Tatus no Jalapão – Dia 1

Durante anos sonhei em ir de moto de aventura até o Jalapão no estado de Tocantins. Finalmente, em dezembro de 2015 o meu amigo Saulo Costa me chama para fazer essa aventura de moto. No meu mês sabático, era a chance de fazer essa aventura agora ou calar-me para sempre. Planejamos o mínimo necessário, ajustamos as nossas motos (BMW F800GS) e partimos de Manguetown na manhã do dia 30 de novembro de 2015 as 5:45 com o objetivo de dormir em Petrolina, Pernambuco.

Como era de se esperar, as coisas não sairam como planejado, logo nos primeiros minutos. Saímos pela BR-232 e quando estávamos em Moreno me lembrei que não havia trazido o documento da moto. Que mancada! Saulo continuou na estrada e parou na Tapiocaria Cabana de Taipa, conhecido reduto de coxinhas. Eu encarei a estrada de volta ao Derby, avisei a minha amada para ir procurando enquanto eu chegava. Cheguei em casa e a minha amada, que tem superpoderes para encontrar coisas, não havia encontrado o bendito documento. Mau sinal. Reproduzi os passos da noite anterior e me lembrei que Saulo havia pedido para partirmos direto da minha casa ao invés do Tradicional Posto Lupp II da Abdias de Carvalho. Eu tive que abastecer a moto no posto Extra pertinho de casa na noite do domingo e havia deixado o documento na bermuda. Achado, peguei a estrada em regime acelerado para encontrar com o amigo lá na tapiocaria. Estava cedo, mesmo com o atraso causado pela minha leseira, e a temperatura em agradáveis 26 graus.

Seguimos pela BR-232 e alcançamos Arcoverde, nosso primeiro ponto previsto de abastecimento. Antes de chegarmos ao posto, a “teia” que envolvia/segurava a minha mala de roupas soltou-se, caiu na coroa, enganchou na corrente, envergou o protetor de corrente e este ficou batendo nos raios. Como fazíamos em nossas bicicletas quando éramos crianças e colocávamos o palito de picolé. Felizmente eu estava na área urbana da cidade e portanto em baixa velocidade. Foi mais um inconveniente do que um problema. Em 5 minutos resolvemos e seguimos para o Posto Shell, da saída oeste da cidade, que estava fechado. Voltamos ao tradicional e imenso posto Cruzeiro, da Petrobras. Abastecemos as motos, fomos bem atendidos. Esse posto é mesmo recomendável e centenas de adesivos de motoclubes colados no vidro atestam. Tem uma boa loja de conveniência, uma lanchonete bem servida, uma pousada, banheiros limpos e confortáveis. A temperatura já estava em 33 graus … Normal, afinal, o sol subindo e nós saindo do agreste e penetrando o sertão.

Pegamos a BR-232 novamente em direção oeste e na bifurcação do Posto da Polícia Federal em  Cruzeiro do Nordeste, pegamos a esquerda a BR-110.  A temperatura subia para 35 graus com picos de 36. Caramba, tá começando a esquentar.

Passamos por Ibimirim, onde tem uma base de operações para as obras de transposição do Rio São Francisco. Muita movimentação na estrada mas no fim era só isso. A paisagem árida é o retrato da maior seca que assola o Nordeste nos últimos 50 anos. Pontes sobre leitos de rios secos. Carcaças de bovinos. As cabras continuam sobrevivendo, aparentemente.

No meio do caminho, um viaduto ponte diferente e ao lado um canal. Era a transposição do Rio São Francisco e aí tínhamos que parar para registrar. Esse trecho já está operacional. A visão da água do Véio Chico, límpida e transparante chegando ao sertão serviu como um pequeno alento diante da tragédia da seca que agora era real.

Chegamos em Belém de São Francisco, as margens do Velho Chico e decidimos almoçar em algum restaurante bacana na beira do rio, aproveitando a orla. Só que não tem. A cidade é mesmo muito rústica e no final encontramos um “self service” bem simples que servia um feijão com um tempero maravilhoso. Acompanhamentos simples, podia servir a vontade. Proteína podia ser bode, frango assado e outra coisa que não lembro. A ideia era comer algo light para não dar sono e Saulo preferiu o bode guisado. Eu fui de galináceo assado mesmo. Simples mas delicioso. Para acompanhar, suco de umbu. Acho que foi o suco de umbu mais gostoso da minha vida.

Voltamos para a estrada mas antes paramos para abastecer. Um destacamento da Polícia Militar estava abastecendo a viatura e eu fui lá pegar uma dicas de recomendações afinal estávamos adentrando o “Polígono da Maconha” e existem vários relatos de assaltos a veículos por essas estradas. Os PM’s disseram para nós ficarmos espertos e não facilitar. De um modo geral os alvos preferidos dos bandidos são carros ou caminhões. Motos não. Ainda bem.

Pegamos a estrada direto para Petrolina, passando por Orocó e outras cidades. Ah sim, e a temperatura subiu. Caramba, subiu MESMO! A temperatura padrão passou de 35 graus para 37 e de repente, 38 graus. Um miserável num Corolla nos ultrapassou. Até aí tudo bem, não faço questão em ser ultrapassado. Mas o miserável passou com o ar condicionado ligado!! Isso é falta de consideração. Ele devia ter pelo menos se solidarizado e aberto as janelas para receber aquele ar quente oriundo de um gigantesco secador de cabelo apontando para as suas fuças. A sensação é exatamente essa.

Chegamos em Petrolina bem antes do planejado. A previsão era para as 17hs e chegamos as 16hs. O hotel escolhido supostamente tinha piscina mas para nossa decepção estava interditada.

Descansamos um pouco e a noite fomos ao Bodódromo para prestigiar a atração turística peculiar a Petrolina. Liguei para o meu Tio Iran, que mora em Petrolina há anos, mas não consegui contato a tempo. Quando ele ligou já era tarde e estávamos voltando para o hotel.

Por sinal, o hotel é muito ruim. Pensamos em pegar um hotel melhor com piscina para dar uma merecida refrescada e relaxar tomando umas cervejas. A piscina estava interditada devido a uma festa de arromba que acontecera no final de semana. Pagamos e não levamos.

No problemo. Teríamos chance de nos hospedar em hotéis melhores e piores ao longo da jornada.

 

 

 

 

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2 comentários sobre “Tatus no Jalapão – Dia 1

  1. Pingback: Grande Raid dos Sertões | O canto do João Eurico (plus)

  2. O bom é que no final deu tudo certo. Continue relatando a viagem que vou acompanhando e ficando com mais inveja…rsrsrs

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