Chegou a minha XT 660 R

Quando eu tinha 13 anos meu pai me deu um Piaggio Ciao de apenas 50cc. Eu morava em Manaus e nos anos ’70 era como uma capital do motociclismo do Brasil. As motos tiveram sua importação proibida pelo regime militar e os fabricantes, mal ou recém instalados no Brasil, só fabricavam pequenas motos de 50cc ou 125cc. Em Manaus estava liberado. Tinha moto de tudo quanto era tamanho, cor e sabor. As japonesas dominavam mas o destino quis que minha primeira “moto” fosse italiana.

O tempo passou mas a paixão por motocicletas ficou. No começo dos anos 80 eu voltei a morar na terra natal, em Recife, e agora as alternativas se resumiam as motos fabricadas no Brasil: Honda CG 125, Yamaha RX 125. Tinha duas motos “trail” que na verdade eram apenas as 125 adaptadas (e mal). A Honda tinha a sua FS 125, que era uma CG com a suspensão um pouco mais longa e a Yamaha tinha a TT 125, que era melhorzinha. Aí apareceram as CB 400 da Honda, a DT 180 da Yamaha e foi por essa que me apaixonei.

As motos trail sempre me atraíram devido a sua versatilidade, facilidade de pilotar e robustez. Lia sempre a revista Motoshow, editada pela Editora 3 e que contava com um time de jornalistas franceses que conseguiam captar o espírito do motociclista. Escreviam sobre motos com paixão e graças as suas fontes na Europa, traziam notícias quentíssimas sobre os lançamentos por lá, sempre torcendo que viessem para o Brasil.

Um desses lançamentos europeus aconteceu em 1983 e se chamava XT 600Z Ténéré da Yamaha. O que mais me fascinava era a potência de 43hp (mais do que a CB400 brasileira), suspensões de mais de 235mm. Era um motão para encarar qualquer desafio. Passou a ser a minha moto de sonho mas estava longe. Essa moto só era vendida na Europa e a Yamaha Brasil estava bem com as motinhas de até 180cc.

Em 1985 comprei a minha primeira moto de verdade, uma Yamaha DT 180 N, repaginação da DT 180, um sucesso de 2 tempos da época. Foi um relação intensa que durou até 1989 com praticamente todos os fins de semana no mato, fazendo trilhas. Vendi a DTzinha para comprar um carro e me arrependi profundamente. Prometi a mim mesmo que jamais faria novamente tal coisa. Se for vender uma moto, será para comprar outra moto e sempre de cilindrada maior. O tempo passou, outras prioridades foram furando a fila e a compra da moto foi ficando para traz. Apenas em 2001, numa vida completamente nova, agora casado com a mulher da minha vida, que eu consegui comprar uma moto. Dessa vez foi uma Honda CB 500, uma moto street, contrariando a minha religião que só permitia motos trail.

Minha experiência com a CB 500 foi interessante. A moto era muito boa e sendo street percebi que pilotar motos trail não é pilotar motos. Para pilotar motos para valer tem que pilotar uma street. Moto trail é fácil demais, perdoa demais. Street é diferente. Me considerava um piloto experiente, tendo ganhado alguns enduros de regularidade com a minha DTzinha mas com a CB 500 era como voltar a estaca zero. Aprender técnicas novas, reaprender coisas que estavam enferrujadas depois de quase 12 anos sem moto, desaprender algumas coisas que a trail permitia mas que uma street não. Essa CB 500 foi uma das melhores motos que tive e aprendi muito com ela. Para viajar, por exemplo, aprendi que a cilindrada mínima é  mesmo 500cc. Também aprendi que nas belíssimas auto-estradas de São Paulo, uma moto street é mesmo um prazer. Aprendi a deitar mesmo a moto até ralar a pedaleira, coisa que se faz numa moto street com pneu de estrada. Também era muito bom andar em velocidades que poucos (quase nenhum carro) acompanhava. Era curioso estar a 180km/h numa moto e ser ultrapassado pelas superesportivas como se estivesse a 60km/h. Curti muito a CB 500 até o dia em que uma dupla de ladrões, montados numa moto que imagino era uma CBR 600 e armados com um trezoitão apontado para a minha mulher, levaram a minha CB 500 naquela rua que passa ao lado do estádio do Pacaembú e segue para a Av. Paulista. Eu chorei como um bezerro desmamado.

Passaram-se 8 anos e finalmente consegui comprar outra moto novamente. Dessa vez uma XT 660 R, refrigeração líquida, injeção eletrönica. Peguei a moto sexta-feira passada (dia 16 de janeiro de 2009) e estou fascinado novamente. A moto tem potência de sobra, é facílima de pilotar, confortável, segura, tem presença, é econömica e a suspensão é um sonho. Tenho passeado com ela e me readaptado ao estilo trail de pilotagem. Aliada a excelente potência, freios bons, tem sido uma delícia. Passo horas passeando para lá e para cá com a moto, pelas ruas de Recife.

Devido a incompetência da revenda, a moto ainda não tem placa. O despachante parece uma casa de saúde, só tem doença. É gripe, dor de dente, gravidez indesejada. O resultado é que os documentos ainda não sairam. Espero que hoje, segunda-feira, a papelada fique pronta e eu possa pegar umas estradas. Outro problema aconteceu durante a montagem e a rabeta acabou com um pequeno arranhão. Segundo a revenda, acionando a garantia resolve mas só a acionaram depois que eu observei o problema e francamente, o mesmo deve ter sido causado durante a montagem, ou seja, culpa da revenda e não da fábrica. Mas isso é pura especulação minha e o que interessa é que eu não vou pagar uma rabeta nova.

Assim que os documentos chegarem, minha idéia é partir para as estradas sinuosas do interior de Pernambuco, mais especificamente para o lado do litoral norte que eu conheço pouco. Minha esposa também não conhece e pediu-me para mostrá-la.

A moto está amaciando até os 1600 km e tem sido dificil manter a aceleração sob controle. Segundo o manual, até os 1000km, momento da primeira revisão, o acelerador não deve passar de um terço do curso. Dos 1000 aos 1600, não pode passar da metade. Depois dos 1600km tá liberado. Problema é que a moto não tem contagiros.  Surpreendente para uma moto dessa categoria mas é fato. Gozado que eu só percebi esse detalhe depois que havia feito o pedido a loja. Obviamente esse fato isoladamente não me faria mudar de opção mas não deixa de ser um aborrecimento. Já procurei saber e aparentemente não é fácil achar um acessório que supra essa falta mas ainda é cedo e eu vou investigar mais. Estou pensando em colocar umas pequenas marquinhas coloridas no punho do acelerador para ajudar e “frear” minha ânsia de acelerar. Vou caprichar nesse amaciamento porque a vida útil e a própria performance da moto a médio/longo prazo podem ser definidos nesse período. Se eu fizer 100kms por dia, serão 16 dias. Por isso que estou querendo tanto viajar para aumentar a quilometragem diária. Qualquer viagenzinha dá 100km em pouco mais de uma hora.

Sobre amaciamento, lembro o que me aconteceu com a CB 500. Antes de estar completamente amaciada, a CB 500 não passava de 140km/h. Eu fiquei superfrustrado. Adicione isso a minha não fácil adaptaçào a moto street e a sensação de que havia comprado a moto errada na época foi muuuuuito forte. Mas depois que a CB se “soltou” aí ela ficou uma delícia. Era fácil manter velocidades acima de 170km/h, desde que suportasse o vento no meio dos peitos. Isso foi facilmente resolvido com a instalação de uma bolha da GIVI. O visual ficou legal e o conforto melhorou demais. Na XT 660 R não vai ser diferente. Quando amaciada ela vai ficar ainda mais deliciosa e assim que terminar de pagar o seguro (Inacreditáveis R$ 2.000,00 !!! mais caro que o seguro do Megane) vou colocar uma bolha na XTzona.

Pretendo fazer um relato da minha experiência com a XT 660 R aqui nesse blog. Aguardem novidades.

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