Coisas a observar quando comprar uma moto usada

vende-se_moto[1]

O mercado de motos usadas oferece várias oportunidades para se fazer um excelente negócio. Motos não deterioram tão rápido quanto os carros. A manutenção das motos é mais barata, em geral, e nas categorias de motos médias (+ de 500cc) e grandes com frequência se encontra motos que foram pouco usadas. Mesmo entre as motos mais populares, existem marcas e modelos que sofrem uma desvalorização enorme. Isso torna a moto mais acessível. Mas nem tudo são flores. É preciso examinar bem a motocicleta que se cogita comprar pois ela pode ter alguma bronca séria cuja resolução pode sair tão cara ou trazer tanto aborrecimento que anula a vantagem financeira de comprar uma moto usada mais barata. A seguir a lista das coisas que devem ser verificadas antes de comprar uma moto e evitar entrar numa cilada.

1 – Procedência. Quem é o dono ? porque está vendendo ? A documentação está em ordem ? Tem alienação fiduciária ? Tá quitada ou ainda falta parcela ? Quem está vendendo é de fato o dono no papel ? Tem muitas multas ? Está licenciada ? IPVA em dia ? A maioria dos Detran´s do Brasil permitem que se faça consulta da situação da moto usando apenas a placa. Basta acessar o site do Detran do estado em que a moto está registrada. Algo assim http://www.detran.XX.gov.br onde o XX é a sigla do estado alvo. Verifique se a marcação do chassi e do motor estão claras. Se tiver a mínima suspeita de adulteração, pule fora. O fato é que hoje em dia a maioria dos problemas em compras de motos usadas é relacionada a documentação e não a problemas mecânicos.

2 – Chassi/quadro: Fique a uns 5 metros de distância de frente para a moto, coloque-a em pé e verifique, olhando por baixo, verifique se a roda traseira está alinhada com a roda dianteira. Repita o processo do lado de traz. As rodas tem que estar completamente alinhadas.

3 – Aparência geral. Verifique por arranhões/amassos no tanque, nos manetes, nos manicotos, nas pedaleiras. Verifique se os pedais de freio e marcha estão empenados ou se a tinta esta descascada nas curvas e nas soldas dos canos. Pode ter sido empenado/desempenado e a tinta lascou. Verifique as luzes, piscas, couro do banco.

4 – Motor: com o motor frio, veja se pega de primeira. Se tiver pedal de partida, experimente-o. Veja se tem algum vazamento de óleo no cabeçote ou no bloco do motor. Veja a cor do óleo do motor. Acelere mas sem abusar e ouça se o motor engasga ou se faz algum barulho diferente, se vibra de forma descontrolada em baixa rotação.

5 – Escape. Se a moto tiver um escape só, ligue o motor e tape a boca do escape com a sola do seu sapato. Veja se o barulho fica completamente abafado (bom sinal) ou se faz barulho de gas vazando por algum outro lugar. Se a moto morrer logo em seguida, desista. Veja se faz fumaça quando acelera/desacelera. Se pingar qualquer coisa do escape, desista (a não ser que seja moto 2 tempos).

6 – Direção. Verifique se os punhos do guidão estão na mesma altura, um em relação ao outro. Veja se os comandos estão funcionando direitinho. Se a moto tiver cavalete central, suspenda a moto nele, levante a roda dianteira colocando o peso no banco/roda traseira. Gentilmente esterce o guidão para um lado e para o outro e tente ver se ele gira macio ou se tem algum “ressalto”. Se tiver, desista. Pode ser rolamento da coluna do guidão e isso é bronca.

7 – Pneus. Verifique se os pneus estão muito carecas. Pelo preço que custam, o estado do pneu pode ser a diferença entre um bom e um mau negócio. Verifique se o desgaste é regular, verifique se tem algum calombo, corte, mordida, furo, mancha, protuberância, cheiro ruim, mau hálito (ops… isso é para estado de mulher, desculpa).

8 – Elétrica. Verifique se tudo funciona, luzes, piscas, buzina, alarme. Se tiver alarme, pergunte quem instalou. Se não tiver alarme, pergunte se já teve e ele tirou ou porque nunca teve e ele não colocou. Verifique a partida elétrica, se houver. Deve funcionar de primeira.

9 – Suspensão. Verifique as bengalas da suspensão dianteira se estão meladas de óleo. Se estiverem sujas, é normal, mas se estiverem meladas mesmo, é bronca. Desista. Use um papel higiênico e depois de verificar o estado in natura das bengalas, limpe-as. Em seguida, monte na moto, freie a roda dianteira e force a suspensão várias vezes, para frente e para traz. Volte a examinar as bengalas em busca de vazamentos. Se você sentir que a suspensão dianteira está estranha, desista. Faça o mesmo na suspensão traseira mas é mais dificil limpá-la porque se for bishock vai ter as molas atrapalhando e se for monoshock fica escondido. Mesmo assim, procure por vazamentos. Se fizer algum rangido maior ou algum estalo, desista.

9 – Freios. Verifique se os discos estão riscados e se as pastilhas estão muito gastas. Veja se os discos estão alinhados, girando a roda devagarzinho e comparando o disco com as pinças. Veja se os cabos de freio ou os tubos hidráulicos estão limpos. Bombeie ambos os freios e procure vazamentos mantendo o manete pressionado. Se o freio traseiro for a tambor, verifique se ele faz algum barulho de arranhado.

9 – Comportamento dinâmico  Andando com a moto procure um lugar plano e liso, sem buracos, sem muito movimento. Acelere até uns 40 ou 50 km/h e solte as mãos do guidão. Se a moto balançar ou desviar para algum lado, desista. A moto tem que manter a linha reta sem maiores dificuldades. Acelere e desacelere trocando as marchas rapidamente, faça umas reduzidas e veja se alguma marcha escapa. Se escapar, desista. Verifique se a moto engasga. Freie com veemência e veja se a moto range ou se se desloca muito o peso para a frente. Ande numa rua de paralelepípedo ou com buracos e teste a suspensão.

9 – Pintura e quadro. Soldas, remendos, arranhões são normais em qualquer moto. Uma moto que levou um tombo não pode ser condenada. Mas uma moto que levou um tombo e um ônibus passou por cima, nunca mais vai ser a mesma. Procure por soldas no quadro e/ou bandeja de suspensão. Se for coisa boba (alça de bagageiro), tudo bem. Se for no meio do quadro, desista.

Lembre-se que problemas de acabamento (piscas quebrados, buzina arranhada, tanque amassado) dá para consertar facilmente. Porém, um motor vazando óleo ou um guidão tremendo a média velocidade é bronca séria que requer uma grana alta para consertar

Anúncios

Como fazer uma tabela de campeonato de futebol – Pontos corridos

Futebol[1]

Introdução
Lá pelos idos de 2002 caiu no meu colo uma planilha Excel que calculava toda a tabela da copa do mundo de 2002, tudo automático. A planilha era uma beleza, toda decorada com as bandeiras das seleções, calculava os classificados automaticamente e fazia o mata-mata até a final. Tudo automático. Uma das coisas que me deixou mais interessado era que na primeira fase da copa a regra era de todos-contra-todos, pontos corridos e a planilha calculava e classificava os times automaticamente. Tudo isso feito sem macros. Modifiquei a planilha e me inspirei nela. Desde então passei a fazer planilhas para campeonatos de futebol. Postei num site desses de downloads e foi um sucesso. Todos os dias recebo emails pedindo a senha para alterar a planilha para campeonatos de bairro, de PES, Fifa,  vídeo game e por aí vai.

O maior desafio era fazer a planilha do campeonato Brasileiro da série A que passou a ser feito em pontos corridos com 20 times em jogo de ida e volta, 38 rodadas com 10 jogos cada, 380 jogos. Essa planilha está disponível para download aqui na versão do campeonato de 2013. A senha para alterá-la é naotem.  Esta planilha pode ser facilmente modificada para campeonatos com outros times.

Como funciona a planilha
Para quem quer entender como a planilha funciona, eu decidi escrever esse artigo e deixar aberto para discussão, dicas e truques de modo que outras pessoas podem baixar a planilha e modificá-la para seus campeonatos. Para saber como a planilha do Brasileirão de pontos corridos funciona é preciso primeiro entender quais são as regras do campeonato.

No Brasileirão temos 20 times que jogam entre si em jogos de ida e volta. A primeira coisa a fazer é calcular quantos jogos a tabela vai ter. Segundo a análise combinatória, o número de jogos de um campeonato com N times é calculado pela fórmula N * (N – 1) / 2. No caso, a Série A tem 20 times então a fórmula fica 20 * (20 -1) /2 = 20 * 19 / 2 = 380 / 2 = 190 jogos. Acontece que temos dois turnos, para proporcionar a ida e a volta. Então temos 190 * 2 jogos = 380 jogos. Tenha isso em mente quando for fazer a sua tabela do seu campeonato. Se você fizer um campeonato com todos contra todos em ida e volta pode acabar tendo uma quantidade de jogos muito grande que vai requerer muito tempo para jogar. Imagine um campeonato com 15 times de PES, em 2 turnos = 15 * 14 = 210 jogos ! Se cada jogo durar 30 minutos, estamos falando de 105 horas de jogo ininterrupto. Depois trataremos desse assunto dos campeonatos longos demais.

Agora temos que definir as regras para pontuação no campeonato. No Brasileirão a regra é clara. Uma vitória vale 3 pontos, empates valem 1 ponto, derrotas valem 0 (zero) pontos. Isso estimula os times a partirem para vitória e não se contentarem apenas com empates tornando os jogos mais emocionantes.

Depois de estabelecido o critério de pontuação é preciso estabelecer os critérios de classificação. No Brasileirão a regra é a seguinte:
Critérios de classificação
1 – Pontos ganhos
2 – Vitórias
3 – Saldo de gols
4 – Gols marcados
5 – Sorteio

Desde que o campeonato passou a ser assim, a classificação nunca precisou usar o critério de sorteio.

Com essas informações já podemos fazer a planilha para calcular tudo automaticamente, sem macros, inclusive com a classificação dos times. Exibi-los em ordem descendente de pontuação, inclusive usando os critérios de desempate caso a pontuação fique igual.

Estrutura da Planilha
Uma das coisas mais importantes quando vamos fazer uma planilha Excel é estruturar bem os dados. Colocar os dados numa disposição que facilite a elaboração das fórmulas. Quanto melhor planejarmos a estrutura da planilha, mais simples as fórmulas e cálculos serão. Com a planilha do Brasileirão a regra se aplica. A estrutura ficou assim

1 – Planilha de jogos. Nessa planilha está a relação de todos os jogos do campeonato. Nela serão informados os resultados dos jogos a medida em que eles vão acontecendo. Os jogos estão relacionados em ordem cronológica, agrupados por rodadas. Não existe preocupação maior com o agrupamento por rodadas. É só para facilitar o preenchimento. Nenhum cálculo é feito por rodada. Tudo aqui é calculado por jogo. A planilha é dividida em uma parte visível, onde o usuário irá informar os resultados dos jogos, e uma parte oculta, que calcula os pontos ganhos, gols pró e gols contra de cada time. A parte visível fica a esquerda da planilha e a parte oculta fica a direita. Para alterar as fórmulas é só reexibir as colunas da parte oculta. Aqui o pulo do gato é o ninho de SE()´s que calcula o resultado do jogo e a pontuação. O primeiro SE() testa se o jogo foi jogado. Para saber se o jogo foi jogado ou não, testa-se se o gols do time mandante (o time do lado esquerdo) e do time visitante (o time do lado direito) foram informados. Se sim, partimos para calcular quantos pontos o mandante fez e quantos pontos o visitante fez. Também calculamos os gols pró e contra do mandante e os gols pró e contra do visitante. Obviamente, se o mandante ganhou o jogo, 3 pontos para ele, 0 (zero) para o visitante. Se empatou, 1 ponto para cada, se o mandante perdeu, 0 (zero) para ele, 3 para o visitante. Parece simples e óbvio mas essa explicitação do resultado e contra-resultado facilita muito as fórmulas para somatório dos pontos de cada time. Essa planilha é editável nas colunas onde se digita os gols de cada time de cada jogo. Os times propriamente ditos, datas, etc, é tudo bloqueado para edição.
2 – Planilha de pontuação. Nessa planilha os times são relacionados em ordem alfabética. Ao lado de cada time está o sumário dos resultados de cada time: pontuação, número de vitórias, número de empates, saldo de gols, gols pró, gols contra. Essa parte do sumário dos resultados é um monte de soma.se() e cont.se() usando como critério o time relacionado e como origem os resultados dos jogos na planilha de jogos. Aqui a coluna mais importante é a coluna de RANKING que é calculada a partir das outras colunas dessa mesma planilha. Mais sobre essa coluna adiante. Essa planilha é editável nos nomes dos times. Isso significa que se você quer usar essa planilha para fazer seu campeonato, basta mudar os nomes dos times aqui. Ela trocará o nome do time em todas as abas.
3 – Planilha de classifcação. Essa planilha contém os mesmos dados da planilha de pontuação só que classificada, ou seja, o time que está melhor no campeonato lá em cima e o pior lá embaixo. A separação de cores é para denotar as classificações para a Copa Libertadores, quem vai ser rebaixado para a segundona, etc. Não tem o que editar nessa planilha. Ela é toda calculada
4 – Meu time. Essa é uma planilha em que o usuário escolhe um time e os jogos desse time serão destacados na planilha de jogos. Além disso, os jogos do time aparecem filtrados nessa planilha. Nada editável exceto a seleção do Meu Time.
5 – Carreira. Essa é uma planilha muito feia que conta a história da classificação de cada time ao longo do campeonato. O sobe-desce de cada time ao longo das rodadas. Cada time e a colocação dele no campeonato. Ela é a base para ser usada no gráfico que é muito legal e a única parte da planilha que precisa de macro.
6 – Gráfico. É a exibição gráfica do sobe-desce ao longo do campeonato. É muito legal. Você pode selecionar quais times quer ver no gráfico e pedir para exibí-lo. Não adianta colocar os 20 times de uma vez que fica muito poluído, a não ser que você tenha uma tela realmente muito grande no seu computador. Normalmente dá para exibir uns 5 ou 6 times. Para exibir o gráfico, você coloca o número de rodadas que deseja exibir na célula A1 da aba carreira e clica no botão para fazer o gráfico. Os times que tiverem um X ao lado do seu nome serão exibidos no gráfico.
7 – Início, Instruções e Revisões. São planilhas que contém apenas informações e nenhum dado é calculado nelas ou a partir delas.
Vimos como estruturar a planilha e como calcular o ranking de cada time. Agora é a hora de classificá-los e exibi-los na ordem certa. Do 1º colocado para o último.

Como classificar a tabela

Isso é feito na aba classificação. Essa aba é totalmente calculada a partir da aba pontuação, especialmente da coluna R.

A coluna R na aba de pontuação é calculada usando a função ORDEM() do Excel. Essa função é muito útil. Ela recebe 3 argumentos

=ordem( número ; lista de números ; tipo de ordem)

Ela retorna em que posição o número fornecido está na lista de números fornecida. A ordem pode ser descendente (0) ou ascendente (1). No nosso caso, usamos a função Ordem() para dar a classificação do ranking de cada time na lista de rankings de todos os times, em ordem DESCENDENTE (do maior para o menor).

Se usarmos o comando classificar do Excel para classificar a planilha pontuação, teremos a classificação. Mas isso é chato. A cada resultado de jogo, teríamos que ir lá na tabela de pontuação, marcar a área, acionar a classificação, selecionar a coluna de classificação. Uma macro pode fazer isso mas macro é chato. Muita gente desconfia das macros (com razão) e nem todo mundo entende de programação para sequer entender como macro funciona, quanto mais fazer uma. O desafio é fazer classificação sem macro. Esse assunto foi discutido em detalhes nesse post aqui. Vejamos como se aplica no caso dessa tabela em particular.

Se observarem a aba de classificação, verificarão que a coluna B está oculta. Basta ir em Exibir, e marcar a opção Títulos para ver os títulos das linhas e colunas.

A coluna B é o pulo do gato dessa aba. Ela contém um corresp() que vai buscar na planilha de pontuação o time correspondente a classificação 1, 2, 3, 4 … até 20, disponíveis na coluna A. Corresp() vai retornar um número que é o número do time na tabela de pontuação que corresponde a essa classificação. De posse desse número, é só usar a função índice() para trazer os dados da planilha pontuação para a planilha classificação.

Notem que a medida que avançamos na planilha as coisas ficam mais simples. Isso se deve ao fato de termos estruturado a planilha de forma boa, facilitando as fórmulas. Se você analisar verá que não tem fórmulas muito complexas.

Quanto custa a minha moto ?

motor-bike-money-box[1]

Uma pergunta muito comum para quem vai comprar uma moto é: Será que eu tenho grana suficiente para sustentar a moto depois de comprá-la ? Será que essa moto cabe no meu bolso ? Essa dúvida pode ser esclarecida através da avaliação detalhada de todos os itens que compõe o custo de manutenção e propriedade da moto. Ou seja, quanto custa possuir e usar uma motocicleta.

Imagine uma situação extrema em que uma pessoa compra uma moto nunca a usa. A moto fica o tempo todo parada numa garagem. Mesmo sem gastar combustível, essa moto está gerando um custo para o proprietário. O custo de licenciamento (IPVA, DPVAT, etc), o custo do seguro, o custo da desvalorização ao longo do ano, o custo de manutenção mínima da moto (lavagem, lubrificação, etc). Outros custos podem aparecer, como o custo da vaga para estacionamento da moto na residência do proprietário e por aí vai. Além desses custos “fixos”, que acontecerão quer o usuário ande na moto ou não, temos os custos variáveis.

O principal custo variável é o consumo de combustível mas existem outros com o consumo de óleo para o motor, o consumo de pastilhas de freio, o consumo da coroa, da corrente e do pinhão da transmissão (quando for o caso). Obviamente, o custo variável será tanto maior quanto mais a moto andar. Mas ao mesmo tempo em que o custo variável aumenta o custo total, ele diminui o custo fixo por km rodado pois diluirá esses custos a cada novo quilômetro adicionado ao odômetro.

Para facilitar a conta, elaborei uma planilha que calcula o custo da moto a partir de dados informados pelo dono. A planilha é simples é baseada em valores que o dono da moto vai colocar.

O primeiro valor a colocar é o preço da moto hoje em dia. Esse preço da moto será usado em duas contas: O cálculo do IPVA e o cálculo da depreciação.

O segundo valor é o preço da moto daqui a um ano. A maioria das motos desvaloriza de um ano para outro. Essa desvalorização é um dos principais custos de propriedade. Isso é particularmente cruel nas motos 0km que desvalorizam muito no primeiro ano (entre 20 a 30%). Marcas de moto com reputação ruim também desvalorizam bastante. Se a moto valorizar de um ano para outro (raro mas acontece) tanto melhor ! O custo de propriedade da moto será diminuído.

Agora informamos o valor do seguro. Se o dono não fizer seguro, é só zerar esse valor.

Em seguida informamos 4 valores relativos a manutenção:

 

  • pneus,
  • óleo,
  • transmissão
  • e freios.

 

A ideia aqui é colocar quanto custa uma troca desses itens e quantos quilômetros eles duram.

De posse desses números saberemos quanto custa por km rodado cada item desses.

Finalmente, vamos informar quantos quilômetros a moto vai rodar por semana, qual o consumo da moto e quanto é o litro de combustível. De posse desses números vamos saber quantos reais serão gastos com combustível por quilômetros rodado. A planilha então calculará quanto cada quilômetro gasta e fará a estimativa de quanto o dono irá pagar por semana, mês e ano para ter a moto.

Ficou fora dessa conta o valor da prestação do financiamento ou do consórcio. Esse valor não faz parte do custo da moto e sim do valor da moto. Seu custo na verdade é apenas os juros pagos do financiamento ou a taxa de administração do consórcio. O valor do principal e o valor do bem não são custo. Essa conta não é trivial de fazer e foge do objetivo dessa versão da planilha. Experimentem e me digam o que acharam.

Como comprar moto a prazo ? Financiar ? Consórcio vale a pena ? E poupança ?

Imagem

Quando vamos comprar uma moto uma das perguntas mais frequentes é exatamente essa. Qual é o melhor ? Comprar uma moto financiada ou fazer um consórcio ? Obviamente, essa pergunta só é feita por quem não tem a grana para comprar a moto a vista. O jeito é parcelar o pagamento da moto, mas como ?

Primeiro vamos entender como funcionam esses sistemas de parcelamento da moto.

Financiamento

No financiamento, um banco empresta o dinheiro para você pagar a moto. A loja que vende a moto para você recebe a grana a vista e ainda recebe uma comissão pela “venda” do financiamento. Portanto, negocie bem o preço de compra da moto e saiba que a loja da moto vai ganhar uma grana legal nesse negócio.

Como todo dinheiro emprestado, esse dinheiro vai pagar juros. As taxas de juros praticadas hoje em dia (fevereiro de 2012) no Brasil oscilam entre 1,9% até 3,5% e são altíssimas. Vejamos um exemplo de compra financiada. Uma moto Yamaha XTZ 250 Lander que na loja sai a vista por R$ 12.300,00 pode ser comprada financiada sem entrada. Suponha uma taxa de 2,5% ao mês e um prazo de 36 meses então teremos uma prestação de R$ 522,15. No total,  R$ 18.77,40, ou seja, 52,82% a mais do valor original da moto.

Consórcio

No consórcio é diferente. Um grupo de pessoas se junta para comprarem de forma cooperada o bem. Voltemos ao caso da Lander. Se queremos um prazo de 36 meses, juntamos 36 pessoas para comprar a moto. Cada uma dessas pessoas vai pagar 1/36 do valor da moto. No caso R$ 12.300,00 divididos por 36 dá R$ 341,66. Sai bem mais barato do que os R$ 522,15 do financiamento e aí está a vantagem do consórcio (mais detalhes adiante). Bom, cada uma das pessoas pagou o valor que lhe cabe, de forma igual. O grupo então terá todo mês dinheiro suficiente para comprar uma moto. A pergunta agora é “Quem vai levar a moto primeiro” ? Qual dos 36 membros do grupo vai levar a moto no 1º mês ? Essa pergunta é resolvida através de um sorteio. Quem for sorteado leva a moto. Uma coisa que precisa ser esclarecida é que o sorteio é só para definir quem leva a moto primeiro. Não significa que o sorteado não vai mais pagar nada. Ele continuará pagando as prestações restantes normalmente pois a contribuição dele será necessária para comprar as motos para as outras 35 pessoas. Tem gente que pensa que o sorteio quita a moto. Não é verdade. No mês seguinte, todo os 36 membros pagam a sua mensalidade, o grupo compra outra moto e sorteia entre os 35 membros restantes quem vai levar a moto. Esse processo é repetido 36 vezes, mensalmente, até todo os 36 membros receberem as suas motos.  Ok ! Já entendemos o sorteio, mas e como funciona o lance ? Para agilizar a entrega das motos, faz-se grupos com o dobro de pessoas. Assim, num plano de 36 meses faz-se um um grupo com 72 pessoas. Cada uma dessas pessoas paga 1/36 por mês e o grupo arrecada o suficiente para comprar DUAS motos por mês. Uma das motos será entregue a quem for sorteado e a outra moto será entregue a quem der o lance maior. O que é o lance ? O lance é uma promessa que um dos membros faz de ANTECIPAR o pagamento da moto. Quem antecipar mais então vai receber a moto antes dos outros. Suponha que no mês o lance vencedor foi de R$ 5.000,00. O grupo tem duas motos pagas para entregar e mais R$ 5.000,00 sobrando que são guardados numa poupança ou aplicação financeira. Suponha que no mês seguinte o lance vencedor seja R$ 4.000,00, esse valor é adicionado a poupança e aos rendimentos. No outro mês, um lance de R$ 3.500,00 vence .. opa .. olha só que interessante R$ 5.000 + 4.000 + 3.500 dá R$ 12.500,00 !! É o suficiente para comprar uma terceira moto nesse mês ! Quem leva essa moto ? O segundo lance maior ! Então nesse mês, o grupo tinha caixa suficiente para comprar 3 motos ! Acelerou a entrega em um mês, concorda ? O consorciado que pagou o lance, antecipou as mensalidades. Isso significa que o cara que deu um lance de R$ 5.000,00 adiantou algo perto de 11 parcelas e pagará apenas outras 25.  É assim que o consórcio funciona, basicamente.

Essa explicação simplificada tem fins didáticos. Na vida real, as administradoras de consórcio cobram uma taxa de administração para organizar essa suruba toda, cobrar dos membros as prestações, fazer o sorteio, tomar conta do dinheiro e obviamente remunerar o trabalho. Além da taxa de administração, as administradoras de consórcios cobram um seguro (para o caso do consorciado morrer antes de concluir o pagamento) e criam um fundo de reserva para cobrir o eventual atraso ou não pagamento da mensalidade. Somando tudo isso, o valor da prestação do consórcio fica maior do que 1/36 avos. No caso da Yamaha Lander, por exemplo, a prestação é de R$ 439,92, segundo o consórcio Yamaha. Comparada com o valor de R$ 341,66 equivale a um aumento de 28,27% porém ainda é bem menor do que os R$ 522,15 do financiamento… interessante.

Qual é o melhor ? Financiar ou fazer o consórcio ? 

A principal vantagem do financiamento é que você leva a moto na hora. Você fecha o negócio e sai com a moto. No consórcio você não sabe com precisão quando vai receber a moto. Depende do sorteio. Você pode tentar não depender do sorteio dando o lance. Vamos então comparar o lance com a entrada no financiamento.

Imagine que nosso herói, comprador pretenso da Lander, tem R$ 4.000,00. Ele pode usar essa grana como entrada no financiamento ou dar lance num consórcio. Qual é o melhor ? Façamos as contas.

Se ele der os 4 mil de entrada, vai precisar financiar apenas R$ 8.300,00 portanto a prestação cai de R$ 522,15 para R$ 352,25 nos mesmos 36 meses. Já a prestação do consórcio continua o mesmo valor.

No total, a moto financiada terá custado R$ 4.000,00 de entrada mais 36 x R$ 352,25 = R$ 16.684,60 ou seja, 35,64% mais caro que a vista.

No consórcio, se ele der os R$ 4.000,00 de lance significa que 9 parcelas serão antecipadas então a moto é quitada em apenas 27 meses. É preciso observar que o lance aumenta as chances de tirar a moto na hora mas não é uma garantia de que isso irá acontecer. Existe o risco da moto não sair. Porém, o lance só precisa ser pago se ele for o vencedor. Nosso herói pode tentar o lance de 4000 e se não ganhar, deixa ele na poupança, rende uma graninha, junta mais outra graninha e no mês que vem ele tenta de novoA desvantagem de não saber se a moto sai esse mês ou não é diminuida mas não é abolida. Se existe o risco dele demorar a receber a moto, com o lance esse risco diminui. Por outro lado existe também o risco dele ser sorteado sem dar lance algum ! Esses 4000 ele pode usar para fazer outra coisa.

Uma terceira forma de comprar parcelado

Existe uma terceira forma de pagar a moto chamada Poupança. Imagine que nosso herói deposita na poupança os R$ 4.000,00 que daria de entrada e disciplinadamente, todo mês, deposita o valor que pagaria no financiamento, no caso,  R$ 352,25. Em apenas 22 meses o nosso herói terá a grana para a moto a vista ! Ou seja, 14 meses antes do prazo do financiamento. No total, terá pago R$ 11.751,70 em vez dos R$ 16.684,60 do financiamento. Uma economia de R$ 4.932,90 !!! Quase cinco mil reais !!! Praticamente 40% do valor da moto !

Se ele depositar os R$ 4.000,00 que daria de lance e depositasse a mensalidade que daria ao consórcio, em apenas 18 meses teria o valor da moto a vista.

Só tem um problema … ele só recebe a moto depois desses 22 ou 18 meses.

Faça você sua simulação

E no seu caso ? qual é o melhor ? Como decidir ? Não existe uma resposta que sirva para todo mundo. Vai depender de várias coisas:

  1. Para quando você precisa da moto ? Imediatamente ? Pode esperar ? O prazo pode ser indeterminado (consórcio) ou pode ser fixo (poupança) ? Quanto mais rápido, melhor o financiamento, quanto mais demorado, o consórcio ou até mesmo a poupança.
  2. Quanta grana você tem para dar de entrada, de lance ou depósito inicial da poupança ? Quanto maior for a entrada, melhor financiar, quanto menor, melhor fazer o consórcio ou a poupança.
  3. Qual o valor da prestação que você pode pagar mensalmente sem comprometer demais a sua renda ?
  4. Qual a taxa de juros que você consegue junto ao banco ? Quanto menor a taxa, melhor financiar, quanto maior a taxa, melhor fazer o consórcio ou a poupança
  5. Você tem renda variável ? pode ganhar um extra de vez em quando ? Quanto mais variável, melhor a poupança. Quanto mais fixa melhor o financiamento.
Para fazer a simulação, use essa planilha em excel que eu fiz. A planilha é bem autoexplicativa mas se tiver alguma dúvida, não hesite em perguntar.