Meu dia de coxinha (ou O dia em que encontramos o Highlander)

O pessoal do grupo estava animado esse fim de semana. Passeio para o Motofeste em Surubim no sábado e trilha da Rucinha no Domingo. Devidamente informados que o passeio para Surubim seria 100% asfalto, ou seja, programa de coxinha. Para variar, esses programas são sempre feitos pelo João Guerra e o Newton, nenhuma surpresa. Mas não é que o Elder também aderiu com a sua nova Fúria da Noite ? (a F800 Gs Triple Black que substituiu a Charmosa V-Strom 650).  Decidi participar de surpresa desse passeio.

Ponto de encontro no Tradicional Posto Lupp II na Abdias de Carvalho. Cheguei primeiro e deixei a moto a vista.

DSC_0021

 

Alguns minutos depois chega o Elder na bonitona e foi abastecer. Ficou feliz e surpreso em me ver lá. A vontade de andar de moto era muito grande depois do domingo anterior frustrado com duas motos em pane (A F800 GS morreu a bateria e a XT 66 desconectou o duto de combustível em pleno movimento).

Abastecimento by Elder

Abastecimento by Elder

 

Ficamos batendo papo e logo em seguida começam as chegar outras motos de outros grupos. Uma belíssima Shadow 750 para e pede ajuda a Elder com algum acessório que precisa ser montado mas que as mãos do piloto não são mais firmes o suficiente para a tarefa. Era o João Holanda, que logo apelidamos de Highlander.

O Highlander

O Highlander

 

Veterano, já passou da curva dos 60 e afirma ter moto desde os 15 anos. Tem cinco motos e vai receber agora uma G 650 GS. Grandes chances de participar de passeios conosco. Mas não é a quantidade de motos que faz dele uma figura. João Holanda sobreviveu a vários enfartes, a dois AVC´s, inúmero planos econômicos e faz questão de contar cada uma deles em detalhes, o que garante horas e horas e horas de conversa. Elder o chamou de Highlander e não sei se ele entendeu a brincadeira mas o fato é que pegou. Graças a pontualidade de João Guerra, tivemos mais tempo para ouvir as histórias de sobrevivência, cada uma delas a associada a uma sequela bizarra e um dos 16 remédios (a maioria controlados) que ele tem que tomar diariamente. Highlander nos mostra a foto de um dos netos, belo menino, e diz que não vai conosco para a trilha amanhã porque é aniversário. Mais um !! Nos encontraríamos depois em Surubim.

 

 

Cadê João Guerra ? As 7:26 uma mensagem no whatsapp dizia que ele estava saindo de casa. As 7:45, ainda no posto, mando a seguinte mensagem para JG “JG, se tu for demorar a gente espera”. Saímos já depois das 8 horas da manhã. Sei o porque do atraso de JG. Vejam a foto.

Bad Block and gun for hire

Bad Block and gun for hire

 

John War na verdade é Bad Block e devia estar fazendo algum ato terrorista aí. Montamos nas motos e JG foi liderando. Seguimos pela BR 232 em direção a BR-408. O passeio 100% asfalto já mostrava que ia ser bom. Com frequência, nos passeios com muita moto de piloto inexperiente assistimos frustrados a formação da fila intercalada. A maioria não entende o que é a os poucos que entendem não respeitam a formação. Mas com Elder, Newton e JG, todos pilotos experientes e conscientes, a intercalada fica perfeita. Dá gosto de ver as curvas, as mudanças de faixa, as ultrapassagens, todas feitas sem perder a formação. Nesses grupos assim eu prefiro ficar no ferrolho porque é bem menos estressante. Os companheiros “voando em formação” garantem segurança e respeito. Fazia tempo que não andava tão bem no asfalto.

Paramos rapidamente na beira da estrada a altura da Arena Itaipava para umas fotos. Fizemos rodízio entre o que fotograva e os que apareciam na foto até que Elder deu a ideia de colocar a câmera no automático e apoiá-la na muretinha do canteiro interno da rodovia. Deu certo ! Antes, o Elder ainda salvou a minha vida pois me distrai e ia atravessar a pista sem olhar. Quase que um SUV me pegava em cheio. Ainda bem que o senso aranha do Elder estava ligado e salvou dessa. Já pensou ? Andar milhões (diria até milhares) de quilõmetros de moto e morrer atropelado a pé ?

 

Na Arena Itaipava a caminho de Surubim

Na Arena Itaipava a caminho de Surubim

Seguimos pela BR sem incidentes, só o trânsito pesado e a sequência interminável de lombadas. Em Carpina enfrentamos o engarrafamento típico das metrópolis (?) desenvolvidas (?) e aí, para minha surpresa, Newton fez um off-road radical ao sair para o acostamento e dar uns pulinhos nuns mondrongos a beira da estrada. E ainda fez questão de olhar para traz e dizer “Tá vendo??? Eu também faço off-road”. Ahhh bom !

Chegamos em Surubim e fomos para a praça de eventos na frente do palco onde os shows aconteceriam. Uma tenda enorme onde estacionamos as motos a sombra, algumas vendinhas de accessórios e roupas de moto ainda estavam sendo montadas. A fome era grande pois o combinado era comermos alguma coisa no caminho mas acabou não rolando. Lembrei-me do nosso amigo Brunão e seu apetite insaciável !!! Feed Me ! Feed Me !! Eu parecia a planta carnívora do filme “Pequena Loja dos Horrores”. Procuramos uma padaria ou lanchonete no sábado dia de feira em Surubim. Muita gente no comércio popular e nada de achar um lugar para comer. Foi quando o Newton teve a brilhante ideia de irmos para o motoclube anfitrião. Segundo a tradição do evento, sempre tem um café da manhã por lá, dizia Newton. Eu achava que era roubada, afinal, quem seria doido de oferecer um café da manhã na faixa para um monte de motoqueiro em pleno sábado de manhã ? Pois num é que tinha mesmo ??? E de primeira ! Antes o João Guerra comprou um queijolão rapa-de-tacho para saborear mais tarde em casa. Eu me arrependi de não ter comprado um tijolão de queijo de manteiga daqueles para mim.

Os Three Amigos enchem a pança no café da manhão no Cowboys do Asfalto MC

Elder, Newton e JG

 

Nesse momento a experiência, o know-how, a tarimba do Newton veio mostrar seu valor. Ele conhece tudo quanto é passeio e encontro de motocicleta e sabe quais são uma boa e quais são uma furada. Fomos depressa ao que interessa e achamo a sede do Cowboys do Asfalto MC em Surubim, fundado em 2003. Fomos recebidos como irmãos, com muito carinho, atenção, diversão e muuuuita comida. O café da manhã era de primeira com frutas deliciosas, um suco de cajá de levantar defunto, café forte (no açucar) e outras variadas comidinhas. Eu passei vergonha porque comi treisveis. Na frente da sede, na rua, um par de enorme tendas abrigava os convidados de todos os tamanhos, formas, cores e sabores. Muita moto custom, muita jaqueta de couro. Clubes de moto de tudo quanto era lugar. Muita conversa, ficamos batendo papo lá nós 4, de olho na fauna exuberante que passava a nossa frente. Tinha uns que davam mesmo a impressão que eram formas humanóides. Newton nos contava dos encontros de moto e já dava as dicas de qual seria o próximo que vale a pena ir.

A promessa era que ao meio dia ia rolar uma feijoada na faixa. Aí a coisa ficou ainda mais interessante. Tomamos umas Skol. Eu fui o amigo da vez e só tomei água.

A noite anterior (sexta) tinha tido muito show e festa e a turma estava com ressaquinha. Hoje, sábado, muita gente estava chegando ainda no evento portanto a tarde ia bombar.

De repente vimos a presença ilustre do Ozzy Osbourne que foi prestigiar o evento. Um sucesso e todo mundo queria tirar uma foto ao lado da celebridade. Eu cheguei até a tirar uma foto mas apaguei a foto por engano. O João Guerra quase me mata pois é fanzão, pelo menos aparenta.

Por falar em Rock N Roll, a tarde iria ter show de uma banda ao vivo na sede do MC mesmo, além do show lá no palco. Enquanto isso, o mirim demonstra o entusiasmo. Roqueiro de verdade né mesmo ?

Head banger

Mas que Ozzy que nada. O que nos deu enorme alegria foi a chegada do Alexandre e a esposa dele. Aí sim. Alexandre saiu um pouco mais tarde e nos alcançou em Surubim. Convidamos os dois para um almoço a base de feijoada.

Alexandre, Dani, JG, Elder, Newton e Bokomoko

Alexandre, Dani, JG, Elder, Newton e Bokomoko

 

Fomos para a área VIP e tiramos umas fotos emblemáticas. Ficamos bolados, não sei porque. Acho que foram coisas que colocaram nas nossas cabeças.

Alexandre, Elder, Bokomoko, JG e Newton.

Alexandre, Elder, Bokomoko, JG e Newton.

 

Um pouco mais de Relax na área VIP e em seguida o almoço foi servido.

JG, Elder, Dani, Alexandre e Newton

JG, Elder, Dani, Alexandre e Newton

 

 

 

 

 

 

 

Todo mundo com fome, já era perto de meio dia e fomos comer a feijoada. Que delícia. O mais legal é que mesmo sendo 100% free, não tinha frescura, não teve bagunça. Todo mundo encarou a fila e se serviu. Mais uns bate papos e decidimos que já havíamos comido de graça (duas vezes), já tínhamos bebido, já tínhamos dado muitas risadas, encontramos gente famosa e nossos amigos desgarrados. Foi a chance de conhecer o casal Alexandre/Dani e apresentá-los aos amigos JG, Elder e Newton.

Nos despedimos dos anfitriões e começamos a organizar a volta. Alexandre havia deixado a moto perto do MC e as nossas motos estavam lá na praça. O Elder queria comprar um casaco novo e voltamos para as vendinhas.

Passa o cartão

Passa o cartão

Na passarela, o Maranhão

Na passarela, o Maranhão

 

Elder novamente feliz em consumir, comprou um casaco de cordura muito massa. Na foto dá para ver o KGB, que iria nos proporcionar algumas presepadas mais adiante.

Laranja caixa-preta-de-avião

Laranja caixa-preta-de-avião

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Juntamos todas as motos, agora 5 delas. As 3 F800 Gs, a V-strom de Newton e a Ténéré 66 de Alexandre. Voltamos ao MC para encontrar o KGB, que havia seguido a pé antes e deveria ter-se aprontado para pegar a estrada juntando-se a nós. Quando chegamos lá a figura ainda não estava pronta. Calçar luvas, vestir casaco, desenganchar a moto do estacionamento bizarro. Se demorar não tem problema não, a gente espera. Espera, Espera, caramba. Mas finalmente ficou pronto e lá vamos nós. Só que o KGB dana-se na frente do grupo. Quando recompactamos, ele está parado lá na frente. Começou um espetáculo bizarro de como NÂO andar em grupo. KGB atrapalhava tudo, nos forçava a quebrar a formação, não se contentava em fica no meio do grupo, queria liderar mas não fazia a faixa, ultrapassava pela direita, não mantinha distância, ultrapassava outros veículos sem segurança, ou seja, tudo errado. Estresse até chegarmos a Carpina e o engarrafamento tradicional. Encostei no JG e sugeri darmos uma paradinha na Acerolândia e ele topou. Avisei Elder, Newton e Alexandre. Deixei KGB para lá frente seguir seu caminho. Assim que paramos no Acerolândia o comentário geral foi a lambança que KGB proporcionou. Elder depois explicou que ele é gente finíssima mas tem mesmo uns problemas para entender o universo que o cerca e fila intercalada não é com ele.

Tomamos uns picolés de acerola, batemos um papinho e já nos despedimos. A pista até Recife agora é duplicada. Seguimos quase sem incidentes pela BR-408 quando perto da Arena Itaipava uma pancada de chuva forte, com o sol a pino, nos molhou. Dava para ver o sol, a faixa coberta de chuva e o sol de novo lá adiante. Encaramos e serviu para dar uma refrescada…. E sujar as motos !!! Caramba, coxinha que se presa .. .ha, vocês sabem.

Fomos para a Abdias de Carvalho. Na Chesf o grupo começou a dispersar. Elder entrou a esquerda, mais adiante Newton entrou para Afogados a esquerda, JG eu num sei por onde foi, Alexandre e eu fomos até a praça do Sport onde eu peguei o túnel por baixo, Alexandre por cima em direção a Boa Viagem.

 

O passeio não teve um centímetro de estrada de terra. Não, o acostamento não vale Newton !!. Ou seja, um típico passeio de coxinha. Me diverti mais do que imaginava mas senti ainda a falta de pegar uma terrinha. JG quase que encarava pois sugeriu um desvio pela PE-018 e voltarmos por Aldeia mas a ideia esvaziou. Não tem problema.

Lições aprendidas

  • Passeio de coxinha sim, e daí ? O que vale é a companhia dos amigos, as histórias divertidas, as tirações de onda, a chance de conhecer uma estrada que não conhecia e uma cidade idem.
  • A organização do MC Cowboys é mesmo muito boa. Tudo limpo, organizado mas sem frescura, sem pasteurização. O pessoal todo com muito style e muita fraternidade. Nos receberam muito bem.
  • Sem sombra de dúvida, o know-how de Newton sobre encontros de motos é valiosíssimo. Nos valeu um passeio maneiro com novas amizades e muita gréia.
  • O grupo já tem alguma intimidade em termos de pilotagem e cada vez mais. Isso é muito bom em termos de segurança e formação da intercalada. JG é craque em liderar e dá uma tranquilidade enorme. O passeio fica mais leve, mais rápido, mais confortável. Proponho que ele seja eleito o puxador oficial.
  • A formação é fácil de fazer mas como é difícil de encontrar. No passeio da Honda no dia do motociclista, mesmo com as orientações do pessoal da Honda, foi uma bagunça. Proponho que tenhamos umas cópias impressas da formação para darmos aos novatos ou a quem se agregar a nosso grupo nos passeios.

Agora sei porque o MOC faz tanto sucesso. O Movimento Orgulho Coxinha realmente tem uns argumentos. Mas no domingo vai ter trilha ! Preciso desintoxicar.

 

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