Empresa socialista

Vou demonstrar que uma empresa  capitalista na verdade é socialista.

Peguemos os resultados de 2007 do grupo Odebrecht, supostamente, uma  das maiores empresas capitalistas do Brasil.

A receita bruta do grupo foi de 31,4 bilhões de reais. O EBDTIDA (lucro antes dos impostos) foi de 3,7 bilhões, nada mal.

Agora vem a parte interessante.

A riqueza econömica gerada pela empresa chegou a 10 bilhões de reais, distribuida assim :

  • 5,7 bilhões de impostos !!! (mais do que o ebtida)
  • 2,4 bilhões de salários pagos aos funcionários (maior que o lucro)
  • 806 milhões pagos aos financiadores (bancos e agentes finacneiros)
  • 585 milhões de lucro para acionistas minoritários
  • 451 milhões de lucro para acionistas maioritários (os capitalistas)

Como qualquer socialista que se preze, quem ganha mais é governo e  trabalhador e quem ganha menos são os capitalistas.

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A força dos fans na internet

Uma pesquisa apontou quais as melhores séries de ficção científica da TV. Surpreendentemente uma série pouco conhecida e de curta duração para os padrões de séries (que chegam a durar décadas) levou o primeiro lugar.

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A lista de melhores séries de sci-fi tem no topo Firefly, do Josh Whedon. É uma mistura de sci-fi com bang-bang. No futuro, EUA e China se unem para formar uma “Aliança”, uma guerra civil entre os planetas mais distantes e a aliança central divide a humanidade entre ganhadores (a Aliança) e os perdedores (Os Rebeldes ou “casacas marrons”). Parecido com o que aconteceu na guerra civil americana, alguns perdedores se tornam renegados e vagam pelo espaço atrás de bicos e trabalhos não muito ortodoxos. Jeitão de western mesmo.

A crítica sempre elogiou o seriado que tinha um formato pouco convencional. Só foi exibido em tv por assinatura, teve um piloto e 13 episódios e depois virou filme exibido nos cinemas. Para quem não acompanhou o seriado o filme é uma bomba. Para quem acompanhou, o filme explica um bocado de coisas.

O curioso é que uma série tão curto acabou arrebanhando uma multidão de fans devotos que levaram a série ao topo da lista das melhores de ficção.

Embora eu ache que Battlestar Galactica seja melhor em enredo, açào, atuaçào, efeitos especiais, pelo fato de ter durado 4 temporadas talvez tenha perdido a intensidade.

Vale a pena conferir pela originalidade, Firefly agora tem em DVD no Brasil e nas redes de Emule.

Voto nulo, o que há por traz disso ?

Diz a lenda que os candidatos do Rio de Janeiro eram tão ruins que um humorista propos que um rinoceronte do zoológico fosse candidato. Lançou uma musiquinha que fez o maior sucesso e o resultado é que o bicho  foi o mais votado tendo sido “eleito”.
O voto cacareco é um tipo de voto nulo e é uma forma de protesto contra a má qualidade dos políticos.
Hoje em dia, infelizmente, o voto de protesto legítimo é raro. De um modo geral o voto nulo é um reflexo de outras coisas além da insatisfação com a qualidade e honradez dos candidatos :
1 – Voto nulo de um modo geral hoje em dia significa mais a alienaçào política. Vota-se nulo porque não dá-se ao trabalho de pesquisar sobre os candidatos.
2 – Voto nulo é estimulado pelos setores anti-democráticos do espectro político como uma forma de denegrir o processo eleitoral convencional
Apesar de a classe política realmente ser um antro de cabras-safados, o contexto político de hoje é bem diferente dos tempos do cacareco.
Hoje o eleitor tem muito mais acesso a informação sobre o candidato, pode se instruir melhor a respeito do processo político. Ao mesmo tempo, a democracia está mais forte o que aumenta a quantidade de candidatos honestos e competentes. Na época do cacareco, para ser candidato era preciso “beijar màos” dos velhos líderes políticos criando uma teia de favores concedidos que eram depois retribuídos.
Além da evolução da democracia os próprios sistemas de controle e auditoria da atuação política estão hoje muito mais avançados do que na época do cacareco. Embora ainda seja muito frequente hoje em dia a corrupção política era ainda pior na época do cacareco pois os instrumentos de controle, auditoria e fiscalização eram muito primários.
É preciso ter uma visão crítica sobre o voto nulo. A quem realmente ele interessa ? De um modo geral, os setores mais antidemocráticos da sociedade rapidamente se alinham ao discurso do voto nulo portanto é preciso ter muita calma antes de aderir a tal falácia.

Sistemas gerenciais

O Sistema ERP – Pirâmide é um sistema de informações empresariais totalmente integrado com ênfase na apuração dos resultados financeiros das mais diversas atividades empresariais. A diferença fundamental entre um sistema ERP e um sistema específico de uma área é que o ERP foca em resultados, ou seja, quanto custou/rendeu uma atividade ?

Numa empresa industrial, aparentemente a ênfase é no controle de produção. Na verdade, a produção é apenas um meio para que a empresa chegue ao resultado esperado : Lucro. Para se apurar o resultado de uma atividade é preciso uma abordagem multidisciplinar que envolve a atividade meio em si, controles financeiros, provisionamentos contábeis e facilidades de demonstraçào de resultados.

Tomemos como exemplo uma empresa fictícia que fabrica refrigerantes. A área industrial, a fábrica, dessa empresa precisará de um sistema que apure quantas garrafas foram fabricadas, quantas tampinhas foram utilizadas, quantos litros de água, quantos quilos de açucar/adoçante, quanto de xarope, e quanto de cada componente foi efetivamente gasto. Essa apuração do desempenho fabril determinará o quão eficiente é a fábrica. O gerente/diretor industrial utilizará os sistema de controle fabril para planejar o que vai ser feito em que máquina por qual operador e quanto de matéria prima teoricamente será necessário para fabricar a quantidade planejada de garrafas de refrigerante.

Acontece que a atividade fabril de uma fábrica não é a única coisa que afeta o negócio de refrigerantes. Além de fabricar é preciso promover, vender, distribuir, entregar, cobrar, receber o dinheiro e administrar todo esse ciclo repetitivamente. É preciso conquistar novos mercados, é preciso neutralizar a concorrência, é preciso apurar o resultado de cada uma das etapas em particular e do processo todo em geral para que avalie quais açòes precisam corrigidas, implementadas, melhoradas, modificadas, seja em função de uma adequaçào ao mercado mutante, seja por força de orgão regulamentador, seja um fator interno ou externo que impele a mudança.

O sistema integrado deve ser capaz de capturar a informação fundamental que avalia o desempenho de uma atividade econômica: o resultado em dinheiro, o lucro ou prejuízo. Essa apuração é complexa e detalhada pois deve abranger praticamente todas as atividades dentro de uma empresa. As atividades diretamente relacionadas ao negócio/atividade (no exemplo venda e fabricaçào de refrigerantes) como as atividades indiretas (administrar pessoal, manter as instalações físicas, recrutar pessoas, administrar os recursos financeiros, calcular impostos, cumprir atividades burocráticas demandadas pelos orgãos reguladores, apurar os resultados em si).

Essa complexidade felizmente foi brilhantemente mapeada através da invenção de um monge franciscano chamado Luca Pacioli queinventou um negócio genial chamado “contabilidade”. Isso mesmo. A contabilidade, tào incompreendida, na verdade é o único instrumento lógico/matemático disponível há quase 6 séculos que é realmente capaz de responder a seguinte pergunta “Quanto dinheiro estou ganhando nessa atividade ?”

Essa é a pergunta que interessa para o empresário e para os acionistas de uma empresa privada. Com algumas variantes, essa pergunta é válida para qualquer atividade que envolva recursos econômicos, seja ela privada visando lucro, privada sem fins lucrativos ou pública. Embora atividades sem fins lucrativos, como a área pública em geral e alguns segmentos privados específicos, não tenham ênfase em “lucro” é importante para tais atividades saber quanto “custou” a atividade. Por exemplo, uma escola pública não dá lucro no entanto é importantíssimo que seja avaliado o custo (quanto foi pago) versus o benefício (quantas pessoas foram treinadas/educadas e qual a qualidade de tal educação). Infelizmente essa avaliação econômica da atividade pública nào é prática comum em nossa sociedade.

Entre os benefícios auferidos por um sistema integrado a empresa terá :

  • Redução geral do custo de administraçào da empresa. Administrar uma empresa significa agregar custos. Quanto menos recursos forem  necessários para tocar uma empresa, menos custo será subtraido do seu resultado tornando-a mais eficiente. Lembre-se da diferença entre agregar custo e agregar valor. Custo é o que a empresa paga, é abatido de sua margem de lucro. Valor é o que o cliente da empresa paga, aumenta a margem de lucro.
  • Maior controle da empresa permitindo saber quais os pontos críticos da operação que precisam ser melhorados e/ou modificados.Novamente o benefício é a redução de custos.
  • Identificação de oportunidades baseada no registro das operações. É possível que a empresa usuária do sistema de gestão  localize oportunidades de venda para clientes que não compram a certo tempo, ou que compram um produto mas não compram outro por desconhecimento ou falha na oferta. Essa situação tem impacto direto no aumento da receita da empresa.

Para adotar um sistema de gestão integrado é preciso que a empresa assuma uma postura de empreendimento e resolução de problemas com foco no aumento da receita e redução da despesa. É de fundamental  importância que a alta gestão da empresa, leia-se donos, acionistas majoritários, executivos de alto nível, assumam o projeto de implantaçào, prestigiem o sistema, adotem os relatórios produzidos pelo sistema como ferramentas para apoio a tomada de decisões. Um sistema integrado envolve fluxos operacionais que passam de um departamento para outro. Com frequência, departamentos dentro de uma empresa são como mini-castelinhos onde manda um reizinho. O chefe da área financeira manda em sua área e não aceita ingerência ou observações oriundos da área fabril ou da área de contabilidade, por exemplo. Essa resistência a integração dos fluxos processuais causada pela departamentalização da empresa precisa ser vencida. Isso significa que alguém com poder interdepartamental deve “bancar” o projeto, ou seja, determinar que o bem comum da empresa deve prevalecer sobre interesses locais dos departamentos. Em empresas familiares essa departamentalização é particularmente crítica pois supostamente os “parentes” teriam o mesmo nível de poder.

Em termos de infraestrutura para adoção do sistema, a verdade é que o custo de infraestrutura tem caído sistematicamente em função da redução dos preços de hardware e software básico. Um bom servidor que chegou a custar dezenas de milhares de reais hoje em dia pode ser comprado por menos de 5 mil reais, oferece performance superior e custo de manutenção e suporte mais baixo sem falar que a garantia frequentemente é extendida. O mesmo pode ser dito dos equipamentos de rede local, fundamentais para integração interdepartamental.

Hardware, software e serviços de infraestrutura de TI hoje beiram as raias da comoditização, ou seja, preços baixos, qualidade comparável entre vários fornecedores/fabricantes. Outro aspecto que auxilia muito é a padronizaçào de protocolos que permite a interoperabilidade de equipamentos de fabricantes distintos, estimulando a competição e portanto trazendo redução de preços. Com frequência, o custo de infraestrutura num projeto de implantação de um sistema nào é relevante diante do total do orçamento. Gasta-se muito mais dinheiro com a condução do processo de implantação e adequação do sistema aos processos de negócio da empresa do que com hardware.

O treinamento das pessoas que irão utiizar o sistema deve ser feito em conformidade com o avançado da implantaçào/ativação dos módulos contratados. É de fundamental importância que o usuário seja devidamente treinado antes de passar a utilizar o sistema em produção, na vida real. No entanto, esse treinamento não pode ser feito muito antes da ativação, para que a absorção dos conceitos introduzidos ao treinando sejam diluídos pelo tempo sem prática no sistema. A idéia é treinar e logo em seguida usar, para fixar o conhecimento. Por outro lado o treinamento não deve ser feito muito “em cima da hora” pois correria o risco de não abordar todos os aspectos relevantes para operação proficiente do sistema.

A estrutura a ser adotada para implantação do sistema deve ser sugerida e prestigiada pela alta direção da empresa e normalmente é baseada num comitê interdepartamental chefiado por um gerente de projeto com poder de vida e morte sobre todos os envolvidos no projeto, sejam chefes, supervisores ou funcionários. A idéia é que aspectos interdepartamentais sejam discutidos em ambiente de fórum no comitê porém o gerente do projeto terá postura proativa para fazer as coisas acontecerem. Embora os comitês sejam instrumento bastante útil para que opiniões diferentes e situações de mútiplos departamentos sejam discutidas em debates, eles pecam por tornarem o processo decisório mais demorado. Por isso que essa estrutura mista de colegiado democrático e gestão autocrática traz o melhor dos dois mundos.

Superado o processo de implantaçào, é preciso manter o sistema funcionando. Os processos da empresa precisam se adequar as novas realidades e desafios que ela enfrenta. A empresa enfrenta mudanças impulsionadas pelo mercado, pelos concorrentes, pelos fornecedores e até pelo governo com a forte regulamentação. Outras mudanças precisam ser impulsionadas pela própria gestão da empresa. De um modo geral, quando a própria gestão promove/conduz a mudança ela obtém mais sucesso. Quando as mudanças são impelidas por fatores externos na verdade e empresa está “reagindo” ao novo cenário do mercado, ou seja, a mudança está sendo promovida/conduzida por um concorrente. A disciplina de melhoria contínua deve envolver o controller da empresa e a alta gestão. Processos precisam ser constantemente avaliados para que desempenhos possam ser melhorados.

 

Boas notícias na educação pública

Boas Notícias na educação
  Duas coisas boas :
primeiro a velocidade em que a qualidade do
ensino vem melhorando – A 10% ao ano dá para recuperar a qualidade
dentro de pouco tempo.
  segundo que a melhor velocidade é no Nordeste, onde a distribuição
de renda é pior, ou seja, onde a necessidade de educação é maior.

Os nordestinos e os concursos públicos federais

Tenho ido com muita frequéncia a Brasília e encontrado com muitos
amigos/colegas do nordeste que foram transferidos ou aprovados em
concursos públicos na capital federal. Segundo o testemunho deles, a
maioria dos aprovados nos concursos públicos de uns anos para cá são
nordestinos. Achei o fato interessante e fiquei curioso sobre quais
seriam as causas.
  Se pararmos para pensar faz muito sentido. As oportunidades no setor
privado do nordeste são bem menos atraentes e bem menos numerosas do
que no centro sul do país. Isso significa que uma pessoa
inteligente, capacitada e competente consegue um bom padrão de renda
nos estados mais ricos trabalhando no setor privado. Já no NE é mais
dificil porque não tem tanta oportunidade assim, os salários
normalmente são menores e os cargos mais bem remunerados estão mais
próximos das centrais de poder que ficam lá no sudeste mesmo. Sendo
assim, o pessoal bom acaba indo para o setor público que tem pago
muito bem, dá estabilidade, uma série de benefícios e o nível de
estresse é bem menor. Sem falar que se o cara num quiser trabalhar
vai ter problema nenhum.
  Tem um lado bom e um lado ruim. O lado bom é que com a nordestinada
concursada que num tem rabo preso com cargo político nenhum,
profissional, sangue novo e com intenção de mudar para melhor o país
passa nos concursos dos orgàos federais, a tendência é que as
políticas públicas sejam inclinadas para promover o desenvolvimento
do nordeste diminuindo o desequilíbrio regional. Se prevalece o
espírito de desenvolvimento do setor privado estimulado por
políticas de estado (e não de governo) aí a região vai se dar bem.
  O lado ruim é que os melhores talentos acabam indo para o serviço
público em detrimento do setor produtivo, que continuará importando
mão-de-obra de outras regiões. O risco é ver o nordeste tendendo a
depender mais de governo e empreendendo menos, dependendo de
iniciativas privadas que verão a região como consumidora e não como
produtora. Se prevalece o corporativismo do serviço público, a longo
prazo a região tá ferrada.
  De qualquer forma, a instituição do concurso público como única
forma de ingresso no serviço público começa a dar resultados. Há 20
anos que só se torna funcionário público por concurso, sem rabo
preso. Agora essa nova geração de fp’s está chegando ao poder e
tirando os adpetos do clientelismo, profissionalizando a gestão. O
país todo ganha com isso. Vamos torcer para o NE ganhar um pouco
mais 🙂