Compre Karoo ! Compre Karoo !!

Chuva.

Um fenômeno da natureza altamente apreciado por nós nordestinos. Chuva significa fartura, significa não ter que pegar um pau-de-arara e deixar o Cariri.

Chuva.

Os futurólogos dizem que em tempo a humanidade será capaz de controlar o clima tornando a meteorologia numa ciência mais prestigiada do que a astrologia (?). Será ? A humanidade não se importa com o controle do tempo. Que se laske a humanidade. Chuva em dia de trilha é o fim da picada. Mal posso esperar pela profecia da ficção científica ser cumprida.

A semana inteira fiquei esperando para ver o Sol sorrindo, ver o sol brilhando. Quando a gente trilha, não pensa em dinheiro, só se quer ver o Sol brilhar, o Sol brilhar !

Mas dessa vez não deu. Já faz tempo que chove durante a semana mas no sábado dá uma aliviada. Chove um pouquinho no dia mas para e a gente vai para trilha feliz. Semana passada foi assim, com Homero. Choveu na hora da partida mas o céu abriu, o sol brilhou e a trilha foi boa. Hoje num teve jeito. Choveu quinta, choveu sexta, choveu no sábado de madrugada. O chão definitivamente estaria molhado. Mas tudo bem. Eu vou de Karoo !!! Hoje eu vou na XT calçada com os Karoo 3 que foram montados para o passeio de semana passada e que Iran furou (o passeio, os pneus estão zerados).

O quórum foi muito baixo. Marcado o encontro no tradicional Posto Shell da Abdias de Carvalho

Como sempre acontece, acordei as 5 da madrugada e comecei a me arrumar. Fui para o posto e cheguei lá as 6:00, uma hora antes do combinado. No caminho … nada de chuva. Tomei os dois espressos para acordar, o sanduíche natural (pero no mucho) e o todynho. Homero avisa que não virá, compromisso infanto-junino da filha o prendeu em João Pessoa. Omar e Eduardo iriam se atrasar. No problemo !!! Fico tirando onda no whatsapp do Falcão Sobre Rodas. Aí vem a péssima notícia. Gian comeu  muita coxinha ontem e  está passando mal. Não vem. Brunão só iria para o asfalto se Gian fosse com ele, ou seja, não vai. Off-Road para Brunão agora só quando os planetas se alinharem e os crash guard chegarem, ou ambos. Mais um fora. Alexandre está fazendo exame (acho que é proctológico … ou da faculdade, num lembro). Só 3 hoje vão encarar a trilha enxarcada. Well … num é muita gente mas já é mais do que na semana passada em que só foi eu e Homero. Enquanto espero, o céu desaba em baldes de chuva. Posso jurar que vi fios dágua, e não gotas, caindo do céu. Xiii .. acho que o passeio vai gorar. De repente .. SOL ! Eduardo e Omar demoram tanto que chegam com o chão já seco ! Sol-e-chuva, sol-e-chuva. Hoje vai ser interessante …

Lá pelas 8:10 saímos do posto e pegamos a BR-101 em direção a trilha do Pica-Pau. A intenção é subir para Aldeia e de lá descer para Paudalho, pegar a BR 408 e seguir para Vicência. Lá subiríamos para a rampa de decolagem das asas-delta e tiraríamos umas belas fotos. Se a chuva deixar, vai ser massa.

Logo na frente da Reitoria da UFPE encontramos um engarrafamento monstro. Não tem muita alternativa. Seja por cima do viaduto, seja por baixo, tudo paradaço. Eu vou por baixo e o triunvirato se separa. Costurando por entre os carros, finalmente chego ao ponto de estrangulamento. Um engavetamento sem maiores consequências (leia-se ninguem ferido) na BR-101 na altura de Apipucos. A pista a rigor está desimpedida. O que causa o engarrafamento é aquela “paradinha” para ver o que aconteceu. Resultado é a BR-101 engarrafada de Apipucos até a Abdias de Carvalho. Que venha o arco viário aliviando esse tráfego de caminhões.

Segui até a frente do Kennel Club onde parei para reagrupar. Não fazia ideia se Omar e Eduardo estavam a frente ou atras de mim. Liguei o walkie-talkie mas nada de contato. Decidi esperar ali pois a entrada para o Pica-Pau fica no lado esquerdo da BR-101 e tem que passar pelo pontilhão por baixo. Em minutos os companheiros chegaram. Reagrupados seguimos pela estradinha de acesso, agora asfaltada. Em breve … lama.

Sim, muita lama. Muitas poças dágua daquelas que parecem lagos. Seguimos pela estradinha do Barro Branco e ignoramos a primeira variante a esquerda, a que leva a estrada da Muribeca (agora asfaltada, eca). Passamos pela entrada do CT do Sport e pelo Sítio dos ex-jogadores do hexa do Náutico, onde Enrico Milet, meu enteado, joga bola todo sábado. A estrada estava muito molhada e com muitas poças dágua mas sem maiores dificuldades. A minha XT equipada com Karoo 3 estava realmente muito colada no chão. Os pneus são realmente muito bons para off-road. Mas deu para perceber que as suspensões da XT não se comparam com a da BMW F 800 GS … Não pude evitar e fiquei só pensando do que a negona seria capaz de fazer calçada com os Karoo 3 ..

Pegamos a segunda variante, onde a estrada vira trilha. O ritmo era lento para que Eduardo e Omar (com o pneu traseiro virtualmente slick) pudessem acompanhar. A XT estava dando show. Grudada no chão, ao acelerar se ajeitava sozinha na trilha. Uma delícia. Homero estava certo. A moto fica outra coisa com o pneu adequado para off-road. Demos umas paradas para fotos de vez em quando e seguimos pelo vale até a subida para Aldeia. Antes encontramos um monte de quads parados no bar no meio do mato. Passei devagar para ver se reconhecia alguém mas felizmente nenhum conhecido. Eles estavam em sentindo contrário ao nosso. Ainda bem pois ter que andar devagar atrás de quad no meio da trilha é o cúmulo do abuso de paciência. Cá entre nós, qual é a graça em quad ??? Assim, sem preconceito .. porque num vai de Vitara ou Jimny logo ? Ou Troller ? Tem ar-condicionado, som, dvd. Muito melhor do que ficar num implemento agrícola pensando que está pilotando algo radical. Deixa para lá.

Chegamos na subida mesmo e estava um sabão. Eu fiquei preocupado com os companheiros pois já havia subido isso com Tárcio (de garupa) e foi meio estresse. Decidi pegar a variante a esquerda, marcada pelos quads. Deve ser moleza, afinal os quads passaram. subimos sem maiores dificuldades e lá em cima decidi pegar a direita, voltando para a subida original. Quando chegamos na descida (que antes era subida) desci uns poucos metros e vi que estava um sabão enorme. Era malvadeza submeter os amigos a esse perigo. Decidi parar logo no começo e voltar. Fiz a volta pivotando a moto no descanso e subindo. Paramos para tirar umas fotos e reenergizar. Tava muito liso. Enquanto conversávamos nesse local aqui ….

 

…. uma CG 125 subia a rampa que havíamos refugado. Humilhação total. Assim não dá ! Alguém tem que recuperar a nossa moral. Omar to the rescue ! Vou descer !!!  E depois subir, que é que são elas. E lá vai Omar

 

Subida no style cool de Omar, como sempre. Decidimos então seguir para Aldeia, descer pelo mato para Paudalho e voltar pela BR 408 para Recife. Aí toca o meu celular e a minha esposa me avisa que o sogro de minha enteada (filha) morreu. Perda lamentável, eu preciso dar uma força para meu genro nessa hora dificil. Vou acompanhar os amigos até a Estrada de Aldeia e descer para Recife. Trilha abreviada para mim, mas o amigos podem continuar. Ainda assim, restam alguns KM´s até o KM 16 da estrada de Aldeia. Muita lama. Eis Omar atravessando um “lago”.

Omar na lama

Chegamos sem incidentes na Estrada de Aldeia e eu me despedi dos amigos Eduardo e Omar. Voltava para Recife e antes de alcançar a descida para Camaragibe, o céu desabou. Chuva. Muita chuva. Vejamos o lado bom, vai dar para lavar a moto. Ok, mas a água rapidamente alagou a minha bota, molhou completamente a minha roupa de trilha e eu estava úmido até os ossos. Chuva, Chuva, Chuva, peguei a entrada da Avenida Caxangá e caiu mais chuva. Era muita água, o céu completamente escuro e o dilúvio de 40 dias e 40 noites que se anunciava. Não sei se já escrevi nesse post mas tava chovendo pra caramba. E para coroar, a Caxangá completamente parada. Ainda insisti em avançar pela Caxangá até o cruzamento com a BR-101 e desisti. Entrei a direita no escritório do Wal Mart e aí .. parou de chover. Ótimo. Mas não só isso. Começou a fazer sol (!!???) What ? Isso mesmo sol a pino, um calor miserável, eu todo encharcado e a pista molhada. Quando alcancei a Avenida Abdias de Carvalho o chão já estava seco !!! Voltava para casa no Derby e abri o portão debaixo de sol daqueles de praia, céu azul  ! Isso é assim mesmo no Recife.

A trilha acabou sendo um bocado curta pois saímos muito tarde do posto Shell da Abdias de Carvalho e tive que abreviar a minha volta. As 11:50 já estava de volta em casa, molhado até os ossos mas feliz com o desempenho do pneu Karoo 3 montado na XT 660 R 2008 azul em bom estado.

Minhas conclusões sobre o pneu é que definitivamente vale muito a pena. A moto fica muito mais estável e segura no off-road. Não tem nem comparação. Em momento nenhum faltou tração e considerando que esse tipo de trilha era até um pouco mais radical do que estou pretendendo fazer significa que o pneu dá e sobra para a finalidade. Ao mesmo tempo, cheguei a conclusão que a minha ideia de radicalizar a XT 660 R para usá-la apenas para trilhas não será levada adiante. A moto é realmente muito boa, muito fácil de pilotar, tem potência de sobra para encarar as trilhas e quando calçada com os pneus Karoo 3 fica uma delícia. Agarra no chão, dá aquela derrapadinha sadia de alinhamento na trilha quando a gente acelera … mas … contudo … todavia … a suspensão da XT não é páreo para a suspensão da BMW F 800 GS. Lamento profundamente chegar a essa conclusão mas não tem como escapar. A F800 GS é realmente superior a XT 660 R inclusive na trilha, na buraqueira, nos saltos, nas subidas, nas curvas derrapando. Em tudo exceto na hora de levantar quando ela cai. Aí a XT é melhor pois são quase 30 quilos a menos do que a F800 GS em ordem de marcha.

A coisa é séria pois a XT 660 R 2008 azul e em bom estado está calçada com os Karoo 3, que são soberbos na trilha. Mal posso esperar para por esses magníficos pneus na F800 Gs e acabar de vez com a saída de traseira quando acelera. Caramba, aquele torque todo da F800 Gs com a roda traseira colada no chão deve ser um arraso !!! E a suspensão que absorve tudo, inclusive a incompetência desse piloto aqui. O conforto, a suavidade do motor, tudo isso fez eu decidir. A XT 660 r vai ser mesmo vendida, infelizmente. Dá uma pena me livrar de uma companheira de aventuras tão fiel, tão valente, tão boa como a azulada mas ela vai ser mais feliz sendo pilotada por alguém que vai fazer bom uso dela pois quando eu calçar a negona (F800 GS ) com os Karoo 3 … well … cês sabem.

Quanto ao pneu Karoo 3, excedeu a expectativa. Na lama, na areia, no barro, agarrou muito bem, melhor do que eu imaginava. Eu estava disposto a pagar um preço de instabilidade no asfalto. Não foi tão ruim quanto eu pensava. Ou seja, na trilha o pneu foi melhor do que eu esperava e no asfalto não foi tão ruim quanto é de se imaginar. Obviamente, não dá para comparar o desempenho no asfalto do Karoo 3 com os fantásticos Anakee que equipavam a azulada. Pneu bom, durável, confortável mas que na lama viravam um sabão. No asfalto os Karoo 3 são honestos, nada de excepcional. Fazem mais barulho. Aliás, bem mais barulho. A moto fica meio arisca na mudança de trajetória mas … não é um problema. É uma característica diferente, eu diria. Nas curvas, para o meu limite, eles ficaram bem. Não costumo andar rápido no asfalto pois não vejo graça alguma de modo que esse limite superior dos Anakee ou Tourance não vai me fazer falta na BMW F800 GS. Raramente ultrapassei 140km/hora na reta. Tem gente que já deu 200km/h em vias públicas com uma BMW F 800 GS. Eu acho ridículo e francamente não faço questão alguma. Meu negócio é dirt road. Acelerar em linha reta é fácil. Esses mesmo coxinhas que se gabam de ter chegado a 200km/h em linha reta fritam os freios 500 metros antes da curva.

Moral da história é que os Karoo 3 vieram para ficar na minha moto, a XT 660 R mostrou seus limites e vai ser vendida.

Lições aprendidas:

  • Pneu off-road de fato faz a diferença. Insistir em usar na trilha pneu de uso predominante em asfalto é bobeira e até perigoso. Meus tombos ridículos apontavam para isso e a trilha com os Karoo 3 acabaram por provar definitivamente.
  • Suspensão adequada para off-road também faz a diferença, enorme eu diria. O projeto da XT 660 R é de 2003/2004 e já não se pode comparar com as suspensões modernas da BMW F 800 GS.

Agora eu me sinto como aquelas crianças do comercial do Baton da Garoto …

Seu eu pudesse, faria um igual só que … COMPRE KAROO ! COMPRE KAROO !

 

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4 comentários sobre “Compre Karoo ! Compre Karoo !!

  1. Gostei muito de sua opinião sobre aproveitar o que as BigTrails tem de melhor: andar na terra… Tenho uma XT660 e gostaria de saber se compro Karoo3 150 ou 140. Qua largura l você usava nela? Obrigado, Manoel Rodrigues.

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