O que acontece com a política nos tempos de internet

Acompanho de forma consciente a política desde 1982 quando houve a primeira eleição direta para governadores depois do golpe e  ainda durante a ditadura. Desde aquela época me espanto com a quantidade de mentiras e meias verdades que são colocadas de forma descaradas pelos políticos. Lembro que era estudante, havia acabado de entrar na universidade, tinha 16 anos, e o movimento estudantil era mais denso. O guia eleitoral era ainda mais pobre do que é hoje em dia e praticamente não se faziam debates entre os políticos. Eram anos de ocaso de ditadura mas ainda era ditadura.  A dicotomia, o maniqueísmo eram agudos e eu achava que isso se devia a classe dos políticos, privados da democracia tinham que apelar para o que há de mais podre em termos de comportamento político. A culpa era dos políticos. Os cidadãos ainda não tinham a liberdade para discutir política de forma madura.

Os anos passaram, redemocratização (?), novas eleições e o nível do debate político continuava baixo. As mentiras eram atiradas de lado a lado, os temas realmente importantes não eram encarados ou discutidos. O maniqueísmo agora era mais agudo pois a ditadura havia acabado e a facilidade do discurso de quem combateu a ditadura era adotado por pessoas autênticas, por adesistas, por vira-casacas. A culpa ainda era dos políticos e do povo que ainda não tinha muita prática democrática, afinal, a ditadura acabara há pouco tempo.

Mais tempo passa e acontece a eleição de 89 com o catapultamento de Collor (uma fraude eleitoral) a Presidência. Era o fim da picada em termos de alienação política. O povo fora enganado e a esperança de amadurecimento democrático do povo atingiu o nível mais baixo. Mas de repente, o movimento do impeachment, os cara pintadas, a mobilização popular e a defenestração de Collor deram um sinal de que nem tudo estava perdido. Havia sinais de inteligência no planeta Brasilis. O funcionamento das instituições, a passagem do poder de forma democrática para FHC, o surgimento de novas lideranças políticas passavam a imagem de que agora a coisa ia para a frente.

Pura ilusão. A política brasileira continuava a viver de salvadores da pátria, a quem tudo se perdoava ou admitia, e as oposições radicais que detonavam qualquer iniciativa válida para estabilizar a economia que fosse oriunda do outro partido. O bem maior da nação não interessava a situação ou a oposição. Tudo era argumento eleitoreiro. Ora para se promover, ora para detonar o opositor. Nenhum partido oferecia (nem oferece) um programa que ele mesmo cumpra. O debate continua vazio, as questões relegadas a segundo plano, o personalismo impera, o “quem é contra” versus o “quem é a favor”. Os políticos não aprendem, não evoluem e o povo continua sem se envolver de forma madura na política. As eleições viram um festival bizarro, uma competição de esquisitice em que vale votar em candidatos absolutamente vazios de propostas mas com boa presença de marketing eleitoral. Seja porque é uma celebridade, seja porque tem acesso a recursos (escusos ou não) para sustentarem as suas campanhas caríssimas. Minha leitura era que os políticos continuavam péssimos e que a culpa da alienação política do povo era fundamentalmente do baixo nível dos políticos. O povo estava aprendendo devagar e até que tentava mas os políticos continuavam a política velha dos ataques pessoais, das trocas de favores, da orientação pelos seus interesses pessoais/carreirísticos, e o povo continuava massa de manobra e manipulada.

Aí vem a Internet. A esperança era de que o acesso a informação viraria o jogo. O eleitor agora vai poder se lembrar. As promessas dos políticos ficarão registradas e poderão ser conferidas com as suas atuações depois de eleitos.  A interatividade da internet promoveria o debate maduro e equilibrado, as pessoas fariam seus pleitos de forma desintermediada. Mobilizações poderiam ser efetuadas mais rapidamente. Alguns cientistas políticos cogitavam até que a democracia representativa estaria com os dias contados dando lugar a democracia diretíssima, sem intermediários, sem políticos. Eram ideias causadas pelo efeito inebriante da Internet em praticamente todos os ramos do conhecimento e comportamento humano. A Internet era a panaceia que aceleraria o amadurecimento político.

Infelizmente não é isso que aconteceu. Com o advento das redes sociais o povo, os eleitores, agora podem sim praticar a política. Podem expor suas ideias e seus apoios, criticar políticos, programas partidários, assumir um papel de protagonista no processo democrático. Mas não é isso que acontece. As práticas políticas mais nefastas e nojentas que os políticos fazem há décadas são as mesmas que o povo pratica nas redes sociais. Acusar sem verificar a veracidade das coisas. Denunciar sem provas. Formar opinião obtusa e fechada sem se informar. Exclamar de forma histérica uma opinião sem o menor fundamento em fato ou conhecimento de causa. Antagonizar e impedir o debate com o que pensa diferença. Assumir posições sectárias visando interesses pessoais ou pior, interesse de terceiros dos quais sequer tem consciência.

A massa de manobra continua massa de manobra nas redes sociais. Continua propagando opiniões de celebridades reais ou virtuais sem a menor verificação do conteúdo. O adesismo, o oportunismo e o imediatismo são praticados pelos eleitores, não apenas pelos políticos.

De repente a ficha caiu para mim: O político vazio, oportunista, adesista, corrupto, demagogo, falastrão que sempre populou os horários eleitorais não era causa e sim efeito do comportamento deliberado do povo. Acontece que há 30 anos não se via isso porque faltavam os meios para interação massiva com a população política (ou apolítica para todos os efeitos). Com as redes sociais dá para ver que o padrão da alienação é predominante. Alienação deliberada e por “opção”, alienação por manipulação de terceiros. O fato é que se a ditadura um dia foi responsável pelo afastamento da população da Política (essa com p maiúsculo) agora o povo pode sim voltar a fazê-la mas no fim opta por fazer a mesma baixaria que os políticos fazem.  Tem a chance, tem a ferramenta e, mais que tudo, tem a urgente necessidade de tomar o processo político em suas mãos. Mas prefere a saída fácil de votar num palhaço, num médico histriônico, num defensor da ditadura, num fundamentalista religioso, num ativista xiita de uma causa de preservação, num falso profeta de apocalipse econômico, numa celebridade do futebol. Prefere isso a ter que conversar com os amigos de forma madura sobre as divergências e encontrar um consenso mínimo. Isso é impossível. A eleição continua uma competição absurda em que o eleitor é o competidor ! Como se fora um jogo.

Por muito tempo achava que a pior coisa do processo democrático era o horário político. O espetáculo de horrores de absoluta falta de propostas e de discussão densa. Agora o horário eleitoral gratuito não é o pior. O pior é utilização das redes sociais para a propaganda política, a desinformação, a histeria política e patrulhamento ideológico (na verdade proto-ideológico) das pessoas. Amizades são desfeitas, postagem são bloqueadas, insultos de baixo calão são trocados. Os temas não são discutidos, os embates são absolutamente estéreis. O maniqueísmo da época da ditadura volta, agora praticado pelo “povo”. Rótulos são colocados nas pessoas e as posições obtusas se acirram.  O povo faz tanto ou pior que os políticos em seus guias eleitorais.

Coisas que encontramos durante o período eleitoral de forma mais aguda

  • Maniqueísmo. Tudo que a oposição fala contra o governo é golpismo. Tudo que alguém fala a favor do governo é adesismo. Soluções boas para problemas são detonadas ou promovidas como dignas de prêmio Nobel a depender da sua origem partidária e não pelo mérito da solução propriamente dito. Tudo que os nossos fazem é do bem, tudo que os outros fazem é do mal.
  • Valetudismo. Vale tudo para detonar a oposição (se você é alinhado com a situação) ou vice-versa. Vale falar mal do próprio país, vale acoitar uma posição evidentemente absurda, desde que seja contra/favor de quem você é contra/favor.
  • A absoluta falta de compromisso com a mínima verificação da veracidade da notícia. Posta-se  reposta-se qualquer coisa, não importa se é verdadeira.
  • A absoluta incapacidade de se discutir, abrir mão de uma opinião, mudar de ideia. O que importa é estar certo e não ceder. Como se fora uma torcida de time de futebol que jamais admite que o time perdeu mesmo diante do placar explícito. Admitir que estava enganado ? Jamais !
  • A opção pela não informação num processo de negação. Quando a evidência é apresentada, nega-se a vê-la. Sequer cogitá-la.
  • A pura e simples falta de civilidade e urbanidade. Insultos, piadas de mau gosto, desrespeito puro e simples.
  • Postura sectária diante de algumas ideias.
  • Incapacidade para debate.

Será que a internet tem algum efeito (bom ou mau) no amadurecimento político do povo ? Não sei. Só a história poderá responder no futuro. Enquanto isso o que assisto me assusta. Assim como o filme “Idiocracy”, que era para ser uma comédia mas que a cada vez que o assisto se parece mais com um filme de horror. No filme algumas cenas parecem proféticas e ao ver o comportamento das pessoas supostamente esclarecidas nas redes sociais vejo que as profecias estão sendo cumpridas. O revisionismo histórico, a criação de “memes” com informação errada que passa a ser assumida como verdade. Numa cena do filme, a paródia que Charlie Chaplin faz de Hitler no filme “O Grande Ditador” é tomada como verdadeira pela população alienada do futuro e o artista que era um defensor da liberdade agora é conhecido como algo diametralmente oposto. Parece absurdo alguém chegar a essa conclusão mas se perguntarmos ao usuário típico das redes sociais o que é um Big Brother ele provavelmente vai achar que é algo legal e que é uma celebridade a ser admirada, numa inversão completa da ideia orwelliana original.  No terreno da ignorância e alienação o absurdo é o normal.

Será que algum dia teremos um povo com postura crítica para questionar sem vilipendiar ? Será que teremos uma classe política que seja capaz de pensar de forma maior, num interesse comum e de mais longo prazo ? As vezes penso que não.

 

 

 

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Meu dia de coxinha (ou O dia em que encontramos o Highlander)

O pessoal do grupo estava animado esse fim de semana. Passeio para o Motofeste em Surubim no sábado e trilha da Rucinha no Domingo. Devidamente informados que o passeio para Surubim seria 100% asfalto, ou seja, programa de coxinha. Para variar, esses programas são sempre feitos pelo João Guerra e o Newton, nenhuma surpresa. Mas não é que o Elder também aderiu com a sua nova Fúria da Noite ? (a F800 Gs Triple Black que substituiu a Charmosa V-Strom 650).  Decidi participar de surpresa desse passeio.

Ponto de encontro no Tradicional Posto Lupp II na Abdias de Carvalho. Cheguei primeiro e deixei a moto a vista.

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Alguns minutos depois chega o Elder na bonitona e foi abastecer. Ficou feliz e surpreso em me ver lá. A vontade de andar de moto era muito grande depois do domingo anterior frustrado com duas motos em pane (A F800 GS morreu a bateria e a XT 66 desconectou o duto de combustível em pleno movimento).

Abastecimento by Elder

Abastecimento by Elder

 

Ficamos batendo papo e logo em seguida começam as chegar outras motos de outros grupos. Uma belíssima Shadow 750 para e pede ajuda a Elder com algum acessório que precisa ser montado mas que as mãos do piloto não são mais firmes o suficiente para a tarefa. Era o João Holanda, que logo apelidamos de Highlander.

O Highlander

O Highlander

 

Veterano, já passou da curva dos 60 e afirma ter moto desde os 15 anos. Tem cinco motos e vai receber agora uma G 650 GS. Grandes chances de participar de passeios conosco. Mas não é a quantidade de motos que faz dele uma figura. João Holanda sobreviveu a vários enfartes, a dois AVC´s, inúmero planos econômicos e faz questão de contar cada uma deles em detalhes, o que garante horas e horas e horas de conversa. Elder o chamou de Highlander e não sei se ele entendeu a brincadeira mas o fato é que pegou. Graças a pontualidade de João Guerra, tivemos mais tempo para ouvir as histórias de sobrevivência, cada uma delas a associada a uma sequela bizarra e um dos 16 remédios (a maioria controlados) que ele tem que tomar diariamente. Highlander nos mostra a foto de um dos netos, belo menino, e diz que não vai conosco para a trilha amanhã porque é aniversário. Mais um !! Nos encontraríamos depois em Surubim.

 

 

Cadê João Guerra ? As 7:26 uma mensagem no whatsapp dizia que ele estava saindo de casa. As 7:45, ainda no posto, mando a seguinte mensagem para JG “JG, se tu for demorar a gente espera”. Saímos já depois das 8 horas da manhã. Sei o porque do atraso de JG. Vejam a foto.

Bad Block and gun for hire

Bad Block and gun for hire

 

John War na verdade é Bad Block e devia estar fazendo algum ato terrorista aí. Montamos nas motos e JG foi liderando. Seguimos pela BR 232 em direção a BR-408. O passeio 100% asfalto já mostrava que ia ser bom. Com frequência, nos passeios com muita moto de piloto inexperiente assistimos frustrados a formação da fila intercalada. A maioria não entende o que é a os poucos que entendem não respeitam a formação. Mas com Elder, Newton e JG, todos pilotos experientes e conscientes, a intercalada fica perfeita. Dá gosto de ver as curvas, as mudanças de faixa, as ultrapassagens, todas feitas sem perder a formação. Nesses grupos assim eu prefiro ficar no ferrolho porque é bem menos estressante. Os companheiros “voando em formação” garantem segurança e respeito. Fazia tempo que não andava tão bem no asfalto.

Paramos rapidamente na beira da estrada a altura da Arena Itaipava para umas fotos. Fizemos rodízio entre o que fotograva e os que apareciam na foto até que Elder deu a ideia de colocar a câmera no automático e apoiá-la na muretinha do canteiro interno da rodovia. Deu certo ! Antes, o Elder ainda salvou a minha vida pois me distrai e ia atravessar a pista sem olhar. Quase que um SUV me pegava em cheio. Ainda bem que o senso aranha do Elder estava ligado e salvou dessa. Já pensou ? Andar milhões (diria até milhares) de quilõmetros de moto e morrer atropelado a pé ?

 

Na Arena Itaipava a caminho de Surubim

Na Arena Itaipava a caminho de Surubim

Seguimos pela BR sem incidentes, só o trânsito pesado e a sequência interminável de lombadas. Em Carpina enfrentamos o engarrafamento típico das metrópolis (?) desenvolvidas (?) e aí, para minha surpresa, Newton fez um off-road radical ao sair para o acostamento e dar uns pulinhos nuns mondrongos a beira da estrada. E ainda fez questão de olhar para traz e dizer “Tá vendo??? Eu também faço off-road”. Ahhh bom !

Chegamos em Surubim e fomos para a praça de eventos na frente do palco onde os shows aconteceriam. Uma tenda enorme onde estacionamos as motos a sombra, algumas vendinhas de accessórios e roupas de moto ainda estavam sendo montadas. A fome era grande pois o combinado era comermos alguma coisa no caminho mas acabou não rolando. Lembrei-me do nosso amigo Brunão e seu apetite insaciável !!! Feed Me ! Feed Me !! Eu parecia a planta carnívora do filme “Pequena Loja dos Horrores”. Procuramos uma padaria ou lanchonete no sábado dia de feira em Surubim. Muita gente no comércio popular e nada de achar um lugar para comer. Foi quando o Newton teve a brilhante ideia de irmos para o motoclube anfitrião. Segundo a tradição do evento, sempre tem um café da manhã por lá, dizia Newton. Eu achava que era roubada, afinal, quem seria doido de oferecer um café da manhã na faixa para um monte de motoqueiro em pleno sábado de manhã ? Pois num é que tinha mesmo ??? E de primeira ! Antes o João Guerra comprou um queijolão rapa-de-tacho para saborear mais tarde em casa. Eu me arrependi de não ter comprado um tijolão de queijo de manteiga daqueles para mim.

Os Three Amigos enchem a pança no café da manhão no Cowboys do Asfalto MC

Elder, Newton e JG

 

Nesse momento a experiência, o know-how, a tarimba do Newton veio mostrar seu valor. Ele conhece tudo quanto é passeio e encontro de motocicleta e sabe quais são uma boa e quais são uma furada. Fomos depressa ao que interessa e achamo a sede do Cowboys do Asfalto MC em Surubim, fundado em 2003. Fomos recebidos como irmãos, com muito carinho, atenção, diversão e muuuuita comida. O café da manhã era de primeira com frutas deliciosas, um suco de cajá de levantar defunto, café forte (no açucar) e outras variadas comidinhas. Eu passei vergonha porque comi treisveis. Na frente da sede, na rua, um par de enorme tendas abrigava os convidados de todos os tamanhos, formas, cores e sabores. Muita moto custom, muita jaqueta de couro. Clubes de moto de tudo quanto era lugar. Muita conversa, ficamos batendo papo lá nós 4, de olho na fauna exuberante que passava a nossa frente. Tinha uns que davam mesmo a impressão que eram formas humanóides. Newton nos contava dos encontros de moto e já dava as dicas de qual seria o próximo que vale a pena ir.

A promessa era que ao meio dia ia rolar uma feijoada na faixa. Aí a coisa ficou ainda mais interessante. Tomamos umas Skol. Eu fui o amigo da vez e só tomei água.

A noite anterior (sexta) tinha tido muito show e festa e a turma estava com ressaquinha. Hoje, sábado, muita gente estava chegando ainda no evento portanto a tarde ia bombar.

De repente vimos a presença ilustre do Ozzy Osbourne que foi prestigiar o evento. Um sucesso e todo mundo queria tirar uma foto ao lado da celebridade. Eu cheguei até a tirar uma foto mas apaguei a foto por engano. O João Guerra quase me mata pois é fanzão, pelo menos aparenta.

Por falar em Rock N Roll, a tarde iria ter show de uma banda ao vivo na sede do MC mesmo, além do show lá no palco. Enquanto isso, o mirim demonstra o entusiasmo. Roqueiro de verdade né mesmo ?

Head banger

Mas que Ozzy que nada. O que nos deu enorme alegria foi a chegada do Alexandre e a esposa dele. Aí sim. Alexandre saiu um pouco mais tarde e nos alcançou em Surubim. Convidamos os dois para um almoço a base de feijoada.

Alexandre, Dani, JG, Elder, Newton e Bokomoko

Alexandre, Dani, JG, Elder, Newton e Bokomoko

 

Fomos para a área VIP e tiramos umas fotos emblemáticas. Ficamos bolados, não sei porque. Acho que foram coisas que colocaram nas nossas cabeças.

Alexandre, Elder, Bokomoko, JG e Newton.

Alexandre, Elder, Bokomoko, JG e Newton.

 

Um pouco mais de Relax na área VIP e em seguida o almoço foi servido.

JG, Elder, Dani, Alexandre e Newton

JG, Elder, Dani, Alexandre e Newton

 

 

 

 

 

 

 

Todo mundo com fome, já era perto de meio dia e fomos comer a feijoada. Que delícia. O mais legal é que mesmo sendo 100% free, não tinha frescura, não teve bagunça. Todo mundo encarou a fila e se serviu. Mais uns bate papos e decidimos que já havíamos comido de graça (duas vezes), já tínhamos bebido, já tínhamos dado muitas risadas, encontramos gente famosa e nossos amigos desgarrados. Foi a chance de conhecer o casal Alexandre/Dani e apresentá-los aos amigos JG, Elder e Newton.

Nos despedimos dos anfitriões e começamos a organizar a volta. Alexandre havia deixado a moto perto do MC e as nossas motos estavam lá na praça. O Elder queria comprar um casaco novo e voltamos para as vendinhas.

Passa o cartão

Passa o cartão

Na passarela, o Maranhão

Na passarela, o Maranhão

 

Elder novamente feliz em consumir, comprou um casaco de cordura muito massa. Na foto dá para ver o KGB, que iria nos proporcionar algumas presepadas mais adiante.

Laranja caixa-preta-de-avião

Laranja caixa-preta-de-avião

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Juntamos todas as motos, agora 5 delas. As 3 F800 Gs, a V-strom de Newton e a Ténéré 66 de Alexandre. Voltamos ao MC para encontrar o KGB, que havia seguido a pé antes e deveria ter-se aprontado para pegar a estrada juntando-se a nós. Quando chegamos lá a figura ainda não estava pronta. Calçar luvas, vestir casaco, desenganchar a moto do estacionamento bizarro. Se demorar não tem problema não, a gente espera. Espera, Espera, caramba. Mas finalmente ficou pronto e lá vamos nós. Só que o KGB dana-se na frente do grupo. Quando recompactamos, ele está parado lá na frente. Começou um espetáculo bizarro de como NÂO andar em grupo. KGB atrapalhava tudo, nos forçava a quebrar a formação, não se contentava em fica no meio do grupo, queria liderar mas não fazia a faixa, ultrapassava pela direita, não mantinha distância, ultrapassava outros veículos sem segurança, ou seja, tudo errado. Estresse até chegarmos a Carpina e o engarrafamento tradicional. Encostei no JG e sugeri darmos uma paradinha na Acerolândia e ele topou. Avisei Elder, Newton e Alexandre. Deixei KGB para lá frente seguir seu caminho. Assim que paramos no Acerolândia o comentário geral foi a lambança que KGB proporcionou. Elder depois explicou que ele é gente finíssima mas tem mesmo uns problemas para entender o universo que o cerca e fila intercalada não é com ele.

Tomamos uns picolés de acerola, batemos um papinho e já nos despedimos. A pista até Recife agora é duplicada. Seguimos quase sem incidentes pela BR-408 quando perto da Arena Itaipava uma pancada de chuva forte, com o sol a pino, nos molhou. Dava para ver o sol, a faixa coberta de chuva e o sol de novo lá adiante. Encaramos e serviu para dar uma refrescada…. E sujar as motos !!! Caramba, coxinha que se presa .. .ha, vocês sabem.

Fomos para a Abdias de Carvalho. Na Chesf o grupo começou a dispersar. Elder entrou a esquerda, mais adiante Newton entrou para Afogados a esquerda, JG eu num sei por onde foi, Alexandre e eu fomos até a praça do Sport onde eu peguei o túnel por baixo, Alexandre por cima em direção a Boa Viagem.

 

O passeio não teve um centímetro de estrada de terra. Não, o acostamento não vale Newton !!. Ou seja, um típico passeio de coxinha. Me diverti mais do que imaginava mas senti ainda a falta de pegar uma terrinha. JG quase que encarava pois sugeriu um desvio pela PE-018 e voltarmos por Aldeia mas a ideia esvaziou. Não tem problema.

Lições aprendidas

  • Passeio de coxinha sim, e daí ? O que vale é a companhia dos amigos, as histórias divertidas, as tirações de onda, a chance de conhecer uma estrada que não conhecia e uma cidade idem.
  • A organização do MC Cowboys é mesmo muito boa. Tudo limpo, organizado mas sem frescura, sem pasteurização. O pessoal todo com muito style e muita fraternidade. Nos receberam muito bem.
  • Sem sombra de dúvida, o know-how de Newton sobre encontros de motos é valiosíssimo. Nos valeu um passeio maneiro com novas amizades e muita gréia.
  • O grupo já tem alguma intimidade em termos de pilotagem e cada vez mais. Isso é muito bom em termos de segurança e formação da intercalada. JG é craque em liderar e dá uma tranquilidade enorme. O passeio fica mais leve, mais rápido, mais confortável. Proponho que ele seja eleito o puxador oficial.
  • A formação é fácil de fazer mas como é difícil de encontrar. No passeio da Honda no dia do motociclista, mesmo com as orientações do pessoal da Honda, foi uma bagunça. Proponho que tenhamos umas cópias impressas da formação para darmos aos novatos ou a quem se agregar a nosso grupo nos passeios.

Agora sei porque o MOC faz tanto sucesso. O Movimento Orgulho Coxinha realmente tem uns argumentos. Mas no domingo vai ter trilha ! Preciso desintoxicar.

 

Definição motociclística do que é coxinha

Vou tentar explicar o que significa o termo “coxinha” no meio motociclístico.

It´s full of coxinhas !!!

It´s full of coxinhas !!!

Coxas, também chamados carinhosamente de “coxinhas”, são motociclistas muito queridos no universo das duas rodas. Os coxinhas (eu prefiro o termo carinhoso porque é da minha natureza, saca?), diz a lenda, surgiram quando Homo Sapiens passaram por uma mutação (alguns dizem “evolução”, outros discordam veementemente) e se transformaram no Homo HarleyDavidsonus, um ser com forma humanóide que pensa, jura de pés-junto, que anda de motocicleta. Bobinhos:)

Os Homo HarleyDavidsonus, se caracterizam por um carisma enorme, um poder de atração excepcional que os torna irresistíveis as empregadas domésticas. Para as empregadas domésticas, os Homo HarleyDavidsonus são como salgadinhos cheetos. Impossível comer um só. Ao longo de gerações, o cruzamento dessas duas raças criou um ser híbrido chamado Homo Coxinhus que é muito parecido com o seu ancestral só que dotado do mínimo senso de ridículo que o faz entender o que é moto e o que não é. Obviamente, que o sangue do H HD ainda está lá, o que faz com que os coxinhas tenham um comportamento deveras peculiar.

Assim como seus ancestrais, os Coxinhas gostam de motocicleta, só que de verdade. Mas eles gostam tanto, mas tanto das suas motocicletas, que se pudessem, as colocariam numa campânula de vidro. O amor lindo, meigo, incondicional que os coxinhas tem pelas suas motos chega a comover. Mas antes de chegar a etapa da comoção, passa pela da irritação. Coxinhas gostam de suas motos absolutamente limpas e a indústria de detergentes e materiais de limpeza automotivo, diz a teoria da conspiração, estimula esse gostar colocando substâncias químicas que causam dependência psicológica nos coxinhas, coitados. Glitter, excesso de brilho e polimento, desinfetantes e até agentes antibacterianos estão nos produtos de limpeza das motos por causa dos coxinhas. Para os coxinhas, as motos tem que ser tão limpas, mas tão limpas que é possível comer nela. Observe a preposição contraída “nela” ok ? Não é “ela”, pronome apenas. Embora alguns tenham tentado conjunção carnal de tanto amor que tem pelas motos.

Obviamente, uma moto limpa não pode ir a rua. Imagina só !! Os imensos riscos que uma moto corre ao … ir para a rua bicho ?? ? Cê tá doido ? Certamente vai sujar o pneu ! O que seria inadmissível ! Imagina se tiver uma poça dágua e uma molécula de sujeira encostar, triscar, numa carenagem ? Serão dias e dias de polimento, esfrega e estica. Estudos indicam que os coxinhas já estão usando microscópios eletrônicos com software de análise de partículas que fariam as salas limpas de montagens de discos rígidos parecerem restaurante universitário, de tão sujo digo.

Os coxinhas, de um modo geral estão mais concentrados em torno dos seus “pais”, os Harleiros, mas com os movimentos migratórios, os movimentos sociais, os movimentos peristálticos e os movimentos do “old in-out”, eles já se espalharam por todas as categorias de motocicletas. As últimas a sofrerem invasão de coxinhas foram as trails, pois trilheiro é uma raça miserável que bota a moto na lama e fica mais feliz que pinto na *PIIIIIIIIII* (efeito sonoro para censurar). Recentemente um forte movimento penetrante (ui) de coxinhas (ai) foi detectado na comunidade de bigtrails. Afinal, uma coisa que coxinha gosta é moto bonita, cara e de propósito para mostrar para os amigos. As bigtrails, entre tantas outras qualidades, servem para isso também. Principalmente as de 1200cc

Como detectar um coxinha ? É simples :
– Se chover, ele não sai de moto nem com os 666 capetas
– O trajeto típico do coxinha é de 4 a 5km, a distância da casa dele até o point onde ele se encontra com outros coxinhas
– As motos dos coxinhas são as mais bonitas
– As motos dos coxinhas são as mais limpas
– As motos dos coxinhas são as mais barulhentas (ops,,, sorry, essa é moto de tabacudo, outra categoria, perdoe o engano)
– As motos dos coxinhas NUNCA, JAMAIS, nem que o inferno congele, verão uma estrada de barro, areia, terra. Só asfalto. Isso pode ser aferido nos nomes dos motoclubes que tem a forma “<animal qualquer> DO ASFALTO”
– As motos dos coxinhas são as mais bem equipadas com acessórios absolutamente inúteis mas que dão um visual estupendo. Como disse, são as mais belas motos.
– As motos dos coxinhas são as melhores para você comprar usada pois é certeza que ela tem as 328 revisões devidamente registradas no manual do proprietário, todas feitas na concessionária mais cara da região, da qual o coxinha é amigo do dono, sogro do dono, genro do dono ou o próprio.

Mas antes de serem coxinhas, os coxinhas são motociclistas, são nossos irmãos e em 99,9% dos casos são gente muuuuuuito boa com quem você pode contar numa emergência ! Eles nunca se negarão a socorrer você em caso de um aperto com a sua moto, você só tem que esperar ele deixar a moto em casa e voltar ligeiro para acudí-lo… de carro.

Pilotar motos off-road é importante ! Ainda bem pois é muito maneiro.

As motos bigtrail tem se destacado no mercado de motocicletas ultimamente. Praticamente todas as grandes marcas tem um modelo na faixa de 600 a 1200cc. Algumas marcas entraram/voltaram ao mercado brasileiro começando com a oferta de motos capazes de encarar tão bem a terra como o asfalto. Temos ou curtimos motos bigtrail por algum entre vários motivos: Conforto, desempenho, resistência, style….

Mas ao mesmo tempo, temos que respeitar a natureza das nossas motos. Elas foram concebidas para encarar a aventura, para serem pilotadas na terra, no off-road.

Há anos venho promovendo a utilização consciente das motos bigtrail e sempre que posso tento fazer um amigo que só pilota em asfalto levar sua moto para a terra. Isso é importante porque as habilidades desenvolvidas e estimuladas ao se pilotar uma moto como as nossas em terra/areia/lama ajudam a sermos melhores pilotos no asfalto também. E não sou eu quem diz isso.

Em 2000, quando eu morava em São Paulo, tive contato pela primeira vez com o Relatório Hurt, uma compilação de uma pesquisa muito importante sobre acidentes de motos. Esse estudo foi feito nos estados unidos em 1981 e já estava datado mas ainda hoje traz informações reveladoras. Para darem uma olhada, leiam o artigo aqui. Observem a parte em que o relatório afirma categoricamente que pilotos com experiência em off-road se envolvem em menos acidentes.

Essa conclusão é particularmente interessante porque ela é compartilhada por praticamente todos os grandes pilotos. Kenny Roberts, Valentino Rossi, apenas para citar dois grandes ícones, são pilotos com grande experiência em off-road. O próprio Kenny Roberts estreou o filme “On any Sunday 2” cuja cena de abertura são 3 amigos se divertindo pilotando motos off-road numas dunas lá nos states.

Mas não só as estrelas compartilham essa opinião. Pilotos do canal On Two Wheels já desconfiavam disso mas tiveram a demonstração cabal ao participarem de uma escola de pilotagem que usa … motos 125 !! Isso mesmo, as nossas valentes TT-R 125 da Yamaha fabricadas aqui no Brasil e usadas nesse curso que aparece aí no vídeo. Por favor, prestem atenção no depoimento inicial da estrela do canal, o Zac, que é um grande piloto mas que vai logo afirmando que ninguem é tão bom que não possa aprender algo novo. E é isso que ele faz ao fazer o curso de pilotagem com um dos maiores pilotos dos EUA com suas TT-R´s 🙂 Vejam o vídeo e apreciem.

Espero que gostem. E quem não põe a bigtrail na lama, perca o medo, atreva-se, arrepie ! Você vai sobreviver e sairá da aventura um piloto melhor e mais seguro.