estava muito escorregadio. Eis a cara de Homero quando encontramos a pista.

Homero e Karoo 3

Homero satisfeito com o desempenho do Karoo 3 na trilha de lama

Partimos pela PE-028 em direção a praça de pedágio da Rota do Atlântico para seguirmos para Suape, Porto de Galinhas e Serrambi. No asfalto, boring, mas devo confessar que o pneu da BMW F 800 GS agora era melhor que o de Homero. Curvas deitando tudo, o asfalto limpo pela chuva, agora estava seco. O céu clareando, o sol aparecendo. Boring .. é verdade, mas num instante estávamos em Porto de Gallinhas, pegamos a saída para Serrambi.

Já quase no entroncamento com a PE-051 (a estrada que vai para Serrambi e Toquinho) me lembrei que havia feito uma bela trilha por aquelas bandas com o Ricardo Carvalho, o Ricardo Júnior e o Guilherme Carvalho. Era uma trilha com chão de areia … hmmmm … Areia era todo que eu precisava para melhorar a aderência. Melhor areia para o meu pneu do que barro molhado (que vira um sabão). Passamos o entroncamento e subimos a trilha de areia para o Alto de Serrambi.

https://mapsengine.google.com/map/edit?mid=zes7xyM10Jlg.kl4ogI9IRrbA

Nessa subida levei um tombo, mais uma vez, por falta de tração na roda traseira. Tá ficando monótomo. A moto precisa de força, eu acelero, ela sai de traseira  … e lá vou eu comprar terreno. Invariavelmente isso acontece com a moto quase parada. Nenhum dano, só o trabalho para levantar os 250 quilos da moto em ordem de marcha. Aproveito para capturar a subida de Homero. Vejam só

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Tiramos algumas fotos da bela vista de lá de cima. Uma igrejinha, uma estátua de uma entidade religiosa, uma torre de telecomunicações e a vista do pontal de Maracaípe.

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Tentamos descer pela trilha alternativa mas a erosão destruiu tudo. Voltamos por onde subimos e num instante estávamos lá embaixo. Seguimos a trilha de areia para a área próxima ao mangue. Aí a trilha ficou gostosa. A areia molhada fica durinha e adere ao meu pneu. Nos perdemos umas duas vezes e finalmente saímos na estrada para Serrambi. Mas antes passamos pela trilha na floresta de Mangue muito agradável.

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Fomos para a casa de Ricardo Carvalho em Enseadinha mas ele não estava lá. Então decidimos ir para a casa de Tárcio, afinal hoje é o aniversário dele e íamos dar um abraço. Mas ele estava caminhando na praia. Fomos para a praia tentar encontrá-lo.  A praia estava deserta e fomos para o Pontal de Serrambi onde tiramos umas belas fotos.

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Nade de encontrar o Tárcio. Já estava ficando tarde e decidimos voltar para Recife. Na volta, fomos pela Rota do Atlântico, agora no sentido inverso e aproveitei para localizar o ponto onde a autopista encontra a estrada ancestral, por volta do KM 33.

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Chegamos em Recife por volta de 12:30.
Conclusões: O passeio foi curto e tinha tudo para dar errado. Desde o baixíssimo quórum até a chuva, tudo atrapalhou. Felizmente a mudança de região deu certo. Pegamos muito sol e a trilha em Serrambi foi uma delícia.

Lições aprendidas:

  •  Quando chove não dá mesmo para forçar a barra com o pneu on-road. É perigoso, chato e cansativo. No entanto .. todavia … porém … a trilha de areia não tem problema algum. Pelo contrário. Fica até melhor. Isso significa que quando estiver muito molhado vamos para Serrambi ou para a Trilha do Coqueiro Solitário. Quando fizer sol, tá liberado para tudo quanto é canto.
  • O Pneu Karoo 3 parece que é bom mesmo. Mal posso esperar a chance de experimentá-lo na trilha.
  • É importante levar uma machadinha ou um facão para fazer a picada no meio do mato.
  • Ainda tem muita trilha na Mata do Zumbi.

No fim de semana tem mais 🙂

 

 

 

 

 

Do caos a lama

Noite de quarta feira (14 de maio de 2014) em Manguetown e a greve da Polícia Militar é deflagrada. Começa o caos que dura pouco mais de 24 horas. Na manhã da sexta feira a vida volta ao normal. Será ? Normalizou mesmo ? Em outras palavras, vai dar para fazer uma trilha de moto no sábado  ? Isso é o que interessa. Não bastasse os últimos dias de chuva em Recife, ainda por cima essa greve da polícia que estimulou a bandidagem a ir para a rua.

Não andava de moto desde o dia 1º de maio quando fiz um belo passeio com o Bruno Gomes e o Alexandre Dessani até Nova Cruz. Finalmente a trilha que liga a praia até Cruz de Rebouças estava marcada de forma inequívoca. Trafegável com moto, trilha fácil.
Mas agora, sábado dia 17 de maio, longínquos 16 dias depois do feriado do Trabalhador, as perspectivas de fazer um bom passeio não eram boas. Homero está em São Paulo, Tarcio com impedimentos detranísticos (leia-se carteira de motorista emitida por engano sem a categoria A impressa), Omar sempre trabalhando no sábado. Meus companheiros não-coxinha me abandonaram. O Brunão até encarava mas já havia se comprometido a fazer um passeio 100% asfáltico para Tracunhaem. Fiquei definitivamente sozinho. Vou ficar em casa assistindo televisão. Eis que pelo Whatsapp consigo convencer Hodor (leia-se Brunão) a dar uma escapadinha no passeio asfáltico e subir a Serra das Russas pela trilha do “Esqueleto da Gata”. Agora sim ! Sendo assim, diga ao povo que eu vou para o passeio de moto no sábado. Ainda tentei cooptar o Robson mas ele ia fazer plantão no feirão da casa própria.
O ponto de encontro é o posto Ypiranga em frente a CHESF na Abdias de Carvalho. De fato é bem mais fácil de achar porém a lanchonete é muito pequena. O roteiro proposto por Odilon partia dali, parava na Tapiocaria Cabana de Taipa em Bonanza e seguia pela PE-050 até Glória do Goitá, depois PE-090 por Lagoa do Carro onde uma visita ao Museu da Cachaça, depois Tracunhaém e almoço no Panela Cheia em Carpina.
Cheguei realmente muito cedo no Posto e tomei um saudável café da manhá a base de sanduiche natural de ontem e uma caixinha de todynho. Exatamente as 7:31 chega ao posto um Gigante montado numa F800 GS branca, belíssima. Era o Gian, o primeiro a chegar. Abasteceu a moto, logo em seguida se apresentou, muito simpático. Conhecia uns poucos do grupo e veio convidado pelo Odilon. Em seguida chegou um monte de gente e a coisa animou. O próprio Odilon, o Sílvio, o Heráclio, o Casagrande, Brunão (ainda bem), João Guerra, Emerson Bueno, Newton Tenório, Elder Maranhão. Chegaram também o Mateus numa XJ6 e um outro piloto numa belíssima Fazer 600. Chegou também uma Harley Davidson, mas foi só uma coincidência. Não fazia parte do grupo.
Conversa animada, e enquanto os líderes decidiam os detalhes do roteiro eu parti para a jugular. “Brunão, você prometeu para mim que ia subir a serra comigo ! Não vai amarelar hein ?”. O Hodor Mineiro segurou a onda. Tamo nessa. Prometi ao Brunão que sairíamos do grupo, faríamos a trilha e logo em seguida nos rejuntaríamos ao grupo novamente. Trilha garantida, passei para o modo “cooptar”. E aí seu Gian ? Gostaria de fazer uma emocionante trilha no topo mais alto da Serra das Russas ? O outro gigante ficou interessado … Olha só ?! Será que faríamos a trilha a 3 ? Veremos.
Turma animada

Mesa com Elder e Rosana, Emerson Bueno, Mateus, Odilon e Newton Tenório

Brunão em ação

Bruno encara a saída da trilha

Emerson e a ST dando show

Olha a Super Ténéré no Mato !!! O Emerson encarou a trilha muito bem

Gian em ação na serra das russas

Gian mostra como é que se faz

Partimos para a BR 232 liderados pelo João Guerra. O dia era de sol entre nuvens mas sem sinal de que iria chover. Passeio tranquilo a deliciosos 100km/h quando de repente o Newton agoniado acelerou e foi cutucar o JG !! Acelera rapaz, isso tá devagar demais. JG acelerou para 120km/h !!
Cabana de Taipa alcançada, nos instalamos nas mesas e tome conversa. O grupo sempre muito simpático e ainda mais enfeitado pela presença das Myladies. Hodor, como não poderia deixar de ser, tava morto de fome. Numa das mesas mais animadas, estava o Elder sempre com o astral magnífico, Newton Tenório conversando muito como sempre e o Emerson Bueno, que eu não conhecia. Ele tinha ouvido falar de uma trilhazinha aí que ia rolar e tal … OPA ! Mais um interessado. Eu jurei de pés-juntos que tudo que falam de mim são exageros, que a trilha é “light”, que a foto que o Hugo Falcão postou no Whatsapp era só gréia, que exceto pela força de gravidade, a subida da Serra pela trilha era “moleza”. Eu nunca digo que é difícil, já perceberam ? O Emerson topou. Caramba !!!! Será que eu tô ouvindo coisas? Tendo alucinações ? Uma das Super Ténérés vai para a trilha com a gente ???? Se o Emerson for (e sobreviver) vai ser um troféu e tanto ! Num vai mais ter explicação de dono de Transalp para deixar de fazer trilha com a gente ! Se a ST faz .. a TA também faz !!!! Mas era isso mesmo, Emerson segurou a onda e vai com a gente. Já éramos 4: eu, Brunão, Gian e Emerson. Tá bom demais.
No topo, na trilha

Os 4 cavalheiros no topo da Serra das Russas: Gian, eu, Bruno e Emerson (esquerda para a direita)

Combinei com o Gian para ele ficar por último e dei um walkie-talkie para ele. A experiência na Trilha da Ilha do Coqueirinho ensinou que um par de radinhos de 40 reais pode facilitar muito os mamão-check. Um rádio no guia, um no ferrolho e estamos bem. Partimos com o grupo inteiro pela BR-232 e na bifurcação para a PE-050 nos dividimos. Os 4 cavalheiros encarando o caminho para Pombos e a subida pela trilha. Era tudo que eu queria.
Lá vamos nós a módicos 100km/h na BR 232 quando o Gigante Mineiro (num tô falando do Cruzeiro não) buzina atras de mim “Acelera ! miserávi !!” .. Oxente ? Eu já tô a 100 e o cara quer que eu vá mais rápido ? Danou-se .. é o jeito. Acelerei para 120 na saída de Vitória de Santo Antão. O Speedy Gonzales Mineiro num tava satisfeito ! Toma buzina ! Mais rápido sua paca manca !!! Danou-se !? Eu já tava com medinho mas o jeito foi acelerar para 140km/h !! Quem disse que o Brunão tava satisfeito ? Ele queria mais !! Mais rápido nessa porcaria rapaz ! Mas ainda bem que já estávamos no pé da serra. A entrada para a trilha fica no sentido Gravatá-Recife (descendo) e nós estávamos no sentindo inverso. Atravessamos para o outro lado e antes de pegar a trilha, orientação para desligar o ABS. Só que na SuperTénèrè num tem essa opção. Pegamos a trilha. Muito cascalho na trilha sinuosa e íngreme, pneus de asfalto e para completar, pilotos com pouca experiência. Mas todos passaram bem pela parte mais íngreme da curtíssima trilha. A SuperTénéré morreu num ponto particularmente chato com muito cascalho. Aí o controle de tração ajudou bastante. De uma forma tranquila a motona subiu a trilha sem maiores incidentes. Uma suavidade e facilidade impressionantes. Assisti tudo lá de cima. Muito mato, capim navalha, carrapicho, algumas erosões e chegamos lá no topo da Serra, no local da tradicional foto enquadrando as duas variantes da BR 232 subindo/descendo a Serra das Russas, com direito a ponte e tudo.
Voltamos para a BR 232, tirei umas fotos das “moto en assão” cruzando uma poça dágua que faria qualquer vigilância sanitária dar pulos. Mas o principal havia sido conquistado. A Superténéré fez uma trilha com a gente! Agora não tem mais argumento, num vai ter mais dono de Transalp dizendo que a trilha é radical demais. Se a SuperTénéré passa, a TA passa também. É viável. Verdade que o piloto da ST em questão tem quase 2 metros de altura (dos quais presumo que uns bons 1,2m sejam só de pernas).
Outro ponto positivo foi que no grupo dos 4 cavaleiros, eu era o “baixinho”. Nada mal né ? Eu tenho 1,81m
Descemos a Serra pela BR, cruzamos para o outro lado no mesmo ponto em que entramos na trilha, subimos a Serra e fomos para Bezerros. De novo o Hurried Hodor buzinando para eu acelerar ! Tive que chegar a 140 por hora ! E por vários minutos!!! Entramos em Bezerros e saímos pela PE-097, uma das estradas mais belas e mais bem conservadas de Pernambuco. Ideal para motos bigtrail e para quem gosta de asfalto. Sinuosa, sem ser perigosa. Rodeada de paisagem belíssima, ainda mais agora num inverno úmido que deixa o agreste pernambucano todo verdinho que dá gosto que nem o Luiz Gonzaga cantou em Asa Branca 2, o retorno. Pegamos a PE-095 em Ameixas e saímos do céu para o inferno. Estrada esburacada de dar dó. Limoeiro nos ofereceu uma parada para refrescar e tomar uma deliciosa água de coco. Reabastecemos as motos e Brunão manteve contato com o Elder que nos informou que o grupo já estava em Tracunhaem. Estamos indo ! Espera a gente aí. Seguimos para Carpina pela PE-090 e quando contornamos a rotatória para pegar a estrada para Nazaré da Mata nos deparamos com o grupo no sentido contrário. Paramos no Panela Cheia e degustamos uma deliciosa costela no bafo.
Já eram quase 14hs mas a fome só não era menor do que a vontade de contar/ouvir para/dos os amigos como fora o passeio. Animação geral, tiração de onda, muita gréia, boas risadas e surpresa geral da nação Bigtrail com o fato de que os 3 corajosos que caíram na minha conversa mole de fazer trilha tinham sobrevivido incólumes. João Guerra (que havia voltado a civilização depois da tapiocaria) duvidou e tivemos que mandar uma foto de Gian para ele pelo Whatsapp. O Odilon serviu de testemunha.
O saldo do passeio foi muito positivo. Conhecemos pessoalmente vários colegas com os quais só tínhamos interagido via Whatsapp ou o Portal. Consegui inocular o vírus da trilha de aventura em mais dois pilotos: Gian e Emerson. O Brunão completou a sua conversão.
Nos despedimos na escadaria do restaurante ouvindo promessas de novos passeios semelhantes.
Mal posso esperar.