Trilha do Picadinho.

Mais uma semana de chuvas em Manguetown que ameaçavam o passeio do fim de semana. Homero voltou de São Paulo com dois pares de pneus Karoo 3 para colocarmos em nossas motos e assim podermos fazer trilha na terra sem medo. Os Anakee II cumpriram o seu papel. São excelentes no asfalto, são duráveis e resistentes mas chegaram ao fim de suas vidas úteis e agora nós queremos por as motos no barro.  Serão substituídos por pneus mais radicais.

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Quinta e sexta foram dias de sol enter nuvens. Chuvas fracas e rápidas melhoraram as perspectivas de trilha seca para o sábado. Na sexta, Homero me liga confirmando tudo e ate se oferecendo, junto com Tio Iran, para levar a XTzona para trocar os pneus. Que serviço bom ! Não bastasse ter comprado o pneu em São Paulo, despachá-lo para Recife (via Lara Log) ainda iria providenciar a montagem dos pneus. Verdade que para Tio Iran, tudo é festa e uma oportunidade para andar na XTzona azul é tudo que ele quer.

Postei o convite do evento no Facebook na manhã da sexta-feira mas com poucas esperanças de que algum colega aventureiro aparecesse. Tárcio ainda impedido, Gian já tinha dito que não poderia esse fim de semana. Convidar com apenas 24hs de antecedência é pedir para aparecer ninguem. Não há tempo hábil para manobrar agendas familiares, negociar com as esposas a escapada com uns amigos malucos que gostam de por a moto na lama. Ouve-se muito “Tá doido de andar de moto com essa chuva ?” Mesmo assim postei o convite pois tinham confirmados 3 pilotos: Eu, Homero e Iran.

A participação de Tio Iran nesse passeio era particularmente importante para mim. Tio Iran é o responsável por tudo isso. Foi ele quem me emprestou a primeira moto de verdade para eu pilotar. Foi dele que herdei a paixão por motocicletas quando era um menino e ele foi-me visitar em Manaus. Levar Tio Iran para passear de moto é como resgatar uma dívida que tenho com ele. Sem falar que é diversão garantida ouvir as histórias, se deliciar com as mamoadas e as interações gravitacionais não controladas.

Acordei muito cedo, por volta das 5hs da manhã e o céu não tava bom não. Muitas nuvens, mas ainda sem chuva. Enquanto arrumava o equipamento, meu celular dá um aviso sonoro de que alguém postou alguma coisa no Facebook … Era Homero já animando para a partida e postando que estava pronto.

Começa a chover. Chuviscado que vira chuva fraca e eu todo fantasiado já pensando que o passeio havia gorado por efeitos diluvianos. A chuva dá uma aliviada e me mando para o Posto Shell da Abdias de Carvalho onde encontro Homero já me esperando antes das 7hs. Eu faço um lanche rápido a base de sanduíche natural (?) e um todynho mais um café expresso para deixar os neurônios no ponto. Ficamos batendo papo até Tio Iran aparecer e nos contar que tinha que salvar o mundo, que tinha que curar o câncer, que tinha que fazer isso e aquilo e que não poderia ir conosco. Too bad. O passeio com Titio vai ficar para outro dia.

Eis nós aqui prontos para partir.

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A ideia original desse passeio era fazer, de novo,  a trilha de Nova Cruz e Monjope. Agora completamente mapeada, a trilha é uma delícia e Homero não conhece. De tanto fazê-la recentemente (Com Tárcio, com Bruno e Alexandre, depois com Omar+Eduardo+Gian) eu já estava com ela decorada. Não precisa nem de GPS. Saímos do posto, pegamos logo a direita na BR-101 e seguimos para o norte em direção a Cruz de Rebouças mas não fomos longe. Quando cruzamos a Avenida Norte Homero fez sinal. Não vai dar. Tem muita chuva pesada caindo sobre o litoral norte. Decidimos voltar pela pista local e inverter o passeio. Vamos para o litoral sul e o máximo que pode acontecer é chover do mesmo jeito. Arriscamos encontrar algum sol, quem sabe.

BR-101 lá vamos nós e quando passávamos pelo entroncamento próximo a Vitarella tive a idéia de fazer a trilha do Picadinho. Também conhecida como “Estrada Velha de Barreiros” esse caminho segue em direção ao sul mais ou menos pelo meio entre  a PE-060 e a beira do mar, cruzando uma mata belíssima chamada “Mata do Zumbi”, que diz a lenda, é tudo terra dos Brennand. Alguém por favor confirme ou não essa história. Essa estrada é antiga, de pedras e já foi abandonada há muito tempo. Eu costuma fazer trilha de moto por aqui nos anos 80 e em 2009 estive com Lara fazendo uma trilha com  a XT 660 R em direção a Praia do Paiva. Já tinha feito essa trilha com Cuca e Poliana e é muito divertida. Minha intenção era seguir para a Praia do Paiva, pegando a direita na segunda ou terceira variante depois do Rio Pirapema. Mas antes teríamos que chegar a esse ponto da trilha.

Quase 30 anos se passaram e a paisagem de Ponte dos Carvalhos é bem diferente. A rua principal que entrocava com a BR-101 agora é quase uma praça e, devido as obras de urbanização da antiga BR-101, temos que ir lá na frente e fazer o retorno para pegar a faixa no sentido Cabo->Recife e dobrar a direita numa ruazinha anterior a principal. Tudo agora é asfaltado e com lombadas. Lembro que quando fazia trilhas por aqui era todo chão batido  e os redutores de velocidade eram os buracos na rual má cuidada. A rua segue até o entrocamento da linha do trem urbano que agora segue para Suape e própria estrada Velha de Barreiros. A passagem de nível ainda está lá. Trinta anos de abuso e absolutamente nenhuma manutenção, os buracos aumentam, as pedras que formavam o calçamento mais soltas, muitas poças dáguas cheias com as chuvas recentes. Muita lama sobre as pedras e a Trilha do Picadinho de repente fica muito ruim para mim pois meus pneus são 90% para asfalto (queria saber quem é que faz essa conta) e mesmo murchos tem extrema dificuldade em obter a mínima aderência frente a lama, musgo, água, sujeira e outras substâncias orgânicas que meu asco impede de declinar o nome agora. Para complicar, começa a chover fraco mas o suficiente para manter tudo ainda mais encharcado. A moto tem dificuldade de manter-se em linha reta e as derrapagens forçam ângulos estranhos com as linhas paralelas da beira da estrada. Homero assiste a tudo isso do conforto da XT 660 R agora equipada com os Karoo 3. O meu par de pneus, comprados em São Paulo por Homero e carinhosamente trazidos pela minha mulher, foram montados na minha XT 660 R que nesse exato momento deve (supostamente) estar levando Tio Iran ao proctologista (ou era dentista?). Se eu soubesse tinha deixado a BMW com ele … Depois de uns sustos vejo que o jeito é reduzir a velocidade e só acelerar quando o chão fica só com pedras relativamente limpas de musgo. Observo que o mato havia avançado para o meio da estrada o que é um sinal de que está sendo pouco usada. Nas priscas eras em que eu fazia trilha por aqui era comum ver um ou outro carro de passeio arriscando um trecho da trilha mas agora dá para ver que a estrada foi definitivamente abandonada. Saberei o motivo logo a frente: A ponte sobre o Rio Pirapema havia desabado.

Eu não me lembrava mas já sabia que isso tinha acontecido quando fiz a trilha de bicicleta e de moto com Lara, Cuca e Poliana. Só agora caiu a ficha de que se não passa carro pela estrada, ela vai cair em desuso de vez. A alternativa para cruzar o rio é a ponte da linha de trem urbano, uns 100 metros a direita da Trilha do Picadinho. Deu para ver uma picada no mato ligando ao pé da ponte e para minha alegre surpresa, ao lado da ponte de trem tem agora uma passarela para bípedes. Que alívio pois eu me lembro que passar a moto para dentro dos trilhos e atravessar a ponte foi algo estressante tanto fisicamente (a moto pesava muito e  a BMW pesa inda mais) como mentalmente (o medo de algo dar errado e o trem passar por cima). Com a passarela vai ser moleza. A rampa de subida para a passarela tinha um contra-ângulo agudo mais nada que uma ou duas manobras com ajuda da gravidade não resolvessem. Subi na passarela, atravessei o rio e …. perdi o ponto de saída … Caramba. Deve ter outo lá na frente … Mas não tinha !!! Homero foi mais esperto e passou a XT por cima de umas sucatas de trilho para a faixa de brita da estrada de ferro. Ei fiquei preso entre o mato e as sucatas de trilho. A medida que me afastava da ponte, a falsa trilha ia ficando mais apertada e não aparecia a saída para a esquerda que me levaria para a estradinha. O trem havia acabado de passar e a moto de Homero estava mais próxima dos trilhos do trem. Melhor não dar bobeira. Parei a minha moto no mato e Homero seguiu pela brita até uma passagem de nível uns 500 metros depois. Eis a minha moto parada.

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Não dá para ver porque o mato tá alto mas aí nesse mato tem um monte de sucata de trilhos que me impediam de subir com a moto andando para a faixa de brita que aparece na foto. À esquerda da moto só tinha barranco e mato, não tinha saída para a estradinha que ficava nessa direção. Eu precisava suspender as rodas das motos por sobre as sucatas de trilho para atingir a brita e aí seguir andando. Me desculpem, mas num tem macho no mundo que consiga levantar uma F800 GS sozinho. Homero to the rescue !!!

 

Homero on the tracks

Esperando Homerogoudot Keep Walking homero

 

Lá vem o meu irmão para me ajudar. Coloquei a minha moto na trilha de brita e fomos embora para a passagem de nível.

Aqui dá para ver a altura elevada em que o trem corre. Imagino que é alto assim para evitar os frequentes alagamentos. Essa região toda é meio pantanosa.

João eurico desce da estrada de ferro e volta para a trilha

João eurico desce da estrada de ferro e volta para a trilha

 

Voltamos a Trilha do Picadinho e a lama não dá trégua. Muita água, muita pedra e pouco pneu para mim. Tava ruim, tava tenso e eu não estava gostando. Quando passamos pela entrada da variante a esquerda que leva a Praia do Paiva vi que não tinha condição alguma da minha moto passar. Se estava ruim no Picadinho, na trilha sem calçamento ia ser muito pior. Estava alagado completamente com aquela água barrenta que significa que na parte submersa só tem lama, massapê, ou seja, um sabão para os meus pneus. Seguimos pelo Picadinho e de repente a trilha acaba num acampamento de máquinas. Logo atras, a Rota do Atlântico. Lascou tudo !!! A rodovia pedagiada é cercada para evitar que espertinhos a usem sem passar pela praça de pedágio. Isso significa que não conseguiríamos entrar na Rota do Atlântico naquele ponto. Seguimos a estrada de barro (leia-se sabão para mim) e ela passava por baixo de um pontilhão, cruzando a rodovia. Do outro lado, uma estrada de barro que eu imaginei que era de serviço seguindo em paralelo a autopista.

Se pegássemos a direita, voltaríamos em direção ao Cabo. A esquerda, seguiríamos em direção a Gaibu/Suape. Homero decidiu e fomos pela esquerda. Mas vocês não fazem ideia. Homero foi na frente de Karoo 3 e eu tentando acompanhar. A moto ia de um lado a outro da estrada deslizando sobre o massapê encharcado. Um sabão. Num certo ponto eu escorreguei para fora da estrada, acelerei e milagrosamente voltei para  estrada com uns tufos de mato enganchados por toda a moto. Atingimos o asfalto na estrada PE-028. Nessa hora, eu achei ótimo voltar ao asfalto. Sinceramente, não dava para mim. O chão estava muito escorregadio. Eis a cara de Homero quando encontramos a pista.

Homero e Karoo 3

Homero satisfeito com o desempenho do Karoo 3 na trilha de lama

Partimos pela PE-028 em direção a praça de pedágio da Rota do Atlântico para seguirmos para Suape, Porto de Galinhas e Serrambi. No asfalto, boring, mas devo confessar que o pneu da BMW F 800 GS agora era melhor que o de Homero. Curvas deitando tudo, o asfalto limpo pela chuva, agora estava seco. O céu clareando, o sol aparecendo. Boring .. é verdade, mas num instante estávamos em Porto de Gallinhas, pegamos a saída para Serrambi.

Já quase no entroncamento com a PE-051 (a estrada que vai para Serrambi e Toquinho) me lembrei que havia feito uma bela trilha por aquelas bandas com o Ricardo Carvalho, o Ricardo Júnior e o Guilherme Carvalho. Era uma trilha com chão de areia … hmmmm … Areia era todo que eu precisava para melhorar a aderência. Melhor areia para o meu pneu do que barro molhado (que vira um sabão). Passamos o entroncamento e subimos a trilha de areia para o Alto de Serrambi.

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Nessa subida levei um tombo, mais uma vez, por falta de tração na roda traseira. Tá ficando monótomo. A moto precisa de força, eu acelero, ela sai de traseira  … e lá vou eu comprar terreno. Invariavelmente isso acontece com a moto quase parada. Nenhum dano, só o trabalho para levantar os 250 quilos da moto em ordem de marcha. Aproveito para capturar a subida de Homero. Vejam só

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Tiramos algumas fotos da bela vista de lá de cima. Uma igrejinha, uma estátua de uma entidade religiosa, uma torre de telecomunicações e a vista do pontal de Maracaípe.

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Tentamos descer pela trilha alternativa mas a erosão destruiu tudo. Voltamos por onde subimos e num instante estávamos lá embaixo. Seguimos a trilha de areia para a área próxima ao mangue. Aí a trilha ficou gostosa. A areia molhada fica durinha e adere ao meu pneu. Nos perdemos umas duas vezes e finalmente saímos na estrada para Serrambi. Mas antes passamos pela trilha na floresta de Mangue muito agradável.

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Fomos para a casa de Ricardo Carvalho em Enseadinha mas ele não estava lá. Então decidimos ir para a casa de Tárcio, afinal hoje é o aniversário dele e íamos dar um abraço. Mas ele estava caminhando na praia. Fomos para a praia tentar encontrá-lo.  A praia estava deserta e fomos para o Pontal de Serrambi onde tiramos umas belas fotos.

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Nade de encontrar o Tárcio. Já estava ficando tarde e decidimos voltar para Recife. Na volta, fomos pela Rota do Atlântico, agora no sentido inverso e aproveitei para localizar o ponto onde a autopista encontra a estrada ancestral, por volta do KM 33.

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Chegamos em Recife por volta de 12:30.
Conclusões: O passeio foi curto e tinha tudo para dar errado. Desde o baixíssimo quórum até a chuva, tudo atrapalhou. Felizmente a mudança de região deu certo. Pegamos muito sol e a trilha em Serrambi foi uma delícia.

Lições aprendidas:

  •  Quando chove não dá mesmo para forçar a barra com o pneu on-road. É perigoso, chato e cansativo. No entanto .. todavia … porém … a trilha de areia não tem problema algum. Pelo contrário. Fica até melhor. Isso significa que quando estiver muito molhado vamos para Serrambi ou para a Trilha do Coqueiro Solitário. Quando fizer sol, tá liberado para tudo quanto é canto.
  • O Pneu Karoo 3 parece que é bom mesmo. Mal posso esperar a chance de experimentá-lo na trilha.
  • É importante levar uma machadinha ou um facão para fazer a picada no meio do mato.
  • Ainda tem muita trilha na Mata do Zumbi.

No fim de semana tem mais 🙂

 

 

 

 

 

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Do caos a lama

Noite de quarta feira (14 de maio de 2014) em Manguetown e a greve da Polícia Militar é deflagrada. Começa o caos que dura pouco mais de 24 horas. Na manhã da sexta feira a vida volta ao normal. Será ? Normalizou mesmo ? Em outras palavras, vai dar para fazer uma trilha de moto no sábado  ? Isso é o que interessa. Não bastasse os últimos dias de chuva em Recife, ainda por cima essa greve da polícia que estimulou a bandidagem a ir para a rua.

Não andava de moto desde o dia 1º de maio quando fiz um belo passeio com o Bruno Gomes e o Alexandre Dessani até Nova Cruz. Finalmente a trilha que liga a praia até Cruz de Rebouças estava marcada de forma inequívoca. Trafegável com moto, trilha fácil.
Mas agora, sábado dia 17 de maio, longínquos 16 dias depois do feriado do Trabalhador, as perspectivas de fazer um bom passeio não eram boas. Homero está em São Paulo, Tarcio com impedimentos detranísticos (leia-se carteira de motorista emitida por engano sem a categoria A impressa), Omar sempre trabalhando no sábado. Meus companheiros não-coxinha me abandonaram. O Brunão até encarava mas já havia se comprometido a fazer um passeio 100% asfáltico para Tracunhaem. Fiquei definitivamente sozinho. Vou ficar em casa assistindo televisão. Eis que pelo Whatsapp consigo convencer Hodor (leia-se Brunão) a dar uma escapadinha no passeio asfáltico e subir a Serra das Russas pela trilha do “Esqueleto da Gata”. Agora sim ! Sendo assim, diga ao povo que eu vou para o passeio de moto no sábado. Ainda tentei cooptar o Robson mas ele ia fazer plantão no feirão da casa própria.
O ponto de encontro é o posto Ypiranga em frente a CHESF na Abdias de Carvalho. De fato é bem mais fácil de achar porém a lanchonete é muito pequena. O roteiro proposto por Odilon partia dali, parava na Tapiocaria Cabana de Taipa em Bonanza e seguia pela PE-050 até Glória do Goitá, depois PE-090 por Lagoa do Carro onde uma visita ao Museu da Cachaça, depois Tracunhaém e almoço no Panela Cheia em Carpina.
Cheguei realmente muito cedo no Posto e tomei um saudável café da manhá a base de sanduiche natural de ontem e uma caixinha de todynho. Exatamente as 7:31 chega ao posto um Gigante montado numa F800 GS branca, belíssima. Era o Gian, o primeiro a chegar. Abasteceu a moto, logo em seguida se apresentou, muito simpático. Conhecia uns poucos do grupo e veio convidado pelo Odilon. Em seguida chegou um monte de gente e a coisa animou. O próprio Odilon, o Sílvio, o Heráclio, o Casagrande, Brunão (ainda bem), João Guerra, Emerson Bueno, Newton Tenório, Elder Maranhão. Chegaram também o Mateus numa XJ6 e um outro piloto numa belíssima Fazer 600. Chegou também uma Harley Davidson, mas foi só uma coincidência. Não fazia parte do grupo.
Conversa animada, e enquanto os líderes decidiam os detalhes do roteiro eu parti para a jugular. “Brunão, você prometeu para mim que ia subir a serra comigo ! Não vai amarelar hein ?”. O Hodor Mineiro segurou a onda. Tamo nessa. Prometi ao Brunão que sairíamos do grupo, faríamos a trilha e logo em seguida nos rejuntaríamos ao grupo novamente. Trilha garantida, passei para o modo “cooptar”. E aí seu Gian ? Gostaria de fazer uma emocionante trilha no topo mais alto da Serra das Russas ? O outro gigante ficou interessado … Olha só ?! Será que faríamos a trilha a 3 ? Veremos.
Turma animada

Mesa com Elder e Rosana, Emerson Bueno, Mateus, Odilon e Newton Tenório

Brunão em ação

Bruno encara a saída da trilha

Emerson e a ST dando show

Olha a Super Ténéré no Mato !!! O Emerson encarou a trilha muito bem

Gian em ação na serra das russas

Gian mostra como é que se faz

Partimos para a BR 232 liderados pelo João Guerra. O dia era de sol entre nuvens mas sem sinal de que iria chover. Passeio tranquilo a deliciosos 100km/h quando de repente o Newton agoniado acelerou e foi cutucar o JG !! Acelera rapaz, isso tá devagar demais. JG acelerou para 120km/h !!
Cabana de Taipa alcançada, nos instalamos nas mesas e tome conversa. O grupo sempre muito simpático e ainda mais enfeitado pela presença das Myladies. Hodor, como não poderia deixar de ser, tava morto de fome. Numa das mesas mais animadas, estava o Elder sempre com o astral magnífico, Newton Tenório conversando muito como sempre e o Emerson Bueno, que eu não conhecia. Ele tinha ouvido falar de uma trilhazinha aí que ia rolar e tal … OPA ! Mais um interessado. Eu jurei de pés-juntos que tudo que falam de mim são exageros, que a trilha é “light”, que a foto que o Hugo Falcão postou no Whatsapp era só gréia, que exceto pela força de gravidade, a subida da Serra pela trilha era “moleza”. Eu nunca digo que é difícil, já perceberam ? O Emerson topou. Caramba !!!! Será que eu tô ouvindo coisas? Tendo alucinações ? Uma das Super Ténérés vai para a trilha com a gente ???? Se o Emerson for (e sobreviver) vai ser um troféu e tanto ! Num vai mais ter explicação de dono de Transalp para deixar de fazer trilha com a gente ! Se a ST faz .. a TA também faz !!!! Mas era isso mesmo, Emerson segurou a onda e vai com a gente. Já éramos 4: eu, Brunão, Gian e Emerson. Tá bom demais.
No topo, na trilha

Os 4 cavalheiros no topo da Serra das Russas: Gian, eu, Bruno e Emerson (esquerda para a direita)

Combinei com o Gian para ele ficar por último e dei um walkie-talkie para ele. A experiência na Trilha da Ilha do Coqueirinho ensinou que um par de radinhos de 40 reais pode facilitar muito os mamão-check. Um rádio no guia, um no ferrolho e estamos bem. Partimos com o grupo inteiro pela BR-232 e na bifurcação para a PE-050 nos dividimos. Os 4 cavalheiros encarando o caminho para Pombos e a subida pela trilha. Era tudo que eu queria.
Lá vamos nós a módicos 100km/h na BR 232 quando o Gigante Mineiro (num tô falando do Cruzeiro não) buzina atras de mim “Acelera ! miserávi !!” .. Oxente ? Eu já tô a 100 e o cara quer que eu vá mais rápido ? Danou-se .. é o jeito. Acelerei para 120 na saída de Vitória de Santo Antão. O Speedy Gonzales Mineiro num tava satisfeito ! Toma buzina ! Mais rápido sua paca manca !!! Danou-se !? Eu já tava com medinho mas o jeito foi acelerar para 140km/h !! Quem disse que o Brunão tava satisfeito ? Ele queria mais !! Mais rápido nessa porcaria rapaz ! Mas ainda bem que já estávamos no pé da serra. A entrada para a trilha fica no sentido Gravatá-Recife (descendo) e nós estávamos no sentindo inverso. Atravessamos para o outro lado e antes de pegar a trilha, orientação para desligar o ABS. Só que na SuperTénèrè num tem essa opção. Pegamos a trilha. Muito cascalho na trilha sinuosa e íngreme, pneus de asfalto e para completar, pilotos com pouca experiência. Mas todos passaram bem pela parte mais íngreme da curtíssima trilha. A SuperTénéré morreu num ponto particularmente chato com muito cascalho. Aí o controle de tração ajudou bastante. De uma forma tranquila a motona subiu a trilha sem maiores incidentes. Uma suavidade e facilidade impressionantes. Assisti tudo lá de cima. Muito mato, capim navalha, carrapicho, algumas erosões e chegamos lá no topo da Serra, no local da tradicional foto enquadrando as duas variantes da BR 232 subindo/descendo a Serra das Russas, com direito a ponte e tudo.
Voltamos para a BR 232, tirei umas fotos das “moto en assão” cruzando uma poça dágua que faria qualquer vigilância sanitária dar pulos. Mas o principal havia sido conquistado. A Superténéré fez uma trilha com a gente! Agora não tem mais argumento, num vai ter mais dono de Transalp dizendo que a trilha é radical demais. Se a SuperTénéré passa, a TA passa também. É viável. Verdade que o piloto da ST em questão tem quase 2 metros de altura (dos quais presumo que uns bons 1,2m sejam só de pernas).
Outro ponto positivo foi que no grupo dos 4 cavaleiros, eu era o “baixinho”. Nada mal né ? Eu tenho 1,81m
Descemos a Serra pela BR, cruzamos para o outro lado no mesmo ponto em que entramos na trilha, subimos a Serra e fomos para Bezerros. De novo o Hurried Hodor buzinando para eu acelerar ! Tive que chegar a 140 por hora ! E por vários minutos!!! Entramos em Bezerros e saímos pela PE-097, uma das estradas mais belas e mais bem conservadas de Pernambuco. Ideal para motos bigtrail e para quem gosta de asfalto. Sinuosa, sem ser perigosa. Rodeada de paisagem belíssima, ainda mais agora num inverno úmido que deixa o agreste pernambucano todo verdinho que dá gosto que nem o Luiz Gonzaga cantou em Asa Branca 2, o retorno. Pegamos a PE-095 em Ameixas e saímos do céu para o inferno. Estrada esburacada de dar dó. Limoeiro nos ofereceu uma parada para refrescar e tomar uma deliciosa água de coco. Reabastecemos as motos e Brunão manteve contato com o Elder que nos informou que o grupo já estava em Tracunhaem. Estamos indo ! Espera a gente aí. Seguimos para Carpina pela PE-090 e quando contornamos a rotatória para pegar a estrada para Nazaré da Mata nos deparamos com o grupo no sentido contrário. Paramos no Panela Cheia e degustamos uma deliciosa costela no bafo.
Já eram quase 14hs mas a fome só não era menor do que a vontade de contar/ouvir para/dos os amigos como fora o passeio. Animação geral, tiração de onda, muita gréia, boas risadas e surpresa geral da nação Bigtrail com o fato de que os 3 corajosos que caíram na minha conversa mole de fazer trilha tinham sobrevivido incólumes. João Guerra (que havia voltado a civilização depois da tapiocaria) duvidou e tivemos que mandar uma foto de Gian para ele pelo Whatsapp. O Odilon serviu de testemunha.
O saldo do passeio foi muito positivo. Conhecemos pessoalmente vários colegas com os quais só tínhamos interagido via Whatsapp ou o Portal. Consegui inocular o vírus da trilha de aventura em mais dois pilotos: Gian e Emerson. O Brunão completou a sua conversão.
Nos despedimos na escadaria do restaurante ouvindo promessas de novos passeios semelhantes.
Mal posso esperar.