Oracle (dona do Java), avisa: O uso gratuito do Java subiu no telhado.

Como a maioria deve saber, a linguagem de programação Java surgiu dentro da Sun em meados da década de 90 e prometia ser a linguagem universal para programar desde console de video-game até aspirador de pó. A vida real tinha outros planos para essa linguagem fabulosa que virou a principal linguagem para desenvolvimento de sistemas aplicativos nas corporações. Estima-se que 30% de tudo que é de software aplicativo novo no mundo dos negócios é escrito em Java, deixando o resto para ser escrito em todas as outras linguagens sendo que nenhuma outra chega a 10%. Ou seja, Java é um sucesso.

Mesmo sendo propriedade da Sun, Java parecia ao mundo como se fora de domínio público, uma linguagem “sem dono”, ao contrário do Visual Basic, por exemplo, que é da Microsoft uuuuuu, vade retro satanás! Ter que pagar por uma linguagem ?? Nem pensar. A Microsoft era demonizada e o Java era louvado.

O tempo passa, o tempo voa e a … Oracle .. quem diria … engoliu (comprou) a Sun, com casca e tudo. Detalhe, bancos de dados Oracle já podiam ser programados nativamente em Java antes da aquisição. Foi o maior auê na época. A Oracle comprando um fabricante de hardware ? Well, faz sentido. Agora a Oracle pode fornecer um pacote de superservidores de banco de dados envolvendo software e hardware de primeira. Mas será que era por isso exatamente que a Oracle estava disposta a pagar 7 bilhões de dólares pela Sun? Por um fabricante de hardware ?? Será que foi isso gente? Eu acho que não. Oracle estava de olho era no Java, que há 10 anos em 2008 já despontava como a linguagem corporativa por excelência. O auê só aumentava. Qual vai ser o futuro de Java ? Vamos poder continuar a fazer programas em Java e vender nossos programas ? E o software livre feito em Java ? Vai deixar de ser livre ?

A Oracle apressou-se em acalmar a indústria de software e jurou de pés juntos que tudo ia continuar como antes e que a Oracle iria dar ainda mais apoio e investir ainda mais dinheiro no desenvolvimento da linguagem Java. Os gritos de “linguagem com dono não serve para o domínio público” voltaram-se contra a linguagem Java. A Oracle pratica políticas de licenciamento tão ou mais leoninas do que a Microsoft. E agora ?? Os debates nos fóruns pareciam embates religiosos. Alguns defendendo Java, outros avisando para pularem fora pois era só uma questão de tempo para a Oracle começar a querer organizar essa suruba que faziam (fazem) com a linguagem DELA. Apesar do bafafá, tudo continuou como dantes no Quartel de Abrantes. Apesar da invasão napoleônica (alguém duvida que a Oracle, assim como Pinky e Cérebro, quer dominar o mundo?) feita pela Oracle a terra do Java, de fato, pouca coisa mudou. Tecnicamente, mudou bastante e para melhor. Java hoje é ainda mais rápida e poderosa, as ferramentas de desenvolvimento estão maduras, os frameworks estão maduros e existe um fw adequado para cada coisa possível de se imaginar de ser feito com Java. A galera javiana se acalmou, a vida seguiu …. o tempo passou. O tempo passa, o tempo voa e a poupança Bamerindus … não existe mais. Só os mais velhos vão entender. O tempo passou e eis que …

A Oracle manda um aviso. Vejam aqui

O gato subiu no telhado. Os termos do aviso são ..”estranhos”, digamos assim. Explicitamente o que se lê é que “se você é um CONSUMIDOR que usa Java para uso individual ou pessoal, você continuará a ter o mesmo acesso aos updates como você tem hoje em dia pelo menos até o fim de 2020“. Como é que é ??? Que papo é esse de “pelo menos até 2020” ? Pois é pessoal! O suporte “gratuito” pelo jeito subiu no telhado….

E tem mais!

Se você é um DESENVOLVEDOR … a Oracle recomenda que você reveja a sua estratégia de como vai continuar distribuindo o seu software ….

E tem ainda MAIS !!!

Se você é uma empresa/corporação, reveja ainda mais detalhadamente pois vai precisar adquirir uma licença comercial do Java!!!!! Ou seja, além de pagar para o desenvolvedor do software, a empresa vai ter que pagar para a Oracle uma licença para rodar/desenvolver qualquer coisa em Java.

Então, meu caro, …. aquela  brilhante ideia de desenvolver um aplicativo em Java que iria trazer toneladas de dinheiro para você … precisa ser revista pois a Oracle já avisou que vai querer a parte que lhe cabe nessa farra.

 

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Uma breve história da Internet

Em meados dos anos 60 pesquisadores conseguiram fazer com que um computador num site conseguisse mandar dados para outro computador em outro site. Observer, era uma ligaçao ponto-a-ponto. Isso por si só já foi um sucesso.

Logo em seguida, os pesquisadores cogitaram interligar outro ponto ! E como manter os 3 ligados ao mesmo tempo  ? O ponto A se liga ao ponto B. O ponto B se liga ao ponto C. Tem como A mandar/receber dados para C ? Essas perguntas ao serem respondidas criou a ideia de rede de computadores.

Naquela época, computador era muito caro e só grandes corporações ou o governo tinham a grana suficiente para ter computadores e operá-los. Não só era caro de comprar como era caro de manter funcionando.

Com o advento da comunicaçao entre computadores, as corporações logo logo partiram para interligar suas sedes remotas. Obviamente, como eram corporaçoes, estabeleceram as suas redes para uso próprio. Eram as redes proprietárias. Cada grande corporação montava a sua. Os fabricantes de computadores viram a grana que tinha aí nesse negócio e criavam protocolos proprietários que “fisgava” as corporaçoes clientes. Uma rede de computadores da IBM dificilmente falava com uma rede de computadores da Burroughs (antigo forte concorrente, hoje Unisys). As redes proprietárias se propagavam nas corporaçoes. A ênfase dessas redes era a velocidade, mesmo que a custo alto, e os fabricantes de equipamentos pensavam que se criassem redes proprietárias, impediriam as corporações clientes de trocarem de fabricante, uma vez a rede estabelecida seria muito dificil trocar de um fabricante para outro.

Já o governo era diferente. As pesquisas patrocinadas pelo governo abrangem várias áreas distintas e várias faculdades, centros de pesquisa, até corporações. Cada uma dessas entidades tinha um computador de um fabricante/modelo diferente. Isso fez com que as redes estabelecidas e/ou patrocinadas pelo governo fossem mais plurais, diversas e por isso tinham que ser capazes de interligar equipamentos de fabricantes diferentes. Os protocolos então eram abertos, ou seja, qualquer um poderia aderir a rede desde que utilizasse o protocolo já conhecido e divulgado. Essa foi a primeira onda da internet. A adesão massiva dos centros de pesquisa, associados a uma universidade, independentes ou associados a corporaçoes. Além das agencias governamentais. Essa internet era “grátis”, digamos assim. Era bancada pelas verbas de pesquisa.

AO mesmo tempo, uma boa parte das pesquisas patrocinadas pelo governo dizia respeito a defesa (pesquisa de armamentos). Em caso de guerra, o governo queria que a rede fosse resiliente. Se um pedaço da rede fosse destruído num ataque nuclear, o resto da rede deveria permanecer funcionando.

Essa rede com essas características se chamava ARPANET e é a “mãe” da internet que conhecemos hoje em dia.

No início a ARPANET só interligava centros de pesquisa e orgãos do governo. Acontece que em várias pesquisas, havia participaçao do setor privado. Grandes corporações tinham que se ligar a essa rede de pesquisa para facilitar os contratos de construçao/desenvolvimento das armas pesquisadas. De repente, as corporações perceberam que estavam ligadas a outras corporações  através da rede e começaram a usá-la para outros propósitos que não o de comunicação direta com os centros de pesquisa.

Imagine que a IBM se liga a um centro de pesquisa para um projeto aí. Agora imagine que Microsoft se ligou a outro centro de pesquisa para um outro projeto. Através da rede a qual estão ligadas, a IBM pode se comunicar com Microsoft, dispensando uma ligação direta IBM-Microsoft. Esse é um exemplo fictício (plausível) com fins didáticos.

A medida que as corporaçoes perceberam isso, começaram rapidamente a se ligar a internet. Sim agora ela já se chama internet. Em pouco tempo, o número de corporações que se ligavam a rede sem que tivesssem algum envolvimento direto com pesquisa se tornou maior e velocidade de crescimento da internet começou a acelerar vertiginosamente.  A segunda onda da internet, a internet  corporativa, estava a plena velocidade. Para acessar essa internet sem estar envolvido em pesquisa … tem que pagar. Surgiu a internet paga. Na época foi a maior polemica.

Na década de 90 inventou-se o acesso discado a internet. Utilizando a tecnologia dos modens analógicos já disseminada entre os entusiastas dos microcomputadores que os usavam nos BBS (assunto interessantíssimo, recomendo) o microcomputadores começaram  a invadir a internet. O usuário comum, o cidadao, o profissional, o estudante, a pessoa física agora pode acessar a internet a partir do seu computador de casa. Esse boom durou até a segunda metade dos anos 2000.

Em 2008 começou a terceira onda da internet. O Mago Steve Jobs lançou o Iphone, o primeiro smartphone realmente viável e capaz de um uso bom de internet. A partir daí, a internet móvel, que até já existia mas era ruim demais, foi impulsionada e essa onda foi a que proporcionou a maior adesao de pessoas a internet. Dificilmente será superada em termos de quantidade absoluta de gente passando a acessar a internet. Se antes precisava de um computador e estar em casa/trabalho/escola, agora basta um celular metido a besta e o usuário pode acessar em qualquer lugar. Na rua, em casa, na casa da namorada/namorado (se bem que pra que né ?).

A quarta onda é a que estamos vivendo agora e é a onda da IoT, Internet of Things. Não basta o cidadão estar ligado a internet o tempo todo. As coisas dele também estarao ligadas. A casa, o carro, os aparelhos eletrodomésticos, os equipamentos do trabalho. A IoT será a onda que vai proporcionar o maior crescimento de hosts na internet embora a maioria absoluta de tais hosts não serão operados diretamente por humanos.

Segundo Raid Lucena-Pipa

O litoral do Nordeste é cheio de atrativos e uma das formas mais interessantes de conhecer tais atrações é fazendo turismo de aventura com motocicleta. Ir de moto a lugares que de outra forma ficariam mais difíceis de chegar.

O Raid Lucena-Pipa é isso. Uma aventura partindo da cidade de Lucena, do outro lado do rio no Pontal de Cabedelo, e seguindo até a praia de Pipa no Rio Grande do Norte.

O grupo dos Tatus Manguetown já tinha feito esse passeio com cerca de 10 motos entre membros e convidados. Todos eram experientes pilotos de off-road e depois de uma noite de farra na casa de Homero em Cabedelo saímos de manhã e chegamos as 15hs em Pipa. Isso foi em setembro de 2016.

Agora em fevereiro de 2018 a missão é levar alguns Amigos Coxinhas.

Convites feitos e entre aceites e desculpas amareladas para não ir o grupo formado ficou com Eu e Lara (F800gs), Eloy e Gabriela(F800gs), Demetrius (Ténéré 250), Laplace(F800gsADV), Rodolfo (F800gs) e Luciano de João Pessoa (F800gs, irmã gêmea da Mítica Black Mamba).

O clima estava  bem chuvoso. Nos últimos dias tinha chovido bastante e a previsão para o fim de semana era de mais chuva. A ideia era partir de Lucena na manhã do Sábado e seguir para Pipa e chegar lá pelas 16hs. O ponto de encontro é a balsa de Cabedelo-Lucena. Luciano que mora em João Pessoa e eu (que vim para Jampa na noite anterior) nos encontraríamos com o resto do grupo que veio de Recife logo cedo.

Apesar da chuva as perspectivas para a trilha eram boas. O percurso é praticamente todo plano e o solo dessa região é muito arenoso. Devemos pegar algumas poças de água mas não vai rolar muita lama pois simplesmente não tem. O solo dessa região é normalmente areia e de vez em quando um barrinho misturado. Areia de praia molhada é até melhor.

Pegamos a balsa as 9hs e começamos a aventura.

Desembarcamos da balsa e Demetrius seguiu liderando a trupe. Fomos em seguida para a Igreja da Guia para tirar as tradicionais fotos. O chão estava bem molhado e sem maiores dificuldades.

 

Abbey Road style. Não percebi mas essa marcha seguia em direção ao cemitério 🙂

Confissões feitas, promessas de se comportar e seguimos em direção as Ruínas de Bonsucesso.

Nessa foto dá para perceber que o tempo estava muito nublado e com chuva intermitente. A trilha promete aventuras.

Ruínas de Bonsucesso ficam numa trilha muito bonita por entre uma floresta em terreno de areia. Muitas poças dágua mas nada de lama ainda.

Nesse trecho já deu para perceber que alguns colegas estabeleceriam alguns latifúndios a partir de compra de terreno. Ou seja, quedas e tombos em profusão. Nada sério mesmo porque a velocidade era muito baixa. Começa o desgaste de energia para levantar as motos F800gs adv repetidas vezes.

Depois das Ruínas, temos que ir a Falésia que dá uma vista magnífica da foz do Rio Miriri, lá embaixo.

Pegamos a trilha novamente agora em direção a Rio Tinto. O rio Mamanguape tem em sua foz uma área de preservação reservada para berçários de bebês de peixe-boi marinho. Não tem ponte sobre o rio a não ser bem no interior próximo a Rio Tinto. Barcos a motor não podem navegar na barra do rio portanto não tem balsa nem jeito seguro de cruzar o rio no litoral para a próxima praia que é Baía da Traição. O jeito é desviar a trilha para o interior, ir a Rio Tinto e pegar um trecho de asfalto (ECA!) até a praia e retomar a trilha então.

Fizemos isso debaixo de chuva fina e constante. Pegamos a trilha novamente ao norte da cidadezinha de Baía de Traição. Essa trilha, a rigor, é a PB-008 que ao norte de Cabedelo existe apenas como uma estradinha de terra que em alguns lugares não passa de uma trilha mesmo.

Chegamos então em Barra de Camaratuba para a segunda travessia de balsa do percurso. O mar estava muito seco porém já estava enchendo. A balsa não estava no local de partida e tivemos que avançar sobre o areial do leito do rio até bem próximo da barra.

Duas motos atolaram, a de Eloy e a de Laplace. Voltei a pé para ajudar e acabei trazendo a moto de Laplace para a balsa. Sem capacete! Que coisa feia!!!

A trilha até então estava tranquila e só com pequenos sustos (escorregadas) e tombos com as motos paradas. Nada demais.

Na minha inocência, o trecho mais fácil viria a seguir. A praia plana com maré baixa entre Barra de Camaratuba e Barra de Guaju. O trecho tem cerca de 12 km de areia de praia só que a maré estava enchendo … aí a areia molhada vira areia movediça.

trecho camaratuba guagu

Eu estava com garupa e apesar da areia estar meio fofa, percebi que o melhor a fazer é acelerar para não pegar o trecho entre Guaju e Sagi (o pior de todo o raid) com a maré muito alta. Acelerei com Lara na garupa imaginando que os amigos não teriam mais dificuldades pois a praia plana, areia dura … me enganei.

Cheguei a balsa de Guaju sem dificuldades e esperei pelos amigos. Nada.

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Começaram a demorar mais do que seria razoável. Alguém levou alguma queda ou atolou e eu simplesmente não conseguia conceber como. Praia lisa ? Como pode ter dado problema. Mal sabia. Na balsa uma Titan 150 de um nativo seguia em sentido contrário. Pedi para ele avisar aos amigos que estava tudo bem comigo e que eu os aguardava do outro lado do rio. Saberia depois que o emissário alcançou Eloy e deu o recado.

Atravessei o rio e me dirigi a praia com Lara na Garupa. A maré já estava enchendo muito. A areia estava realmente muito fofa e na primeira tentativa a moto saiu derrapando de um lado para outro e a cerca de 30km/h deu uma enterrada total. A frente da moto ficou completamente coberta de areia. Sem condições de fazer o trecho até Sagi com garupa.  A maré já estava enchendo para valer e a janela de tempo ficou muito estreita. A praia ficaria alagada com a maré alta. O jeito é seguir em frente pois não há saída de Barra de Guaju a não ser pela praia e por uma estrada de areia aos pés das dunas.

Enquanto desatolava a minha moto vi que Luciano havia chegado a balsa. Pedi a Lara ir lá falar com ele para saber o que aconteceu. Luciano assegurou que estava tudo bem e  sob controle.  Desenterrei a moto e consegui levantá-la. Lara voltou bem na hora em que eu dei partida. Ela foi de buggy até Sagi. Mandei ver na areia fofa. Depois que a moto atinge uns 30km/h ela não atola mais porém fica sambando na areia. Tem que acelerar até uns 40km/h no mínimo para estabilizar. O trecho entre Barra de Guaju e a vila de Sagi tem uns 2,5km de muita areia. Cheguei em Sagi e em direção ao calçamento, a 10cm da rua de paralelepípedo .. levei uma queda. Sem maiores consequencias mas deu uma raiva enorme. Levantei a moto e estacionei-a próxima a calçada. De repente meu celular dá um alerta de mensagem. Era uma mensagem de Laplace -> “HELP!”.

Caramba, a mensagem havia sido enviada quase uma hora atras, antes de Luciano nos encontrar. Lara chega alguns minutos depois no buggy. Vamos esperar um pouco .. que vira mais tempo .. mais tempo e nada dos companheiros chegarem. Deu alguma zica.

Dois guris estavam queimando gasolina em dois UTV’s da Polaris, passando pra lá e pra cá sem muita coisa a fazer. Cheguei para eles e pedi ajuda. Tenho alguns amigos que devem estar precisando de ajuda entre Camaratuba e Sagi. Eles toparam ajudar, subi no Polaris e voltei em direção a Barra de Guaju para ajudar os amigos.

No meio do caminho encontrei Rodolfo, Eloy,  Luciano e Laplace. Cadê Demetrius ? Aí comecei a receber a conta-gotas os relatos do que acontecera aos companheiros.

Demetrius havia levado um tombo espetacular quando voltou para salvar Laplace. A moto entrou na água do mar, a viseira, o capacete e a go pro se soltaram e cairam na água. O relato impressiona:

Esse vídeo foi gravado um pouco antes de eu reencontrar os amigos. Eles estão na barraquinha de Barra de Guaju. Nesse momento eu já estava com Lara em Sagi, 2,5km adiante.  O interruptor do motor de arranque da moto de Demetrius ficou acionado o tempo todo com o motor de arranque ligado. Demetrius muito safo já resolveu depois de recolocar a moto em ordem de marcha (guidao empenado, paralama travado, gopro resgatada).

Decidi mandar Gabriela, a garupa de Eloy, e Laplace nos Polaris. Peguei a moto de Laplace e a trouxe pela estradinha nos pés das Dunas. A praia já estava alagada pela maré. Cheguei em Sagi sem incidentes. Minutos depois chegaram os Polaris e seus passageiros e pouco depois o restante do grupo.

resgate polaris

Fomos para uma oficina de motos em Sagi onde pneus foram recalibrados e o guidão da moto de Demetrius foi parcialmente desempenado. Chovia firme e constante uma chuva honesta. Lavamos as motos e tiramos umas 10 toneladas de areia das motos e dos pilotos.

Com a chuva intensa e o adiantado da hora, já eram quase 17hs, não ia dar para continuar na trilha até Pipa. O jeito era voltar para a BR-101. Eu, Lara, Eloy e Gabriela iríamos para Pipa. Laplace, Luciano, Demetrius e Rodolfo voltariam para João Pessoa e Recife.

Aí começou a chover. Muuuuuito. Chuva diluvial de proporções bíblicas. O céu escureceu definitivamente pouco depois das 16:30. A estrada entre Sagi e a BR-101 é de barro batido e cheia de pequenos buracos. Super molhada e escorregadia. Eu e Eloy encaramos só que eu mantive um ritmo mais forte porque não queria ter que rodar nessa estrada em péssimas condições e ainda por cima a noite com o farol alto queimado. Sim, descobri isso na noite anterior e fiquei tranquilo pois não imaginava que teria que rodar a noite considerando que partimos de Lucena as 9hs da manhã.

Rodar numa estrada de terra que você não conhece, com garupa, sob chuva torrencial e com a noite se aproximando não é uma experiência legal. Felizmente chegamos a BR 101 sem incidentes as 16:54 mas. Aí … a chuva que eu pensava que já tava no máximo começou a virar uma tempestade. Encharcado até os ossos, encaramos a BR-101 que é um tapete até Goianinha onde parei para abastecer. Eloy estava num ritmo mais lento e isso me preocupava. Já era noite fechada, a chuva não aliviava e a estrada de Goianinha para Pipa é muito sinuosa, cheia de lombadas e alguns buracos. Não estava afim de encarar essa estrada por muito tempo a noite escura. Como é uma estrada muito movimentada e cheia de vilas, mesmo que furasse um pneu não é difícil de obter ajuda. Decidi acelerar e seguir direto para Pipa chegando na Pousada Aconhego da Pipa as 17:47. Minutos depois, Eloy me avisa que tinham chegado sãos e salvos na Pousada Alemã.

Demetrius, Laplace, Rodolfo e Luciano vão um pouco atras, e pegam a BR-101 enfrentando muita chuva. Algumas horas depois, Luciano avisa que já estava são e salvo em casa em João Pessoa. Laplace, Dema e Rodolfo continuaram para Recife a noite e na chuva torrencial.

O raid não foi completo pois não fizemos o trecho entre Sagi e Baía Formosa, quando voltaríamos a praia e seguiríamos até Barra de Cunhaú, depois Sibaúma e a estradinha que vai dali até o “Chapadão” de Pipa. Não havia condições. Muito escuro, muita chuva e a maré alta iria impedir o passeio na praia entre Baía Formosa e Barra de Cunháu, onde pegaríamos outra balsa.

No fim, o passeio que deveria ter sido super tranquilo virou uma aventura com ares dramáticos e que para alguns era quase um pesadelo. Mesmo assim valeu a pena. Amizades se consolidaram e o valor da solidariedade em momentos de angústia foi devidamente apreciado pelos aventureiros.

Apesar do saldo positivo, existiram alguns erros. O maior foi ter subestimado a maré em Barra de Camaratuba.

Primeiro eu li a hora da maré erradamente.  A maré estava completamente seca as 11:23 pois o horário do site que eu vi era de Brasília, que no sábado ainda estava no horário de verão e dizia 12:23 … Ora, quando entramos na praia em Barra de Camaratuba já eram 13:26, portanto, a maré já estava enchendo há 2 horas. Esse ponto tem que ser atingido com a  maré ainda secando por pelo menos mais 2 horas que é para dar tempo de chegar a Sagi sem maiores complicações e ainda com sobra de tempo para pegar a praia entre Baia Formosa e Barra de Cunhaú, sem estresse. Em suma, estávamos 4 horas atrasados. Desse atraso, uma hora foi por erro de horário de verão. As outras 3 horas foram erro meu de não ter dimensionado bem o tempo entre Lucena e Camaratuba.

Entre Camaratuba e Guaju, eu e Lara fizemos de moto em 17 minutos. Isso porque no meio do caminho eu notei que os amigos haviam se atrasado e cheguei a voltar para ver o que estava acontecendo. Depois que vi que todos estavam na praia e rodando (a distancia), retomei o rumo em direção a Guaju e acelerei. Segundo o meu tracklog, foram 4 minutos de turn-around. Ou seja, o trecho entre Camaratuba e Guaju pode ser feito em 13 minutos, com garupa.

O ponto chave desse roteiro é a Barra de Camaratuba. Se a maré não estiver secando quando chegar e esse ponto, é melhor desviar para a trilha por dentro dos canaviais (que eu não conheço).

Entre Guaju e Sagi fica o trecho mais dificil. A praia é estreita e tem pedras encravadas na beira da praia. Tem que ter muito cuidado. A areia é muito grossa e fofa e a alternativa é a estradinha no sopé das dunas. Eu não conheço essa estradinha. Ela é muito usada por 4×4 que visitam essa região. Com a chuva, a estradinha estava razoavelmente fácil. Só que eu não sabia. O jeito foi ir pela praia mesmo. Porém, para os amigos seria tarde demais. A maré alagaria a praia toda. O ponto que quero demonstrar é que Guaju para Sagi talvez seja melhor pela estradinha, afinal de contas.

Eu e Lara ficamos na pousada esperando a chuva passar para irmos jantar com Eloy e Gabriela. Só que a chuva que já estava alagando a vila de Pipa engrossou ainda mais. Comemos um jantar por ali mesmo apesar dos convites insistentes de Eloy para jantarmos juntos. Só que estávamos relativamente longe para ir a pé na chuva. Mesmo assim, deu uma estiada e corremos para a Sorveteria Preciosa. Eloy/Gabriela ainda estavam jantando e decidimos nos encontrar na hora do almoço do domingo, faça chuva ou sol. Sim, a previsão de tempo era que ia chover para caramba no domingo.

Felizmente amanheceu um belo dia ensolarado. Formos para a praia, tomamos uma água de coco com Eloy/Gabriela e voltamos para a Pousada Aconchego da Pipa, empacotamos as coisas e pegamos a estrada de volta para Recife. Pequena pausa para calibrar os pneus em Goianinha, onde Lara fez um lanchinho e eu comi uma coxinha (canibalismo) e tomei um café para ficar esperto. Eram 13:15 da tarde quando pegamos a BR-101 pra valer sentido sul para irmos para Recife. Dia ensolarado, viagem sem maiores incidentes. Paramos no Rei das Coxinhas 2 horas depois. Mais canibalismo e 3 coxinhas de camarão com catupiry para nossas filhas que nos aguardavam em Recife. O tempo já não estava mais tão ensolarado e lá longe dava para ver que as nuvens carregadas ameaçam dar outro banho na gente. Passei com cuidado na curva depois da fronteira PB/PE um pouco antes de Goiana onde eu imaginava que tinha sido a queda de Laplace. Eu só viria a saber com certeza o local da queda na segunda-feira de manhã. Realmente o local é perigoso, uma curva numa descida com algumas ondulações na pista, piche e resto de cana-de-açucar esmagada. Deve ficar um sabão. Isso a noite então é um acidente esperando acontecer.

Chegamos em casa as 16:20 felizes por mais uma aventura.

Minha esposa Lara foi magnífica. Com espírito de aventura, não reclamou uma vez sequer do frio, calor, umidade, areia, sal, lama, buraqueira, fome, sede, medo de cair ou qualquer coisa que fosse. Sempre encarou na boa e com excelente humor. Ficou um bocado preocupada com os amigos que se atrasaram e no fim ficou aliviada porque não houve nada sério, apenas os perrengues típicos de uma aventura de trilha light do Bokomoko.

Segue o tracklog do passeio

https://www.wikiloc.com/wikiloc/spatialArtifacts.do?event=view&id=22752779&measures=off&title=off&near=off&images=off&maptype=SPowered by Wikiloc

 

 

O provedor de internet afeta a velocidade do meu acesso ?

Sim, o provedor afeta a qualidade e a velocidade da internet do usuário.

Entenda que um provedor é nada mais do que um “atacadista” de internet. Ele compra internet de um provedor MAIOR em atacado, em grande “quantidade” (na verdade em grande velocidade) e revende no “varejo”, em pequenas partes, para os seus clientes.

Por exemplo, um provedor pequeno (vamos chamá-lo de tartaruga) compra 1000 megabits por segundo de um provedor maior (vamos chamá-lo de coelho). Como ele está comprando uma velocidade grande dessas, o coelho dá um desconto para tartaruga.

O coelho então faz a conexão em alta velocidade entre a sua sede e a sede de tartaruga.

Tartaruga liga a sua rede a conexão que coelho proveu e acessa a internet.

Aí um cliente de tartaruga, vamos chamá-lo de caramujo, compra de tartaruga um acesso de 10 megabits por segundo. Como tartaruga tem 1000, caramujo vai ocupar 10, sobram 990 megabits para tartaruga vender para outros otário.. .quer dizer … clientes. Tartaruga então vai passar um cabo de fibra ótica, ou coaxial ou fio de cobre entre a sua sede e a casa de caramujo. Em cada ponta do fio/fibra/cabo tartaruga instala um “roteador” para interligar os equipamentos da casa de caramujo a rede de tartaruga em sua sede. Essa ligação pode ser feita inclusive via rádio. Assim que os provedores em geral funcionam, inclusive os provedores via rádio.

Ora , se tartaruga vende acessos de 10 megabits e ele tem 1000 megabits significa que tartaruga só poderia ter 1000/10 = 100 clientes como caramujo.

Aí começa a malvadeza dos provedores de acesso. No ramo de provedores essa malvadeza se chama “colocar água no leite”. Ou seja, tartaruga compra 1000 megabits por segundo mas vende muuuuuuuuito mais do que esses 1000 megabits.

Suponha que tartaruga tenha 100 clientes de 10 megabits por segundo cada um. Então 100 * 10 = 1000 megabits que ele comprou de coelho .. até aí tudo bem.

Mas e se tartaruga vender para outros 100 clientes os mesmos 10 megabits ?

Ele vai ter 200 clientes cada um a 10 megabits por segundo, portanto ele vendeu 200 * 10 = 2000 megabits ! É o dobro do que ele compra de coelho !!! Como pode isso ?

O que acontece é que a maioria das pessoas, quando acessa a internet apenas para navegar na web, enviar/receber email, mandar/ mensagens via skype/whatsapp, passa a maior parte do tempo LENDO/ESCREVENDO o conteúdo e só alguns momentos usando de fato a capacidade de recepção/transmissão da internet.

Por exemplo, quando você acessa o site de perguntas e respostas para escrever uma pergunta, você acessa a página, ela é transmitida para o seu computador. Aí para a transmissão, a sua internet fica ociosa. Enquanto você está lendo a página e depois escrevendo a pergunta, nada é transmitido/recebido. O seu provedor não envia nem recebe dados. Fica ocioso. Quando você escreve tudo e clica no botão enviar, só então os dados são transmitidos. Acontece que tanto a página que você leu como a pergunta que você enviou são pequenos. Tem poucos dados e são transmitidos/recebidos rapidamente. A internet volta a ficar ociosa.

Justamente por causa do caráter de uso intermitente da internet que as pessoas fazem, permite-se que o provedor venda MAIS do que COMPROU. Enquanto você está lendo a sua mensagem, outro usuário do provedor está baixando de fato uma página.

Bom, isso acontecia muito antigamente quando a internet era basicamente só texto. Por causa dessa característica, era comum o provedor vender algo em torno de 50 a 100 vezes mais do que comprou. E o curioso é que ninguém percebia lentidão alguma.

Aí o tempo passa, o tempo voa, a internet vai se sofisticando e passa a trafegar imagens (opa, é muito mais dados), som (mais dados ainda) e vídeo (aí laskou de vez porque é dado pra caramba). Ahá ! Com o advento da multimídia a demanda de transmissão de dados aumenta muito.

Para assistir um video na internet, no youtube ou netflix, quando você dá play, o vídeo tem que ser transmitido em alta velocidade e em grande quantidade de dados. O usuário de internet fica sem fazer nada enquanto os dados são transmitidos. O mesmo acontece quando se vai fazer um download (ou upload) de um arquivo, de um jogo, de um programa. São muitos dados transmitidos. O mesmo acontece com jogos online em que os comandos do jogador e as modificações no campo de jogo são transmitidas/recebidas continuamente.

Aí os provedores que colocavam muita água no leite não conseguem manter a velocidade percebida.

Voltando ao exemplo de tartaruga, que vendeu 2000 megabits (para 200 clientes) apesar de ter comprado apenas 1000 megabits de coelho.

Se todos os 200 clientes de tartaruga decidirem acessar a internet ao mesmo tempo então os 1000 megabits que ele compra de coelho terão que ser divididos entre os 200. Isso significa que 1000/200 = 5 megabits ! Epa !! que história essa ? Os clientes de tartaruga estão pagando por 10 megabits  e só estão recebendo 5, metade disso !! AHá !!! Aí está a água no leite.

Como estatisticamente a probabilidade de TODOS os 200 clientes de tartaruga estarem em casa ao mesmo tempo e todos fazendo download ao mesmo tempo é praticamente nula, não se percebe problema. Porém, se todo mundo começar a usar … aí a rede fica lenta. Por isso que existem horários em que a internet é mais lenta e em outros horários a internet é mais rápida.

Para tornar mais cruel esse lance da água no leite, a ANATEL no Brasil em 2018 permite que a velocidade real disponibilizada para os cliente seja apenas 10% da velocidade nominal contratada. Isso significa que se você paga por 50 megabits, você só pode exibir um décimo dessa velocidade, 5 megabits. Em teoria os provedores podem vender 10 vezes mais a sua banda nominal. Na verdade eles vendem muuuito mais que isso e aí acontecem as oscilações de qualidade entre um provedor e outro.

Então porque a escolha do provedor pode afetar a velocidade da internet ?
Pense bem, se tartaruga compra 1000 megabits e vende para 200 clientes ele vai ter uma velocidade percebida melhor do que outro provedor chamado LentaNet que compra os mesmos 1000 megabits mas vende para 600 clientes.

Agora pense bem, da mesma forma que tartaruga e LentaNet compram de coelho, coelho compra de um provedor MAIOR ainda um enlace de 10.000 megabits para vender para um monte de tartaruga’s e LentaNet’s, portanto o problema da água do leite continua nessa escalada para cima. O que quero dizer é que você pode ser cliente de um provedor que é cliente de um provedor que é cliente de outro provedor que é cliente de outro provedor …. e cada um deles vai ter a sua velocidade e a velocidade final que você vai perceber é uma mistura das velocidades derivadas de cada um desses enlaces.

Outro aspecto interessante é o da interconexão.

Suponha que a OutraNet seja um provedor na mesma cidade que tartaruga e LentaNet. Suponha que OutraNet está ligando a um provedor diferente de coelho. Vamos chamá-lo de ChitaraNet. O mesmo esquema, ele compra de um provedor maior que nem tartaruga faz com coelho.

Agora imagine que na rede de tartaruga tem um servidor de jogos muito legal, com uma turma boa e animada. Os usuários de OutraNet jogam muito nesse servidor. A rede de OutraNet tem que dar a volta ao mundo para sair pela ChitaraNet, ir até o provedor de ChitaraNet passar não sei por onde e em algum momento entrar na rede de coelho e dentro da rede de coelho chegar a tartaruga onde está o servidor de jogos.

O administrador de OutraNet percebe então que esses usuários do jogo estão ocupando a saída para a internet apenas para se ligarem a um servidor que está do outro lado da cidade. Esse administrador é esperto e liga para o administrador de tartaruga e propõe o seguinte : “Olha, tenho muitos usuários que acessam seu servidor. Tanto eu como você estamos pagando caro para nosso provedores para essa galera jogar. Que tal se a gente ligasse nossas redes diretamente entre si, sem intermediários ? Os jogos ficariam mais rápido e a gente não ocuparia nossa saída para a internet”. Tanto para tartaruga como para OutraNet é interessante “trocar tráfego” entre si já que existe um volume de tráfego grande. Dependendo do volume pode sair mais barato ligar direto. Além disso, um pode usar a saída do outro para internet em caso de pane no provedor. Isso é o que se chama de interconexão.  Eles concordam e estabelecem o enlace entre um e outro e dividem a conta. Esse é o princípio da “teia” da internet.

Então, se ao tentar acessar um servidor na internet, onde quer que seja, pode ser um servidor de web, de vídeo, de áudio, de email, de arquivos, de jogos, seja o que for … pode acontecer de ter mais de um caminho para chegar a esse servidor. Quanto menor for o caminho, mais rápido será o acesso.

Isso significa que a velocidade de fato muda de um provedor para outro mas dependendo do que você vai acessar, pode ser que o provedor que é lento para todo mundo seja suficientemente rápido para você.

Os provedores de acesso promovem a utilização da sua própria rede para diminuir o uso da saída para a  internet que é cara. Por isso os provedores locais criam seus próprios servidores locais de jogos para que os usuários não esgotem sua saída para internet.

 

A comoditização dos sistemas de gestão empresarial.

Nos últimos 25 anos, recursos computacionais antes acessíveis apenas a grandes corporações se tornaram mais baratos e empresas de todos os tamanhos puderam implantar sistemas que trouxeram ganhos enormes de produtividade nos processos administrativos, operacionais e gerenciais das empresas. Para atender as demandas de gestão, diversos fabricantes de software criaram os sistemas de gestão e planejamento empresarial, os famosos ERP’s (enterprise resource planning).

A disputa acirrada pelo mercado de ERP’s fez com que os fabricantes de software buscassem atender os mais variados aspectos da gestão empresarial, adicionando funcionalidades numa disputa em que os maiores beneficiados foram as empresas. Hoje os ERPs possuem mais funções e são utilizados por cada vez mais departamentos dentro da empresa típica. Finanças, logística, vendas, controladoria, recursos humanos, marketing, produção industrial, relacionamento com cliente e até a presença da empresa nas redes sociais já são funcionalidades comuns encontradas nos principais ERP’s do mercado.

Mesmo com a redução de custos mencionada acima os ERP’s ainda são caros. Essa abundancia de funcionalidades é fruto de um fenômeno chamado de “evolução convergente”. Qualquer diferencial funcional que um ERP tem sobre outro é rapidamente copiado e implementado pelos concorrentes. O diferencial competitivo dos fabricantes de ERP ainda é fortemente baseado na qualidade de atendimento pós-venda, nos serviços de valor agregado após a instalação e ativação do ERP. Num mercado cada vez mais exigente, esta qualidade de atendimento deixa de ser um diferencial para ser um pré-requisito básico para permanecer no mercado. Com a evolução convergente e a adoção de metodologias de atendimento, a diferenciação competitiva passa a ser o preço da solução, uma característica das commodities. Por isso que os ERP’s tendem hoje a comoditização.

Se os ERP’s estão cada vez mais equivalentes em termos funcionais, ao mesmo tempo boas práticas de gestão são adotadas pelas empresas de forma mais profissional. Isso também leva a uma convergência de padrões de funcionamento operacional entre empresas do mesmo segmento. Um hospital vai ter processos da área financeira/contábil muito parecidos com os processos de outros hospitais. A forte regulamentação de alguns segmentos impõem práticas idênticas a empresas diferentes. Um exemplo é o sistema de SPED fiscal e contábil que praticamente impõem as empresas a adoção de planos de contas contábeis virtualmente idênticos em sua estrutura, diferenciando-se apenas nos níveis mais analíticos, se tanto. Tudo isso contribui para que os processos das empresas fiquem ainda mais parecidos entre si.

Somando-se assim a padronização dos processos e a oferta muito parecida dos ERP’s, o problema está posto: Como se diferenciar num mar de commodities de sistemas e de “boas práticas” de gestão?

Para tirar o melhor proveito da redução de custos que a comoditização dos sistemas de gestão proporciona é preciso preservar alguma forma para promover o diferencial competitivo. O ganho da redução de custo com o aumento da produtividade agora é um lugar comum. O diferencial competitivo virá da capacidade de atender o mercado de forma mais ágil e mais peculiar. A “pessoalização” (neologismo proposital) do atendimento ao cliente já é uma realidade quando se vê o relacionamento 1 a 1 que as redes sociais proporcionam entre as empresas e seus clientes consumidores. Isso não está completamente resolvido, como se pode ver no espetáculo de sucessos e fracassos de interações entre empresas e clientes na teia complicada das redes sociais. Uma falha num atendimento a um cliente em particular pode se tornar um vexame de repercussão mundial se o vídeo do mau atendimento se tornar viral. Ao mesmo tempo, um atendimento especial e diferenciado a um cliente pode ser alvo de elogios nos Facebooks da vida (vide o caso da assistência técnica de Iphone em São Paulo).

As estratégias para diferenciação no mercado precisam se apoiar nos mesmos princípios de integração e redução de custos. É preciso diferenciar e ao mesmo tempo integrar os processos, principalmente no relacionamento da empresa com clientes e fornecedores/parceiros e também é preciso ter essa integração garantida nas inovações dos processos internos, interdepartamentais. Inovações criadas num departamento devem ser integradas aos sistemas e controles corporativos de forma econômica, eficaz, rápida e principalmente barata.

A tecnologia de informação pode ser um instrumento importante para se obter o melhor dos dois mundos: a redução do custo aliada da maior eficácia/eficiência das práticas consagradas e a capacidade de inovar, de fazer diferente, agregando valor consistente de forma inequívoca a empresa e aos personagens envolvidos. Ora, se o recurso é commodity, tanto melhor. Vamos compra-lo mais barato. Ao mesmo tempo, vamos buscar o diferencial.

Para se obter tal combinação paradoxal de padronização e diferenciação, os requisitos que são impostos pelo mercado à empresa (agilidade, leveza, rapidez, economia, diferenciação) devem ser repassados às soluções de TI da empresa. Considerando que o ERP deixa de ser um diferencial (hoje é mais uma necessidade), não será através dele que a diferenciação será obtida. Outra ferramenta deve ser adicionada ao portfólio da área de TI mantendo a rapidez, o custo baixo e promovendo e preservando as integrações. Isso pouco combina com ERP. O mercado maduro e aculturado já sabe que ERP é caro, demora para ser implantado, requer um esforço enorme para ser instalado e move-se de forma lenta no quesito de inovação.

São notórios os casos de implementações de ERP com muita customização que atingem custo elevadíssimo, demoram tanto que quando são concluídas o cenário que a empresa enfrenta já mudou completamente e a customização nasce obsoleta após consumir recursos críticos que poderiam ter sido melhor utilizados em outro projeto. As tentativas de fazer o elefante dançar um novo ritmo resultam em uma sala de cristais quebrados e oportunidades perdidas. Os poucos que sobreviveram a customização grande incorrem em custos ainda maiores de propriedade. Não é fácil atualizar o ERP customizado para uma versão nova aderente a uma nova regulamentação ou legislação. Análises de impacto para migração custam caro, demoram e só pioram o cenário.

O que o mercado consumidor de ferramentas de gestão precisa é uma ferramenta que se acople ao ERP sem ferir suas regras de controladoria e os seus processos e que ao mesmo tempo seja leve e ágil para proporcionar uma capacidade de integrar mais processos novos aos processos antigos, sem mexer no núcleo caro do ERP. Novamente a tecnologia vem ao socorro. Os fabricantes de ERP já dispõem de tomadas para que softwares de terceiros sejam plugados a solução corporativa. O que falta é criar essas aplicações satélites ao ERP de forma rápida, barata e moderna. Os requisitos do mercado são características dessa nova ferramenta que deve funcionar na grande rede, integrar-se com os sistemas corporativos legados desenvolvidos nas mais diversas tecnologias (umas atuais, outras nem tanto), ser capaz de funcionar em dispositivos móveis, ter uma interface completamente voltada ao usuário, ter inteligência para realizar processamentos preliminares antes que os dados sejam definitivamente introduzidos no ERP. Essa ferramenta deve ter performance escalável que a permita atender a um grande número de usuários internos na corporação e na rede mundial com baixo custo de propriedade. Além disso, tal ferramenta deve ser versátil para poder atender os diferentes aspectos do funcionamento moderno com dados multimídia (vídeo, áudio, imagem, etc), georreferenciamento, integração com as redes sociais. Tal ferramenta deve ser capaz de reaproveitar o conhecimento das novas regras de negócio e reutilizá-las de forma integrada.

A Procenge, como fabricante de ERP de alcance nacional, enfrenta esse desafio através da sua linha de produtos Innfluit que vem atender justamente essa necessidade de adequação rápida aos novos cenários que seus clientes tem que encarar. O Innfluit permite que novas aplicações específicas para cada cliente sejam desenvolvidas rapidamente e de forma integrada, com custo muito baixo e valor agregado alto. Processos novos que exigiriam um esforço grande para serem integrados ao ERP corporativo agora podem ser implementados rapidamente com garantida de qualidade e de usabilidade com reflexo instantâneo na produtividade da força de trabalho da empresa cliente. O Innfluit é capaz de se integrar aos principais ERP’s do mercado nacional com esforço muito pequeno.

Para o gestor corporativo, saber que pode contar com a área de TI para ser uma gente importante nas ações estratégicas da empresa é um alívio. Se antes a preocupação ao tomar uma decisão estratégica era se o ERP iria arrastar a empresa, a preocupação agora passa a ser se o gestor de TI compartilha da visão estratégica, se tem conhecimento dos negócios e processos internos da corporação e se tal gestor de TI está constantemente monitorando tais processos visando otimizá-los com mais forte integração, com modernização das interfaces dos sistemas legados e até mesmo implementação de um processo automatizado que antes era feito manualmente ou com o auxílio das onipresentes planilhas em Excel. O papel do gestor de TI deixa de ser do defensor do sistema aplicativo e sim um promotor de integração de processos com uma visão convergente com a estratégia da empresa. O gestor de TI deixa de ser um portador de más notícias e passa a ser um catalizador de novos projetos que trarão a diferenciação e aumento da competividade da organização.

Definição motociclística de tatu

armadillo_black_white_line_art_coloring_book_colouring-4444pxHá anos eu escrevi um artigo aqui no blog mostrando o significado do termo “coxinha” para os motociclistas. O artigo era muito necessário numa época de polarização política. Coxinha em termos políticos tem um quê de pejorativo. Já em termos motociclísticos, tal termo é na verdade algo até carinhoso.

Para todo ponto existe um contraponto. Para toda tendência existe uma antitendência e para opor-se aos coxinhas existem os tatus. Mas o que é tatu em termos motociclísticos?

Uma imagem vale mais do que mil palavras e um vídeo vale mais do que um post com mil palavras. Esse vídeo abaixo, de uma rede de concessionárias BMW nos Estados Unidos, dá uma ideia bem próxima do que é ser tatu.

O tatu é um estado de espírito motociclístico. O tatu não quer o fácil, não quer o que todo mundo faz. O tatu quer ir onde poucos (ou nenhum) foram. Tanto melhor. O tatu pede orientações na estrada só que de um jeito diferente. Onde “não passa” é por onde o tatu vai. Onde “a estrada está ruim” é por onde o tatu quer ir. Onde tem areia, lama, água, rio, pirambeira, barranco, buraco, rieira, erosão, batente, porteira fechada, mar, riacho, escuridão, frio, calor, vento, neve, poeira, duna, atoleiro, mata, deserto, tronco caído, é por aí que o tatu quer ir. Dá para ver que tatu é especial. E não só por isso.

O tatu não se interessa muito pelo destino. Assim como todo bom motociclista, ele se preocupa mais com a jornada. O tatu se prepara e também improvisa. O tatu vai chegar lá de algum jeito. Vai levar a moto até onde não é mais possível seguir sobre duas rodas. E ainda assim, o tatu fica imaginando como poderia transpor o rio intransponível, subir o barranco íngreme, atravessar o lamaçal, superar o areial. Ao contrário dos coxinhas, o tatu tenta tudo. Tenta tu aí. Tem tatu aí. Se tem tatu, tem aventura.

O tatu é o aventureiro sobre rodas e a sua moto é a sua companheira. A moto do tatu é diferente da moto do coxinha. Moto de tatu é equipada porém sem supérfluo. O tatu não se preocupa tanto com a forma e mais com a função. A prioridade é a capacidade da moto de superar obstáculos. Pneus off-road, protetores de motor, protetores de mão, ferramentas, cordas, materiais para reparos diverso entre outros acessórios e ferramentas fazem parte do arsenal do tatu. Entre todos esses equipamentos o principal: o espírito destemido e abnegado, a técnica e a determinação que vem com o piloto tatu.

Identificar um tatu é fácil. Nos postos de gasolina as motos dos tatus são as mais sujas. Eles não se importam. Nos estacionamentos dos pontos de encontro é fácil saber quem é o tatu. São os que descem das motos com arranhões, são cicatrizes das aventuras, cada uma delas com uma história de superação. Nas lojas de acessórios e boutiques de motos também é fácil identificar um tatu. Ele não se importa muito com a tendência da moda dos calçados ou das roupas. Ele quer saber se é resistente, se faz frio ou se faz calor, se aguenta o rojão de passar dias sem ser lavada. Se aguenta o rojão de passar dias sendo lavada pela chuva, ou pela poeira ou pelos dois juntos. Acredite. É possível. Para um tatu é possível. Chama-se “trilha das 4 estações” e acontece quando um tatu leva a sua moto e num mesmo dia enfrenta todos os tipos de condições climáticas.

O tatu preserva a sua moto mas não a idolatra. O tatu curte a moto pelo que ela proporciona de emoção, do que ela exige de técnica e domínio do piloto. O tatu curte a moto pelo que ela é capaz de fazer com ele montado nela. O tatu não é exibicionista, não faz questão de ir de moto para tomar cerveja com outros tatus. Ele faz questão de se aventurar, de se permitir. E de encontrar com outros tatus. Se for na terra, melhor ainda.

O tatu não se incomoda se está perdido no meio do mato. O tatu não se incomoda se o design do pneu não é bonito. O tatu não se incomoda se o adesivo da moto caiu. Não se importa se o seu “colete” tem brasão de moto clube. O tatu só se importa com uma coisa: você tem coragem de ir onde outros não vão? Se você tem essa coragem, você é um tatu.

O que o tatu gosta? Ele gosta da terra, gosta da aventura, gosta da sua moto para levá-lo para esses lugares. O tatu vai ajudar outro tatu diante de uma dificuldade mas antes ele vai dar umas risadas do tombo, da atolada, da saída pela tangente na curva, da peça de bagagem que caiu da moto, do caminho errado que o guia pegou, da trilha marcada no gps, das fotos da moto atravessando o rio, ou o lamaçal, ou a duna, ou a enchente, ou a poeira, ou a fumaça de uma queimada, ou o deserto, ou o rebanho de cabras no meio do sertão brasileiro.

O tatu é o companheiro das aventuras que você sempre quis fazer e a pasteurização da vida urbanóide impediu. Para os tatus os fabricantes de moto criaram as bigtrails. Assim como o vídeo acima demonstrou, o tatu não precisa de muito. Não faz reservas (de hotel). Nem tem reservas (a quem quer que seja). O tatu está lá para curtir o motociclismo de fato, o motociclismo rústico, o motociclismo em que o mais importante é o piloto e não a moto endeusada.

O tatu adora a terra e daí que vem o seu nome. Entre o caminho 100% asfalto e a estradinha ruim cheia de buracos e que todos dizem que “não passa”, advinha qual é a que o tatu prefere ?

Essas já seriam diferenças suficientes para separar o tatu dos outros animais moticiclísticos. Só falta a diferença básica. A atitude e o comportamento diante dos tombos.

O tatu cai. Sim, embora não pareça, os tatus também são suscetíveis a lei da gravidade. Tatu leva tombo. E mais do que isso, tatu sobrevive ao tombo, encara como uma oportunidade de aprender. O tatu reflete sobre o erro que cometeu e melhora a técnica, aprende com o erro. Tatu não se vangloria de “nunca ter caído”. Se nunca caiu é sinal de que não explorou o limite da pilotagem.

Ninguem pilota uma moto para levar um tombo. A ideia é de fato não cair. Só que cair faz parte da vida. É preciso conhecer o seu limite e o tombo/queda é o marco. Quanto um tatu cai a primeira coisa que ele faz é pensar “Poxa, que foi que eu fiz errado?”. O tatu não põe a culpa nos outros. O tatu encara a merda que fez e a limpa. O tatu aprende com o erro. As vezes … precisa de dois erros para ele entender. Nem todo tatu é inteligente. Esse não é o ponto forte, inteligência. O ponto forte é a determinação.

Quando encontrar um tatu montado na sua moto, fique certo que ele estará disposto a compartilhar o caminho que fez ou pretende fazer, trocará uma dica, perguntará sem vergonha, buscará ajudar sem pensar em obter alguma vantagem. O tatu é antes de tudo um motociclista e como tal tem um senso de comunidade e participação mais aguçado. Assim como o amigo coxinha, o tatu não se nega a ajudar, não deixa o companheiro para traz. O tatu cuida do seu grupo.

Então quais são as diferenças entre os tatus e os coxinhas ?

Se a moto cai: O coxinha entra em desespero e perde o gosto pela moto. O tatu levanda, sacode a poeira e segue em frente.

Se a moto suja: o coxinha imediatamente lava, poli, esfrega e se for o caso troca de moto. O tatu não liga. Se alguém perguntar como foi que sujou ele vai contar a saga da trilha/passeio que fez.

 

 

 

Filtro de óleo – comparação

Filtros de óleo são componentes de motor daqueles que nunca ouvimos falar exceto quando o mecânico diz que tem que ser trocado. O filtro bom é aquele que funciona sem que o notemos. Mas como funcionam? Quais as diferenças entre um filtro de óleo e outro? Qual o filtro mais adequado para a moto?

oil-filter-flow-01Nessa figura dá para ver como um filtro de óleo funciona. A bomba de óleo do motor força o óleo para dentro do filtro através dos furos mais externos da parte de baixo do óleo. O óleo então entra no filtro e atravessa o elemento filtrante, normalmente feito de celulose e/ou fibras sintéticas, e segue para o centro do filtro onde é coletado e sai pelo furo no centro, voltando ao motor. No fundo do filtro, no lado oposto da rosca que o fixa ao bloco do motor, tem uma válvula de bypass. Essa válvula é resistente até uma certa pressão que se ultrapassada proporciona a abertura dessa válvula. O óleo então passa direto sem ser filtrado, bypassando (?) o elemento filtrante. Quando o óleo está frio se torna mais viscoso e de fluidez menor. Para evitar que o óleo viscoso “entupa” o filtro e deixe de circular no motor (com consequências catastróficas) essa válvula abre e deixa o óleo passar direto. Quando o óleo aquece, a pressão diminui e o óleo passa a ter que circular pelo elemento filtrante normalmente. Além do óleo frio, outra coisa que pode causar a abertura dessa válvula é a idade do filtro. A medida que o tempo vai passando o filtro vai entupindo com as impurezas e sujeiras do motor até um ponto em que filtra mais nada. A pressão acumula e a válvula abre, deixando o óleo passar. Está na hora de trocar o filtro quando isso acontece.  Na figura pode-se ver também um anel laranja que fica logo após os furos de entrada de óleo. Esse anel é feito de borracha nitrílica ou de silicone e funciona como uma válvula antidrenagem. A ideia é evitar que o óleo que está dentro do filtro escorra para fora quando o motor é desligado. Essa válvula antidreno serve para manter o circuito de dutos que leva óleo ao motor sempre cheio de óleo.

A explicação introdutória acima foi simplificada com fins didáticos. Outros detalhes podem ser obtidos no site da FRAM, renomado fabricante de filtros de óleo.

Depois dessa breve introdução de como o filtro de óleo funciona vamos mostrar como são os filtros de óleo na vida real e fazer um comparativo entre dois tipos de filtro aplicados em motos BMW F800 GS.

Meu amigo João Guerra há muito sugeriu que fizéssemos uma comparação entre o filtro de óleo original da BMW e a alternativa recomendada em vários sites e fóruns, o filtro de óleo do Ford KA, que sai muito mais barato. Eu havia montado um filtro de KA na minha moto e JG só esperava a hora de eu trocar de filtro para comparar com o filtro dele.

Aqui estão os filtros que vamos examinar. O branco é o filtro do Ford KA  e o preto é o filtro original da BMW, fabricado na Áustria. Apesar de funcionalmente equivalentes, existem algumas diferenças notáveis. A primeira é o tamanho. O filtro do KA é bem maior, tem um volume maior. Observem que os furos pequenos na boca do filtro são por onde o óleo é bombeado para dentro do filtro. O buraco maior central, que tem uma rosca, é por onde o óleo filtrado sai. Na parte mais externa tem o o-ring de borracha que veda/sela o filtro junto a sede dele no bloco do motor. Diferenças externas anotadas, agora vamos dissecar esses filtros.

Eis o filtro BMW. Ao redor do elemento filtrante tem uma fita de celulose/plástico. Imagino que sirva como um direcionador do fluxo para a parte mais central do elemento filtrante. No fundo tem uma mola bem forte que mantém o elemento filtrante firme junto a boca do filtro. No centro da mola tem uma peneira de metal cobrindo a válvula de bypass. Não há válvula antidreno.

Aqui dá para ver em detalhes a mola que fixa o elemento filtrante na carcaça, a peneira de metal que cobre a válvula de bypass, esse círculo preto no meio do núcleo do filtro. A válvula tem uma mola muito dura no interior e a tampa da válvula é de borracha/plástico bem deformável. A vedação é bem forte e segura e a pressão para acionar a válvula é bem grande.

Agora vejamos o filtro do Forda KA.

Aqui aparecem mais diferenças entre os filtros. Além da óbvia diferença do tamanho do elemento filtrante, este filtro possui uma válvula antidreno que fica ao redor dos furos da boca do filtro. No fundo do filtro, não tem uma mola como no filtro BMW e sim um suporte que fica sob tensão quando o filtro é montado, forçando o núcleo do filtro contra a boca.

Retiramos o elemento filtrante e agora dá para ver as carcaças dos filtros. Os furos do filtro Ford são menores e mais numerosos e dispostos de forma helicoidal por todo o eixo da carcaça. Os furos do filtro BMW são maiores e em menor número e estão numa faixa a cerca de 2/3 do comprimento. Isso pode explicar porque a fita cobre uma parte do elemento filtrante. O metal utilizado no BMW é lata bem flexível.  Já o Ford é bem rígido e mais robusto. Curiosamente, a capa externa que envolve o filtro (primeira coisa que abrimos) é mais fina no Ford e mais dura no BMW.

Aqui as duas válvulas de bypass em comparação. A válvula do BMW tem uma mola de espessura bem grossa, tem um curso longo e é bem tensa. A tampa é de borracha/plástico e o acabamento é superior. A válvula do Ford tem uma mola com um fio bem fino, parece um arame, o curso é curto e tensão é baixa. O acabamento é inferior.

Eis a válvula do filtro BMW em ação

Conclusões.

Os filtros são funcionalmente equivalentes e um tem vantagens sobre o outro e vice-versa. O filtro BMW é mais bem acabado, ocupa menos espaço e é mais robusto. Isso é particularmente importante pois nas F800 GS o filtro está bem exposto a pedras e objetos que podem atingi-lo. A válvula de bypass é mais robusta e bem acabada.

O filtro Ford tem maior volume e é equipado com uma válvula antidreno que é particularmente útil numa motocicleta. Isso evita que o motor rode aqueles poucos segundos sem óleo assim que ligamos a moto. O óleo é retido no circuito e rapidamente volta a lubrificar o motor. Considerando a aplicação de para/anda no tránsito da cidade e os tombos que levamos no off-road, essa válvula antidreno se torna uma vantagem.

O filtro BMW por ser mais curto se dá melhor com os protetores de carter que equipam as motos. Principalmente os protetores de carter que envolvem o próprio filtro e que por isso são altamente recomendáveis. Já o filtro Ford, por ser maior, não cabe em todos os protetores. O protetor padrão BMW que equipava as F800GS Trophy fica exatamente na medida com um filtro Ford. Ambos os filtros requerem que os protetores de metal sejam removidos para efetuar a troca. Apenas o protetor simbólico de plástico (o standard que equipa as F800gs) não requer a remoção.

Além dessas características técnicas, vale lembrar que o filtro BWM pode ser encontrado fora das concessionárias por algo em torno de R$ 60,00 a R$ 90,00. Nas concessionárias custa mais de R$ 150,00. Já o filtro Ford custa algo perto de R$ 20,00.

Considerando todas as características, diria que não vale a pena a economia do filtro do Ford KA. Economizar 50 ou 70 reais a cada 10 mil km é muito pouco e se levarmos em conta o inconveniente do comprimento maior e eventual incompatibilidade com os protetores de carter, o filtro Ford não é uma boa ideia. Porém, é importante saber que existe essa alternativa, principalmente em situações de viagem por lugares muito remotos em que não é fácil achar uma revenda BMW. Ou até mesmo na civilização onde até tem a revenda mas faltam peças.

Meus sinceros agradecimentos a João Guerra pela iniciativa e pelo apoio logístico (filtros, ferramentas de corte, ideias, etc).

Aguardem mais artigos como esse do JG & BM Labs !