Os Irmãos Pressão Atacam !

Julho é um mês de chuvas aqui em Manguetown. Mas isso vocês já estão carecas de saber. Esse fim de semana fez um sol no sábado e no domingo iria rolar um passeio, “duela a quien duela”, como já dizia O Impedido. Principalmente nesse último domingo dia 20 pois meu Irmão Homero tava seco para dar uma volta de moto, um novo companheiro, o Eduardo Pitta, se apresentou e eu ainda não tinha tido a chance de pilotar a XTzona com os Karoo 3 junto com Homero. Vai ter que dar.

No fim de semana passada eu e o Jura havíamos cancelado um passeio na trilha de Nova Cruz-Monjope pois choveu demais e a lama era muito. Cancelamos a trilha depois de apenas alguns metros de trilha. Sem condições. Sendo assim, eu estava devendo mostrar essa trilha para o Jura. Mais um motivo para encará-la. Mas o trauma de se vestir todo, chegar lá e não ter trilha me fez reforçar a necessidade de ter um plano B que nesse caso é fazer trilha na areia da praia. Se começasse a chover para valer no domingo, iríamos para a Trilha do Coqueirinho, na Praia do Porto.

Cheguei no Posto Shell Lupp II da Abdias de Carvalho as 7:10 e o Pitta já estava lá com a sua XRE 300 novinha. A lanchonete ainda fechada então talvez seja melhor achar outro ponto de encontro que abra mais cedo. Um motoclube formado principalmente por motos streets de baixa cilindrada também estava lá. Outro grupo de super esportivas tinha até uma Hayabusa. Nos apresentamos, conversamos amenidades e eu decidi ligar para Homero e saber se ele viria. Ele veio de João Pessoa bem cedinho e estava pegando a moto na casa de Recife. Chegaria em breve. Jura não apareceu, perdeu a hora. Seríamos só nós 3 hoje. Os Irmãos Pressão e o convidado Pitta. Saímos as 8hs.

Seguimos pela BR-101 norte, razoavelmente livre de trânsito, até a entrada em Cruz de Rebouças, seguimos em direção ao mar e as 8:30 estávamos no início da trilha. Algumas recomendações para Pitta, que faria um off-road para valer pela primeira vez agora. Havia dado umas chuviscasdas mas decidi que iríamos até o fim. Nada de cancelar. Encaramos a trilha e as poças dágua, a lama, mato molhado. Não estava encharcado como no dia em que tentei ir com Jura mas estava escorregando. Olhava para traz e o Pitta estava acompanhando bem, num ritmo bom, mais forte até do que as BT´s de outros passeios. Realmente as motos de menor cilindrada tem desempenho muito bom em trilha e acompanham até melhor as XT´s. Trilha sem incidentes, voltamos a BR-101 na frente de Musashi e pegamos a estradinha de Monjope. Alguma lama, mas nada demais. Trilha tranquila, diria até que dava para encarar com as Madames na garupa. Quem sabe na próxima. Subimos para a serra de Aldeia, Chão de Cruz, a única parte realmente com o mínimo de adrenalina era a subida. Também sem incidentes. Agora era pegar a estrada de Aldeia e fazer uma trilha até Paudalho. Mas antes de chegar a PE-027 me perdi. Nenhum dos meus celulares tinha sinal e fiquei sem mapa (os mapas off-line ainda não estão funcionando bem). Pedimos dicas para uns caras que passaram e voltamos ao caminho certo. Muita lama, muita, demais. As motos ficaram bege. Alcançamos a PE-027 e seguimos em direção ao KM 7 onde tem o posto Ypiranga e a entrada para a estradinha que segue para a beira do Rio Capibaribe. Me perdi novamente e acabamos numa estada de asfalto (eca) por traz de Aldeia que segue em direção a São Lourenço da Mata. Chegamos muito rápido. Eram pouco mais de 10:20 quando terminamos a trilha. Ficou um gosto de quero mais.

Bom, já que estamos aqui em São Lorenço da Mata, que tal pegarmos a BR 408, seguir para Tamandaré e fazer o Plano B também ? Homero e Pitta toparam e pegamos a estrada. Paramos no posto BR da PE-060 alguns metros antes do entrocamento para Suape. Eram 11:10, fizemos um lanche, reabastecemos a moto e fomos para Tamandaré, via Praia dos Carneiros. Muito asfalto, é verdade, mas a estrada estava livre, não teve estresse. Passei no posto antes da rotatória para ver se o Tárcio ou o Jura tinham ido para lá nos encontrar mas nada feito. Depois viria a saber que Tárcio teve que atender alguns pacientes em caráter de emergência em pleno domingo. Lembro de como meus pais médicos passaram tantas vezes por isso.

Pitta estava animado e chegamos ao início da trilha que começa logo com uma ponte de coqueiros. Trilha gostosa, chão de areia (úmida) por entre a terra de altos coqueiros, Pernambuco Imortal Imortal. Lá vamos nós acelerando. Ahhhh, meus karoo 3… como vocês são deliciosos. A XT voava baixo na trilha, algumas poças dágua, alguns pequenos saltos, contra-esterçadas, derrapagens controladas. A moto estava realmente muito boa para esse tipo de terreno. Homero vinha logo atras mandando bem e o Pitta também, embora num ritmo levemente mais lento mas infinitamente mais forte do que as BT´s do Grande Passeio. Chegamos a ponte que dá acesso a praia e algumas últimas recomendações para Pitta enfrentar o areial enorme. Agora separamos os homens dos pratos de papa. Não há margem para erro e os coqueiros deitados e seus poderes de atração vão ser um perigo (pelo menos para mim). NÂO OLHE PARA ONDE NÂO QUER IR !!! Eu dizia isso para o Pitta como se dissesse na verdade para mim mesmo.

Lá fomos nós, pau na máquina, cabo enrolado e as motos levantando o véu de areia na roda traseira. Atravessamos o areial e chegamos a praia que estava surpreendentemente cheia de gente. Muuuuuuuita criança brincando na areia, tomando banho de mar e, o pior, correndo e cruzando a frente das motos. Solução é ir devagar e com calma prestando muita atenção. Chegamos a pedra do coqueiro solitário sem incidentes. Pitta estava agradavelmente exausto. Sua moto tinha dado uma pequena atolada mas ele saiu-se sozinho. Dava para ver na cara dele que tinha sido tenso.

Eis algumas fotos da gente na pedra.

Minha companheira das trilhas mais radicais.

Minha companheira das trilhas mais radicais.

Sempre bom rever nosso amigo coqueiro

Sempre bom rever nosso amigo coqueiro

Só style, 50% dos Irmãos Pressão revista a pedra do coqueiro solitário

Só style, 50% dos Irmãos Pressão revista a pedra do coqueiro solitário

Pitta satisfeito posa ao lado do coqueiro com a sua valente xre300

Pitta satisfeito posa ao lado do coqueiro com a sua valente xre300

Homero e Pitta lá Em cima

Homero e Pitta lá Em cima

 

A maré estava baixando o que deve ser aproveitado pois dá para andar mais na praia. Em caso de atolamento, dá mais tempo para um eventual resgate. Vamos aproveitar e ir até o pontal de Várzea do Una, a praia ao sul da Praia do Porto e que só é acessível através do istmo. Areia pura, deve ser uma beleza. Tiramos umas fotos lá na pontina, ao lado da Praia do Gravatá e voltamos. Eis o percurso.

A primeira parte, a ilhota do coqueiro para a pedra da praia do Porto foi moleza. O mar estava secando, apesar de muita gente na praia, a areia dura facilitou as coisas. Passamos pela praia, saímos para contornar a grande pedra. Breve trecho de barro e voltamos a praia novamente.  Aí ficou interessante. Embora a areia da praia estivesse úmida, a moto atola. Tem que que acelerar MUUUUUUITO. Pau mesmo, senão fica. E para animar, a praia tem aquelas ondulações o que torna a coisa mais divertida. Dá até para dar uns saltos. Homero foi na frente e abriu vantagem. A velocidade não aumentava, eu não conseguia alcançá-lo. Sabia que se parasse ia atolar e dar trabalho para voltar a andar novamente. Acelerei e comecei a ganhar terreno e de repente Homero parou. Se vira brother ! Vou-me embora para o pontal e a gente se encontra lá. Homero havia parado para dar uma ajuda a Pitta, que havia parado ainda mais cedo. Eu não percebi e continuei sem parar chegando ao pontal onde tirei essas fotos sozinho:

Sol a esquerda, mar a direita

Sol a esquerda, mar a direita

E o mar lá no fundo Selfie de 50% dos Irmãos Pressão Ajoelhe e agredeça

Do outra lado do rio Una, ao fundo, fica a Praia de Gravatá

Do outra lado do rio Una, ao fundo, fica a Praia de Gravatá

Quando ele chegar, 100% dos Irmãos Pressão estarão no Pontal

Quando ele chegar, 100% dos Irmãos Pressão estarão no Pontal

Faz mais de 30 anos que que não voltava a Várzea do Una. Nunca estive ali de moto, “prima volta“. Quando eu era adolescente cheguei aqui de barco, vindo de São José da Coroa Grande, mais ao sul, durante os veraneios. Muita história para contar só que agora era só farra com os amigos. Mas cadê eles ? O pontal é longo, o istmo dá trabalho, a praia é absolutamente deserta. Já passava de 13hs quando chegamos aí. A cidadezinha de Várzea do Una fica no lado de dentro do istmo, no continente. Mas não dá para ver na foto.

De repente ouço o barulho dos motores e em seguida meus companheiros chegam. Homero primeiro e depois chega o Pitta, super excitado.

Pitta faz pose com o sol ao fundo

Pitta faz pose com o sol ao fundo

 

Agora sim, os Irmãos Pressão se encontram no Pontal

Agora sim, os Irmãos Pressão se encontram no Pontal

Chegam ao pontal, Pitta exausto

Chegam ao pontal, Pitta exausto

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Sessão de fotos, relato impressionante do Pitta. Ele não imaginava que a pressão ia ser tão grande. Mas isso é o que acontece quando você anda com os Irmãos Pressão.

 

Voltamos para a pedra e no caminho o Pitta deu um mergulho com moto e tudo no mar. Uma onda o pegou de jeito mas foi só o susto. Molhou tudo e nem sequer afetou a pilotagem. Entre risadas e enxugadas, a moto ficou limpinha🙂

Mais fotos agora na pedra.

 

Após o banho de mar de Pitta. Parada para fotos na pedra de baixo

Após o banho de mar de Pitta. Parada para fotos na pedra de baixo

Lá em cima, depois de uma subida mais radical, na pedra de cima. Ao fundo dá para ver a pedra de baixo

Lá em cima, depois de uma subida mais radical, na pedra de cima. Ao fundo dá para ver a pedra de baixo

Eu e o Pitta Molhado. Mas o visual é uma beleza

Eu e o Pitta Molhado. Mas o visual é uma beleza

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Pegamos a trilha que leva a estradinha e num instante estávamos na PE-060 pertinho de Barreiros. Homero sequer parou no entroncamento e foi logo tocando para Recife. Tiramos direto e paramos num lavajato na Ribeiro de Brito onde cobraram 25 reais para tirar (muito mal) o excesso de sujeira.

No fim, rodamos 350 km, sendo que uns 200 foi de asfalto porque não planejamos bem o passeio.

Lições aprendidas

  • Planejar minimamente o passeio é essencial. Sempre é bom ter um plano B mas mudar de região radicalmente é perda de tempo. Tudo bem que o passeio no litoral norte num tava lá essas coisas, foi curto e chato. Mas também mudar diametralmente para o litoral sul foi demais. Perdemos muito tempo em deslocamento. Se é para ter plano b, que pelo menos seja no mesmo hemisfério.
  • As motos pequenas, 250 e 300 andam realmente muito bem na trilha. Como era de se esperar. Pilotos não tão experientes conseguem acompanhar sem dar vexame. Jura na Té 250 e Pitta na XRE 300 andaram conosco sem muito estresse.
  • Aparentemente, o fato das motos menores irem mais para a trilha tem os seus motivos. Muito coxinha tem pena da moto maior/mais cara.

Estou planejando fazer uma “expedição” para o Litoral Sul envolvendo todas as trilhas. Picadinho, Mata do Zumbi, alguma trilha de conexão entre Nossa Senhora do Ó e Serrambi, Outeiro e mangue de Serrambi, alguma trilha de conexão entre Serrambi e Aver-o-Mar, Trilha do Coqueirinho, Trilha da Praia de Gravatá. O pernoite será em São José da Coroa Grande. Imagino que vai ter pelo menos 2 travessias de barco. Uma de Serrambi para Aver-o-Mar e outra de Aver-O-Mar para Carneiros. Vejamos.

Até a próxima !

 

 

Um comentário sobre “Os Irmãos Pressão Atacam !

  1. Os irmãos são realmente pressão … tem que enrolar o cabo pra acompanhar !!!

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